SONETO A UMA MARIA SEM CAMISA


… e quando, um dia, o mar vier beijar


A luz desse luar que te ilumina


E se afundar, depois, na areia fina


Das praias desenhadas, só de olhar,


 


Não terá sido em vão esse cantar


Que ecoa em ti, que desde pequenina


Entoas no dobrar de cada esquina


Das ruas que pudeste visitar


 


Porque soubeste, em ti, salvaguardar


O estranho encantamento da menina


E, ultrapassando a mágoa que te mina,


 


Pudeste, em consciência, não vergar,


Mantendo-te intocada e feminina


No sopro original que assim te anima


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 20.11.2011 – 16.00h

Comentários

  1. Lindo Maria! :)
    Um relembrar da tua infância? ^^ (pergunto isto porque revi a minha em algumas partes do teu soneto)

    Já te sentes melhor?
    E os teus amigos de 4 patas, como estão? :)

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    1. :) Olá, Paper! Atrasada e não muito bem... nem eu, nem os meus velhotes. Estive todo o dia com cólicas e o Beethoven e Kico estão ambos em "dia não". Não estava em condições de ir ao CJ e acabei por ir para casa de uma amiga e ficar lá toda a tarde. Também não queria estar sozinha, não fosse dar-me algum "faniquito". Mas sinto-me um bocadinho melhor... a ver vamos se amanhã já me aguento melhor...
      Abraço grande!

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  2. Para a Vitória Afonso que está em sofrimento

    Com doença perversa que dá pelo nome de «gota»

    MANIFESTO ANTI- GOTA

    Aquela gota errática
    Atravessou o Universo,
    Com um sentimento perverso,
    Disfarçada de ciática.
    Não era gota aquática,
    Imergente e cristalina
    E nem gota de suor…
    Como abalo telúrico
    Veio espalhar o terror,
    Silenciosa, em surdina,
    Prenhe de ácido úrico,
    Ainda mais que a urina.
    Execrável e inglória,
    Detestável e mesquinha
    Há-de ser gota sem história…
    Já que outro intuito não tinha,
    No seu percurso fatal,
    Na sua matriz insana,
    Do que espalhar o mal
    Como se fosse humana.
    Não há-de deixar memória
    Aquela gota nascida
    Nas profundezas da escória
    E, cedo, será esquecida
    Por quem terá melhor vida
    E alcançará a glória
    De cantar alto… a VITÓRIA!

    Eduardo

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    1. Desejo, do coração,
      As melhoras de Vitória
      Que deve estar sem acção,
      Longe de sentir-se em glória...

      Terá dores no pé, na perna,
      E um mal-estar mesmo indizível
      Porque a gota desgoverna
      Todo aquele que for sensível...

      Que a dieta indispensável
      A medicação correcta
      E o repouso necessário

      Tragam a tão desejável
      Recuperação completa
      Desse estado temporário!

      Boa noite, amigo Eduardo.
      Parece-me que os poetas - poetisas, neste caso... - andam a viver momentos menos bons em termos de saúde. Também eu estou com cólicas e bastante febre. Não está a ser fácil estar ao computador mas ainda consegui este sonetilho imperfeito... não estou muito segura de ainda conseguir responder aos do seu Pedro. A febre e as cólicas roubam-me muitas energias e tornam-me difícil a concentração.
      Obrigada e um abraço grande para si e esposa!

      Maria João

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  3. “Reflectidos”

    O espelho apenas reflecte
    Não erra porque não pensa
    Assim não se compromete
    Nem espera recompensa

    Há espelhos inteligentes
    Querem ser recompensados
    Por serem espelhos diferentes
    Reflectem só os iluminados

    Eram os espelhos reais
    Que reflectiam Sua Alteza
    Nos tempos da monarquia

    Agora há espelhos demais
    E pr’a justificar a despesa
    Reflectem toda a hierarquia.

    Prof Eta

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    1. Poeta, não me sinto nada bem e penso que será melhor responder-lhe amanhã. Estou mesmo desinspirada, febril e toda dorida.
      Um grande abraço para si, Maria, crianças e D. Laura.
      Até amanhã!

