SOU DO MAR!

 



SOU DO MAR!


 


*


Sou do mar na estranhíssima alquimia


Que me transforma em fogo e pedra e gente


E também desse mar que, à revelia,


Se me sucede a cada sol nascente;


 


Da mesmíssima força em que ele nascia


Renasce, dia a dia, o meu presente,


E sinto exactamente o que ele sentia,


E sou exactamente o que ele consente.


 


Sou do mar no processo indecifrável


Que admite a simbiose entre o provável


E aquilo que ninguém pode provar


 


Mas, fruto desse jogo, eu sou palpável


E nessa mutação, nem sempre estável,


Eu sempre acreditei que sou do Mar!


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 26.07.2011 – 13.00h


 

Comentários

  1. Somos todos do mar!

    “A couve roxa”

    Escrevo sobre coisas banais
    Alfaces e outros vegetais
    Papoilas nunca são demais
    Pó branco e efeitos especiais

    Não para os comuns mortais
    Escrevo para mentes amorais
    Desprovidas de valores sociais
    Formas de vida infinitesimais

    Que povoam os nossos murais
    Com a necessária informação
    Satisfazendo qualquer trouxa

    Abastecendo os factos normais
    Acessíveis à nossa compreensão
    Eu escrevo sobre a couve roxa.

    Depois de uma besta só mesmo uma couve roxa.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ah, Poeta... venho tão feliz e comovida... estive com a Rádio Horizontes, do Joaquim Sustelo e da Cida Vasconcelos. Foi tudo tão lindo e o Joaquim declama tão bem! Para mim é tudo uma novidade porque eu nunca tenho som... e o Joaquim disse um poema meu no fecho da emissão. Vieram-me as lágrimas aos olhos... escorreram mesmo...
      Dá para ver que está zangado com alguém do Face... ou sou eu que já nem sei interpretar nada? Acho que não vou conseguir responder à desgarrada, Poeta... ainda estou debaixo do "encantamento" da Rádio Horizontes...
      Um grande abraço e até amanhã. Pode ser que eu, amanhã, entenda melhor...

      Eliminar
    2. “Desinformação”

      Tu pensas que sabes que sei
      Mas eu próprio não sei nada
      Zangado também não estarei
      Com a sociedade plastificada

      Muito mais agradado ficaria
      Numa sociedade mais aberta
      Sincera e solidária, todavia
      Por agora temos esta da treta

      Os murais são ditos em geral
      Representam toda a intoxicação
      Do audiovisual feito à medida

      Que te apresenta o facto banal
      É censura esta desinformação
      E esconde a dimensão da vida.

      Eliminar
    3. Eu sei, Poeta... se sei!
      Por vezes, manipulados,
      Podem pensar que deixei
      Os amigos "pendurados"...

      É por isso que prefiro
      Fazer aquilo que faço;
      Poetar no meu retiro
      E rematar num abraço...

      Mas que se passa? Este som
      Que estou aqui a ouvir
      No meu blogue de poemas

      Não parecer estar no tom...
      Desafina e faz-me rir,
      Parece estar com problemas...

      Muito a sério, oiço o John Lennon completamente desafinado :-/ Porque será? As palavras e as notas musicais misturam-se e estão fora de tempo... que desafinação!
      Abraço grande e amigo! :)

      Eliminar
  2. “Lança-chamas”

    Todos os gritos são nossos gritos
    Mas é mais fácil não o reconhecer
    Enquanto são os outros os aflitos
    E quando formos nós a perecer?

    Não haverá ninguém pr’a acudir
    No momento dessa nossa aflição
    Porque já ninguém estará a ouvir
    Que nos restará como solução?

    Enquanto tempo ainda nos resta
    Demonstremos a nossa indignação
    Enchamos bem os peitos de ar

    Vamos mostrar a quem não presta
    Como é um mundo em combustão
    Com o lança-chamas vamos gritar.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Valha-me Deus, Poeta! Isto, hoje, está muito violento... nem sei se vou conseguir poetar qualquer coisinha...

      Eu sei que foi sempre assim,
      Que é bem fácil a denúncia
      - e também falo por mim
      que vivo em tanta renúncia... -

      Um dia, o planeta Terra
      Há-de ser mesmo inviável
      Mesmo pr`aquele que não erra
      E tem uma vida estável...

      Mas... adiantar o momento,
      Incendiar o planeta
      E deitar tudo a perder?

      Mais do que tudo, lamento...
      Passo ao largo, sou cometa :)
      E as mais das vezes, mulher!

      Abraço grande, Poeta!

