SONETO PARA SAUDAR A MARÉ ALTA
SONETO DA MARÉ ALTA
*
Por quanto tempo eu não escrevi, poema,
Teu nome, a negro, neste azul sem mar?
Por quanto tempo ousei, sem to explicar,
Deixar que repousasse a minha pena?
*
Mas nesta noite escura a lua acena
Ao poema que em mim quis habitar
E redescubro o vértice lunar
Da velha esfera branca, acesa e plena.
*
Há centelhas de luz sobre os meus dedos
Assim que afloro os íntimos segredos
Dessa alquimia muda e sem origem
*
Que não cuida de dúvidas nem medos
E o mar enche de abismos e rochedos
No instante imprevisível da vertigem.
*
Maria João Brito de Sousa – 15.09.2011 – 21.28h
IMAGEM RETIRADA DA INTERNET, VIA GOOGLE
Mª. João
ResponderEliminarApaguei o poema "Choremos" ...Esquece e
desculpa!
Faz parte do Livro "Não sei de Ti" de
Maria Luísa Maldonado Adães
Editado e esgotado em Abril de 2000.
Assunto arrumado!
Maria Luísa
Por amor de Deus, amiga, não precisas de fazer isso!!! Deixa estar o poema! Eu consigo passar por ele com alguma objectividade e sem me deixar envolver demasiado... o que não consigo é comentá-lo... não te prives de publicar o que muito bem te aprouver porque eu também não sou nenhuma florzinha de estufa!
EliminarUm enorme abraço. Agradeço-te o cuidado e respeito que mostraste ter por aquilo que ainda me magoa muito, mas não quero que te prives seja do que for por minha causa!
Eu também senti antes de te ler que o ia
Eliminarremover.
Senti de forma estranha!
E me levantei para o fazer...quando te encontrei e não hesitei - removi !
Pressenti qualquer coisa no ar - sou assim!
Mª. luísa
Olá, amiga! Eu também sou assim... não será com todas as coisas, mas também sinto e pressinto muitas coisas... outras vezes, porém, sou um verdadeiro "poço de distracção" e chego a esquecer-me de coisas que andei a planear durante tempos infinitos... ainda me recordo daquela reportagem sobre os gatos que, pura e simplesmente, me esqueci de ver! Cheguei a falar dela com o entusiasmo de quem, gostando de viajar, está prestes a fazer o cruzeiro da sua vida... eu sou assim! Dou esta importância toda a coisinhas que passam despercebidas à maioria... e, no momento M, esqueci-me de ligar a televisão! Enfim... outras virão, com certeza!
EliminarAté já!
Eu sou esquecida, por vezes, noutras vezes
Eliminarfixo tudo e me lembro de tudo.
Mas que importa...
"Somos como somos"...
Mª. Luísa
É isso... temos memória selectiva. Todos nós temos um pouco, alguns de nós têm memórias muitíssimo selectivas. Somos como somos, tens razão! Claro que temos alguma obrigação de tentar modificar alguns defeitos que possa, de alguma forma, prejudicar os que nos rodeiam, mas nunca ao ponto de anular a nossa própria identidade. Pelo menos quando não somos nenhuns psicopatas!
EliminarAté já!
Hoje se voltar só à tarde.
EliminarOs limites têm de ser respeitados!
M.L.
Lindo, mas triste o teu poema!
ResponderEliminarMª. Luísa
Obrigada por vires até a horas tão tardias, amiga.
EliminarEu não o acho nada triste, sabes? Vai num crescendo até à saudação da maré alta... só a primeira quadra reflecte alguma da nostalgia que senti quando estive vários dias sem criar nenhum.... a partir daí, cresce até ao clímax da maré alta que ciclicamente se irá repetindo... mas o que me parece força e identificação com um estado de espírito semelhante, pode perfeitamente parecer-te tristeza. É assim mesmo com a poesia, amiga!
Abraço grande!
O meu filho não me lê, pois me acha triste
Eliminarno escrever...mas os poetas são assim...
"Nem tristes, nem felizes
São poetas."
