O SEM NOME


Um homem que tem nome e não tem nome


Numa terra qualquer, que não é sua,


Nuns dias a comer, noutros, com fome,


Esmolando o dia-a-dia em cada rua,


 


Numa busca incessante, que o consome,


Que o faz ser quem não é, que o desvirtua,


Que o leva a não saber que rumo tome


Na estrada que a miséria tornou crua…


 


Esse homem que partiu, talvez não volte…


Talvez essa miséria nunca o solte,


Talvez a fome o leve um destes dias,


 


Talvez seja mais um dos que, à partida,


Arriscaram – quem sabe? – a própria vida


Por causa do tal excesso em que vivias…


 




 


Maria João Brito de Sousa


 




 


 IMAGEM RETIRADA DA INTERNET - "O Emigrante" - Charlie Chaplin

Comentários

  1. Lindo :')
    E dá bastante que pensar :)

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    1. :) Olá, Paper! Eu também acho que este é mesmo para pensar. Vou ter de sair porque já estou a "furar" o horário do almoço, mas eu ainda te visito hoje!
      Abraço!

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  2. “Ergue-te Zé”

    Ai coitadinho do Zé Povinho
    Jaz quase morto, esticadinho
    Nas vielas dum triste caminho
    Ergue-te Zé, não sejas tolinho

    Anda aqui beber um copinho
    Este brota directo do jarrinho
    Vai do branco ou do tintinho?
    Qualquer um te faz rosadinho

    Quanto estiveres bem regadinho
    Faz-lhes aquele gesto perfeitinho
    Irão perceber num instantinho

    Que o nosso manguito é potente
    Pensarão duas vezes certamente
    Antes que se metam com a gente.

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    1. : )

      Este Zé Povinho é um personagem magnificamente conseguido!

      No caso do Zé Povinho,
      Homenageio Bordalo
      E aceito esse gestozinho
      Do Zé a erguer um falo...

      Há anos que ele se mantém
      Sempre mais do que actual
      E sem fazer mal nem bem
      Faz muito mais Bem que Mal...

      Traz consigo uma ironia
      Difícil de conceber
      - ou difícil de aceitar... -

      Nessa mão - quem o diria? -
      É que ele faz acontecer
      Quanto trabalho criar...

      :D Abraço!

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  3. E os excessos levam tanta vez a essas vidas...

    E outros já nascem (por destino?) nessas mesmas vida.

    Bom poema! Um abraço, Mª. Luísa

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    1. Bom dia, Maria Luísa. Não sei se será mesmo destino, se será apenas a consequência de terem nascido num meio já muito pobre... e qual de nós poderá afirmar que o sabe sem sombra de dúvida? Mas eu referia-me às diferenças que são muito exageradas. Penso que toda a sociedade que permite as grandes acumulações de riqueza, permite também a maior das misérias.
      Obrigada e até já.

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    2. Uma espécie de destino, ou de lei atemporal
      os fez nascer na miséria.
      Mas que a grande riqueza traz a muita miséria
      é uma verdade!

      Mas uns nascem muito ricos, outros no caminhar se tornam ricos e a grande percentagem nasce e morre na miséria.

      Não pretendo explicar as razões que me levam a chamar "Destino" eu sei o que
      pretendo dizer e isso é suficiente para mim.

      Mas o que dizes também é verdade, dentro dos teus conceitos de analisar.

      Melhoras,

      Mª. Luísa

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    3. É isso, Maria Luísa. Analisámos as coisas por facetas diferentes de um mesmo prisma e eu penso que acabam por se complementar.
      Fui fazer as análises de rotina esta manhã e, agora, vais ser a primeira pessoa que eu visito.
      Até já!

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    4. E salvei meus gatos! Pensaste que os devia salvar? E eu pensei o mesmo e os salvei!
      E depois se verá!...

      Boas análises!

