A CADA DIA A SUA ETERNIDADE


 Já mal recordo as águas, muito claras,
Das nascentes das serras percorridas
Sobre penhascos, sobre duras fragas,
Em cada passo gasto nas subidas

Já quase nem relembro as madrugadas
De todo o começar de tantas vidas
Se ato, por cada verso, estas amarras
Às colunas do cais de outras partidas,

Mas, à noitinha, é como se tambores
Semeassem no ar todas as cores
Num reboar de notas sincopadas!

Dormindo, eu que sou “tu”, sou tanta gente
Que não tendo passado, nem presente,
Adivinha o porvir destas passadas …






Comentários

  1. Parabéns pelo menção Maria :D
    Uma menção bem merecida pelo fantástico soneto :)
    Desculpa não passar por aqui agora com tanta frequência como antes, mas anda cá e lá para a praia e mal paro em casa :P

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    1. :) Olá, Paper!

      Força com essa praia :)
      Já sabes o resultado daquela frequência que te andava a preocupar?
      Abraço grande!

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    2. Já, chumbei à cadeira :$
      Mas pronto, não posso desanimar e para o próximo ano tenho de dar o dobro :)
      Como estás tu Maria? :)

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    3. Paciência, Paper!" Curte" este restinho de Verão para recomeçares com garra! :)
      Estou a responder-te com uns malabarismos que nem imaginas! O CJ está fechado, a minha ligação é muito instável, o pc está MESMO a ferver, só tenho o ie e as páginas não abrem nem fecham senão quando muito bem entendem... :)) Nem quero ver como não estará a minha caixa de correio do gmail que já estava quase entupida... mas eu vou tendo muita paciência... se não conseguir visitar-te, não te admires!
      Abraço grande! :)

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    1. Grazie, Peter! :)
      Ando desaparecida até para mim mesma... as circunstâncias impuseram-me uma velocidade ainda menor e muitas, muitas dificuldades na mudança da página de qualquer acesso online...
      Bacini! :)

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  3. Parabéns, eternidade será a encruzilhada entre passado, presente e futuro?

    =)

    “Instante”

    Que procuras tu aí
    Nesse canto escondido?
    Não vês que está aqui
    O teu futuro perdido!

    Se perdeste o teu futuro
    O que esperas alcançar?
    Um presente muito duro
    Construído a trabalhar!

    O futuro ainda é presente
    Não tenhas outra ilusão
    O presente já foi passado

    Se o tempo estiver ausente
    Todos os três coexistirão.
    Já encontraste o teu fado?

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    1. :) Para mim e tentando escapar às metáforas é exactamente não ligar muito à constância do Senhor Tempo, aceitá-lo na perspectiva daquilo que ele tem de inseparável da vida e fazer por deixar cá qualquer coisinha que justifique a nossa estadia no planeta... Poeta estou sem saber se consigo, ou não, responder-lhe e lembro-me que ainda não fui fazer o ritual :)) da entrega das respostas... se estivesse aqui, entenderia porquê! estou numa ligação instável, num computador que poderia servir para escalfar ovos :)) e que só muda a página quando e se muito bem o entende... o mesmo acontece com o fecho das ditas! Mas prometo tentar! :)
      Um abraço grande para todos vós!

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    1. Olá, meu amigo Artesão! :) Obrigada pelo "roubo" e perdoe-me esta ausência... hoje estava meia decidida a nem ligar-me à net por causa das condições péssimas que esta ligação tem e, também, porque preciso mesmo muito de fazer outras coisas. Acabei por vir com a intenção de me não demorar muito... mas sei bem que as nossas intenções acabam por se diluir completamente quando estamos online...
      Abraço e um bom fim de semana! :)

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    1. :) Olá, Menina Marota!
      Eu já tento dar um pulinho até aí!
      Muito obrigada e um abraço!

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  6. “Sem alma”

    Podes perder a tua calma
    No meio de uma confusão
    Mas nunca percas a alma
    Nem da alma abras mão

    É que uma alma vendida
    Nem que fora por um milhão
    É como uma alma perdida
    No meio de uma multidão

    Pior que uma alma errante
    Vagueando, ó triste destino
    É uma alma de alma despida

    Usando um traje cintilante
    Debruado com ouro fino
    Por haver sido corrompida.

