O FRUTO DE UM MAR OUTRORA PROÍBIDO


 (Soneto em verso eneassilábico)


 


Quis lembrar-me do mar que trazias


A pender-te da ponta dos dedos,


Prometendo, acenando aos mil dias


Que eu roubava à avareza dos medos


 


E colhi, desse mar que escondias,


No remoto pomar dos segredos,


O mel doce, que em fruto of`recias


D´entre mil, extemporâneos, azedos…


 


Houve um tempo redondo e magoado


Em que o fruto minguava escondido,


Definhando de tão resguardado


 


Na redoma do que é proibido,


E se eu nunca o tivesse encontrado,


Talvez nunca o tivesse perdido...


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 23.10.2011 – 15.00h

Comentários



  1. Que bonito!!! tão intrinsecamente teu....Beijo grande!

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    1. :D Obrigada, Ligeirinha! Mas tu és um génio! Tens toda a razão! Eu ontem dizia que era importante que os poemas fossem sentidos mas estava-me a escapar essa vertente... também é importante que o poeta transpareça nos seus poemas!
      Estou aflita e nem se nota muito porque me puseste aqui toda entusiasmada a deixar pontos de exclamação :) mas estou com cólicas. Já passei na farmácia a comprar Buscopan... mas tenho a impressão de que a vesícula também não está grande coisa... estou com uma "directa" e, sinceramente, nem sei como me estou a aguentar tanto. Devo estar muito cheia de adrenalina porque, neste momento, nem tenho sono nenhum... mas eu já te vou visitar!
      Beijinho!

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  2. Meu Caro Pedro

    Gostei de todos os teus poemas, mas distingui um.

    SONETILHO DESCARTESIANO
    (Em contraponto a um do Pedro)

    Se pensasse e existisse
    Como prova de bom senso
    Eu talvez me dividisse
    E não pensasse o que penso

    Não pensar e existir
    Tais premissas eu dispenso
    Prefiro inexistir
    E a existência dispenso

    E talvez, a não pensar
    Preferindo a inexistência
    Eu, assim, me administro

    E cedo irei chegar,
    Com honras de Excelência
    A um cargo de Ministro.

    Eduardo

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    1. E mesmo sendo tão hábil
      Encontrará concorrência
      Pois num governo tão lábil
      Qualquer um será Excelência...

      Quanto a mim, não tendo achado
      Um gato entre os ancestrais
      Ponho Descartes de lado,
      Fico como os animais...

      Enquanto puder escrever
      Deixar-me-ei das questões
      De teor mais requintado

      E, se isto não for viver,
      Podem vir mil sugestões;
      POETA MUITO OCUPADO!


      Muito obrigada pelo seu sonetilho, amigo Eduardo! :) Penso que sabe que estes poemas são feitos muito rapidamente e ganham em espontaneidade aquilo que perdem em forma e rigor... só neste contexto de "desgarrada" poderão ser devidamente apreciados...
      Enorme abraço para si e esposa! :)

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  3. “A escolha”

    Isto tem que ser assim
    Por isso aceno à infantaria
    E essa malta vá por mim
    Ou começa a pancadaria

    Parem todos de gritar
    Regressem às vossas casas
    Não se ponham a incendiar
    Estamos a passar pl’as brasas

    Das ruas o lixo recolham
    Essas greves não têm razão
    Trabalhem mas é a dobrar

    Não vão bandeiras desfraldar
    Esse é um símbolo da nação
    Quando votarem então escolham.

    Prof Eta

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    1. Vê-se no que o voto deu!
      Democracia é bem mais
      Que votarmos, tu e eu,
      Nas eleições nacionais!

      Também é Cidadania
      E a participação
      Fazem a Democracia
      Pr`a quem é bom cidadão!

      O direito a fazer greve
      Tem uma força impensável,
      Pode trazer soluções,

      Bons resultados, em breve,
      Para um país bem mais estável
      Apesar das divisões...

