DA QUALIDADE DOS SONHOS


“Eu hei-de erguer um sonho e ser feliz!”


Porém, se inconsistente, o sonho morre


Sem chegar ao tal ponto em que descobre


Forma de erguer um caule, ousar raiz…


 


Sigo, portanto, um sonho que não quis


Usar fruto mordido, haste que dobre,


Ou frase que se agita e logo corre


Ao encontro de tudo o que se diz…


 


Levo, nele, o princípio desta sede


Que não se vê, não se ouve , nem se mede,


Num espaço que não seja aberto e justo,


 


Que vai até aonde o próprio o pede


- e não por caridade alguém concede –,


E sempre é conquistado a muito custo…


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 15.01.2012 – 20.34h

Comentários

  1. Nunca desistas dos teus sonhos Maria, são eles que nos mantêm de pé :)

    Adorei este soneto, tal como aquele que me envias-te :P E quanto a esse, eu não poderia estar mais de acordo... Acho que eles deviam também dar valor ao cozido à portuguesa :P

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    1. :)) E às ervilhas com ovos escalfados, que são uma maravilha!
      Ai, Paper, eu tenho mesmo sonhos e ideais mas mal me vão aguentando... sentada :)) Amanhã vou ao hospital - outra vez! - e vamos lá ver o que se vai passar... as coisas não estão ainda muito bem definidas no que toca às isenções das taxas moderadoras e, da última vez que lá estive, disseram-me que teria de ser submetida a uma junta médica. Também tinha isenção total no que toca a medicamentos comparticipados... eram praticamente todos porque quando me receitavam não comparticipados, eu só comprava se fossem mesmo muito, muito baratinhos... o que eu sei, porque assisti e gostei, é que as pessoas começam a protestar de uma forma mais útil do que as habituais "zangas" com as funcionárias dos guichets. Ouvi discursos muito bem feitos, sobre pontos muito pertinentes, nas salas de espera... e reparei que a maioria dos utentes escutava de forma interessada e apoiava, acrescentando um ou outro caso mais flagrante. Penso que os cidadãos portugueses começam a perceber o que é a democracia e que têm uma palavra a dizer no meio de toda esta confusão.
      Mas chega de discursos. Estas minhas janelinhas de comments já devem estar "gastas" de tantas palavras :))
      Vou até ao teu cantinho!

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  2. “Lixar”

    Quem lixo não era
    Acabou de ser lixado
    Isto está mesmo bera
    O rating foi alterado

    A Europa vai acabar
    Mesmo não acabando
    Vão a todos comprar
    Vamo-nos achinesando

    Férias acabam a seguir
    E os feriados também
    Salário é contrapartida

    Se produzes sempr’abrir
    Hoje trinta amanhã cem
    Não fales em direito à vida.

    Prof Eta

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  3. “Culturas perdidas”

    Sigmund desaparecido
    E Freud moribundo
    Sartre mal parecido
    E Aristóteles imundo

    Conspurcada a filosofia
    Cultura sem consciência
    Ofuscadas pela iliteracia
    Vou à loja de conveniência

    Numa prateleira bem alta
    Encontro antigas edições
    Da filosofia espezinhada

    Manual da cultura em falta
    Em razoáveis condições
    Mas já não serviu de nada.

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    Respostas
    1. :)) ! Poeta, adoraria poder responder-lhe ainda hoje, mas amanhã é dia de hospital e terei de me levantar antes das cinco da manhã. Conto estar despachada lá para o meio da tarde.
      Abraço grande e até lá!

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    2. Sim claro, importante agora é descansar.

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    3. Ainda aqui estou mas vou já, já levar o Kico à rua e depois vou-me deitar... entretanto deixo um soneto que espero conseguir publivcar amanhã.
      Bjo!

      MAIS UM AMANHÃ QUE TAMBÉM CANTA!

      Não há ninguém que aponte um punho erguido
      No sentido contrário ao da vitória
      Porque esse punho aponta sempre à glória
      De tudo quanto temos conseguido!

      Nunca este sonho nosso foi vencido
      - da derrota final não reza a História! –
      E, trazendo a certeza da memória,
      Nunca o nosso ideal será traído!

      Já um novo cravo rubro se agiganta
      E um novo grito irrompe da garganta
      De cada um dos nossos companheiros

      Pois quando o nosso punho se levanta
      Nasce um outro amanhã que também canta
      Porque fez dos algozes prisioneiros!

      Maria João Brito de Sousa 16.01.2012

      (há bocadinho)

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    4. Será o que for, Poeta... é impossível reproduzir o 25 de Abril, com as mesmas características, tal como ele aconteceu... mas nós trazemo-lo na memória e no coração. É inevitável evocá-lo.
      Beijinho que eu já estou super atrasada e ando a 0,1 Km à hora :)

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  4. A minha aldeia

    Por baixo corre apressado
    O Noémi para o Côa
    Deixando tudo regado
    Nas veigas de terra boa

    Por cima num vai e vem
    Desde manhã à noitinha,
    Nesta ponte tão velhinha
    Cruzam-se as gentes de bem

    Brilha o Sol no horizonte
    E em Agosto, nos levantes,
    Traz as preces de emigrantes
    Para a Senhora do Monte

    És assim minha Cerdeira
    Onde o Povo e a Estação
    Cada qual na sua margem
    Se entreolham com paixão
    De soslaio, entre a ramagem,
    De amieiros da Ribeira

    Eduardo

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