QUE POSSO EU?


 


Que posso contra a força da consciência


Se ela me eleva a mão, me exalta a voz,


Se se me impõe além do que é prudência


E lança ao mar na casca de uma noz?


 


Eu nada posso, ó clara transparência,


E entrego-te este leme quando, a sós,


Confio – quem o sabe? – na clemência


Daqueles que chegarão depois de nós


 


Se pedes muito mais que o evidente,


Se assim vais empurrando, sempre em frente,


A vaga das palavras que aqui escrevo,


 


E, estando em mim, tu és de tanta gente,


Como posso negar-te o meu presente


Que lega no futuro o sal que eu devo?


 


 


Maria João Brito de Sousa – 03.08.2011 – 20.18h

Comentários

  1. “Trio ode mira”

    Não é uma ode à corrupção
    Nem uma ode à insensatez
    Mas neste trio há um ladrão
    E logo atrás há outros dez

    Um aponta pr’a bem longe
    E nunca mais ninguém o viu
    O outro não parece um monge
    O terceiro muita coisa previu

    Todos roubam minha gente
    Nesta pobre pátria desdita
    E ninguém se parece fartar

    Seremos nós gente pensante
    Ou um bando de gente aflita
    Pobre do povo que fica a mirar.


    MJ perdoe-me eu sei que o seu bloqgue e principalmente os seus sonetos com alma não merecm ser conspurcados com estes meus comentários, mas não pude conter-me.

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    1. Mas não conspurca rigorosamente nada, Poeta! Que ideia! Eu estou é com pena de me estar a sentir muito desinspirada para lhe responder. Esta noite troquei as horas todas... enfim, espero que não me aconteça o mesmo hoje...
      Abraço grande! :)

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  2. Lindo soneto!

    "Como posso negar-te o meu presente
    Que lega no futuro o sal que eu devo?

    Bela metáfora!

    Desculpa a ausência, mas estou, um pouco de férias...ou pretensas férias!

    Talvez não te lembres e quando possível lê

    "D. Fernando II e Glória" a nossa última Nau.

    Um abraço,

    Mª. luísa

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    Respostas
    1. Olá, Maria Luísa! :) Fui ao 7degraus e, muito provavelmente, esqueci-me de passar pelo Prémios...
      Vou já até lá!
      Obrigada pelas tuas palavras, boas férias e um abraço grande!

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    2. Mª. João

      Eu não estou de férias, mas no google tenho
      mais 290 seguidores que não viram o poema,
      talvez pelas férias e ele fica a aguardar...

      Um beijo aos bichinhos e para ti um abraço
      ao poema simbolista que publicaste.

      Eu continuo presente!

      Maria Luísa

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    3. Obrigada, amiga! Agosto é o mês de eleição para as férias... talvez por isso algumas pessoas não acedam à net... mas tu tinhas muitos visitantes, mesmo assim!
      Abraço grande!

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    4. Tens razão, apesar de tudo tinha muitos visitantes.

      Mas eu espero sempre mais do que um milagre.!...

      Vencer o verão,
      vencer nas minhas ausências no Inverno Português
      e a minha falta de aceitação no merecimento e ainda a minha
      falta de humildade.

      E tento vencer
      prometo vencer
      luto por vencer,
      mas com a eterna desculpa
      de ser humana...
      Me desculpo da culpa!

      Abraço grande, poeta amiga,

      Mª. Luísa

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    5. :) Mas somos mesmo humanos! Todos nós temos as nossas pequenas falhas! E é possível que tenhamos direito a tê-las... eu vejo o que fazemos como um serviço público e é por isso que me preocupo muito mais com o que as pessoas possam entender, ou não, do que escrevo do que com os comentários, muito embora adore comentários. Mas penso que todos temos formas distintas de estar na blogosfera e que nos movam objectivos que podem ser distintos.
      Não te preocupes tanto porque isso acaba por te prejudicar! Abraço grande e um bom fim de semana!

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    6. Eu me preocupo com tudo e isso, faz-me um mal tremendo. Eu sinto que me tiram anos de vida e ela já é curta!

      Mas tento, reconheço a inutilidade de ser assim e poucas melhora tenho ou nenhumas!

      Por isso, penso muitas vezes que vou terminar
      com o tal virtual...Isso é um pensamento constante, mas é necessária mais coragem e
      um pouco de mais tempo.

      Beijos,

      Maria Luísa

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  3. “Já não conheço”

    Já não conheço oposições
    Nem aqui nem noutro lado
    Conheço é muito comprado
    Que na rua grita uns chavões

    Já não conheço ideologias
    Foram varridas pl’a corrupção
    Servir o estado já não é opção
    De bandeja servem demagogias

    Já não conheço livre pensar
    Só vejo máquinas de calcular
    E outras tantas para baralhar

    Perguntas, onde está a oposição?
    Em cada um de nós, pois então
    Adormecida, por isso a podridão.

    ResponderEliminar
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    1. Haverá quem se não venda,
      Quem nada tenha a perder,
      Quem saiba - até quem aprenda -
      Tudo o que deve fazer...

      Há quem, mudando, não mude
      No que tocar às ideias...
      Muita gente até se ilude,
      Fica enredada nas teias...

      Outros nunca duvidaram;
      Estiveram sempre seguros
      De ter coisas por fazer...

      Os que nunca descansaram,
      Os que permanecem puros,
      Os que o não querem esquecer...


      Abraço, Poeta!




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  4. “Oposição não”

    O deus máximo é o dinheiro
    Ninguém se lhe consegue opôr
    Gostava então de vos propôr
    Porque não cooperar primeiro

    Esta tremenda insaciedade
    Pelo lucro até mais não
    Vai provocar a implosão
    Desta nossa sociedade

    Abandonemos esta competição
    Que só nos aporta destruição
    Construamos o novo dia

    Sem direito à oposição
    Onde todos em cooperação
    Alcancemos a harmonia.

    Prof eta

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    1. Aqui, Poeta, é que "a porca torce o rabo"! Há quase quatro anos que venho a bater nessa tecla e sei muito bem que estou só a deitar uma gota de água no oceano... fazê-lo, assim de repente, numa ou duas gerações, não me parece exequível... estes comportamentos da "cultura do desapego material" terão de ser ganhos a pulso, ao longo de várias gerações... a não ser que surja mesmo um cataclismo "daqueles". ..
      Desculpe não ter entrado na desgarrada. Já estou com muito sono e não sairia nada que se pudesse ler e compreender.
      Abraço e até amanhã! :)

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  5. Lindo, lindo, lindo Maria :D
    De se tirar o chapéu ^^

    Como estás? E o Kico? :)

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    1. :) Olá, Paper! Pensei em ti esta manhã! :)
      O Kico ainda por cá anda e eu... também :)) Mas não tenho estado grande coisa no que toca a barriga... hoje estou no 2008 porque nem sequer consegui até ao CJ. Mas estou a começar a entrar numa fase produtiva... bem, não vou cantar vitória porque estas "fases criativas", às vezes, só duram um ou dois dias...
      Vim até ao cafezinho e o 2008 deve estar a ficar sem bateria. Vou pagar e vou para casa. Visito-te a seguir!
      Bjo!

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