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    2. Bom dia, de acordo. As melhoras e beijos de todos.

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    3. Dizem que será a Espanha
      A ter de mirar-se ao espelho
      E eu sei que pouco se ganha
      Neste ritual tão velho...

      Que estranha tendência esta...
      São saudades do franquismo
      Ou pensam fazer a festa
      Vergando ao capitalismo?

      "Qué os pasa hermanos míos?"
      Muitos de vós bem sabeis
      Que o espelho devolverá

      Mil imagens de outros fios,
      Ou até de outros cordéis,
      Mas não vos reflectirá!

      Boa tarde, Poeta. Lá consegui vir até ao CJ mas, sinceramente, talvez nem devesse ter vindo porque não me estou a sentir mesmo nada bem... mas, já que vim, vou ver se me aguento até ao fecho.
      Abraço grande!

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  4. “E=mc²”

    Este mundo em convulsão
    Por suposto não nos seduz
    Nem sabemos se terá salvação
    Partamos à velocidade da luz

    Já o Albert Einstein dizia
    Se a essa velocidade viajares
    Passaram cem anos num dia
    Quando de novo cá voltares

    Parte sem te preocupares
    Com esta crise em ascensão
    Pois àquela velocidade

    Quando ao fim do dia chegares
    Já não verás nenhuma confusão
    Terás comprovado a relatividade.

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    1. Já quando era pequenina
      Brincava e fantasiava
      Com o que a fórmula ensina...
      Mas, logo a seguir, voltava.

      Sou "daqui, neste momento"
      E, se pudesse escolher,
      Não fugiria no Tempo
      E "aqui" voltaria a "ser"

      Do que faço, ao que não faço,
      Voo à distância de mim,
      Conciencializo o que posso...

      Se eu puder... mais um pedaço
      Lhe acrescentarei, no fim,
      Como a pontes sobre um fosso...

      Abraço grande! :)



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  5. Afastei-me do mundo sem temor,
    Mas com mágoa.
    Criei um espaço invisivel
    Onde vou esperar o meu regresso
    E quero regressar!

    "E Maria se manteve intocada e feminina
    pois soube salvaguardar
    O estranho encantamento de menina..."

    Ainda por Portugal. Melhoras...

    Mª. L.

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    1. Amiga, é bom ver-te por cá!
      É também por Portugal e pelo povo português que eu, neste momento, escrevo.
      Sei que regressarás! Um enorme abraço para ti e que tudo corra bem contigo e com os teus.

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  6. “Explicação”

    O nosso ministro Gaspar
    Vem ao parlamento explicar
    Com calma e detalhadamente
    Como andam a lixar a gente

    Isto não é para continuar?
    Mas deixem-nos duvidar
    Da vossa capacidade latente
    Porque o erro é recorrente

    São mestres na arte de gastar
    E de ao povo vir cobrar
    Com uma explicação premente

    Mas nunca os vi poupar
    Nem de vida tentar mudar
    Só mudam a vida da gente.

    Prof Eta

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    1. Também eles são marionetas
      - pelo menos alguns são... -
      Que só podem dizer tretas
      C`o a possível convicção...

      São escravos do capital
      Que nem poderão dizer
      Que hão-de proceder tão mal
      Quanto lhes mande o "poder"!

      Mas se alguém quiser dizer
      Que estou a ser radical,
      Melhor fora estar calado

      Porque eu não quero saber!
      [no que toca ao capital,
      eu mando à fava o cuidado!]


      Poeta, a net, hoje, está muito pior do que o habitual... nem sei se vai dar para publicar esta resposta...
      Abraço grande!

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  7. “Enteados da nação”

    Mais pobres por necessidade
    Ou porque faltará a riqueza
    Não se assiste à equidade
    Por isso não tenho certeza

    Uns vivem com dificuldade
    Outros senhores de farta mesa
    Na distribuição haverá verdade
    Quando a todos tocar a pobreza

    Teremos todos este direito
    Consagrado na constituição
    “De sem vergonha empobrecer

    E de oferecer às balas o peito”
    Por ora somos enteados da nação
    Que os seus filhos vê enriquecer.

