À LUZ DAS VELAS - sonetilho


Amigo, este nosso medo


É pão servido nas mesas


Dessas humanas fraquezas


A que eu sei que já não cedo!


 


Não cobiço o teu segredo;


Desfraldei velas acesas


Na mira de outras riquezas


Que durem mais do que um credo…


 


(lá fora é noite cerrada


e aqui, de luz apagada,


só vejo o que eu quero ver,


 


se me esqueço de acender


esta vela, tão queimada,


que pouco ilumina… ou nada!)


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 07.09.2011 – 18.54h


 


 


 


 


 

Comentários

  1. “Já não há heróis”

    Fui à terra de Cervantes
    Tentei encontrar um herói
    Já não os há como dantes
    É uma pobreza que dói

    Antes combatiam dragões
    Hoje da sombra têm medo
    Ainda falei com o Camões
    Não me revelou o segredo

    Adamastor tem a liderança
    Cospem fogo os dragões
    Luso heróis já não existem

    Nem Quixote e Sancho Pança
    Quero ouvir outras opiniões
    Só vejo covardes que desistem.

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    Respostas
    1. Não há Sancho nem Quixote
      Que me façam desistir,
      Sou pior do que um serrote
      Que escreva mesmo a dormir

      Já não há gente capaz
      De honrar suas convicções?
      Por uns segundos de paz
      Dá-se um país aos vilões?

      Já nem sei que responder
      A notícias tão terríveis
      E tão estranhas novidades!

      Fico triste por saber
      Como as coisas são sofríveis
      Se queremos ouvir verdades...


      Olá e obrigada, Poeta! Continuo muito cansada mas lá saiu qualquer coisinha... :))
      Abraço grande!


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  2. Boa noite Maria João, então como está, este soneto contem muito desanimo, eu tive uma altura da minha vida que só me sentia bem ás escuras mas isso foi muito mau , foi quando tive uma depressão. Espero não ser o seu caso.
    Não se preocupe com a capa que havemos de encontrar uma solução, o que interessa é ficar melhor. Um grande abraço e não se deixe ir abaixo

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    Respostas
    1. Olá, Idalina! :) Não! No meu caso não tem a ver com depressão... eu estou muitíssimo motivada para fazer coisas, não tenho é força nem poder de concentração para o fazer... pode e tem a ver com o quadro de SAAFS, mas eu atrevo-me a dizer que estou mesmo um bocado "esgotada". Não é fácil entender porque a maior parte das pessoas não compreende quanto é necessário investir para se ter um velho blog de soneto clássico constantemente actualizado... e se eu estivesse bem de saúde, provavelmente não estaria tão exausta... mas olhe que ter o blog todo revisto, é coisa que já tirei da ideia! Ou então não posso mesmo fazer mais nada durante uns largos meses... este soneto é mais direccionado do que parece e tem intenções políticas. Não tem assim tanto a ver com o estado em que realmente me sinto e que seria mais comparável a uma pilha gasta do que a uma vela quase apagada... :)) Mas só estou um bocadinho preocupada por estar ainda mais lenta e limitada. Isso é naturalíssimo porque estava habituada a um ritmo de produção que agora não consigo manter...
      Muito obrigada pelo seu cuidado e pelas flores, amiga!
      Abraço grande!
      Um enorme

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  3. Respostas
    1. À Luz das Velas
      Todas as sombras aparecem e enchem os
      lugares vasios.

      Mª. Luísa

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    2. Muito nervosa por dentro. Hoje levo a última injeção e termina o tratamento.

      Estou melhor, mas a medicação foi rude e não me deixou muito bem. Tenho de aguardar.
      Agradeço o cuidado, mas a 100% não estou!

      Mª. Luísa

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    3. Amiga, o tratamento é bastante eficaz e vais ver que o efeito ainda se fará sentir muito tempo depois do último injectável. Podes não estar a 100% mas, com algum cuidado e repouso, poderás ter um dia a dia quase normal... mas atenção ao computador! É terrível para toda e qualquer coluna! Há posturas que minimizam os riscos... não as saberia descrever mas lembro-me bem de pequenos pormenores... penso que uma pequena elevação do local onde os pés assentam (um banquinho, por exemplo) pode ajudar. Fala com o teu médico.
      Abraço grande!

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    4. Agradeço o cuidado, mas sinto que o pc me faz muito mal e vou começar a desistir .

      A saúde não permite "e quem não escreve a
      quem lhe escreve, por melhor que seja
      "é esquecido" ...
      As multidões não perdoam
      àqueles que elegem como ídolos.