Mª. Luísa
É isso... não é muito fácil entender os poetas :)
EliminarUma das minhas filhas já me leu, pelo menos umas duas ou três vezes. Sei-o através de pequenas reacções na minha página do Facebook... das outras nem sei. Nada me dizem e eu não adivinho tudo... talvez me achassem triste... não sei. Mas quem me visse a brincar com a bicharada - ninguém! - depressa mudaria de ideias! Eu e a minha "bicheza" estamos todos velhotes e fisicamente diminuídos, mas somos muito alegres!
Até já!
Que importam as opiniões deste, daquele e do outro? Nada!
EliminarSou triste por vezes
alegre noutras vezes
mas isso,
só a mim importa!
E nada tenho a explicar!
Mª. Luísa
Claro que não! Toda esta conversa é absolutamente voluntária! Falamos de nós mesmas porque assim o entendemos ou porque assim nos apeteceu num determinado momento... desde que não estejamos a agredir ninguém, quem nos pode impedir e por que razão deveria fazê-lo?
EliminarAliás, eu entendo que a própria poesia é também uma forma artística de comunicação.
Abraço grande, amiga!
Dizes bem! "A poesia é uma forma artistica
Eliminarde comunicar".
M.L.
É mesmo! Vou agora visitar-te mas também não me posso demorar muito porque tenho imenso que fazer com a minha "bicheza".
EliminarAté já!
“O polvo vencerá”
ResponderEliminarPovo que lavas no rio
Polvo que habitas o mar
Andamos num desvario
Se teimas em nos asfixiar
Pode haver quem te defenda
Numa relação tentacular
A nossa vida é tremenda
Ó polvo vai-te afogar
Então o polvo afogou-se
Povo pôde de novo respirar
O pesadelo foi transformado
Não o povo equivocou-se
Só se deu conta ao acordar
E pelo polvo foi asfixiado.
Poeta, eu gosto muito, tenho uma enorme simpatia por esses gastrópodes elegantes e dançarinos que são os polvos marinhos no seu habitat natural. O que ele pode evocar, sou incapaz de comentar. É uma questão de preservação da harmonia psicológica que vou conseguindo manter à custa de uma força que não posso arriscar-me a perder se me puser a falar de temas que me magoam e me perturbam profundamente. Não me leve a mal. Mesmo que não estivesse a dormir em pé, não responderia a este sonetilho. Desculpe-me.
EliminarAbraço grande!
Olá poetisa, como vai isso???
ResponderEliminarBonito soneto.
Bom fim de semana.
Bacio.
:D Olá, Peter! Caramba! Nunca mais o visitei... vou agora mesmo!
EliminarBacini!
“The big banana”
ResponderEliminarA Madeira é um jardim
Fica no centro do mundo
Deste mundo agora imundo
Primeira página de pasquim
Em Nova Iorque foi notícia
Plo enorme buraco financeiro
Na grande maçã do dinheiro
É já um em caso de polícia
Mas a maçã está bichada
Tem Wall Street a afundar
A Madeira promete ajudar
Enviando bananas prá salada
Mundo da finança irá apreciar
Esforço da banana pra nos salvar.
:)
EliminarTem caruncho, esta Madeira,
Mas não caruncho do povo
Porque esse vive a canseira
De erguê-la toda, de novo
Tendo ainda de pagar
Pelo trabalho que tem...
E ainda há gente a pensar
Que esse povo é que está bem...
Caciquismo e vida "airada"
Vêm sempre "lá de cima"
E o povo não ganha nada!
