CHEGAR TARDE DEMAIS À ÍTACA DO COSTUME


 


 


Por Ítaca me fui desencontrando


Da sagrada missão da Poesia.


Se acaso a encontrei, nem nela havia


Tradução pr`á linguagem do meu pranto.


 


Mal Ítaca abordei, vi-me encalhando


Numa praia inventada e já vazia


Que quanto mais negada, mais crescia


Enredando-me toda no seu manto.


 


Se algum farol em Ítaca se erguia,


Se, à porta, me pediram senha ou santo


Prá singular viagem que antevia,


 


Não o posso afirmar... e, no entanto,


Com Ítaca sonhava e redimia


Cada saudade à luz do desencanto.


 


 


 


Maria João Brito de Sousa - 23.09.2011 - 17.40h

Comentários

  1. Mais um excelente soneto, para começar bem o fim-de-semana :)
    Vais ficar muito tempo por Ítaca? :P

    Bom fim-de-semana Maria :D

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    1. :)) Naaaa... cheguei atrasadita...
      Estou a perder alguma força anímica e sou daquelas que o detectam aos primeiros sinais... pareço um sismógrafo da tal força anímica :)))
      Mas, vá lá... parece que o sentido de humor ainda está a funcionar...
      Adorei aquele artigo do MEC, o acordo "tortográfico" !
      Vou tomar um cafézito a ver se não adormeço em pé... ;)

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    2. Ainda não vi esse artigo :P
      Bom café então :D

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  2. “Lenços de sangue”

    Há na guerra quem chore
    Também quem venda lenços
    Já por lá vi vender pensos
    Os vendedores são imensos

    Vender esperança é que não
    Querem a vida e a morte
    Brincam com a nossa sorte
    Impera a lei do mais forte

    Com suor, lágrimas e sangue
    E carne picada para canhão
    Vão tornando o império grande

    Nas suas mansões douradas
    Primem um pequeno botão
    As bombas já foram lançadas.

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    1. Mas eu estou em desvantagem!
      Não vejo telenovelas
      E a TV não dá imagem...
      Mal oiço o que dizem delas :(

      Além do mais sou pacata,
      Pouco sei de tanta história
      Nem ando pr`aí à cata
      De quem fala de memória...

      Mas do nome eu já ouvi
      E, por isso, associei
      A esse poema, aí...

      Ou será que estou errada
      Em pensar o que pensei
      E escrevi isto pr`a nada?


      :) Abraço grande, Poeta!

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    2. Está errada, está, eu também não vejo televisão mas sei que há um telenovela chamada "Laços de sangue", o meu "Lenços de sangue" tem a ver com a entrevista que a nossa amiga Maria deu no programa da Júlia,

      http://sic.sapo.pt/proj_queridajulia/Scripts/videoPlayer.aspx?videoId={B0C9642E-CECC-4E34-9EBA-3647D34DABA4}

      A Maria agora está em Timor como voluntária da ONU, pode segui-la em,

      http://maria-made-in.blogs.sapo.pt/

      eu também vou fazendo uns comentários ao meu jeito no blog dela, o último foi,

      “Caminhada XX”

      Chico esperto dos Camarões
      Colega querido da Serra Leoa
      A Indonésia das depressões
      Entre os três ninguém destoa

      Este é um gabinete de eleição
      E sobro eu, mas que desgraçada
      A aguentar toda esta confusão
      Se isto se pega estou tramada

      Mas o chefe todo bem disposto
      Convidou-me para almoçar
      E explicou-me a situação

      Nas Nações Unidas é suposto
      Imensas vagas reservar
      Pra gente que tem um pancadão.

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    3. Bom parece que em todo o caso o vídeo já não está disponível, mas foi uma passagem do dito que me inspirou aquele escrito.

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    4. :))) !!! Este está engraçadíssimo, Poeta!!! Não consegui ver o vídeo - estava indisponível - mas consegui ir ao blog dela. Agora vou tentar de novo ver o vídeo porque... olhe, porque gostava de ver a Maria! Depois vejo se consigo responder ao sonetilho. Hoje estou mesmo enferrujada, mas tento!
      Muito obrigada e até já! :D

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    5. :( Pode ser que ainda volte a ficar disponível... ? Não?! Acho que não entendo lá muito da disponibilidade dos vídeos... mas gostava mesmo de a ver! :) Vou tentar!