      E eu já sinto isso!

      Um abraço,

      Mª. luísa

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    5. Tens razão... o computador faz-nos mal, é um instrumento de trabalho muito mais "pesado" do que parece. Se nos ficarmos por esta apreciação imediatista, é provável que comeces a ser menos visitada... mas o trabalho fica. Eu acredito que aquilo que faço - ou fiz... - virá a dar os seus frutos. Vita brevis, ars aeterna.
      Espero que melhores e que encontres a forma ideal de vir aos teus poemas de vez em quando, de forma a não prejudicares a tua saúde.
      Abraço grande, grande!

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    6. Obrigada por responderes,
      Me sinto abalada. Isto é uma troca de favores
      e me desagrada!

      No entanto, tenho muitos amigos e visitantes,
      mas essa multidão não tem grande significado.

      Tem significado o que sinto!

      Mª. Luísa

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    7. Qual quê?! Responder-te é uma troca de favores? Não! Respondo-te porque isso é o que acontece naturalmente na comunicação! Comunicamos e pronto! :)
      Todo e qualquer poeta sonha, lá no fundo, ser lido por quem o entenda... mas sabe que muito poucos o conseguirão. O poema acaba por ser uma vitória da escrita sobre aquilo que se cala. E também penso que a maioria dos poetas tem uma costelazinha de "comunicador social"...
      Vou ter de ir lá abaixo mas ainda volto hoje! Tenho alguns sonetilhos que ainda nem li, à minha espera, na caixa do correio. Até já!

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    8. Obrigada pelas tuas palavras.

      Um abraço,

      Mª. Luísa

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  4. Mª. João

    Hoje não te encontrei, Que se passa?

    Mª. Luísa

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    1. Desta vez, nada de especial. Quando vinha do C. Paroquial encontrei a D. Isa com umas amigas que não via há muito tempo e decidi que só poderia fazer bem ao meu cansaço ficar uma tarde sem me preocupar com a bicheza e os poemas... e penso que fiz bem. Ando mesmo muito cansada e assim quebrei um pouco esta rotina que, parecendo que não, tem o seu quê de cansativo. Estás melhor?

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    2. Por vezes é necessário!

      Um abraço,

      Mª. Luísa

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  5. Lindo Maria! :D
    Um soneto simples mas que diz tudo! ^^

    (e da maneira que isto anda, daqui por uns tempos vamos voltar a usar velas em vez de lâmpadas :P )

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    1. Sem dúvida, Paper! :D E só os mais abastados poderão comprar as velinhas porque, quando a procura aumentar muito, os preços subirão em flecha! São as manhas deste sistema capitalista... :
      Abraço grande!:)

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  6. “Poema emprestado”

    Sonhos não foram roubados
    Apenas partiram pr’a guerra
    Hão-de regressar reforçados
    Pl’o cheiro a sangue e a terra

    Nunca esquecem o seu autor
    Mesmo mortos em combate
    Pode-se abater um sonhador
    Mas um sonho nunca se abate

    Porque assim pode ser o sonho
    Livres, genuíno, de força imensa
    Tão semelhante à própria poesia

    E se a liberdade não tem dono
    Sonho também não tem pertença
    Já este poema é teu por um dia.

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    Respostas
    1. Este aqui, poeta amigo,
      É bem NOSSO de certeza!
      Cresceu, qual espiga de trigo,
      Fez-se pão em qualquer mesa

      Vão-se os meus olhos fechando,
      Mal comando estas letrinhas
      Que os meus dedos vão teclando...
      Mas são nossas, não são minhas!

      Talvez acorde amanhã
      Mais tarde do que o costume
      Quem sabe, menos dorida...

      Estarei mais ou menos sã
      E arderei no mesmo lume
      Que se acende em cada vida

      ;-) Abraço gde!

      Eliminar
  7. “Cala-te Narciso”

    Sonhos estão em metamorfose
    Pelo menos eu assim acredito
    Ou será utopia em grande dose
    Tal como Narciso me havia dito

    Não sei mas perguntei ao Dalí
    Que me respondeu em abstracto
    Mas confesso que sobrevivi
    Apesar da utopia ser um facto

    Cala-te Narciso, respondi eu
    Não quebres ao mestre o pensar
    Espera a metamorfose acontecer

    Mas o mestre já não respondeu
    Parou, pensou e desatou a pintar
    Assim Narciso acabava de renascer.

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    Respostas
    1. Assim renasce Narciso
      Mas, desta vez, mais prudente,
      De elaborado juízo,
      Muito menos reticente...

