CONVITE PARA UMA DESGARRADA


 


Aqui sou o que sou! De minha graça,


Poeta e portuguesa - quanto baste! -


E antes que um poema se me gaste


Nalgum prévio receio de ameaça,


 


Esqueço o tanto que sorte me anda escassa


E recrio este jogo de contraste


Sem ter em atenção quanto contaste,


Mal uma estrofe acena ou se me enlaça!


 


Mas se o verso se atrasa ou se um poema


Encontra, no caminho, algum problema


E me obriga a ficar pr`aqui calada,


 


Não entro em desespero… ele há-de vir


Assim que a rima espreite e que, a sorrir,


Me convide a entrar na  desgarrada…


 


 


 


Maria João Brito de Sousa - 08.08.2011 - 18.00h


 


 


IMAGEM - Tela de Paula Rego


 


Reformulado a 22.10.2015

Comentários

  1. Essa é que é essa, grande desgarrada!

    =)

    “Hipóteses”

    Hipótese dum mundo melhor
    Hipótese dum mundo animal
    Hipótese dum mundo pior
    Hipótese dum mundo banal

    Hipótese dum mundo menor
    Hipótese dum mundo imoral
    Hipótese dum mundo maior
    Hipótese dum mundo amoral

    A hipótese escolhida afinal
    Parece pouco ou nada importar
    Tal como se encontra imundo

    O mundo será em breve virtual
    Não há hipóteses a considerar
    Está sem hipótese este mundo.

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    1. Aqui repito o que disse
      E disse que o virtual
      Pode trazer-nos "chatice"
      Ou até fazer-nos mal!

      Mas, verdade, verdadinha,
      É que ele tem o seu papel
      Nesta vida que é tão minha...
      [e tua também... e dele...]

      Digam lá se eu poderia
      Escrever quanto tenho escrito
      Se não fosse este aparelho!

      Quase tudo eu perderia...
      [Coitado deste bendito
      Que já está a ficar velho!] :)))


      Olá, Poeta! :)) Fiz este sonetilho de pé quebrado a rir! Lembro-me da quantidade de poemas que perdi quando escrevia só em papel - também tenho alguns perdidos em ficheiro... - e cheguei à conclusão que perco muito menos agora...
      Abraço grande!

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    2. Respondi a rir mas isto é mesmo muito sério.
      Obrigada pelo contacto com o Pessoa!

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  2. “Manifesto”

    Manifesto não é de protesto
    O manifesto não é de amor
    Não é um simples manifesto
    Este manifesto é de clamor

    Clamamos direito a clamar
    Neste tempo que é de apatia
    E quando só ouvimos calar
    Clamamos por um novo dia

    Um novo dia de esperança
    Quando a esperança morreu
    Um novo dia de solidariedade

    Quando esta está sem pujança
    Esse novo dia quem o percorreu
    Ninguém para dizer a verdade.

    Prof Eta

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    1. Estamos ainda a dormir
      Mas é tempo de acordar,
      De unir esforços e sentir
      O que podemos mudar!

      E se a esperança nos morreu,
      Qualquer coisa nos ficou...
      Ou mais ninguém percebeu
      Que este mundo já mudou?

      É tempo de dar as mãos
      E de, lembrando o passado,
      Rasgar o caminho novo!

      Afinal somos irmãos
      Quando este abraço apertado
      For de todo o nosso povo!

      Abraço apertado, Poeta! :)

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  3. “Fogo distante”

    Londres é fogo que arde e se vê
    Há ali porém uma face escondida
    É a face que não mostram na TV
    Mas nós pressentimos essa ferida

    Tem por base a clivagem social
    Originada na sociedade dividida
    Por força do acumular de capital
    Pobre pr’ó gueto, rico pr’avenida

    Fogo que arde, mas não se sente
    Fumo que se vê, mas não se cheira
    Destruição real, mas muito distante

    Esta preocupação nem é com a gente
    Se não atacada sua causa verdadeira
    Abeira-se de nós num curto instante.

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    Respostas
    1. Poeta, não vou poder desgarrar porque prometi que estaria, dentro de minutos, no Horizontes da Poesia, em directo, mas pode crer que é um assunto que me está a preocupar - como a todos nós - e que eu já estava a prever. Se puder ainda cá volto hoje.
      As clivagens sociais existem até o oprimido "rebentar"... e ele acaba por rebentar mesmo...
      Abraço grande e até já ou até amanhã!

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  4. “Bar.afunda”

    Em Londres soltam os cães
    Em Nova York bolsa afunda
    No forno da aldeia cozem pães
    Minha rua está uma barafunda

    O pastor conduz o rebanho
    Pr’a pastagem do outro lado
    Bombista em Roma, já t’apanho
    Em Paris o rating foi cortado

    Wall Street viu um fantasma
    Ó freguês olha a vivinha da costa
    Na City gato preto foi avistado

    Correctores têm ataque d’asma
    Sardinha na brasa, quem não gosta
    Mundo da finança anda azarado.

    Prof Eta

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  5. Respostas
    1. Olá, Vera! Não vou poder demorar muito mas "desgarrada" é o nome que se dá à poesia - geralmente poesia popular - que é feita rapidamente, em resposta a outra que foi dita ou escrita por outra pessoa. Como eu e o Poeta Zarolho fazemos faz tempo. Se reparares nos meus comentários das últimas semanas, perceberás o que é uma desgarrada.
      Beijinho e até já ou até amanhã!

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  6. Não desesperes mesmo... pode tardar, mas não falha :)
    E por mais tarde que venha, surpreende e encanta-me sempre ^^

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    Respostas
    1. : Obrigada, Paper! Ele já chegou, desta vez sob a forma de sorriso :) Eu é que fui "raptada" por uns poetas amigos e só agora vou poder publicá-lo...
      Abraço grande! :)

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  7. OUTRAS VIAS

    Por mais que chames e grites,
    que batas o pé no chão,
    que clames e te irrites,
    que cheges à exaustão,
    que acabes por ficar rouco,
    que endureças a luta,
    eles, os filhos da puta
    vão sempre chamar-te louco.

    Para atingires nova meta
    seguindo por outras vias
    só como O Grande Profeta:
    junta doze dos mais rudes,
    sem grandes aptidões,
    fala-lhes todos os dias,
    molda-lhes as atitudes
    e, em breve, serão milhões.

    Eduardo

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    Respostas
    1. Olá, meu amigo Eduardo!
      Não vou poder responder-lhe em rima porque só há pouco cheguei e estou completamente desinspirada... para já. Mas este seu poema é muiíssimo intrigante e tem... como se diz... "pano para mangas"! Mas deixa-me sem palavras. Olhe que não é muito habitual, em mim.
      Vou publicar e, depois, verei se as rimas me voltam...
      Um grande abraço e muito obrigada por me honrar com mais um dos seus poemas.

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    2. Meu caro Pedro:
      Eu domino muito mal esta maldita ferramenta e não sei responder, por esta via, aos comentários que recebi.

      Agradece, penhoradamente, à grande poetisa Maria João Sousa, pelo elogio que lhe mereceu a minha poesia. Vindo o elogio de onde vem, deixa-me muito sensibilizado. Diz-lhe isso.

      Os nossos meninos já foram para a praia com a tia. Andam felizes.
      Um beijo do pai e da Mãe.
      Eduardo.

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    3. Meu caro Eduardo,

      Não tem de me agradecer de maneira nenhuma! Eu é que lhe fico muito grata por mais estas palavras que o Pedro fez o favor de publicar na caixinha de comentários do meu blog de sonetos.
      Para si e esposa, o meu abraço e um sorriso! :)

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