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    1. Sem alma não sei viver...
      Eu não sei viver sem ela
      E não a posso vender
      Como a qualquer bagatela... :))

      Mas digo, em boa verdade,
      Que já estou quase a dormir
      E que até tenho saudade
      De pr`á caminha sorrir...

      Deveria trabalhar
      Pr`a limpar o meu correio
      E actualizar o restante

      Mas já estou é a sonhar!!!
      Fica tudo sujo e feio;
      Dormir é mais importante! :)))

      Poeta, este sonetilho ensonado deu-me vontade de rir, com sono e tudo! Estou naquela fase em que mal consigo ter os olhos abertos... acho que a necessidade de dormir foi mais forte do que a de rimar!!! Beijinho!

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  7. Muitos parabéns por mais este prémio, o soneto é muito bonito e mais uma vez o seu talento foi reconhecido. Um grande abraço .

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    1. Ai, minha querida amiga... eu até estou a ter um bocadinho de uma coisa que costumo dizer que nunca tenho; vergonha...
      Prometo que amanhã lhe escrevo a tentar explicar porque é que ainda não fiz aquilo que disse que faria.
      Nuito obrigada pelas suas palavras e um enorme abraço!

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  8. Bom Dia, não se preocupe com isso, eu ainda não tenho o titulo, eu acho que é o que eu escolhi, porque quando falei com as senhoras do IGC disseram. me que estava atrasado porque há menos pessoas a trabalhar mas se o titulo não fosse aceite diziam qualquer coisa , como ainda não disseram nada deduzo que é o que eu quero. Um bom domingo e até amanhã.

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    1. Claro que tenho de me preocupar, minha amiga! Estou a trabalhar em péssimas condições - aqui, online -, eu mesma já estou em condições muito mazinhas :)), arranjei -por engano meu - duas páginas do Facebook e cheguei à conclusão de que, com tudo isto, não consigo fazer rigorosamente mais nada senão tratar deste meu hospital de animais e responder a quem me comenta, aqui e nos murais. A produção passou a ser uma coisa secundária e, numa poeta que produzia tanto como eu, isso faz uma falta tremenda. Como já percebi que nem os animais vão rejuvenescer e passar a dar menos trabalho, nem eu vou conseguir trabalhar a uma velocidade mais rápida, vou ter de começar a não ir ao Facebook, pelo menos durante uns tempos. Neste momento está a decorrer uma homenagem a Sá de Miranda, o introdutor do soneto em Portugal, que é interessantíssima e que eu não quero perder de forma nenhuma porque estou a aprender imensas coisas... mas vou estando "aberta" à ideia da capa. Desde que me conheço que as coisas me nascem assim... desligo-me do restante e fico à espera que me surja determinada coisa. Sempre funcionou e muito bem... excepto agora. Tentar forçar e fazer de outra maneira, sempre deu péssimos resultados. Sei-o porque, ao longo da minha vida, já o experimentei uma vez ou duas. Olhe, com o poema-prefácio foi exactamente assim!!! Nãp podia haver melhor exemplo! Estava toda suja de andar a limpar as caixinhas de areia dos gatos - fico sempre exausta e suadíssima depois de o fazer, todos os dias - e ainda tinha as pombas para tratar mas decidi que iria tomar um duche primeiro. Sentia-me mesmo porquinha :)) Quando já me ia meter na banheira... zás! Cai-me aquele soneto em cima e era como se morresse se não o fosse escrever logo de corrida! E aquele já vinha com destinatária e tudo :)) Fiquei a imaginar que, pouco depois, me aconteceria o mesmo com o resto... mas ando demasiado concentrada nas mil e uma manobras que tenho de fazer para conseguir manter-me online aqui. Eu tenho mesmo que estar mais disponível mentalmente e arranjar maneira de não ter nada de muito importante para fazer! Nem sequer posso ter compromissos de encontros no café. Se calhar ir, vou... se não calhar, não vou. Já me tinha habituado às rotinas de horários no CJ. Lá não oiço nada nem vejo a maioria das imagens e vídeos e consigo que o tempo me renda um bocadinho mais...
      E agora estou para aqui a deixar-lhe um autêntico testamento! Coitada de si! Prometo que me despeço já, já!
      Um grande abraço e um bom Domingo para si! O Beethoven e o Kico deixaram-me muito que limpar e era o que eu devia estar a acabar de fazer agora... mas tive de intervalar porque já nem me podia mexer e aproveitei para vir até ao Poeta, ver se havia mais algum comentário...

