O SEM NOME
Um homem que tem nome e não tem nome
Numa terra qualquer, que não é sua,
Nuns dias a comer, noutros, com fome,
Esmolando o dia-a-dia em cada rua,
Numa busca incessante, que o consome,
Que o faz ser quem não é, que o desvirtua,
Que o leva a não saber que rumo tome
Na estrada que a miséria tornou crua…
Esse homem que partiu, talvez não volte…
Talvez essa miséria nunca o solte,
Talvez a fome o leve um destes dias,
Talvez seja mais um dos que, à partida,
Arriscaram – quem sabe? – a própria vida
Por causa do tal excesso em que vivias…
Maria João Brito de Sousa
IMAGEM RETIRADA DA INTERNET - "O Emigrante" - Charlie Chaplin
Lindo :')
ResponderEliminarE dá bastante que pensar :)
:) Olá, Paper! Eu também acho que este é mesmo para pensar. Vou ter de sair porque já estou a "furar" o horário do almoço, mas eu ainda te visito hoje!
EliminarAbraço!
“Ergue-te Zé”
ResponderEliminarAi coitadinho do Zé Povinho
Jaz quase morto, esticadinho
Nas vielas dum triste caminho
Ergue-te Zé, não sejas tolinho
Anda aqui beber um copinho
Este brota directo do jarrinho
Vai do branco ou do tintinho?
Qualquer um te faz rosadinho
Quanto estiveres bem regadinho
Faz-lhes aquele gesto perfeitinho
Irão perceber num instantinho
Que o nosso manguito é potente
Pensarão duas vezes certamente
Antes que se metam com a gente.
: )
EliminarEste Zé Povinho é um personagem magnificamente conseguido!
No caso do Zé Povinho,
Homenageio Bordalo
E aceito esse gestozinho
Do Zé a erguer um falo...
Há anos que ele se mantém
Sempre mais do que actual
E sem fazer mal nem bem
Faz muito mais Bem que Mal...
Traz consigo uma ironia
Difícil de conceber
- ou difícil de aceitar... -
Nessa mão - quem o diria? -
É que ele faz acontecer
Quanto trabalho criar...
:D Abraço!
E os excessos levam tanta vez a essas vidas...
ResponderEliminarE outros já nascem (por destino?) nessas mesmas vida.
Bom poema! Um abraço, Mª. Luísa
Bom dia, Maria Luísa. Não sei se será mesmo destino, se será apenas a consequência de terem nascido num meio já muito pobre... e qual de nós poderá afirmar que o sabe sem sombra de dúvida? Mas eu referia-me às diferenças que são muito exageradas. Penso que toda a sociedade que permite as grandes acumulações de riqueza, permite também a maior das misérias.
EliminarObrigada e até já.
Uma espécie de destino, ou de lei atemporal
Eliminaros fez nascer na miséria.
Mas que a grande riqueza traz a muita miséria
é uma verdade!
Mas uns nascem muito ricos, outros no caminhar se tornam ricos e a grande percentagem nasce e morre na miséria.
Não pretendo explicar as razões que me levam a chamar "Destino" eu sei o que
pretendo dizer e isso é suficiente para mim.
Mas o que dizes também é verdade, dentro dos teus conceitos de analisar.
Melhoras,
Mª. Luísa
É isso, Maria Luísa. Analisámos as coisas por facetas diferentes de um mesmo prisma e eu penso que acabam por se complementar.
EliminarFui fazer as análises de rotina esta manhã e, agora, vais ser a primeira pessoa que eu visito.
Até já!
E salvei meus gatos! Pensaste que os devia salvar? E eu pensei o mesmo e os salvei!
EliminarE depois se verá!...
Boas análises!
Abraço,
Mª. Luísa
:) E é que pensei mesmo mas eu tenho uma posição ética muito forte nestas coisas e gosto que o autor tenha a maior das liberdades... nunca to teria dito se tu não o decidisses por ti.
