ESTRELA


ESTRELA


*


Se outra estrela além daquela


Que me conduz, me ilumina,


Colidir, algures, com ela


Tentando mudar-me a sina,


*


 


Morrerei por minha estrela


Porque ninguém me confina


A estrelas diferentes dela


Sob ordens de outra doutrina!


*


 


Morro dizendo que não


A qualquer imposição


Que não venha desse rasto


*


 


E do brilho milenar


Que me obriga a poetar


E me diz que assim me basto


*


 


 


Maria João Brito de Sousa – 27.08.2011 -15.31h


 


 

Comentários

  1. Cara amiga,
    Mais um belo soneto. A inspiração continua e a saúde como vai?
    Mesmo em semiférias a saúde não me dá folga.
    Se não conseguir resolver os problemas na cervical terei de encerrar o blogue.
    Cada vez tenho mais dificuldade em escrever.
    Abraço

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    1. Espero que a sua cervical melhore, amigo Artesão! A minha coluna também está muito estragada - o diagnóstico que foi feito quando eu tinha 31 anos não era nada animador - mas é exactamente essa a zona que mais me tem massacrado durante este último mês. Eu sei bem quão penoso pode ser estar a escrever ao computador.
      Abraço grande!

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  2. Sempre belos sonetos, não menos belas fotos.
    =)

    “Natal da beterraba”

    Trinta e tal anos de promessas
    Iludido, ó Zé, sempre continuas
    Animal de hábitos não te esqueças
    Que com facilidade te desabituas

    Desabituas-te de viver simplesmente
    Mas porque te recusas a sucumbir
    Passas então a vegetar alegremente
    IVA de alfaces sorridentes vai subir

    Por isso está na altura de mudar
    Não te preocupes, temos um plano
    Além da política, guerra e pobreza

    Mudas para beterraba, vais a refinar
    Ensacado e armazenado até pr’o ano
    Passas um doce natal com certeza.

    Prof Eta

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    1. Muito além deste Natal
      Quereremos garantir
      A alimentação que mal
      Vai chegar para nutrir...

      Muitos de nós poderão
      Abdicar de muito luxo
      Com caminha, educação
      E alguma coisa no bucho...

      Bem mais que o último grito
      Da "coisa topo de gama"
      Lutamos por garantias!

      Se aqui criarmos atrito
      Será por falta de cama
      E não de outras mordomias!!!


      Boa noite, Poeta! Agora usei a segunda pessoa do plural... e penso que o posso fazer porque vou encontrar eco em muita gente, sem dúvida nenhuma!
      Abraço grande e muito obrigada! :)

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  3. “Vazio”

    Por haver imensa pobreza
    Justificada está tanta riqueza
    A dúvida justifica a certeza
    Tu horror justificas a beleza

    A sujidade justifica o sabão
    Só um deus justifica o diabo
    A batata justificará o nabo?
    Não me apertes mais a mão

    Loucura justifica sanidade
    Não me olhes mais assim
    Um louco tem impunidade

    Só a morte justifica a vida
    Só um não justifica um sim
    Só um copo vazio a bebida.

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    1. E agora vamos brincar
      Com as tais dicotomias...
      De que estamos a falar?
      Serão só filosofias?

      Mas em verdade te digo
      Que isto pode ser explorado
      E tu serves, meu amigo,
      Que até és licenciado

      Nestas coisas que vão dar
      Os resultados gerais
      - acrescenta as variáveis... -

      Olh`ó declive a aumentar
      As diferenças, mais e mais!
      E, nós por cá, sempre instáveis...

      :) Abraço grande!

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  4. Olá estrela
    =)

    “Telegrama”

    Estamos em crise, ponto
    Estado esbanja, vírgula
    Imposto financia, pronto
    O eterno pecado da gula

    Emagreçam, exclamação
    Ou rebentamos, ponto final
    Haverá safa, interrogação
    Safam-se uns bem, outros mal

    Esforço igual? Não, não, não
    Que isso não seria saudável
    O esforço não é equiparável

    É certo, ricos não pagarão
    Paguem os pobres, coitados
    São muito e estão habituados.

    Prof Eta

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    1. Pr`a estrela falta-me tudo
      Incluindo o próprio brilho...
      Sou pequena, não me iludo,
      E, às vezes, salto do "trilho"...