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    6. Ai, Poeta! Não vi o vídeo e estive na página da Júlia a ensinar o pessoal a... matar piolhos! Eu devo ter alguma vocação escondida para exterminadora de pragas! Com tanta publicação, tinha logo de ficar "agarrada" a uma sobre piolhos!!! Enfim... parece que ajo mais depressa do que o bom senso que me manda ficar quietinha...
      Até já! :)

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    7. Não consigo encontrá-lo, já tentei Google, Youtube e nada, parece que foi retirado... paciência, mas era uma entrevista com a nossa amiga que está a leiloar todos os seus pertences para cumprir o seu sonho,

      "mas que sonho é esse que tu tens, Maria?
      I have a dream que, para já, passa por Bruges, mais concretamente pelo College of Europe. Acontece que um Master of Arts in EU International Relations and Diplomacy Studies lá em Bruges é coisa para me deixar penhorada por sete gerações. Ora como eu não tenho onde cair morta e estou longe de vir a herdar o que quer que seja, não me resta outra alternativa que não seja vender o recheio da casa. Quem quiser ajudar, basta divulgar.
      Eu e o gato agradecemos. "

      de frequentar um mestrado europeu para depois tentar ingressar na ONU, só que entreatanto foi seleccionada pela ONU para como voluntária seguir o processo de recenciamento eleitoral em Timor e lá está...

      http://takeustobruges.blogs.sapo.pt/

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    8. Deixe estar, Poeta! Já consegui ver o tal vídeo dos piolhos! :)) A Júlia está tão bonita! Já não a via há séculos...
      Mas deixou-me mais contactos da Maria. Obrigada! Vou ver se a vejo!
      Caramba!!! Gostei daquela de ficar "penhorada por sete gerações"! :)) Eu também já devo estar por duas ou três... :)) e sem mestrado...
      Até já!

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  3. “Saldo positivo”

    O João tinha um buraco
    Mas o Alberto não sabia
    Nem sequer o Cavaco
    E mais vinte ninguém via

    Mas um dia aqui d’el Rei
    Santa Bárbara dos aflitos
    Do buraco tamanho não sei
    Cabem lá uns cubanitos

    Vamos todos contribuir
    Para este buraco tapar
    Cada um dá três pazadas

    Com jeitinho p’ra não partir
    A espinha a quem as levar
    E as contas ficam saldadas.

    Prof Eta

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    1. Desta aqui, pr`a compensar,
      Já sei mais um bocadinho!
      Meio mundo anda a falar
      Do famoso "buraquinho"...

      Sei que nunca tive pá
      Pr`a tapar tanto buraco
      E a coluna já não dá
      Porque está feita num caco...

      Se em sonetilho eu puder
      Compensar, de alguma forma,
      O "Buraco da Madeira"

      Todos aqueles que eu fizer
      Passarão do gesto à norma
      Pr`a tapar a ilha inteira...


      Ai, que coxinho! :(
      Abraço grande!

      Eliminar
  4. Caro Pedro

    Com o Outono à espreita, aí te mando o meu «OUTONO de ESPERANÇA». Peço-te que o reencaminhes para a Maria João de Sousa, como agradecimento pelo belo soneto que me enviou.


    OUTONO

    Se o Outono chega, a vida vivida,
    Não é sempre o cabo dum longo caminho.
    Não se adivinha o fim da corrida
    Só pelo percurso corrido sozinho.

    A folha amarelada, pelo chão caída
    Se não for pisada e tiver carinho
    Pode recobrar, com um sopro de vida
    A cor que já teve, a vir de mansinho.

    Nem sempre o Outono nos traz a saudade…
    Há sonhos frustrados pela Primavera.
    Na força da vida e na mocidade

    Também há percalços e passos perdidos,
    Também a esperança pode ser quimera
    E vã ansiedade para os esquecidos.


    EDUARDO

    belo soneto que me enviou.

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    1. OUTONO, FRIO OUTONO...