EliminarAbraço grande! :)
No livro "Timbuktu" de Paul Auster - escritor de culto - americano, o cão no final e já velho, tendo tido vários donos, se suicida na auto-estrada, onde ele passava correndo milhentas vezes quando jovem.
EliminarNão tive coragem de o ler todo, mas o fim nunca vou esquecer!
E ao dizer isto, comecei a chorar e ainda não passou.
Eu nunca teria coragem de escrever aquele livro, mesmo se tivesse talento para isso.
Maria Luísa
Acredito que não, amiga. Mas nisso eu acredito! Acredito que alguns animais possam ser dotados duma inteligência que deixa muitos de nós envergonhados, de um profundo sentido de dignidade e até do suicídio, quando sente que a morte é inevitável, está muito próxima e pode favorecer o seu maior amigo, o dono. Seria suposto ler-se essa obra como ficcional - eu nunca a li mas penso estar a entender - mas eu sei bem do que certos animais são capazes.
EliminarO meu Kico é que não é nada suicida e ainda se sente feliz apesar de todas as limitações :)
Abraço grande!
Olá poetisa execelente.Voltei mais uma vez. Como está a saude??? Gosto de vê-la em forma. bacio.
ResponderEliminarPeter! Que bom vê-lo por cá! Eu sei que não mereço sequer uma visita porque acabo por não retribuir a maioria delas... mas estou lenta a todos os níveis. É-me muitas vezes impossível visitar quem me apetecia visitar...
EliminarBacini e muito obrigada!
“Intermitências”
ResponderEliminarNas intermitências da vida
Muitas dúvidas te assaltam
Se levas uma vida sofrida
Há coisas que te revoltam
Nas intermitências da morte
Vês as coisas com clareza
E agradeces a imensa sorte
Do gesto que trás nobreza
Nobreza não vem do título
Tão pouco to dá a riqueza
Vem do coração certamente
Onde cada dia é um capítulo
Pleno de gestos raros e beleza
Que só um coração nobre sente.
Olá, Poeta! Estou num dia menos bom porque tive a notícia da morte de um amigo, mas vou tentar...
EliminarNessa tal intermitência
Se vive uma vida inteira
Às vezes na transparência,
Às vezes de outra maneira...
Nuns dias mais inspirada,
Nos outros, um pouco menos,
Fazendo versos do nada
Ou do pouquinho que temos...
Mas enquanto respirarmos,
O sangue correr nas veias
E o coração nos pedir
Fazemos, do que encontrarmos,
Coisas tão feitas de ideias
Que só se podem sentir...
Abraço grande e uma boa semana!
“Que stress”
ResponderEliminarOs festivais de Verão
Esgotaram a lotação
Por causa da crise, não?
Sim, é pr’abanar o melão
Que o melão abanado
Acaba menos fatigado
Não são festivais de fado
São de rock bem pesado
Que o pessoal enrascado
Curte lá um bom bocado
Esquece o ano stressante
Daquela busca incessante
Pelo job bem remunerado
Onde se trabalhe sentado.
Não sei como responder...
EliminarOs jovens sempre cantaram
E não sei se para os ver
Pagaram ou não pagaram...
Em tempos que já lá vão,
Festivais eram, também,
Ponto de reunião
Pr`aqueles que não estavam bem...
Em muitos deles se falava
Da liberdade perdida,
Da conquista por chegar
E muita gente pensava
Que eram ponto de partida
Para a poder conquistar !
Beijinho e até já!
Mais um belo poema para eu roubar.
ResponderEliminarProvavelmente os homens nunca saberão construir sociedades justas. Já levam milénios de aprendizagem e nada.
Grande abraço
Olá, amigo Artesão. Pensei muito nisso durante este fim de semana... tentemos, pelo menos, construí-las cada vez mais justas.
EliminarObrigada pelo "roubo" e uma boa semana de trabalho!