FLORES-POETAS ou AS ETERNAS ANALOGIAS - Sonetilho


 


Silêncio. Lá fora, as flores


Dos canteiros do jardim,


Não qu`rendo saber de mim,


São, contudo, os meus amores...


 


Corolas de muitas cores


E formatos sem ter fim,


Parecem lembrar, assim,


Que há mais sorrisos que dores


 


Silêncio! Uma flor morreu,


Mas mil milhões desabrocham


No segundo que se segue


 


Àquele em que a mão escreveu


Sobre o que elas revelaram…


Flores-poetas? Nunca o negue!


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 14.08.2011 – 21.48h

Comentários

  1. É verdade ,as flores inspiram-nos bastante, nasceram-me alguns sonetos sentada á minha porta a olhar para as minhas flores, parece que "elas" nos estão a pedir para escrevermos sobre elas, para lhe darmos a voz que elas não têm. Aqui a minha amiga fez isso muito bem e com muito sentimento.
    Muito bonito.
    Bom serão.

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    1. Ora ainda bem que não sou só eu que "sinto" assim! :)
      Aquele sonetilho nasceu-me por causa das flores e, por isso, acho que só me fica bem dar-lhes a co-autoria :))
      Um enorme abraço, minha amiga Idalina!

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  2. Olá, M. João
    "Há mais sorrisos que dores"... gostei.
    Uma pergunta à Poeta: há flores feias?
    ZC

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    1. :) Olá, Zilda!

      Já fiz essa pergunta a mim mesma e acredite que me respondi que não. Há flores secas e murchas, estragadas, envelhecidas e doentes, mas nunca vi uma única flor feia! Podem ser, segundo cada um, mais ou menos belas, mais ou menos apelativas... mas não, não há flores feias. :)
      Muito obrigada pela sua visita a estas minhas flores-poetas... e lembrei-me, agora mesmo, que eu continuo a transformar coisas em poetas! Lembra-se dos Espantalhos-Poetas? Parece que continuo a querer arranjar co-autorias em todas as coisas vivas e não-vivas :))
      Este sonetilho foi feito para uns amigos que me ofereceram a orquídea que aparece na fotografia e eu ainda nem sequer pude ir mostrá-lo! Não faço ideia se eles têm este endereço, mas penso que não.
      Um abraço grande e um bom feriado! :)

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  3. EMANCIPADA

    Desde que se emancipou,
    A minha prima Armanda,
    Cheira a suor que tresanda
    Pois nunca mais se lavou.
    O hálito é de cigarros
    Com mistura de cachaça
    Sempre a emborcar vinhaça,
    O que mais fuma são charros.

    Tornou-se uma gaja tesa
    Quando deixou de usar saias
    E se alguém lhe dá vaias,
    Prega três murros na mesa.
    Não liga peva aos putos
    E o marido, o desgraçado,
    Ou anda muito alinhado,
    Ou, então, leva dois chutos.

    No carro é sempre a abrir
    Que o veículo é de corrida…
    Aí vai ela na brida
    De manhã, p´ra ir dormir.
    Nunca mais parou em casa
    Mas já não atrai olhares
    Agora mora nos bares,
    Sempre com um grão na asa.

    E era tão afinada,
    A minha prima Armanda…
    Agora, é ela quem manda
    Desde que é emancipada!
    Ao ver no que ela anda
    Fico, às vezes, cismando:
    Quando é que o primo Armando,
    Voltará a ser Armanda?
    EDUARDO

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    1. :))

      Que delícia de poema satírico, Eduardo! Muito obrigada por mo enviar! Penso que não tenho nenhum desse tipo feito por mim, para lhe enviar de volta... tenho um ou outro mais brincalhão mas já nem sei há quantos anos os fiz, nem que títulos lhes dei. Penso que já não conseguiria encontrá-los por muito que tentasse...
      Estou cá a pensar com os meus botões que este poema merecia ter maior visibilidade do que a que tem na minha caixinha de comentários... eu tenho um blog que raramente é actualizado e onde coloco "prémios" - imagens e selos - que os amigos me vão oferecendo... nem sei se o Pedro o conhece, ou não... é o http://premiosemedalhas.blogs.sapo.pt/
      O seu poema é tão divertido que me parece que ficaria bem por lá. Mas não publico nada enquanto o Pedro me não confirmar a sua autorização.
      Espero que esteja bem de saúde e que aproveite bem mais este feriado que veio prolongar o fim de semana.
      Um enorme abraço!

