AMIZADE


  


A amizade não morre facilmente!


Talvez não morra nunca e permaneça


Num canteiro qualquer escavado à pressa


Pelas mãos incansáveis da semente…


 


Talvez o vento passe e não lamente,


Talvez a terra inteira até a esqueça…


Mas, dela, sobrará uma promessa


Que a torna intemporal e transcendente


 


Se ela existiu, então não terá fim


Pois ficará latente no jardim


Onde alguém a plantou em tempos idos


 


E se alguém me disser: – Não é assim!


Responderei: - Não falo só por mim…


Falo por quantos nunca são esquecidos!


 




 


 


Maria João Brito de Sousa – 13.09.2011 – 16.00h


 


 


FOTO - Eu e a Nice na varanda da casa do Dafundo, 1954

Comentários

  1. Desta vez não classifico de sublime porque seria muito pouco, está acima de qualquer adjectivo.

    Obrigado!

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    1. Obrigada, Poeta!
      Nasceu-me quase como um acto reflexo... pelo menos as duas quadras saíram instantaneamente... acho que só parei para respirar quando cheguei aos tercetos... :)) Estou muito grata ao seu pai. Foi como se me tivesse tocado com uma varinha de condão e me libertasse de um silêncio que começava a ser opressor...
      Abraço grande!

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    2. Caro Pedro

      Ao anoitecer recebi as tuas notícias. Por aqui não há luar, mas está uma noite calma. Um pouco abafada.

      Diz à Amiga Maria João Sousa que fiquei feliz por o meu Epitáfio, ter provocado aquela sublime torrente de AMIZADE. Para mim, issso, foi apenas a prova de que uma semente vulgar quando encontra o terreno apropriado e um cultivador de excepção, pode desabrochar numa daquelas tulipas, cujos matizes, só os coleccionadores invulgares conseguem fazer florir.

      Beijos da Mãe e do pai

      Eduardo.

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    3. Cara amiga enviei um mail para a caixa do sapo.

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    4. Ah, meu amigo!!! Agora deixou-me até envergonhada! Estou muito contente por ter conseguido voltar a escrever um soneto mas ele não é assim tão bom! Seja como for, mentiria se não dissesse que o devo a si! Andava com uma sensação quase funesta em relação às minhas capacidades de "sonetar"... mais do que uma vez tentei e só me saíam cacofonias perfeitamente impensáveis. Foi o seu que acabou por dar o "impulso de voo" ao AMIZADE! Mais uma vez lhe afirmo que estou muito grata!
      Agora vou ver o email do Pedro porque eu tenho estado a ouvir atentamente o Rádio Horizontes da Poesia que passas todas as terças-feiras entre as 22 e as 00.00h.

      Enorme abraço!

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    5. Vou já ver, Poeta! Mas sou capaz de não conseguir responder hoje ao seu outro sonetilho... já estou a entrar naquela fase de sono de criança :))) Eu tenho mesmo sono pesado, de criança! Mas a noite passada foi má porque tive imensas cãibras e quase não consegui dormir... até já!

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  2. Eu não poderia estar mais de acordo com as tuas palavras Maria :)
    A amizade é, na minha opinião, o único sentimento que é eterno :')

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    1. E é mesmo um sentimento poderosíssimo!
      Um abraço grande, Paper! :)

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  3. “A média”

    Pobreza está a aumentar
    E a riqueza por suposto
    És pobre não podes gastar
    Deves poupar pró imposto

    Depois recebes as migalhas
    Que esse imposto te devolve
    Mas vê lá se não te baralhas
    Se pagas cem recebes nove

    Mas se alguém fizer a média
    Entre a riqueza e a pobreza
    Dirá que estatisticamente

    Não existe nenhuma tragédia
    Embora uns tenham farta mesa
    E outros nem dêem ao dente.

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    1. :) Não resisto! Vamos lá a ver se ainda consigo responder a este ou se adormeço a meio... :))

      Já pensei e repensei
      Sem conseguir descobrir...
      Porque será que não sei,
      Sequer, se o vou conseguir?

      Mas afirmo ter pensado
      Até à pura exaustão
      Nesta coisa do legado
      Da humana criação...

      É trabalho, eu sei que sim,
      Mas emprego não será
      Nem me trará rendimento...

      Se a crise não chega ao fim
      Já não sei se eu chego lá
      Ou se morro sem sustento...

      Que pena eu estar meia a dormir! Estava-me a apetecer responder ao de ontem... vou ver!

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  4. A amizade verdadeira nunca morre!
    Passam dias, meses ou anos
    Podem até passar tormentas
    Mas na amizade nunca desenganos.


    Abraço

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    1. :) Olá, Vera!

      Podem vir os desenganos!
      Qualquer coisa, lá no fundo,
      Perdurará tantos anos
      Quantos anos tem o mundo!

      Obrigada e abraço grande! :D

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  5. "Se ela existiu
    Então não terá fim"...

    Atravesso noites e dias
    num tormento...

    E um dia
    Não canto mais!

    Maria Luísa

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    1. Amiga, na segunda parte deste teu poético e magoado comentário, estamos todos iguais. Na primeira parte é que há as grandes variações... ainda tens muitas dores? Vou visitar-te agora. Até já!