Se o sonetilho não rima,
Fico toda "abananada"
Com esta matéria-prima... :/
Abraço grande, Poeta! :) Já estou cheia de sono mas ainda deu para este... e ainda vou pô-lo no Poeta Zarolho! :)
Caro Pedro
ResponderEliminarComo curiosidade envia a poesia que segue, à insigne sonetista Maria João de Sousa. As décimas e é natural que tu e ela saibam, são, no meu entender, uma arte pastoril que como a música da flauta e certo artesanato de cortiça, andam ligados ao apascentar dos rebanhos, nas planuras do nosso Alentejo. Eu ouvi-as, horas a fio ao Ananias Grosso, de Rio de Moinhos e ao José Mestre, do Torrão do Alentejo, quando por lá andava, em 1974, em lides de convívio e de aprendizado político - o aluno era eu. Com eles, além de muitas outras coisas aprendi a fazer décimas. Eu escrevia-as, eles não o sabiam fazer, mas guardavam-nas, quantas queriam, nos escaninhos da memória. A rima, pelo menos por aqui, é sempre a mesma, em todas as estrofes (A,BB,AA,CC,DD,C). O último verso de cada uma das quatro décimas, é o mesmo de cada um, da quadra que serve de mote. O léxico dos poetas populares da nossa região não é, como se compreende, tão burilado como o de outros que os imitam, mas nem por isso as ideias e o conteúdo deixa de ser, quase sempre, muito mais rico.
Estas décimas, enviei-as à Maria Vitória Afonso, a amiga da mãe, dos tempos de adolescência e agora, ela e o marido, nossos amigos. O Amadeu, descobrimos há poco tempo, é meu conterrâneo - do mesmo Concelho e de uma aldeia vizinha da minha, da Cerdeira que tu, tão bem, conheces.
A Maria João de Sousa, conhece a Maria Vitória Afonso, pelo menos, das lides de poetar.
DÉCIMAS PARA a VITÒRIA AFONSO.
Mote
Em tertúlias de glória
Passa os dias da semana
Dantes era a Vitória,
Agora, a Tertuliana
Carregada de poesias,
Cruz de Pau é onde mora,
No concelho de Amora,
Em delírio e fantasias,
Sonetos e alegorias,
Também prosas e História
Que conserva na memória
Desde os tempos de menina…
Vai cumprindo sua sina
Em tertúlias de glória.
Veio da vasta planura
De Colos, no Alentejo Para cumprir o desejo
De espalhar a cultura.
É isso que ela procura
E de seu fervor dimana
E a torna muito ufana,
Pois tendo sido Professora
A versejar, agora
Passa os dias da semana
Colabora em jornais
A conceder entrevistas
Em diários e revistas
Nas colunas sociais
E em temas culturais!
Os neurónios da memória
Fervilham sem cerimónia,
Naquele cérebro dotado…
E para cumprir seu fado,
Dantes era a Vitória.
Quem sabe é o Amadeu
Aquele ilustre beirão
Eleito do seu coração
Que ela há muito conheceu
E com quem sempre viveu.
Beirão e Alentejana
Dá uma boa tisana
E uma saudável mistura
Embora não tenha cura,
Agora, a Tertuliana.
EDUARDO
Meu caro amigo, eu sou aquele tipo de pessoa que admira muitíssimo todos aqueles que conseguem fazer as maravilhas que nunca aprendeu a fazer! É o caso das décimas... são lindíssimas, já fez o favor de me enviar a chave da métrica, mas eu não me sinto minimamente capaz de lhe responder... quase, quase, invejo a sua infância. Costumo pensar- e sentir - que tive imensa sorte com a minha mas este tipo de poesia não chegou até mim quando era menina... hoje estou com febre. Poderia dizer-lhe que talvez amanhã ou depois, se estiver melhor... mas a verdade é que eu vivi até aos cinquenta e tal anos a acreditar que o soneto era demasiado "laboratorial" para mim e que se destinava a génios, grupo ao qual eu nunca pertenci. Quando me apaixonei por sonetos, tive de me esforçar muitíssimo, claro, em termos de trabalho... mas a métrica começou a fluir livremente, não foi forçada de forma nenhuma. Poderiam passar-se outros cinquenta e tal até eu sentir o mesmo em relação às décimas. Mas, em termos de poesia, não gosto de dizer que "desta água não beberei". Disse-o muitas vezes em relação ao soneto em decassílabo heróico e, de repente, escrevi perto de mil em quatro anos!