      No momento muito aflita
      Com o meu gato doente,
      Só espero que ele não repita
      A diarreia inclemente...

      Sempre no meu "buraquinho",
      Não tenho perfil de estrela
      Nem grandes aspirações...

      Sou só um cometazinho
      De cauda muito amarela,
      Por aí, aos tropeções... :))

      Olá, Poeta! Este saiu engraçado, mas não é só para rimar! O Beethoven está mesmo com uma diarreia tremenda e nem tem tempo chegar à caixinha dele... e eu, muito a sério, não tenho vontade nenhuma, nenhuma de ser uma estrela a sério.
      Beijinho! :)

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  5. diz-me: achas que cumpriste o teu destino, ou o teu destino ainda há-de ser aquele ke deus kizer

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    1. Olá, Nati! Não cumpri o meu destino; estou a cumpri-lo agora. Só acabo quando morrer ou se tiver qualquer agravamento da doença que me deixe incapaz de escrever! Lagarto, lagarto, lagarto!!! espero morrer ainda a escrever! :)
      Um dia ainda te explico, quando voltarmos a estar juntas, porque é que eu continuo a achar que a expressão "porque Deus quer" se aplica tão bem, neste meu caso. Para mim é simples, mas reconheço que só quem me conhece a fundo pode entender onde, como e porque é que eu posso estar sempre tão segura disso.
      E contigo? Tudo bem?
      Abraço grande! :)

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  6. “Ladrões de mundo”

    Os que te roubaram o mundo
    Ficaram com mundo demais
    Eu estudei-os muito a fundo
    E verifiquei que são mortais

    Levam muito mundo em cima
    Do teu, meu e também do deles
    Nós cumprimos a triste sina
    Três palmos de um mundo reles

    No teu mundo foste a mais bela
    Que à soleira da porta sentada
    Nessa noite estrelada e imensa

    Te assalta interrogação singela
    Feliz no teu mundo, que é nada
    Muito mais mundo compensa?

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  7. “Denta e dura”

    Vem aí o imposto Robin
    Ou será o imposto Tarzan?
    Para mim vai acabar assim
    Todos em cuecas e soutien

    Soutien que é para suster
    Se ainda houver material
    Porque pl’o que estou a ver
    Isto ainda vai acabar mal

    Eu cá sempre tenho dito
    Isto vai acabar à dentada
    Deixo-vos com esta pista

    Mas como em mim acredito
    A minha trago bem cuidada
    Tenho visitado o dentista.

    Prof Eta

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  8. A liberdade é preciosa para todos... mesmo para aqueles que a não conhecem ou temem... mas para um poeta... ela é a essência de tanto... de tudo???
    ... um poeta tem uma alma indómita!... e por isso são tão importantes! Para nos despertarem... e nos acenderem!
    Beijinho, Maria João...
    e obrigada!
    Isabel

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    1. Obrigada, Isabel! Só me assumo como poeta desde há uns quatro anos, muito embora tenha escrito poesia desde muito pequena... e eram razoáveis... alguns eram mesmo bons poemas... mas só agora que praticamente dedico a vida à poesia, consigo dizer que sou poeta. E, sim! Um poeta tem mesmo uma alma indómita. Não falo só por mim; falo pelos poetas que conheci desde que me lembro de ser eu. Todos, sem excepção, comungavam dessa "alma indómita" que, por vezes, dava azo a que surgissem acesas discussões... mas eram sempre discussões amigáveis, por muito acesas que fossem, por mais tonitroante que se tornasse a vozearia... ainda as recordo com alguma saudade :) Não é uma saudade "saudosista" - isto parece ridículo de se dizer... mas quero dizer que é uma saudade boa, de experiência vivida que se gostou, mesmo muito, de ter vivido :)
      Um enorme abraço e muito obrigada! :)

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    2. vim à sua procura...
      e deixei um pretenso poema no meu canto... sofrido...
      ... pensei em si!
      Um abraço. Apertado.
      Sempre
      Isabel

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    3. Só duas palavras, Isabel, porque eu já estou mesmo a dormir em pé e só digo disparates... muito obrigada e não ligue muito ao meu comentário. Só descobri o seu poema a estas horas e penso que sonambulei pela escrita fora. Só não apaguei o que escrevi porque eu mesma estou curiosa em perceber o que lá está. Mas ainda percebo que está a precisar de um abraço! Muita coragem!