      Até já! :)

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  4. “Teus para sempre”

    Seguro o cálice de emoção
    Olho o horizonte emergente
    Tua dôr fere-nos o coração
    Nunca te sentiremos ausente

    Jamais aceitaremos um adeus
    Sabemos que em breve voltarás
    Estamos mais perto de Deus
    Já renunciámos ao satanás

    É nossa também essa tua dôr
    Não voltamos a ti certamente
    Não vamos chorar nem clamar

    Sempre escreverás com fulgor
    Nossos punhos, teus pr’a sempre
    Somos pedaço de ti sem suplicar.

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    1. Isto faz-me lembrar Portas
      E a renúncia anunciada...
      Ou tenho as ideias tortas
      Ou foi por não dormir nada...

      Inda há pouco, há poucochinho,
      Vi Portas renunciando
      Às regalias... baixinho,
      Pergunto, estarei sonhando?

      Estou tão fora de contexto
      Que nem eu sei se me entendo...
      Não percebo se estou certa

      Ou se li mal todo o texto...
      Quero ver se compreendo,
      Se faço uma descoberta...

      Abraço grande, Poeta! :)

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  5. “Assaltados”

    Paulo Portas onde andas tu
    Que à superfície não te vejo?
    Estive a discursar na ONU
    Sempre foi o meu desejo!

    Submarinos já comprarei
    Agora quero construir pontes
    Rotundas nunca construirei
    Talvez um dia construa fontes

    Não se reocupem os pobres
    Com a austeridade a crescer
    Saímos da crise empobrecendo

    Protegeremos os poucos nobres
    Que assim evitam empobrecer
    E migalhas nos vão oferecendo.

    Prof Eta

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    1. :)) Que inspiração, Poeta!
      Eu ando cá e lá porque estou a ouvir o Rádio Horizontes da Poesia!

      Ah... não consigo fazer um poema enquanto oiço outros... fico toda "misturada"... mas eu tento depois! Até já!

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    2. Não sei onde Paulo está,
      Tenho a porta mal fechada
      E se o vento chega lá,
      Lhe dá uma rabanada,

      Depois já nem porta há
      E eu não tenho quase nada...
      [mas no rádio ainda dá
      uma canção partilhada...]

      Agora estou a escrever
      Ao longo de outro poema
      E não sei no que vai dar...

      Gostaria de entender
      Se isto é, ou não um problema...
      E agora vou acabar!

      Até já, Poeta! :)

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  6. “Subvencionados”

    Eles estão a abdicar
    Do subsídio d’alojamento
    Onde se irão alojar ?
    Na escadaria de S.Bento

    Venham ver os deputados
    Estão a dormir ao relento
    Deixem esmola aos coitados
    Que está chuva, frio e vento

    Ainda que não cuidem de nós
    Deles temos que cuidar
    Para que cuidem da nação

    Senão o futuro será atroz
    Sem nova lei pr’a aprovar
    Que garanta uma subvenção.

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    1. Subvencionada estou eu
      Ao estro que aqui me prende
      Recebendo o que alguém deu
      A quem mais nada pretende!

      Se eu pudesse - podem crer! -
      Trabalhar de outra maneira,
      Não deixava de escrever
      Mas seria uma canseira,

      Trabalharia a dobrar
      Mas talvez sem me cansar
      Tanto quanto canso agora

      Pois não estaria doente...
      Fá-lo-ia alegremente
      E podia ir jantar fora...

      :)) Abraço grande, Poeta! Isto de escrever poemas a ouvir outros poetas... bem... cuuuusta!!! :))





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  7. Outro soneto de se lhe tirar o chapéu Maria :)
    Adoro a ligação entre cada palavra e a pintura ^^

    Como estás? :)

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    1. :) Olá, Paper! Obrigada! Tens razão; há uma profunda ligação entre esta pintura e este soneto :)
      Trago outro, acabadinho de fazer... foi o tempo de andar aqui às voltas a tentar conseguir ligação... mas não estou muito bem e este soneto parece mais o uivo de um lobo velho com fome e frio... mas tu vais entendê-lo!
      Até já! :)

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