O ABRAÇO DA LUZ DO MEU POENTE
Dei-te um mar inocente e virginal,
Mas telúrico e quase incandescente,
A brotar desse anseio universal
De ser muito mais mar do que era gente
E nesse mar selvagem, sensual,
Da onda mais revolta e mais urgente,
Não soubeste deixar-me outro sinal
Pr`além do gene instável da semente…
De quanto mergulhaste, vertical,
Assim que o sol, a pino, se fez quente,
Perdeu-se-te a mensagem, no final,
E, enquanto o sol se põe, mesmo à tangente,
Eu crio, noutro mar mais ficcional,
Cada raio de luz do meu poente...
Maria João Brito de Sousa – 22.10.2011 – 15.00h
Lindo Maria, como sempre :)
ResponderEliminarNão há nada mais bonito que ver o pôr do sol à beira mar :)
:D! Obrigada, Paper! Estou meia cá, meia lá, numa ligação que só funciona quando lhe apetece :( Às vezes lá me dá uns minutos de descanso... outras, parece um relâmpago! Desce e foge logo! :)) Bjo!
Eliminar“Não existo”
ResponderEliminarSe eu penso logo existo
Alguém disse sem pensar
Se não pensando disse isto
Existência pôde dispensar
Não existindo esse alguém
Já pode pensar à vontade
Só poderá ser um ninguém
Pois não existe de verdade
E agora mais não te digo
Perdi o rasto à existência
Por pensar me meti nisto
Nunca pensei pr’a comigo
Pensar tornou-me ausência
Então é verdade não existo.
:)) Gostei imenso deste, Poeta!
EliminarSe, sentindo, eu sei que sou,
Posso até ser animal
Mas tudo o que aqui vos dou
Não vos fará nenhum mal...
Escreverei quanto puder
E, enquanto escrevo, sou eu,
Pois, animal ou mulher,
Escrevo o que de mim nasceu...
Serei, talvez, um poema
Que se encheu de vida própria
Desatando a existir
Ou apenas um fonema
Que se sobrepôs à cópia
Passando a poder SENTIR... :))
Abraço grande, Poeta! Já disse mas digo outra vez que gostei imenso deste seu "Não Existo"!
É mesmo isso que falta o "SENTIR", sentir os outros à nossa volta e chorar as suas lágrimas.
EliminarNão só, Poeta, não só... chorar as suas lágrimas e rir os seus risos também. Além do mais há quem, como os animais não humanos, chore sem lágrimas. É preciso entender tudo isso e saber gerir tudo isso... por exemplo, em relação à poesia, acredito que a boa poesia, aquela que vem a ser consagrada com o passar dos anos, o é porque foi sentida. Se o poeta não sentir, poderá escrever bonitos poemas "de laboratório" mas não os conseguirá fazer prolongar no tempo... a qualidade de quase tudo o que se faz passa pelo "sentir".
EliminarEstou praticamente sem ligação... isto está pior do que nunca!
Caro Pedro
ResponderEliminarO tempo mudou, mas espero que estejam todos a passar um fim de semana feliz. Nós,pela República do Prakistão, também não temos razão de queixa.
Beijos do pai e da Mãe.
QUANDO a ESMOLA É GRANDE…
Com todos os pobres a morrer de fome,
Alguns abastados, de sã consciência
E com parangonas de benemerência
Vieram, dos ricos, salvar o bom-nome…
Declararam alto que o que os consome
Na hora difícil da nossa existência,
É não repartirem com proficiência
Tudo o que roubaram a quem menos come.
Mas pelos seus pares, ao serem instados,
Desmascaram, célere, o que os apoquenta
E aos que os inquiriram, tão indignados
Replicam eles: «oiçam meus senhores,
Se morrem os pobres, quem é que os sustenta?!
Ponderem com siso, sejam pensadores.
Eduardo
Meu amigo Eduardo,
EliminarEste seu poema merece-me um soneto ou, pelo menos, um sonetilho mas não neste momento em que estou a braços com dificuldades acrescidas... o único queimador do meu fogão que estava a funcionar, deixou de o fazer... e eu tenho a comida do Kico por fazer. Além do mais o acesso que consegui - que estou a tentar conseguir desde a hora do almoço... - está mais periclitante do que nunca e, se eu não fosse teimosa que nem um gato, nunca teria conseguido deixar este comentário... se conseguir.
Amanhã é dia de hospital e graças à lentidão com que agora me movimento, terei de me levantar antes das cinco da manhã, para poder deixar os animais tratados. Não sei a que horas volto, mas tentarei responder-lhe adequadamente.
Um abraço grande para si e esposa!
M. João
Aqui está, amigo Eduardo, um soneto que me parece ir ao encontro do seu. Utiliza caminhos menos óbvios, mas penso que acaba por se encontrar com ele. Publicá-lo-ei a seguir, enquanto post do meu blog.