EliminarJá em relação às outras formas do soneto clássico me sinto frustradíssima porque as poucas tentativas foram catastróficas e o ritmo não parece ter conseguido entrar nas coisas que eu faço com toda a naturalidade...
Fico-lhe muitíssimo grata por me ter enviado estas décimas lindíssimas, melodiosas e temperadas com um leve aroma do humor característico dos bons tertulianos.
Um enorme abraço para si, sua esposa e, aproveitando, para a Maria Vitória Afonso que lhas inspirou.
Maria João
Belo regresso.
ResponderEliminarAbraço
Obrigada, amigo Artesão, mas desconfio bem que vai ser um regresso de pouca dura... hoje apanhei imenso frio e, num instantinho, fiquei com uma gripalhada daquelas... já estou com febre. Só espero que não seja daquelas que me tiram a inspiração.
EliminarAbraço grande!
Cara amiga,
EliminarEspero que já esteja melhor.
Só hoje consigo responder-lhe. A coluna continua a não dar tréguas e a minha sogra faleceu ontem.
A vida está complicada e a normalidade levará algum tempo a regressar.
Abraço
O meu sentido abraço, amigo Artesão. Fico sempre sem palavras nestas situações de perda de entes queridos. Desculpe-me o laconismo e a falta de visitas à sua oficina. Irei até lá agora mesmo.
Eliminar“Archotes”
ResponderEliminarÓh meus caros senhores
Eu não admito confusões
Na Madeira há aldrabões
Mas não aqui nos Açores
Na Madeira existe o buraco
Nós aqui só temos o Pico
O que avisto é magnífico
Vejo o mundo num caco
Sob o garrote d’austeridade
O povo com archotes na mão
Para o caminho iluminar
Subiu tanto a electricidade
Que esta era a única solução
Pr’a idade das trevas afastar.
Prof Eta
Não com archotes, mas velas,
EliminarCá, em pleno continente,
Para iluminar com elas
Tudo, após o sol poente
Mas o gasto há-de fazer-se
Em jornais e em cartão
Que a gente tem de aquecer-se
E está-se a acabar o Verão...
Tu falas de austeridade
Mas eu falo de miséria
E sei bem do que é que falo
E, à noite, pela cidade,
Quando a coisa ficar séria,
Verás porque me não calo!
Abraço amigo, Poeta!
“Inspiração”
ResponderEliminarEu ando sempre à procura
Mas inspiração é que manda
Às vezes é demasiado dura
Não quero mas ela abranda
Outras vezes estou a dormir
Dou um pulo sobressaltado
Olho e vejo a inspiração a rir
Corro e deixo tudo registado
Já umas vezes me aconteceu
Ir numa corrida desenfreada
A inspiração surgir de repente
Às vezes penso que morreu
A seguir aparece-me do nada
Viver sem ela é deprimente.
:))
EliminarÉ exactamente assim
Mas muitos irão pensar
Que só vos falo de mim
Por não ter do que falar...
Até a dormir escrevemos
E, com fome... nem se fala
Que a fome que às vezes temos
Muitas vezes não se cala,
Transforma-se em redondilha
Com tanta facilidade
Que faz, da fome, a partilha
Da própria saciedade
E, partilhada, perfilha
A voz da própria vontade...
Abraço e uma boa noite, Poeta! :)
gostei particularmente deste poema Maria João... gostei da melodia do sentido... gostei de me sentir transportada a um lugar mágico, onde a palavra se rodeia da possibilidade da magia que tanto nos faz falta... para tanto... e para nos questionarmos também, memso sobre o que possa parecer tolo para muitos.
ResponderEliminarUm grande abraço e obrigada
Isabel
:) Obrigada, Isabel!
EliminarEspero que esteja tudo a correr pelo melhor. Eu estou particularmente sonolenta hoje... sei que tenho dois comentários em sonetilho a que deveria responder... não sei se vou conseguir... também estou um pouco febril porque este frio nocturno me apanhou, ontem, de surpresa e me deixou engripada. Provavelmente deixarei as respostas rimadas para amanhã...
Um enorme abraço!