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  9. Esta Estrela Maria João já sabia gritar desde pequena heim!
    Abraço

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    1. :)) Olá, Vera! Eu penso que estava a fazer uma careta daquelas bem terríveis... penso que no Brasil chamam isso de "cara feia". Mas estou a responder-te e o meu corpo está a "gritar" por se deitar um pouco... estive no hospital, numa consulta, mas fiquei exausta, como sempre que tenho de ir um pouco mais longe. Como vai a tua mãe? Espero que esteja a melhorar!
      Um abraço grande! Vou só responder a mais um mail e depois terei mesmo de me deitar. Não me sinto nada bem.

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  10. Mª. João

    Lindo teu soneto!

    é isso que sentes
    é isso que fazes!...

    Eu cheguei muito doente da vertebra "7" da dorsal. Ontem estive no médico e vai ao
    Premium pois levei a carta de Saramago à avó
    josefa.
    Levei porque a acho linda e tem uma história longa para mim.

    Não devo escrever muito, mas recebo e escrevo a quem me escreve, até ao fim e
    isso, depende de mim e de Deus.

    Um abraço,

    Mª. Luísa

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    1. Vou já ao Prémios, Maria Luísa. Acabo de chegar do hospital - consulta - e estou toda "moída", como sempre acontece quando tenho de me deslocar para um pouco mais longe. Também terei de escrever um mail a uma pessoa que ficou de me ajudar com um gatinho que foi abandonado perto de minha casa... e, esta madrugada, já lá estava também uma gatinha. Estou a começar a não aguentar este abandono com que as pessoas continuam a tratar os seus animais, como se de coisas inanimadas se tratassem... mas eu vou já aí!

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    2. O mundo é cruel
      as pessoas são más
      e os animsis sofrem
      dores e abandonos.

      Ninguém se importa
      com os abandonados
      ninguém deita uma lágrima
      por quem sofre

      Ninguém!

      É esta a verdade!

      Mª. Luísa

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    3. Olá, Maria Luísa. Acredito que alguns o fazem, mas são poucos, tens razão. Vou agora ver se há algum contacto relativo ao Sashimi.
      Abraço grande!

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    4. Infelizmente tenho razão!

      Mª. Luísa

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    5. Tens razão, sim. Espero que estejas melhor porque eu não estou a sentir-me nada bem. Já estou habituada a sentir-me muito cansada e dorida depois das deslocações... ao hospital ou onde quer que sejam. É essa outra das razões que me levam a não fazer as que me não sejam absolutamente essenciais.
      Abraço grande!

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    6. Eu já estou em tratamento, mas quando escrevo me ressinto!
      O tratamento só pode ser feito dez dias - não
      pode ultrapassar! Se ficar bem e sem queixas, não volto.

      Se for o contrário - tenho de voltar!

      Um abraço,

      Mª. luísa

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    7. Deves estar a fazer um anti-inflamatório e vitamina B12, ambos injectáveis. Já fiz esse tratamento mais do que uma vez e... é doloroso, também ele. Mas costuma dar muito bons resultados! Vais ver que ficas muito melhor ao fim de alguns dias! Agora não te esforces! Arranja paciência... eu já não posso voltar a fazê-lo porque os anti-inflamatórios estão proibidos a quem, como eu, está anti-coagulado.
      Um abraço grande e o desejo de rápidas melhoras!

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    8. É isso mesmo!

      Obrigada amiga.

      Um beijo,

      Mª. Luísa

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  11. Sublime Maria, sublime! :')
    Espero que essa tua estrela te guie sempre, pois a tua poesia faz-nos falta, tal como tu :)

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    1. :) Obrigada, Paper! Cheguei há pouco do hospital e ainda estou cansadíssima. Prometi a mim mesma que me deitaria um pouco mas tenho estado de volta da caixinha dos emails e ainda não o consegui fazer...
      Abraço grande, grande!