      Não é o cabo da vida
      Mas não é isso que importa...
      O que importa é que, à partida,
      Bate o frio à nossa porta

      E se o mandarmos embora
      Quem nos diz que ele obedece?
      Faz frio por dentro e por fora,
      Nem a poesia aquece...

      Devo, agora, desculpar-me
      Por esta estranha resposta
      Que nem sonetilho é

      Mas saiu sem perguntar-me;
      - Poeta, gosta ou não gosta?
      Aqui vai, de boa fé!


      Meu amigo Eduardo,

      Já lhe pedi desculpa em "rima manca" e repito o meu pedido em prosa. Ando cansada e sem inspiração nenhuma para voos poéticos. Bem gostaria mas a única forma viável seria eu forçar o nascimento de um soneto... e eu prometi a mim mesma que o não voltaria a fazer.
      Muito obrigada por ter gostado do meu último soneto. Tenho a sensação de o ter escrito há muito tempo mas suponho que seja uma consequência do ritmo alucinado a que eu escrevi sonetos durante três anos... ou mais. Não é um soneto tão antigo quanto me parece.
      Termino enviando-lhe um abraço extensivo a sua esposa e à Maria Vitória Afonso.

      Maria João


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  5. "Irmãos"

    Ó irmão de meu irmão
    Meu irmão também és
    Não vislumbro eu razão
    Para levarmos c’os pés

    Mas eu devo ser cego
    Pois há pr’a cima de mil
    A côr da pele não nego
    Define-te logo o perfil

    Branco, azul, preto, amarelo
    Ó coitado meu irmão
    Estás feito num farelo

    Não vales mesmo um tostão
    A razão para o atropelo
    Existires é suficiente razão.

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    1. Respondo reflexamente
      Porque isto me suscitou
      Recordações... de repente,
      Estou por cá... já cá não estou!

      No Face há uns tais castigos
      Que eu nem sei como entender...
      Dizem alguns que são perigos
      Mas eu não quero saber...

      Se alguém não gosta e faz queixa,
      Cinco vezes de seguida,
      Fica o pobre castigado...

      E como é que isso me deixa?
      Vivendo enquanto houver vida...
      Nada mais me dá cuidado!

      Está muito mauzinho mas eu também não estou nada inspirada... não vou responder hoje ao seu pai. Amanhã posso estar um pouco melhor, quem sabe?
      Mas olhe que só agora estou a aperceber-me de que o Face pode ser um espaçozinho tão desagradável quanto eu pressenti desde o início...
      Abraço grande, Poeta!

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  6. “A queda do império”

    Portugal vai mostrar ao mundo
    Mas o mundo não quer saber
    Que o mundo está moribundo
    Não sabemos se vai sobreviver

    Todos os países devem milhões
    Dívida soberana a isso obriga
    Nenhum cumpre as obrigações
    Mas alguns têm o rei na barriga

    Não tarda a grande indigestão
    Para o equilíbrio reintroduzir
    Será nauseabundo o seu odor

    Apenas alguns se salvarão
    E o pior ainda está pr’a vir
    Não há transformação indolor.

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    1. De que o pior está pr`a vir
      Não consigo duvidar
      E os impérios, ao cair,
      Muitos irão derrubar...

      Estrebuchando até poder,
      O Poder capitalista,
      Muito caro há-de vender
      A sua injusta conquista

      Cada um de nós prepara
      O mundo à sua maneira
      Em prol dos injustiçados

      Mas a vitória sai cara...
      Erga-se a nova bandeira
      Dos valores reconquistados!


      Abraço grande, Poeta! Não sei o que se passa com a minha caixa de correio do sapo. Continua toda virada do avesso e não vai ser nada fácil descobrir novas mensagens...

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  7. “Às de ouros”

    Até a América anda assustada
    Com a Europa aos trambolhões
    Mas já pode dormir descansada
    Vem aí um plano de milhões

    Crise do euro será estancada
    Vão ser afastados esses papões
    Confiança vai ser restaurada
    Por via das recapitalizações

    Será jogada a derradeira cartada
    Perdedores voltam pr’os mouros
    Aos vencedores a glória infinita

    Carta há muito estava guardada
    É enorme o peso deste às de ouros
    E neste casino a banca já se agita.