      Maria João

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    2. Fiquei surpreso com o comentário da Amiga Maria João de Sousa, acerca da minha sátira.
      Penso que, além de talentosa, ela é magnânima para com os que olha lá de cima. De qualquer modo, este velhote, fica feliz. É claro que dou todo o meu assentimento à sua honrosa pretensão. Fico, depois, à espera que me ensines como encontrar, por aí as minhas larachas, pois sabes que eu não me dou muito bem com estas ferramentas. Não se ajustam à minha vetustez.
      Beijos do pai e da Mãe.
      Eduardo.

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    3. Amigo Eduardo, o seu poema satírico está engraçadíssimo. Não sou eu que sou magnânima, de maneira nenhuma! Pelo contrário... tendo a ser cada vez mais exigente no que diz respeito à poesia e à literatura, em geral.
      Mantenho a minha intenção de o publicar, com a sua autorização e, como não poderia deixar de ser, em seu nome. A poesia satírica não é menos difícil do que a outra e esta merece uma publicação!

      Abraço grande,

      Maria João

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  4. Vou remeter-te um poema que talhei esta manhã, para enviar a uma colega, alentejana, de Colos, amiga da Mãe e que nos enviou um poema ao pão caseiro. Ela também gosta muito de poetar e também o faz com mestria. Se entenderes envia à Amiga Maria João de Sousa, já que ela tem paciência para ler as minhas poetices.



    ODE AO PÃO

    (Que me perdoe o amado NERUDA)


    Eu gosto mais desse pão,
    Pão nosso, quotidiano
    Pão partido, ou pão inteiro
    Esse é o pão verdadeiro
    Fermento do coração
    Pão bojudo, pão caseiro
    Do Povo Alentejano.
    Pão da semente enterrada
    No ventre do Alentejo
    E com o suor regada
    Até florir em espigas
    Desabrochar em desejo
    Desse pão já transformado
    Em açorda e em migas:
    Pão, azeite, sal e alho
    Que o Povo da planura
    Come antes do trabalho
    De mover a terra dura…
    Esforçado mas contente,
    Altivo muito feliz,
    Cantando em voz dolente,
    Sob o céu, ígnea fogueira,
    Uma toada que diz
    Que é de amor a sementeira

    Eduardo

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    1. Muito grata pela sua Ode ao Pão, amigo Eduardo! Tenho tanta paciência para ler as suas "poetices" como o amigo tem para ler as minhas :) E gostei muitíssimo!
      Depois verei se me autoriza a publicar no blog onde guardo as prendas dos amigos.
      Um enorme abraço para si de uma poeta do estuário do Tejo que, neste momento, anda demasiado cansada para conseguir ter inspiração,

      Maria João

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  5. “Sócrates evolution®”

    Olhos do mundo em Portugal
    No Pontal mais propriamente
    A ver se não nos portamos mal
    Eu digo que não seguramente

    Estamos a construir a história
    Na política já não há crispação
    É o nosso caminho pr’á glória
    O verdadeiro destino da nação

    Sacrifícios suaves não existem
    Resultados rápidos também não
    Venha a contribuição colossal

    Que eu sei vocês não desistem
    Do subsídio de Natal abrem mão
    Na energia sobe a factura mensal.

    Prof Eta

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    1. Que pena eu estar tão cansada e desinspirada! Este poema está mesmo a pedir resposta! Mesmo, mesmo... mas agora não conseguiria... mas pode ser que ainda venha qualquer coisa, hoje ou amanhã...

      Abraço grande, Poeta! :)

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  6. “Pleno vazio”

    A morte sempre encontrarás
    Mesmo tendo imensa sorte
    Aqui deste lado não ficarás
    Contas ajustarás com a morte

    Se lutas por o mundo mudar
    Se sentes o dever cumprido
    Quando a morte te vier buscar
    Verás o caminho teve sentido

    Teve o sentido da vida plena
    E de uma procura incessante
    Em concluir a obra inacabada

    Se assim não foi é uma pena
    Terá sido o caminho errante
    Da vida pl’a morte esvaziada.

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    1. Eu sei bem que ela virá
      E até já a conheci;
      Perto dela estive já
      Nesse dia em que "morri"

      Por isso faz mais sentido
      Do para os outros faça
      Se digo já ter "morrido"
      Na vida que aqui me passa

      Mas quem tiver vocação
      Não duvida um só momento
      De estar no caminho certo

      Só os que "nem sim, nem não..."
      Passam por esse tormento
      Quando a morte estiver perto


      Este ainda me saiu, Poeta! Não sei como porque já estou ensonada, mas saiu...
      Abraço grande. Vou ver se o consigo levar até ao seu blog!

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    2. :) Obrigada, Poeta! Ainda não o consegui "transplantar" mas vai já!