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  12. “Mundo ensanguentado”

    O mundo não esquece ninguém
    Que essa dúvida não te assalte
    Acontece na actualidade porém
    Haver mundo que te sobressalte

    Por este mundo sobressaltado
    Não deves deixar-te assustar
    O mundo vamos ver mudado
    Assim não poderá continuar

    Irá para melhor, irá para pior?
    Não sei, depende do nosso saber
    Essa ansiedade deves dominar

    Vais ver que te sentirás melhor
    Sabes, muito sangue irá correr
    Nada poderás fazer pró estancar.

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    1. Temo bem que venha a ser
      Tal como aqui está descrito
      E, se até então viver,
      Vê-lo-ei bem mais aflito...

      Mas tem de haver um sentido
      Pr`a que a mudança se dê
      E eu tomo sempre partido
      Ao lado daquele que o vê

      Mudanças mal mascaradas
      Com bombas, força brutal,
      Teorias improváveis

      E mentiras descaradas,
      São próprias do capital;
      Não me parecem saudáveis!


      Abraço grande, Poeta! Com ou sem bombas, enquanto não estamos muito ensanguentados ;)

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  13. “Linda vaquinha”

    Corte histórico na despesa
    Tem data e hora marcada
    A malta vai ficar toda tesa
    Depois não pode pagar nada

    É chamada de despesa zero
    Não é da troika é mais além
    E o orçamento eu cá espero
    Que seja base zero também

    Assim ficamos todos a nulos
    E ninguém se poderá queixar
    Que andam por aí uns chulos

    Fartos de nos andar a roubar
    Mas eles é que vão ficar fulos
    Por a teta da vaca estar a secar.

    Prof Eta

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    1. Já é tarde e estou cansada
      Mas ainda vou dizer
      Que a "teta" está condenada,
      Que cá estaremos pr`a ver!

      Só não posso acreditar
      Nem aceitar toda a forma
      Desta mudança se dar...
      Prudência, pr`a mim, é norma!

      Já cá estou há muitos anos
      E aproveito, enquanto posso,
      A liberdade da escrita

      E, se houver que causar danos,
      Posso até roer num osso
      Mas nunca mais corto a fita! ;)


      Isto está a ficar "aceso", Poeta! A teta ainda vai levar algum tempo a secar, mas as coisas vão endurecer entretanto... Abraço!

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  14. “Demência colectiva”

    É um buraco, é um abismo
    Que todos querem ignorar
    Mas parece difícil evitar
    O desastre e o seu realismo

    A crise nunca foi financeira
    Culpa nunca foi dos mercados
    Nós é que fomos subjugados
    À falta de valores derradeira

    Somos seres sem consciência
    À velocidade da luz andamos
    Dela criámos uma dependência

    Que já nem conta nos damos
    Do nosso estado de demência
    Nem do ponto a que chegámos.

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    1. Nunca estive subjugada
      Pela falta de valores
      E sei bem que esta "cambada"
      Já fez coisas bem piores

      Em relação aos mercados,
      Sempre lhes tive aversão
      E, pr`a mal dos meus pecados,
      Eles têm tudo na mão!

      Hoje há gente tão consciente
      Quanto havia noutros tempos;
      Se os valores estão baralhados

      E a crise está iminente,
      Será porque dependemos
      Dos "valores"... desses mercados!


      Abraço. Continuo demasiado cansada para estar sentada ao computador... e dorida :) Vou insistir só mais um pouco. Já ontem tive de me deitar de tarde e, hoje, estou a ver que vou pelo mesmo caminho... e eu detesto fazê-lo.

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  15. “Era do bom senso”

    Esta é era do pessimismo
    Pois já ninguém acredita
    Nesta malta com cinismo
    Nem naquilo que debita

    Invente-se uma nova era
    Que nos traga algo de novo
    Onde o cinismo não impera
    Mas o bom senso do povo

    Com bom senso é possível
    Fazer bem melhor que isto
    Alguém disse e não arrasa

    Para obter mais que sofrível
    Não é preciso um ministro
    Basta mediana dona de casa.

    Prof Eta

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    1. Dona de casa não sou
      Mas poeta serviria...
      O estado a que isto chegou!
      Até eu melhor faria!

      Grândola, vila morena,
      Tu que foste inspiração
      Diz-nos lá se vale a pena
      Viver sem revolução?!