    Prof Eta

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    1. Nunca acreditei nas cartas,
      Nem nas suas previsões
      E as pessoas estão já fartas
      Dos buracos de milhões...

      Nunca gostei de casinos
      Nem dos seus jogos de azar
      E só creio nos destinos
      Que nós pudermos mudar...

      Devo confessar, porém,
      Que este meu correio está
      Tão virado do avesso

      Que não sei o que contém
      Nem sequer o que há por lá...
      E é bem triste o que confesso!


      Abraço grande, Poeta! :)

      Eliminar
  8. MOMENTO DE VERDADE E ESCLARECIMENTO

    Intervenção de Mia Couto (Conferências do Estoril 2011)

    http://www.youtube.com/watch?v=jACccaTogxE&feature=player_embedded

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    1. Obrigada, Poeta! Já conhecia, do Facebook, mas foi muito bom rever. Tenho uma enorme admiração pela escrita do Mia Couto e revejo-me em todo este texto, Mudar o Medo.
      Enviei-lhe, há pouquinho, para o Poetazarolho, um sonetilho de resposta ao soneto do seu pai.
      Sabe, Poeta, estou a escrever-lhe e a ouvir o Prós e Contras. Não estou a dar muita atenção porque o tema me não é nada simpático - mercados e competitividade - mas oiço o suficiente para cada vez gostar menos. Se estivesse menos cansada escreveria um pouco mais sobre este assunto... ando cansadíssima, meu amigo. Mas estou a ficar cansada de me desculpar com o cansaço :)) Um dia destes sou capaz de fazer mesmo umas feriazinhas da internet. Sinto-me muito mal por querer escrever qualquer coisa e sentir que as palavras me não surgem...
      Abraço grande!

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    2. Isso não deve ser uma preocupação, porque as palavras surgem quando elas querem.

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    3. Fui ao Prós e Contras, acabou, só ouvi as despedidas. Foi o último programa de televisão que deixei de ver faz uns largos meses, agora já não vejo televisão.

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    4. :) Obrigada pelas palavras reconfortantes mas eu estou a notar uma tremenda diferença... não há muito tempo surgiam-me a toda a hora, por tudo e por nada. Agora parece-me que tenho a cabeça vazia e a memória não está a funcionar como dantes. Espero que seja apenas cansaço mas já começo a ter algumas dúvidas... mas talvez seja cedo para tomar outras medidas que não o descanso. Afinal a situação política e económica está francamente má e tornou-se muito absorvente, aliado ao facto de o Kico e o Beethoven continuarem a exigir-me um esforço maior e muito prolongado. O Beethoven parece estar ligeiramente melhor... já não vomita há dois dias... bem, deve ser mesmo cansaço puro e duro :)) Pode ser que ainda volte a escrever como dantes :))
      Abraço amigo!

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    5. Quando o tema me parece muito interessante, vejo. Com competitividades é que eu não consigo alinhar... pois se eu considero que essa competitividade é excludente para os menos favorecidos! Disse-se, a páginas tantas, que "há dois tipos de pessoas; as que choram e as que vendem os lenços"... pois não é claríssimo que os "vendedores de lenços" farão os possíveis e os impossíveis para manter o máximo de pessoas a chorar? É a perfeita síntese do capitalismo que se defende nesta pequena frase! Pois não vêem que não venderão lenços nenhuns se se conseguir chegar à justiça social? Mercados, mercados, mercados... estou farta deles! Criem-se condições de trabalho, não gurus da economia capitalista! Já não os posso ver nem pintados!
      Desculpe-me o desabafo, Poeta.
      Abraço grande!

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    6. Os seus desabafos transpiram sabedoria, bem haja.

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    7. O dantes quando se cruza com o amanhã já é diferente, se é que me faço entender.

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    8. :) É a minha profunda convicção, em desabafo.

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  9. Ítaca
    A ilha grega do suave clima...

    Aí temos Ulisses, exausto e cansado...

    Deixei no Prémios "Mia Couto" para o nosso amigo comum e para os visitantes.
    me parece ter interesse e não resisti!

