A TODOS OS RESISTENTES QUE PASSARAM PELAS PRISÕES DO FASCISMO


Foi num muro em que, sem liberdade,


Acoitado entre as lajes, tão frias,


Tu escreveste a palavra VONTADE


Conquistada ao granito dos dias!


 


Foi a tua resposta à maldade,


À traição e às demais vilanias


De quem queria apagar a VERDADE


Desse muro em que, ousado, a escrevias!


 


Foram tantas palavras negadas


Que a garganta guardou da denúncia


Dos que a queriam gritada entre os muros,


 


Quanto as dores, como pedras, caladas


Na nobreza da tua renúncia,


Semeando os teus sonhos mais puros!


 


 


 


Maria João Brito de Sousa - 21.10.2011 - 13.48h


 


 


Imagem retirada da página que a Wikipédia criou para o 25 de Abril de 1974


 


 


NOTA - Soneto de nove sílabas métricas

Comentários

  1. Caro Pedro

    Já te tinha dito que fiquei confuso por matar o Bobo, ainda que tenha sido por vontade do Povo. Essa confusão levou-me a uma decisão definitiva. Podes enviar à Poetisa da Linha os dois sonetos que ao primeiro se seguiram, para que ela possa compreender a confusão que paira no meu pobre espírito. Já tive notícias e muito valiosas, em relação ao Bobo da Corte.
    Beijos do pai e da Mãe-
    Eduardo.

    NEM REI NEM BOBO

    Confusos que andavam pl´o acto impensado
    Uma tal querela a todos dividiu
    Mataram o Bobo, infeliz, coitado
    Só servia o Rei porque o Rei pediu.

    De os ver divididos, ficou consolado
    Sua Majestade que logo anteviu
    Que a depressão que o tinha atacado,
    Talvez por contágio, o Povo atingiu.

    Nas escadarias do Paço, assentado
    De uma vez por todas «o Zé» decidiu
    De punho no ar, bem alevantado:

    «que riam os Bobos para «Os Rei Pasmados»
    De reis e de momos sempre o Povo riu
    Que fiquem p´ra sempre no castro encerrados».

    Eduardo

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    Respostas
    1. Pobres bobos, pobres reis...
      Todos feitos prisioneiros!
      No final, como sabeis,
      Chorarão seus cativeiros,

      Autoflagear-se-ão
      Por se sentirem culpados
      De não terem compaixão
      Pelos mais carenciados...

      Cristalizados no tempo
      - meras figuras de cera -
      Não terão contribuído

      Para a glória do momento...
      A maior parte, "já era"
      E nenhum deles fez sentido...

      Apesar de muito ensonada, não quis deixar de contribuir para essa sua "confusão" que me parece estar a dar tão bons resultados em termos poéticos! Mudei-lhes o sentido, desarrumei-os, transformei-os... à minha maneira... espero que me não leve a mal mas, como muitas vezes tenho afirmado, a poesia é rebelde e esse é um dos seus maiores encantos.
      Abraço grande para si e sua esposa!

      Maria João


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  2. "Grilhetas"

    Nem um cêntimo pr’a guerras
    Ou um tostão pr’a grilhetas
    Tu que ouves tantas petas
    Vê lá bem em quem ferras

    Põe um filtro muito grande
    Na antecâmara do teu pensar
    Porque se não consegues filtrar
    Vai haver quem te comande

    Nem um escudo pr’a tabaco
    Ou um euro pr’a whisky velho
    Tanto fumar parte-te o caco

    Beber ofusca-te o trambelho
    O antepassado era um macaco
    Tenta não ser um escaravelho.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. De toda e qualquer desgraça
      Sempre se tira vantagem
      E, neste caso, sem "massa",
      Fica o Zé sem beberagem!

      Só faz falta o tabaquito
      Que pode nem dar saúde
      Mas dá ao poema escrito
      A sua maior virtude...

      Sem comer, já o Zé está,
      Ou comendo pouco e mal
      Como vai sendo costume...

      Grilhetas? Se alguém lhas dá
      Parece ser tão normal
      Que a esmola já cheira a estrume!


      Olá, Poeta! Só agora, comigo a cair de sono, a ligação parece estar mais estável... que dessincronias! Ainda consegui responder a este sonetilho, mesmo meia a dormir, mas não sei se consigo responder ao do seu pai...
      Deixe-me dizer-lhe que se fosse só a porcaria das bebidas alcoólicas que viessem a encarecer, eu até bateria palmas às troikas todas!!!
      Abraço grande!

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  3. "Hominídeos"

    Portugal é dos portugueses
    Grécia aos gregos pertence
    Aos povos ninguém vence
    A Irlanda é dos irlandeses

    Mas os povos estão cansados
    Desta económico ditadura
    Que desde a criação dura
    Nestes e em tantos reinados

    O dinheiro em todos manda
    Esta é a natureza humana
    E não pode ser contornada

    O vil metal um cheiro emana
    Que os hominídeos condiciona
    É como pr’os macacos, a banana.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Tenho tal raiva ao dinheiro
      E à velha humana ganância
      Que condena o mundo inteiro
      À sua insana arrogância

      Que só quem me conhecesse
      Poderia imaginar!
      Ah, Poeta, se eu pudesse,
      Mandava-o "desinventar"!

      Há que pense que há um preço
      Pr`a cada humano mortal
      Vender os seus ideais

      Mas eu sei, porque os conheço,
      De alguns tantos que, afinal,
      Não vão com quem lhes der mais!

      Abraço, Poeta! Ainda saiu mais este, entre bocejos e mais bocejos... :))




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    2. :D Obrigada, Poeta!
      Ontem à noite tive uma bela surpresa pois um dos meus sonetos, O MAR DENTRO DE NÓS, foi escolhido para participar num Passatempo de Outono no http://portuguesapoesia.blogspot.com/
      e há uma hipótese de ele vir a ser declamado e gravado no Youtube. Suponho que o critério de escolha tenha a ver com o número de comentários que cada poema terá... já lá fui ver e deixar os meus agradecimentos.
      Hoje não estou nada bem, embora a ligação me pareça um bocadinho mais estável do que o habitual... hoje sou eu que estou toda "partida" e febril... mas verei se consigo fazer qualquer coisita :) Começou a nascer-me outro soneto que se perdeu completamente quando vi o estado em que as diarreias do Beethoven deixaram a minha varanda maior... :(
      Beijinho e bom fim de semana!

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