      Mais e mais desigualdade,
      Cada vez maiores impostos
      E... que é da fraternidade?

      Quando quiseres responder,
      Vai procurá-la nos rostos
      Dos que mais irão sofrer!


      Abraço grande, Poeta. Não estou muito bem. "Ressaca" de ter ido ao hospital, suponho... não consigo aguentar bem as deslocações e fico toda "moída" e ainda mais cansada. Em matéria de poesia, sem contar com estes sonetilhos espontâneos de pé-quebrado, gesso e tudo :)), não estou com cabeça para nada. A bicheza ocupa-me o dia inteiro e, de manhã, ponderei vir a dar umas férias aos blogs. Ainda não tomei nenhuma decisão porque este é um trabalho diário de quase quatro anos e custa muito quebrar uma rotina que eu acredito ser produtiva. Depois lhe digo se acabar por tomar essa decisão.

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  16. “Consumidos”

    Que dizer a esta juventude
    Eu digo, puta que os pariu
    E que mudem a sua atitude
    Não sejam geração consumiu

    É que a viver para consumir
    Vão acabar sendo consumidos
    Uma vida passada sem assumir
    Então para quê da puta paridos

    Mas será deles a grande falha
    Ou de quem os anda a educar
    Na abundância e não na luta

    Quem só facilidades amealha
    Ilude-se numa vida sem lutar
    Pr’a puta que a pariu, a puta.

    Prof Eta

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    1. Não vou fazer cara feia
      Aos palavrões que escreveu
      E, só pr`a ter uma ideia,
      Também sei escrevê-los eu!

      Destas privatizações,
      Eu, que às vezes sou arguta,
      Já escrevinhei palavrões
      E, entre os mais, "filhos da puta!"

      Consumistas-consumidos
      Pelo excessivo consumo
      Há pr`aí a dar c`um pau

      E, por vezes, assumidos!
      Quanto a mim, nunca o assumo
      Pois tanto consumo é mau...


      Tudo a correr bem convosco, Poeta? Abraço grande! :)

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  17. “Guernica hoje”

    Em guernica vejo loucura
    Vejo o mundo esquartejado
    Guernica não tem brancura
    Vejo o vermelho espalhado

    Guernica que foi o passado
    Mas tem cheiro do presente
    Está lá o futuro estampado
    Do nosso mundo deprimente

    Guernica as almas trespassa
    E trespassou muitos corações
    Nestas lutas fratricidas

    Hoje olha e cala quem passa
    Quem cala não vê aflições
    No futuro das nossas vidas.

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    1. Quem se não cala entendeu
      Dever gritar em voz alta
      Porque ainda não perdeu
      Aquilo que faz mais falta!

      Tanto vermelho em Guernica
      E uma decisão final
      Limpa a lágrima... não fica
      Vestígio desse sinal...

      Um dos projectos da tela
      Tem a lágrima vermelha
      Num dos olhos da montada

      Picasso, ao olhar pr`a ela,
      Fitando a obra de esguelha,
      Achou melhor não pôr nada...

      Este ficou terrivelmente coxo mas a informação é verdadeira. A lágrima vermelha que deveria pender do olho esquerdo do cavalo, foi retirada por decisão final do pintor e pode ser vista nos estudos que ele fez para esta tela. Picasso muito raramente fazia um estudo das obras mas abriu algumas excepções e a Guernica foi uma delas. Beijinhos! :)

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  18. “Compro almas”

    Compro almas, compro ouro
    Compro vidas, compro prata
    Vendo os títulos do tesouro
    Porque tenho uma grande lata

    Vendo cartilhas de governação
    Aos iluminados governantes
    Vocês pagam com suor o pão
    Pagam imposto aos meliantes

    Compro vidas, compro almas
    Dos que agora são pedintes
    Já não contribuem com nada

    Outrora trazia-os nas palmas
    Quando eram contribuintes,
    Vendo muita alma renovada.

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    1. :))

      Não vendo coisa nenhuma,
      Não perca tempo comigo!
      Pague só quanto consuma,
      Não me ponha a alma em perigo...

      Impostos não pagarei
      Porque não tenho incremento,
      Nem sequer ouro de lei
      Com que pague o seu sustento!