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  9. Parece que o nosso amigo "sapo" está louco

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  10. Sabe minha amiga eu também me queixo do Facebook , eu não queria ir para lá e agora ocupa-me muito tempo, e ainda por cima uma amiga minha meteu-me na quinta e aí é que estraguei tudo, o tempo não me chega para tudo, mas já vi que não sou só eu que me queixo da falta de tempo e depois quero fazer tudo .hoje estou a começar a bordar uma toalha para uma pessoa que me pediu e o tempo é muito pouco para tudo o que quero fazer. Um abraço e bom trabalho.

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    1. Eu, no início, ainda experimentei um bocadinho da Yoville. Digo-lhe que aquilo é tentador! :) Vem-nos ao de cima a nossa faceta de criança pequenina e não fazemos outra coisa... mas rapidamente percebi que seria demasiado absorvente para poder conjugar-se com a minha actividade de sonetista... é que ela também é muitíssimo absorvente. Eu vim para os blogs para trabalhar. Desde o primeiro dia em que para aqui vim, sabia que me movia a intenção de publicar tantos poemas quantos me fosse possível. As aplicações estão completamente fora dos meus objectivos e, por isso, foi relativamente fácil cortá-las. Já o Face tem uma componente sócio-cultural que não é tão fácil por de parte... além do mais pode publicar-se também por lá... mas, por agora, estou demasiado esgotada para poder dar atenção a tantas solicitações e, mais do que eu mesma, é o meu trabalho que está a ser posto em causa. Eu sou perfeccionista mas não me arrependo nada disso! O soneto exige mesmo perfeccionismo.
      Vou ver se consigo visitá-la hoje! Abraço grande e bom trabalho também para si!

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  11. “Manguitos”

    Há cento e vinte cinco anos
    A fazer manguitos ao poder
    Mas nós vivemos d’enganos
    Poderosos não querem saber

    Zé Povinho tens que evoluir
    Já vês o manguito não chega
    Uma nova tens que descobrir
    Senão o poder só te carrega

    Eles a esbanjar e tu a pagar
    Ó Zé Povinho assim não dá
    Dá-lhes antes um boa refrega

    Com tomates para começar
    Ovos podres também temos cá
    À sobremesa uma boa esfrega.

    Prof Eta

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    1. :)
      Acho que não vou responder-lhe em rima.. só se for mais tarde... mas estou a lembrar-me do Zé Povinho, das suas forças e das suas fraquezas... uma figurinha que "pegou" mesmo! Também me parece que ele não vai poder ficar-se pelo manguito... mas eu ainda volto cá. Se não for hoje, será amanhã!
      Abraço grande para todos vós! :)

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    2. Só pelo manguito não, seria muito pouco, nem que leve mais 125 anos a reinventar-se.

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    3. Isto pode ser um tanto ou quanto polémico, mas eu acho que é mesmo o manguito que simboliza a capacidade de ceder que o povo português tem... por oposição àquele "de antes quebrar que torcer"... no entanto é uma metáfora extraordinariamente bem conseguida pelo Bordalo Pinheiro! :)
      Bjo! :)

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    4. O problema é que estão sempre a torcer o Zé.