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    1. Somos os discriminados
      Dessa tal dicotomia
      Que torna alguns abastados
      E, a tantos, traz a agonia...

      Não vai ser fácil mudá-lo
      Mas não quero duvidar
      Que outro virá, se me calo,
      Pr`á luta continuar!

      Cad`homem, cada mulher,
      Terá direitos iguais
      Neste mundo por que eu luto

      E devemos entender
      Que até mesmo os animais
      São, da Terra, imenso fruto!


      Ainda consegui publicar o anterior... vou tentar mais este! Abraço grande! :)

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  8. “Hipotecados”

    Fama que vem de longe
    Chegou-nos do Canadá
    Prega bem, não é monge
    Eu digo e assim se fará

    Está igual tod’a Europa
    Quem os manda globalizar
    A China de vento em popa
    Que bem soube aproveitar

    São comunistas capitalistas
    Bem souberam capitalizar
    A ganância e curtas vistas

    De quem tudo queria ganhar
    A Europa terra de saudosistas
    Soube o nosso futuro hipotecar.

    Prof Eta

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    1. Nunca os meteria a todos
      Num só barco, companheiro!
      Uns têm riqueza a rodos
      E outros mal têm dinheiro...

      Muitos falam por falar,
      Julgam todos por igual...
      Eu sei em quem confiar
      Com segurança total.

      C`o país hipotecado,
      Bem mais que no tempo antigo,
      Só fico ao lado de quem

      Devolva ao povo o roubado
      E, sem temer qualquer perigo,
      Lute como mais ninguém!

      :) Abraço grande, Poeta!

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  9. “Greve”

    Minha greve está guardada
    Para uma histórica ocasião
    Quando desatarem à porrada
    Eu entro de manifesto na mão

    Depois de tod’a gente aviada
    Apelando à desmobilização
    De toda esta enorme cegada
    Onde não acaba a corrupção

    E se nomeia outra comissão
    Mas a conclusão deu em nada
    E a corrupção saiu reforçada

    Sugando os fundos à nação
    Que assim se vê defraudada
    Esta nação anda enfeitiçada.

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    1. Talvez tudo acabe assim
      Mas enquanto o não sentir,
      No que dependa de mim,
      Faço impossíveis pr`a ir!

      Sei bem que a minha presença
      É só uma, não vale nada,
      Nem fará grande diferença...
      Mas não ficarei parada!

      Desligar o manifesto
      Da nossa greve geral,
      Será sempre um gesto errado

      E, dentro deste contexto,
      Só poderá trazer mal
      A este povo cansado!

      Sei muito pouco sobre o que aqui digo mas aí vai, Poeta!


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  10. CINCO QUADRAS DO ANTÓNIO ALEIXO


    Acho uma moral ruim
    trazer o vulgo enganado:
    mandarem fazer assim
    e eles fazerem assado.

    Sou um dos membros malditos
    dessa falsa sociedade
    que, baseada nos mitos,
    pode roubar à vontade.

    Esses por quem não te interessas
    produzem quanto consomes:
    vivem das tuas promessas
    ganhando o pão que tu comes.

    Não me dêem mais desgostos
    porque sei raciocinar...
    Só os burros estão dispostos
    a sofrer sem protestar!

    Esta mascarada enorme
    com que o mundo nos aldraba,
    dura enquanto o povo dorme,
    quando ele acordar, acaba.


    António Aleixo

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    1. Quando ele acordar acaba
      E não volta a acontecer
      Ou, sobre o povo, desaba
      O que o fascismo quiser! :)

      Eu, ao Mestre Aleixo, nem me atrevo a responder... só saiu esta quadrazinha atrevida...
      Obrigada, Poeta, por estas quadras do António Aleixo.
      Eu nunca escondi que penso que, na poesia rimada, os bons poetas se descobrem na quadra popular que é muito mais difícil do que muitos possam pensar... e o Poeta Aleixo foi inigualável nessa forma poética!
      Se eu não conseguir colar estes sonetilhos nos seus blogs, é porque a net está sempre a ir-se abaixo. Mas eu tento!
      Abraço grande!

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