      Abraço,

      Mª. Luísa

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    5. :) E é que pensei mesmo mas eu tenho uma posição ética muito forte nestas coisas e gosto que o autor tenha a maior das liberdades... nunca to teria dito se tu não o decidisses por ti.
      Abraço grande! :)

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    6. No livro "Timbuktu" de Paul Auster - escritor de culto - americano, o cão no final e já velho, tendo tido vários donos, se suicida na auto-estrada, onde ele passava correndo milhentas vezes quando jovem.
      Não tive coragem de o ler todo, mas o fim nunca vou esquecer!
      E ao dizer isto, comecei a chorar e ainda não passou.
      Eu nunca teria coragem de escrever aquele livro, mesmo se tivesse talento para isso.

      Maria Luísa

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    7. Acredito que não, amiga. Mas nisso eu acredito! Acredito que alguns animais possam ser dotados duma inteligência que deixa muitos de nós envergonhados, de um profundo sentido de dignidade e até do suicídio, quando sente que a morte é inevitável, está muito próxima e pode favorecer o seu maior amigo, o dono. Seria suposto ler-se essa obra como ficcional - eu nunca a li mas penso estar a entender - mas eu sei bem do que certos animais são capazes.
      O meu Kico é que não é nada suicida e ainda se sente feliz apesar de todas as limitações :)
      Abraço grande!

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  4. Olá poetisa execelente.Voltei mais uma vez. Como está a saude??? Gosto de vê-la em forma. bacio.

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    1. Peter! Que bom vê-lo por cá! Eu sei que não mereço sequer uma visita porque acabo por não retribuir a maioria delas... mas estou lenta a todos os níveis. É-me muitas vezes impossível visitar quem me apetecia visitar...
      Bacini e muito obrigada!

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  5. “Intermitências”

    Nas intermitências da vida
    Muitas dúvidas te assaltam
    Se levas uma vida sofrida
    Há coisas que te revoltam

    Nas intermitências da morte
    Vês as coisas com clareza
    E agradeces a imensa sorte
    Do gesto que trás nobreza

    Nobreza não vem do título
    Tão pouco to dá a riqueza
    Vem do coração certamente

    Onde cada dia é um capítulo
    Pleno de gestos raros e beleza
    Que só um coração nobre sente.

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    1. Olá, Poeta! Estou num dia menos bom porque tive a notícia da morte de um amigo, mas vou tentar...

      Nessa tal intermitência
      Se vive uma vida inteira
      Às vezes na transparência,
      Às vezes de outra maneira...

      Nuns dias mais inspirada,
      Nos outros, um pouco menos,
      Fazendo versos do nada
      Ou do pouquinho que temos...

      Mas enquanto respirarmos,
      O sangue correr nas veias
      E o coração nos pedir

      Fazemos, do que encontrarmos,
      Coisas tão feitas de ideias
      Que só se podem sentir...


      Abraço grande e uma boa semana!

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  6. “Que stress”

    Os festivais de Verão
    Esgotaram a lotação
    Por causa da crise, não?
    Sim, é pr’abanar o melão

    Que o melão abanado
    Acaba menos fatigado
    Não são festivais de fado
    São de rock bem pesado

    Que o pessoal enrascado
    Curte lá um bom bocado
    Esquece o ano stressante

    Daquela busca incessante
    Pelo job bem remunerado
    Onde se trabalhe sentado.

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    1. Não sei como responder...
      Os jovens sempre cantaram
      E não sei se para os ver
      Pagaram ou não pagaram...

      Em tempos que já lá vão,
      Festivais eram, também,
      Ponto de reunião
      Pr`aqueles que não estavam bem...

      Em muitos deles se falava
      Da liberdade perdida,
      Da conquista por chegar

      E muita gente pensava
      Que eram ponto de partida
      Para a poder conquistar !

      Beijinho e até já!

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  7. Mais um belo poema para eu roubar.
    Provavelmente os homens nunca saberão construir sociedades justas. Já levam milénios de aprendizagem e nada.
    Grande abraço

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    1. Olá, amigo Artesão. Pensei muito nisso durante este fim de semana... tentemos, pelo menos, construí-las cada vez mais justas.
      Obrigada pelo "roubo" e uma boa semana de trabalho!

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