EliminarO FRUTO DE UM MAR OUTRORA PROÍBIBDO - Soneto de nove sílabas métricas
Quis lembrar-me do mar que trazias
A pender-te da ponta dos dedos,
Prometendo um sorriso aos mil dias
Que eu roubava à avareza dos medos
Fui colhendo esse tal que escondias,
No remoto pomar dos segredos,
O mais doce daqueles que oferecias
D´entre mil, extemporâneos, azedos…
Houve um tempo redondo e magoado
Em que o fruto minguava escondido,
Definhando, imaturo e guardado
Na redoma do que é proibido…
[e se eu nunca o tivesse encontrado,
mais ninguém dele teria comido…]
Maria João Brito de Sousa – 23.10.2011 – 15.00h
“Retrocesso monstruoso”
ResponderEliminarO monstro surgiu de novo
Lá pr’os lados de S.Bento
É alimentado pelo povo
Refugia-se no parlamento
Tem as asas de um dragão
De águia é a sua garra
Tem a juba de um leão
Todas as formigas agarra
E as formigas agarradas
Por este monstro assustador
Estão a ficar sem esperança
De ver as coisas renovadas
Só lhes sobra tanta dor
E o retrocesso que avança.
Prof Eta
Este monstro "regressado"
EliminarDeitando as garras de fora
Quer levar-nos ao passado
Ou quer mandar-nos embora...
Mas, se matar a formiga,
Vai-se acabar por tramar...
Ele, a essa, só obriga
Depois dela se matar...
Mas eu, nestas condições,
Não sei sequer fazer versos
E é preciso que o poema
Sem tais atrapalhações,
Mesmo em tempos tão adversos,
Tenha impacto enquanto emblema...
Este vai já com tanta pressa, Poeta... estou mesmo atrapalhada!
Abraço grande!
“Sentir”
ResponderEliminarEu sinto os outros à volta
As suas lágrimas eu choro
Também vivo a sua revolta
Pertenço a um imenso coro
Numa partilha infinita viver
Retira-nos muitas partículas
Mas se um dia há que morrer
Deixamo-las, essas gotículas
Grito agora contigo irmão
Contigo cantarei pl’o caminho
Arrastar-me-ei sem cantar
Quando a voz já me faltar
Sem forças terás meu carinho
É teu o pulsar do meu coração.
Temos tantas, tantas formas
EliminarDe, por cá, deixar um rasto
Sem cuidar de estranhas normas
Nem crer no que já está gasto...
Mas eu sei que é muito humana
Esta coisa de ter guias...
Mas um guia até se engana
Muitas vezes, muitos dias...
Memória é uma das vias
De viajar pelo tempo
Até às nossas raízes
Renovando as fantasias
E permitindo ao talento
Que adquira novos matizes...
Eu acredito numa memória genética, comum a todas as formas de vida, mas específica segundo cada espécie... espero que este sonetilho se aproxime do que tento dizer... é útil e indispensável à vida, essa memória genética.
Caro Pedro
ResponderEliminarHá bocado comovido com a fome, agora a TV mostrou a Feira de gastronomia em Santarém. Na Turquia a Terra tremeu e matou. O Mundo é vário e nasceu avariado.
Durmam bem
Eduardo.
Santarém (feira da gastronomia) já começou
e
Embora o meu palpite
Para a crise que vai correndo
Seja a falta de apetite,
Hoje, pensando bem,
Sempre vos vou dizendo:
-Vamos até Santarém.
E lá pelo Ribatejo
Sem gastar muito dinheiro
Pode até fazer poupança,
Se quiser ter o ensejo
De se ficar pelo cheiro
Em vez de encher a pança.
Encontrará feijoadas
Os rojões ou caldeiradas
Sarrabulho ou a morcela,
Branco ou tinto na tigela
As tripas ou a alheira,
Chouriço ou farinheira.
Se quiser outro pitéu
Prove o toucinho do céu
Papos de anjo ou filhós fritas…
Mas se cair na asneira
De abusar dos jesuítas,
Vai ter barriga de freira.
Eduardo
Logo hoje que só comi
EliminarUma bola de Berlim
Por volta das duas horas,
Vem com a gastronomia!
Eu só lhe digo que assim
Até pedras comeria!
Para o cão há, todavia,
A lata quase vazia,
Os biscoitinhos, bem secos,
Que pertencem aos tarecos
E uma taça de água limpa
Que dá um jantar "supimpa"!
Se o fogão não funcionar
Que interessa que tenham fome...
Já não vai haver jantar!
Nem que a casa vá abaixo
E o cão aprenda a cantar,
Eu deito fora o meu tacho!
Peço desculpa! Este está mesmo horrível... mas saiu-me e eu não tenho coragem para o apagar... saiu-me tão depressa que nem tive muito tempo para pensar... mas está mais ou menos divertido e pitoresco... pelo menos tenho a certeza de que está incomum!
Um abraço para si e sua esposa!