      Vai medindo o novo piso,
      Estuda a terra e a semente...
      Vem mais firme e mais conciso;
      Pensa tanto quanto sente!

      Sonha ainda, claro está,
      Mas sozinho não estará
      No trabalho que elabora

      Noite escura. Faz-se tarde...
      - Narciso, que Deus te guarde!
      - vou dormir um pouco agora... -

      :) Abraço grande!

      Eliminar
  8. “Economista alentejano”

    Andam por aí à molhada
    Antigos economistas chefe
    Mas a julgar pelo regabofe
    De economia não vêem nada

    São de Harvard e americanos
    Mas os canudos caducaram
    É que as previsões falharam
    Estão de rastos os fulanos

    Antes fossem alentejanos
    E compadres do bel canto
    A análise demorava anos

    O sucesso seria um espanto
    Pois mesmo havendo enganos
    A crise caducava entretanto.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Prof Eta, estou a ser "sabotada" pela minha bicheza que está toda - são quatro - a vomitar. Vou ter de largar o pc por algum tempo mas volto assim que puder!
      Até já!

      Eliminar
  9. “Congresso”

    Costa levantou-se da cadeira
    E deu uma volta ao camarim
    Ficou com uma grande bandeira
    Porque o Seguro não fez assim

    Cá vamos sabendo do congresso
    Dum grande partido imputável
    Faz parte do nosso progresso
    É tudo gente muito impecável

    Problema não está na ideologia
    Todas elas têm ideias positivas
    Reside no ser humano a questão

    Que a ideologia na gaveta metia
    Em busca de algumas alternativas
    Para nos espremer até mais não.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Nada sei de António Costa.
      Penso que é boa pessoa
      Mas vai ficar sem resposta
      Porque, nisto, eu ando à toa...

      De Seguro... ainda menos!
      Do muito pouco que sei
      Não me sobram nem uns remos
      Pr`a vos mostrar que remei...

      No ser humano reside
      Toda a sua humana essência
      Mas ele vive em sociedade

      E a essa... quem preside?
      Ou a fome é "aparência"
      E um direito é só "maldade"?


      Poeta, vou agora tomar um café porque, senão, ainda adormeço aqui... os meus meninos patudos não estão nada bem... e o pior é que só a dois deles eu consigo dar o Primperan. O Garfield e o Sigmund defendem-se com unhas e dentes e eu não posso arriscar por causa de estar anti-coagulada. Um arranhãozito pode mandar-me para o outro mundo em três tempos e eu ainda tenho muito que fazer :) Beijinhos e até daqui a pouco!

      Eliminar
  10. “A posta restante”

    Quem pelo sonho passeia
    Anda muito desenganado
    Não é sonho a verborreia
    E o sonho já foi roubado

    O larápio foi identificado
    Nada de mal lhe aconteceu
    Pelo contrário foi ilibado
    E carta de alforria recebeu

    Carta confere imenso poder
    É do poder que ele mais gosta
    Além do sonho já pode roubar

    Rouba tudo a seu bel-prazer
    Para nós resta a ínfima posta
    Assim o estamos a mandatar.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Nem todos subscreverão
      O poder do capital.
      Um dia, a bem ou a mal,
      Haverá revolução!

      Já o sonho foi roubado
      Mas algum, mais persistente,
      Resistirá alojado
      No peito de muita gente!

      Venho de uma fome antiga
      Que é tão velha como a vida
      E que, mais tarde ou mais cedo,

      Derrubará quanta intriga,
      Quanta vontade traída
      Agora nos meta medo!


      Abraço!!! Grande!

      Eliminar
  11. “Ainda há torres”

    Sonhemos em memória
    Dos que já não o podem
    Pois são o pó da história
    Das torres que implodem

    Neste dia em que o homem
    Mostra a veia da malvadez
    Agora outros se consomem
    Para derrubar outras dez

    Depois hão-de derrubar mil
    E outro milhão se seguirá
    Não estará nunca saciado

    O nosso âmago que é vil
    Este périplo só terminará
    Quando tudo fôr derrubado.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. De entre os homens que derrubam
      Outros tantos se hão-de erguer
      Que em suas vozes conjugam
      O muito que há por nascer!

      Homem e todo o planeta
      Hão-de um dia ter um fim
      Mas não agora, Prof Eta!
      Sabemos lá se é assim...

      Sempre houve tanta miséria,
      Tanta injustiça e maldade
      Neste mundo em que vivemos

      Só nos parece mais séria
      Porque a vemos de verdade...
      E vivemos do que vemos!


      Abraço grande, Poeta!

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