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    2. Só me interessei pela 1ª. parte.

      " Se ela existiu
      Então não terá fim"...

      Mas se não existiu, se descobre nem que seja no encontro com a morte...
      Já fui vitima de uma amizade dessas e se descobriu que nunca tinha sido amizade...

      E foi uma coisa séria! Em mim tudo é sério,
      a não ser o que se diz a brincar...


      Mª. Luísa

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    3. Olá, Maria Luísa! Em mim tudo é muito sério, também, mesmo quando estou a brincar. Acredito que as brincadeiras nos fazem imensa falta em qualquer idade. Tu acreditas que eu ainda brinco com os meus gatos, exactamente com a mesma alegria saudável com que brincava na infância? Claro que já não corro com eles... porque não consigo, mas fingimos que lutamos! E brinco às escondidas com eles e com o Kico :D Estamos todos velhotes mas, quando brincamos, é como se voltassemos todos à infância!
      Esses momentos de alegria genuína não há nada, nada que os possa pagar!
      Vou já visitar-te, amiga.

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    4. Eu jogava à bola com a Maggie, mas ela
      morreu e me deixou com uma saudade maior ...e sofro! Esta sensibilidade me faz sofrer! Entendes?

      Não sou alegre nem triste
      Sou Poeta!
      Isso eu sou!...

      Mª. Luísa

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    5. Eu também sou poeta... mais alegre do que triste, embora as pessoas não costumem perceber muito bem certo tipo de alegrias que eu tenho :) Mas, atendendo a tudo aquilo por que tenho passado e ainda vou passar - todos os meus companheiros de quatro patas estão a aproximar-se da sua etapa final e já ultrapassaram muito a esperança média de vida das suas espécies - julgo-me muitíssimo sobrevivente e até bastante mais forte do que a maioria. Também é normalíssimo termos uma sensibilidade mais desenvolvida do que a maioria, exactamente por sermos poetas... temos de aprender a sobreviver a esta hipersensibilidade, fazendo dela o melhor uso possível...
      Um abraço grande!

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    6. Tu tens alegria, magia e aceitação...tens
      aprendido a lição...és uma boa aluna dessa tua vida...

      Eu retirei "Choremos" !

      Mª. Luísa

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    7. Não teria sido necessário, amiga! Eu saberia voltar à minha estabilidade, apesar de tudo isso.
      Abraço grande!

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  6. Cara amiga,
    É desnecessário referir a qualidade do soneto.
    Fala por mim também, tenho duas ou três amizades que não morrem, outras perdi porque já morreram.
    Grande abraço

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  7. “Resgates”

    Foi o resgate a Portugal
    A seguir é o da Madeira
    Isto até não vai nada mal
    A continuar desta maneira

    Resgatam depois o Alentejo
    Em seguida Trás-os-Montes
    Segue-se-lhe o Ribatejo
    Isto sei de outras fontes

    Capital tem resgate previsto
    E a minha aldeia também
    Mas não estará terminado

    Vão resgatar o Sr.Evaristo
    D.Josefina o resgate obtém
    No final serei eu o resgatado.

    Prof Eta

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    1. Ai que com tanto resgate
      Inda vamos acabar
      Este enorme disparate
      Todos de papo pr`ó ar!

      Trigo limpo e queda certa!
      Vamos a ver no que dá
      Esta nova "descoberta"
      E o que dela nos virá...

      Como diria um amigo,
      Que não vejo há muitos anos,
      "Andamos todos a "anhar"..."

      E "anhar" assim, é um perigo!
      Alguém me fala dos danos
      Que isto possa provocar?


      Abraço grande, Poeta Prof Eta! :)


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  8. “Mútuo consentimento”

    Sérgio não saiu, está de volta
    Com a mão na música sempre
    Traz uma bomba-relógio à solta
    Não pode adivinhar o presente

    Adivinhar futuro também é duro
    Inventa a roda, já precisávamos
    A valsa macabra é o som puro
    Paranóia urbana dos humanos

    Existe o mútuo consentimento
    E ir a jogo faz parte desta vida
    Mas não da vida sobresselente

    Vai lá, convoca contra desalento
    Activa as forças pra esta corrida
    E terminarás intermitentemente.

    http://musica.sapo.pt/sergiogodinho/musica-a-musica

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    1. Já vi que o Sérgio voltou!
      Que falta estava a fazer
      Agora que alguém pensou
      Que não o voltava a ver!

      Parabéns aos portugueses
      E ao nosso Sérgio também!
      Esse brilho, as mais das vezes,
      Dá-nos alma, faz-nos bem!

      Vamos todos acordar,
      Ouvir bem e meditar
      Nas possíveis soluções!

      Amanhã... estou a cantar
      E, com certeza, a apostar
      Que há mais GENTE que ladrões!


      Só agora vou ouvir, Poeta! Para mim é uma estreia , embora já me tivesse "soado" que o SG iria lançar uma nova música! Obrigada e um enorme abraço! :)

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    2. Acho que o SG é a única pessoa - que eu conheça... - que, como eu, usa o relógio no braço direito! :)

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