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  7. “Resposta ao Arnaut”

    A aritmética e a ética
    Não são conciliáveis
    Nem na obra poética
    Poetas são descartáveis

    A universalidade também
    Gratuitidade não tem razão
    A tendência como convém
    Molda-se pela nossa não

    Vamos lá então moldar
    Esta sociedade moderna
    Quem quiser que adoeça

    Não se escapa é a pagar
    Vai ter o ministro à perna
    E é bom que não se esqueça.

    Prof Eta

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    1. A poeta que aqui está
      É pobrezinha demais...
      Pr`a pagamentos não dá
      Nem pr`a pagar aos pardais...

      Doente já eu vou estando
      E mais não posso fazer
      Do que ir aqui poetando
      Pr`a pagar o que puder...

      Se mais não puder fazer,
      Isto vai ter que chegar
      Ou então... levem-me presa...

      Assim já fico a saber
      Se posso, ou não, poetar...
      Mas eu tentei... de certeza! :)


      Ai, que sonetilho tão maluquito!!!
      Abraço grande, Poeta! :)

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    2. Já nem sei qual deles lhe mereceu o adjectivo, Poeta Foi o da postagem ou o da resposta'? De qualquer forma, muito obrigada!
      Caramba! Tão tarde! espero que já esteja a dormir! Abraço!

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    3. Fixe é o da resposta, o da postagem é sublime, flores-poetas é superior a tudo...

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    4. Caramba, Poeta! Estava a deixar-lhe, nesta mesma janelinha, uma conversa daquelas que nunca mais acabam e que até já ia numa pequena discordância verbal que eu encontrei algures neste poema, quando o 2008... pufff!!! Ficou completamente pretinho e sem dar sinais de vida... sou uma mulher calma - é o que me vale ;) - e vim até ao CJ convicta de que, de alguma forma, o pobre computador virá a "acordar", bem ao jeito da Belle au Bois Dormant, nem que eu tenha de lhe dar um beijinho na bateria! :))
      Mas ia-me esquecendo de lhe agradecer! Eu gosto desse adjectivo. Talvez seja porque já não se ouve muito... gosto! Obrigada e um abraço grande! :)

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  8. “Eternidade”

    Eternidade é a encruzilhada
    Do passado, presente e futuro
    Com escala do tempo parada
    Onde a cada instante perduro

    Se a escala do tempo parou
    Cada eternidade é um instante
    Pois se o tempo se eternizou
    Eternidade não é determinante

    E passa o instante a dominar
    Pois encerra em si a eternidade
    Em que o tempo já não conta

    Neste instante podes repousar
    Com toda a paz e tranquilidade
    Onde já ninguém te confronta.

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    Respostas
    1. Sai, de "arrasto", um sonetilho
      Do fundo do coração!
      Cada poema é um filho
      Que, às vezes, nos diz que não...

      Este nasceu cá de dentro,
      Não demorou um segundo
      Para se lançar ao vento
      Que o leva por todo o mundo...

      Sonetilho, aonde vais
      Que tens um destino certo
      Para a mensagem que levas?

      Tão longe de mim, teu cais,
      Hás-de voltar pr`a mais perto...
      Mas, esse recado... entregas!


      Abraço grande. Muito GRANDE! :)

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  9. NADA É IMPOSSÍVEL, ALGUMAS COISAS SÃO APENAS MAIS DIFÍCEIS...

    The Flight of the Bumble-Bee (O Vôo do Moscardo) é um interlúdio
    musical famosíssimo, composto pelo conde e compositor russo
    Nicolai Rimsky - Korsakov para sua ópera O Tzar Saltan, entre 1899 e1900.
    É um verdadeiro "tour de force" musical inicialmente escrito para um
    solo de violino.
    Algum tempo depois o próprio Korsakov reescreveu a peça para o piano.
    Contudo, é tecnicamente tão difícil que o famoso pianista Vladimir von
    Pachmann (1848/1933) ao ler a partitura julgou-a
    "impossível de ser tocada".
    Anos depois Serguei Prokofiev (1891/1953) aceitou o desafio e abriu a
    porta para que pouquíssimos colegas realizassem essa proeza...
    A jovem pianista chinesa, considerada atualmente uma das 5 melhores do
    mundo, dá um show de virtuosismo.

    http://www.youtube.com/watch?v=sTvBn2EO2y8

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    1. Lembro-me bem do Vôo do Moscardo! Obrigada, Poeta! Mas agora estou a lembrar-me que não o vou conseguir ouvir... talvez consiga ver... alguns vídeos conseguem-se ver e outros não...
      Muito obrigada, mais uma vez! :D
      Abraço grande, grande!

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