    Lindo teu poema!

    M. L.

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    1. :) Que bom ver-te por cá! Espero que estejas a sentir-te melhor e não a abusar... sei bem que nós tendemos sempre a abusar um pouco quando nos mandam estar quietinhas...
      Já conheço o texto e o vídeo do Mia mas vou ver a tua opinião sobre ele!
      Até já!

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  10. Caro Pedro

    Eu e a Mãe lemos com muito gosto OS TEUS POEMAS.
    Gostei muito do que a Maria João de Sousa enviou. Podes dizer-lhe que o que vem dela nunca é banal.
    Eu não tenho nada para te retribuir o que me mandas com tanta profusão, mas como andei por aí a espreitar O OUTONO, lembrei-me do vento e da ODE ao VENTO que escrevi há muito tempo e agora aí vai...de rajada. O vento é assim, desaparece e logo surge furioso.
    Beijos do pai e da MÃE
    Eduardo


    Ode ao vento

    Às vezes penso comigo
    Que, quando a hora morta,
    O vento me bate à porta
    E abala a assobiar
    Ele, afinal, é um amigo
    A pedir para entrar.

    Mas eu deixo-o ir sozinho
    P´la noite, à chuva e ao frio
    E mesmo assim o vento
    Move a vela do moinho
    E o barco que sobe o rio
    Sem um queixume ou lamento…

    O vento, assim solitário
    Com um pouco mais de amizade,
    Com menos ingratidão,
    Seria mais solidário,
    Moderava a velocidade
    E nunca era tufão.


    EDUARDO

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    1. Que bonita rima, amigo Eduardo! :)
      Gostaria de tentar mas reconheço que a cabeça me está a doer tanto que quase não consigo pensar... mas penso que não hei-de morrer sem tentar!

      Se o vento sopra lá fora
      Eu fecho a minha janela...
      Do lado de dentro dela
      Estou quentinha e protegida
      Onde o tempo se demora
      E onde se me alonga a vida

      Mas há sempre um amanhã
      Em que as mãos se me distraem
      Nalguns trabalhos comuns
      E a vontade é coisa vã
      Quando as coisas se me esvaem
      Sem eu ter poderes nenhuns...

      E acho que fico por aqui. :) Estas duas estrofes
      já abonam em favor da minha boa vontade muito embora as dores de cabeça e a falta de inspiração :))
      Ainda tentei a terceira mas as palavras morreram-me a meio de uma guinada na zona parietal... é melhor desistir enquanto não estrago estas duas estrofes!
      Um grande abraço e muito obrigada. Os meus melhores cumprimentos também à sua esposa
      e sua amiga Maria Vitória Afonso.





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  11. “Apologia do medo”

    Há mais medo de coisas más
    Do que coisas más que existem
    Neste mundo onde não há paz
    Onde a guerra e fome subsistem

    Há mais muros do que estradas
    E fantasmas criados em segredo
    Novas geografias são moldadas
    Para restaurar o medo do medo

    E este medo assim restaurado
    Converte cada um em soldado
    Dum grande exército sem nome

    O estado de sítio foi decretado
    Racionalidade e ética são passado
    Medo que o medo acabe é enorme.

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    1. Nego o medo e, passo a passo,
      Por cada passo que dou,
      Posso morrer de cansaço
      Mas é sem medo que vou!

      Medo a medo, eu meço o espaço
      Entre mim e quem não sou...
      Meço o medo e estendo o braço
      Mais do que a voz me alcançou

      Passo a passo, medo a medo,
      Vencido fica o caminho
      Entre o corpo e seu segredo...

      Sei que não estarei sozinho
      E, quanto a medos, não cedo;
      Nunca mais canto baixinho!


      Abraço grande, Poeta! :)

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  12. a vida diz-nos mil coisas
    nessas coisas nada diz
    mas não sei viver sem ela
    mesmo com pouca cauleta
    pra que me faça feliz

    a vida , coisas e loisas
    mas o que é que a vida tem?
    o dia passa um a um
    e não se passa nenhum
    que diga donde ela vem.

    assim faço cumprimento
    para a força de viver
    viva-se a cada momento
    no eterno pensamento
    e no bem que é esquecer.