      “Paga Zé”

      Uma taxa pagas se chorares
      Se ris a taxa também pagas
      O mesmo acontece se cagas
      O melhor é não te cagares

      Depois pagas a taxa dos lixos
      Pagas a taxa dos audiovisuais
      Mesmo que já não vejas mais
      Pois és comidos pelos bichos

      Pagas se fumas, pagas se bebes
      Zé fica mas é quieto num canto
      Se participas pagas, percebes ?

      Ó Zé faz-te de morto portanto
      Nem te mexas quando recebes
      Pode ser que não pagues tanto.

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    5. Poeta... isto é um rap! Não sei explicar exactamente porquê, mas até o li em ritmo de rap... não sei porque estou a dormir em pé, mas tento amanhã!

      Se o Zé for inteligente,
      Autónomo e confiante,
      Pode induzir muita gente
      A ser livre-militante...

      Aprende, Zé, a ler mais,
      A ter uma opinião!
      Escolhe bem os teus jornais,
      Começa a dizer que não!

      Não te vendas, não te rendas,
      Não lhes dês de mão-beijada
      A tua alma, a tua vida!

      Vou esperando que me entendas...
      Espero de ti tudo e nada
      Depois da minha partida!

      Bem... não é rap, Poeta, mas é uma resposta rimada! :)

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  12. “Novo eco”

    Eu vagueio na penumbra
    E aprecio este vaguear
    Lá fora onde a luz abunda
    Parece estar-se a acabar

    Há uma simetria assimétrica
    Na geometria ensombrada
    Também falha a aritmética
    Nesta matemática frustrada

    O eco que outrora conheci
    Agora também não devolve
    As palavras que lhe envio

    A acústica não está em si
    Não sei como isto se resolve
    O novo eco é um desvario.

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    1. Caramba, Poeta! Este é outro daqueles sonetilhos que me deixam intrigada... parece ter uma mensagem directa mas um tanto ou quanto encriptada... até fui ao seu blog, só para ver a imagem e ver se ela me ajudava a descodificar o sonetilho... nada! Ainda não percebo a que se refere... se calhar é essa mesmo a sua finalidade... tal como aquela imagem de Magritte, remete-nos para as nossas próprias interrogações...
      Abraço grande, grande! :)

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    2. É isso tudo, é dentro e é fora, é quando já nada faz sentido para voltar a fazer de novo, é uma ordem onde já não encaixamos para voltarmos a encaixar... ( na verdade eu ia a caminho do WC na 6ª feira lá na fábrica e o corredor tinha a luz apagada e esse chorrilho de palavras acendeu-se-me... mais não posso explicar porque explicação não tem ), no limite parecer ser quando até a ciência, como a conheciamos, deixou de funcionar.

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    3. Pronto, entendi... mas eu tenho uma teoria quanto a esse tipo de desassossego; se está bem e sereno, tudo bem! Pode ser semelhante ao que eu sinto quando dou co-autoria de um sonetilho às flores do jardim. Mas há, nesse sonetilho, uma racionalidade que não é visível para todos e que tem a ver com a própria definição de poesia, com a metáfora, com as ditas analogias... há uma intenção lúdica e também pedagógica no sonetilho que publiquei há pouco. Entende-me, Poeta?
      quando afirmo que as coisas "me caem em cima", estou a falar do momento em que convergem uma série de variáveis num poema alvo. Pode não fazer muito sentido à primeira vista, mas fará depois de uma leitura mais cuidadosa.
      Abraço grande, grande!

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    4. E também não pode esquecer que a minha formação é de base científica e por vezes eu dou por mim a tentar descontruí-la.

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    5. Desculpe-me, Poeta!!! Acabei por tentar desentupir o gmail e passou-se este tempo todo! Acredite que isso me passou imediatamente pela cabeça. Não lho diria se não fosse verdade. Parece-me que aí também nos encontramos, algures... a minha pouca formação é basicamente em letras, mas também eu tento fazer o percurso um tanto ou quanto ao contrário... posso partir de um poema para o vago-vaguíssimo mas, depois, irei até onde puder e souber segundo o método científico... ou o pouco e básico que dele conheço.
      E está-me a parecer que estou sempre cheia de sono quando "converso" consigo :) Bons sonhos, Poeta.

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