      Recuso, porque assim quero,
      Dar-lhe qualquer atenção,
      Sentir-me, sequer, tentada!

      Vá comandar - assim espero... -
      Outra terra, outra nação,
      Pois de mim não leva nada!


      Poeta, não estive bem durante todo o dia. Uma das minhas amigas convenceu-me a ir com ela ao supermercado, mas continuei a sentir-me mal, como seria evidente, pois não era de sair e sim de descansar que eu estava a precisar... penso que o blog está, efectivamente, de férias... férias, não; baixa. O blog, eu e todos os sites e redes em que publico, estamos de baixa por alguns dias, até a febrinha baixar, as dores acalmarem e eu retomar alguma velocidade de escrita. Tentarei vir sempre responder aos seus poemas e outros comments que possam surgir.
      Abraço grande!



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  19. “Tolerância zero”

    Os tempos são de números
    Já não são tempos de letras
    Então que fazer dos poetas?
    Passam a ser energúmenos

    E que fazer com a filosofia?
    Não tem valor acrescentado
    Por agora coloca-se de lado
    Talvez possa ser útil um dia

    Nos tempos em que vivemos
    Apenas tem valor a economia
    E tu se não és uma mais-valia

    Pode bem ser que te toleremos
    Mas como quebras a hegemonia
    Passas a contar como anomalia.

    Prof Eta

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    1. Isso a mim não me convence
      Nem um pouquinho sequer!
      Aquilo que eu sou pertence
      A quem eu bem entender...

      Nada tens de criativo?
      Então que falta fizeste?
      Porque razão estás tu vivo?
      Toma lá que já comeste! :))

      Poeta-poeta, a sério,
      Não procura viver muito,
      Nem consumir muitos bens

      E o que pr`a ti é mistério
      Surge, pr`a mim, como intuito
      De saberes de aonde vens...


      Abraço grande!

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  20. “Acaba”

    Está quase tudo a acabar
    Para muitos até já acabou
    Da saúde te vão amputar
    A educação quase esgotou

    Segurança social sobra pouca
    Desconta até aos sessenta e tal
    Deixa de respirar pela boca
    E pelo nariz, não leves a mal

    Precisamos as contas equilibrar
    Tu já não contas vai-te finar
    Fique quem já está educado

    Quem tem saúde para dar
    E quem ainda está a trabalhar
    Vai-te daqui, sim tu ó acabado.

    Prof Eta

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    1. Caramba, que sonetilhos estes! :))
      Pode ser que, mais logo, me dê para a poesia coxinha... agora e durante todo o dia, como lhe disse, tenho estado com muitas dores e dificuldade em andar. Mas o facto de eu não ser uma pessoa que se interessa muito pelo seu próprio futuro imediato, não quer dizer que seja uma das que se não interessam pelo futuro dos outros... mesmo daqueles que já cumpriram o seu tempo de vida activa e tentam viver, agora, com um mínimo de condições... além do mais, ninguém me convence da inutilidade da boa poesia... e eu tenho alguns muito bons poemas. Mesmo que acontecesse morrer hoje, agora mesmo, consideraria mais do que cumprido o meu papel neste mundo... e não o cumpri só ao nível poético.
      As vossas férias estão a correr bem? A minha produção "empancou" nestes últimos dias mas espero voltar a publicar mais uns sonetos neste blog. Por enquanto as minhas respostas "coxinhas" terão de servir porque outra coisa não vem... e mesmo essas, terão de esperar por um momento em que eu esteja com menos dores de cabeça...
      Abraço grande!

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    2. As féria vão-se gastando e espero que as suas dores se gastem também e depressa, não gosto de a saber assim, rápidas melhoras amiga.

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    3. Poeta, já menti, sem saber e sem querer! Disse que voltaria aos sonetilhos ainda hoje... ontem... e não vim! Às vezes fico furiosa com palermices destas... mas passa-me depressa. A dor de cabeça é que só se atenuou um bocadinho com o paracetamol... mas vou tentar agora! Bjo!

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  21. “Guernica eu”

    Mentira é mãe deste mundo
    Holocausto nunca aconteceu
    E numa análise bem a fundo
    Guernica não foi ela, fui eu

    Guerra nas minhas entranhas
    Foi de Picasso uma invenção
    Por isso tu já nem estranhas
    Quanto te esventram, pois não?