    Um bacio e salute cara poetisa!!!!!!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Bacini, Peter! :)

      Que maravilha de rimas cruzadas me deixou aqui! Se fosse há uns tempos ainda tentava... mas agora não dá.
      Grazie, Peter! :)

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  13. Caro Pedro

    Gostei do Ás de ouros. Eu, hoje, vou cometer o indigno acto de fazer um despedimento e «por injusta causa». Se o enviares à Maria João de Sousa, diz-lhe que a Maria Vitória Afonso, que tem por ela e pelos seus sonetos grande admiração, retribui, sensibilizada, as saudações que a Maria João lhe envia. Pediu-me se eu lhe dava o seu endereço electrónico. Claro que eu não o faria, nem que o tivesse, sem a devida autorização. Diz isto à Maria João de Sousa e caso ela queira satisfazer o desejo da Vitória, o endereço desta é: « mveafonso@gmail.com»
    Agora o meu acto indigno, mas, antes, saudações matinais do pai e da Mãe.
    Eduardo

    DESPEDIMENTO POR INJUSTA CAUSA

    O Chronista d´el rei, com aspereza,
    Foi despedido, sem outras razões,
    Já que o trato ajustado, com lhaneza
    Quebrou-o ele, sem temer sanções.

    Devia dizer bem de Sua Alteza
    E, ainda, com raras excepções,
    Do Sagrado Clero e da Nobreza
    Mas não podia exaltar peões…

    E aquele escriba louco e renegado
    Ou então afectado da memória
    Foi esquecendo todo o combinado…

    Sonhou, calculem, com um Mundo Novo
    E proclamou que, afinal, a História
    Só tem um dono e esse é o Povo !...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Amigo Eduardo,

      Gostei muito, muito, deste Despedimento por Injusta Causa! Não vou ter tempo para lhe responder adequadamente pois só vim dar uma espreitadela rápida ao blog. Estou a meio da limpeza a que a minha bicharada da quinta idade me obriga todas as manhãs e como a minha lentidão é enorme, se me não despachar não chegarei a horas ao CP.
      Terei todo o prazer em escrever um email à poetisa Maria Vitória Afonso. Fá-lo-ei esta tarde e desde já deixo a minha gratidão por saber que ela manifestou o desejo de me contactar. Mas eu volto a esta resposta por volta das 14.00h. Agora temo não conseguir tempo para o duche que se me impõe depois de tratar dos animais.
      O Beethoven voltou a vomitar como um desalmado e não parece querer parar tão cedo.
      Até já!

      Eliminar
    2. Aqui vai, amigo Eduardo, a minha indefensável defesa. Saiu-me em sextilhas. Deve ser porque fiquei a pensar nelas e na dificuldade que tive em responder-lheontem... mas eu tenho ideia de que, há uns dois anos, também escrevi umas sextilhas em rima cruzada... devem estar por aí, no http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt/ mas eu, muito sinceramente, só tenho ideia de as ter experimentado... não me recordo nada do título nem do conteúdo;

      INDEFENSÁVEL DEFESA


      O Escriba tomou partido;
      segundo a sua consciência
      deu voz a quem tem razão...
      não deverá ser arguido,
      nem merece penitência
      por dar voz ao coração...

      O Escriba, no fundo, é povo
      pois narra, na sua escrita,
      memórias de um povo inteiro...
      se acrescenta algo de novo
      fica a História mais bonita
      e ele só não ganha dinheiro...

      Da escolha que o Escriba faz
      - por direito a sua escolha! -
      só muitos anos mais tarde
      se dirá que ele foi capaz
      de expor-se à "chuva que molha"
      pisando no "fogo que arde"...


      Pronto, meu amigo! Foi a isto que o seu belo soneto deu azo! :)) As duas primeiras estrofes ainda foram rabiscadas em papel, enquanto tomava o café, mas a última veio como o vento :))
      Vou agora tentar escrever à poetisa Maria Vitória Afonso. Penso que vou usar o correio do gmail porque o do sapo está estranhíssimo.
      Muito obrigada e outro enorme abraço para todos vós!



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