      Eliminar
  3. Mais um soneto fantástico Maria :')
    Amei mesmo, tocou-me ^^

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. :) Obrigada, Paper! Estou a chegar à conclusão de que há temas que nos vêm mesmo quando estamos num dos nossos momentos de "crise de inspiração". Este foi escrito num guardanapinho de papel, no café :) depois é que o trouxe para o ficheiro e, a seguir, para o blog. Às vezes faço-os quando menos espero... parece "maluqueira" mas é assim mesmo que sucede.
      Estou a estranhar o Kico. Pela primeira vez na vida dele, não comeu ainda hoje... e era um rafeirito que comia tão bem... :(
      Abraço gde!

      Eliminar
    2. Pode ser do calor :/
      Normalmente com o calor os animais não comem tanto...
      Num guardanapo? Ahah, estou a imaginar a cena, que giro ^^

      Eliminar
    3. :)) Num daqueles pequenininhos, de café... quase transparente. Mas era o que havia...
      O Kico costuma comer mesmo quando está muito, muito calor! não pode ser disso... espero que ele não esteja a começar a desistir... ele é muito cardíaco e tem crises horríveis de falta de ar, mas sempre comeu bem...

      Eliminar
  4. Cara amiga,
    Dei um salto para desejar as suas melhoras e roubar um soneto. Pirata incorrigível ...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. :) Já vi que me "roubou" mais um... :))
      Desculpe-me estas ausências mas nem sequer tenho conseguido sair do Facebook.
      Até já, meu amigo Artesão!

      Eliminar
  5. “Alucinação”

    Não há respostas ao retardador
    Na actual sociedade chiclete
    Mastiga até perder o sabor
    A seguir deita fora na retrete

    Esta é uma sociedade sem dor
    Moda Primavera/Verão promete
    Estação com muito esplendor
    Depois deita fora, não faças frete

    É uma sociedade a todo o vapor
    Em que dás um passo em frente
    Mesmo estando à beira do abismo

    Lá em baixo sente tudo ao redor
    E se sentires um cheiro diferente
    Não esqueças, puxa o autoclismo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Boa noite, Poeta!

      Sabe... eu acredito que as sociedades têm os limites que as pessoas que as constituem lhes impõem. Essa, da chiclete, é uma boa metáfora! Vamos a ver o que daqui me sai :)


      O consumismo agoniza
      Para a grande maioria
      Que, ao pedir, só preconiza
      O tal pão do dia a dia

      E eu, já com tantos anos,
      Não "embarco" na corrida...
      A pressa provoca danos
      E eu ficava perdida!

      Mas não é "formatação"!
      Esta minha convicção
      Vem cá do fundo de mim!

      Vou fazer quanto puder
      Pois mais não posso fazer
      E estar vivo é mesmo assim!

      Estou a ficar com febre amigo. Espero que não seja constipação, nem pneumonia... é que uma não se cura mesmo com a outra...
      Um abraço grande!



      Eliminar
  6. CONCERTAÇÃO SOCIAL
    TSU TAXA SOCIAL ÚNICA


    Todos acordam na taxa.
    A Natacha não acorda,
    porque os que acordam na taxa
    não acordam onde a Natacha
    gosta tanto de acordar.
    A Natacha até discorda
    de quem assim acorda
    ao acordar na taxa.
    P`ra Natacha é admiração
    e ela tem que discordar,
    pois a Natacha até acha
    que acordar por despertar,
    na taxa, isso é que não.
    A Natacha p`ra acordar
    e para se rebolar
    gosta mais dum bom colchão!

    Eduardo.

    Este é do meu pai, tomo a liberdade de lho enviar e desejo as rápidas melhoras.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Que delícia de poema, Poeta! O seu pai tem aquele sentido de umor inteligente que eu tanto aprecio na poesia satírica! Muito obrigada. Por favor, agradeça-lhe por mim!
      Estava, agora mesmo, no Rádio Horizontes da Poesia onde já foi dito um poema meu pelo Joaquim Sustelo! Se quiser ir ao Google, escreva Horizontes da Poesia que vai lá ter!
      Abraço muito grande! :)

      Eliminar
  7. Olá poetisa, como vão as coisas??? Um beijo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. :) Olá, Peter! Muita falta de inspiração e muitos problemas com a bicharada... há três dias que não faço um poema! Bem, hoje de manhã, quando estava a passear o Kico, começou a nascer um soneto, mas não tinha onde o escrever e ele "fugiu"... parecem passarinhos apressados! :)) Se não os escrevo logo... adeus poema!
      Bacini e obrigada!

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

NAS TUAS MÃOS

MULHER

A CONCEPÇÃO DOS ANJOS - Em nove sílabas métricas