    Esvais-te em sangue e suor
    Lágrimas, fonte há muito secou
    Fica provado, mentira venceu

    Não vires a cara, olha em redor
    Tarde procuras quem te esventrou
    O que não podia, aconteceu.

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    Respostas
    1. Poeta, eu posso não estar nada bem... posso até estar incapaz de responder em sonetilho porque a dor de cabeça - e não só... - é enorme, mas essa história do holocausto ser uma invenção... eu já a ouvi, sim senhor, mas não vinha do lado do coração... ainda bem que isto é só uma brincadeira ! Mas até em comentário fica insultuoso à memória dos que foram assassinados... e dos que passaram pela Guerra Civil espanhola, às mãos de Franco.
      Vou ver o outro sonetilho porque acho que estou incapaz de responder a este... até já!

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    2. Se o fascismo não tiver
      Argumentos mais credíveis
      Nem o devemos temer
      Porque estes são mesmo incríveis!

      Mas... talvez insidiosos
      Porque se vão infiltrando
      No futuro, os mentirosos!
      E ninguém sabe até quando!

      Tive mãe, pai e avós
      E todos eles tinham voz
      Para falar do vivido!

      Se eu, agora, me esquecesse...
      Mas nunca tal me acontece
      E o resto é já sabido!

      Abraço grande, Poeta! Ainda consegui responder a este! :)

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  22. Só para te dizer que estás no meu coração!
    Leio-te sempre....!

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    Respostas
    1. Também tu estás no meu, minha Ligeirinha! Estou sempre a lembrar-me de ti!
      Estou numa fase estranhíssima... não consigo escrever nada que jeito tenha e mal me consigo mexer... não é por falta de vontade. É por falta de força física. Talvez haja para aqui uma infecção qualquer... as análises mostraram uma VS e uma PCR elevadas mas, como os leucócitos estavam normais, o médico não relevou muito. Mas se continuar nesta semi-vida, vou ao centro de saúde.
      Abraço grande, grande!

      Eliminar
    2. Por favor vai ao Centro de Saude!!! e depois diz-me o que se passa!
      Beijo grande

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    3. Vou amanhã ou depois, Ligeirinha. Hoje está fechado. Mas até tenho medo de lá ir... da última vez fui para lá às 14.00h e saí de lá perto das 21.00h... isto deve ser mesmo cansaço e é possível que a VC e PCR tenham a ver com a própria doença crónica... beijinho!

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  23. “Nova Guernica”

    Guernica acontece de novo
    Guerra do tempo contemporâneo
    Em marcha contra este povo
    Sem bombas ou outro sucedâneo

    Económicas as actuais retaliações
    São mortes lentas disfarçadas
    Impõe cortes de muitos milhões
    Mas as leis já foram decretadas

    Por se ter acabado o dinheiro
    Para te renovar as entranhas
    Já não podes ser transplantado

    Tu é que sofres na pele primeiro
    Outrora habituado nem estranhas
    Há muito à morte foste condenado.

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  24. “Poupadinhos”

    Estamos bem desgovernados
    Com uma transparência atroz
    Sabemos que estamos lixados
    E que o fisco é máquina feroz

    Cortamos no lado da despesa
    Passas a ter menos para gastar
    Para nós tu és uma boa presa
    Enquanto te pudermos sacar

    A palavra de ordem é poupar
    Poupa lá dos teus mil euritos
    Dá passos à medida das pernas

    Nós estamos cá pr’a governar
    Para que a situação fique de aflitos
    Só depende das condições externas.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Claro que também depende
      Do que vai por esse mundo!
      Portugal só não entende
      Que o queiram levar ao fundo!

      Muita Troika e tanta treta
      Tornam o povo seguro
      De não aceitar, Prof Eta,
      Quem trace assim seu futuro

      Somos pecinhas de um jogo
      Que outros andam a jogar
      Sem nosso consentimento

      Mas... brincar assim c`o fogo
      Pode, mais tarde, queimar
      Quem tira, agora, o sustento...


      Poeta, este ainda saiu :)
      Abraço grande!

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