SONETILHO DO SONHO POSSÍVEL
Andei por todos os cantos
Redescobrindo horizontes,
Vestindo todos os mantos
Das flores de todos os montes
Mergulhei nos rios mais santos,
Rumo à nascente das fontes
Que lhes dão vida, em quebrantos,
Brotando em líquidas pontes
Perfeitamente tangíveis,
De aparência cristalina,
De arcadas quase invisíveis,
Quase à dimensão divina…
(… fui mãe dos sonhos possíveis
de toda e qualquer menina…)
Maria João Brito de Sousa – 01.01.2012 – 15.07h
“País dos segredos”
ResponderEliminarA taxa não é brutal
Brutal seria a falência
Mas já faliu Portugal
Faltou-nos eficiência
Sobrou o compadrio
E o fartar vilanagem
Não termina o desvario
Nem acaba a voragem
É chupar até ao tutano
Este povo adormecido
Pela casa dos segredos
Pelo programa dos gordos
É o cardápio fornecido
Até neste final de ano.
Prof Eta
Dormentes, amedrontados,
EliminarAssustados c`o porvir,
Os portugueses, calados,
Já mal sabem reagir...
Mas só pelo sonho vamos
E a luta é sempre uma estrada
Para o muito que sonhamos,
Quando já não temos nada...
Portugal é o seu povo,
É as suas ambições
E o seu direito a viver
Cada dia como um novo,
Sem recear as traições
Que nos venham do poder!
Poeta, o Kico está a piorar. Não prometo ir levar-lhe já o sonetilho...
Abraço grande!
Eu sei que sim Maria João, sabê-lo-ão as meninas também ?
ResponderEliminarNão sei, Poeta! Cada menina é um mundo - e cada menino também :) - que cresce e ganha a sua autonomia emocional... mas todas as meninas nascem com esse potencial de sonho que as circunstâncias da vida poderão, ou não, vir a roubar-lhes.
EliminarAntes de lhe responder, fiz uma pequena emenda no último verso da última estrofe. Continuo com esta mania de publicar quase em cima da hora, sem fazer uma revisão distanciada no tempo, como tanto vou "pregando"... bem, só "preguei" uma vez ou duas, mas preguei. O pior é que já o deixei publicado em variadíssimas páginas comunitárias do Facebook... não havia erro métrico, mas havia a tal falta de "burilamento" que podemos e devemos evitar quando escrevemos publicamente...
Poeta, vou ter de ir dar de jantar ao Kico e, depois, vou passeá-lo. É um passeio curto porque ele é muito cardíaco e cansa-se em meia dúzia de metros, mas tem de ser.
Depois verei se estou capaz de lhe responder em rima. Esta noite, quase sem dormir, não é o mais recomendável dos condimentos poéticos... mas tento sempre!
Até já e um abraço grande! :)
“2012 com alma”
ResponderEliminarDificuldade na oportunidade
É o que nos diz o pessimista
Oportunidade na dificuldade
Diz por sua vez o optimista
“Esta Europa vai salvar-se”
Diz-nos Mestre Nadir Afonso
Um optimista a expressar-se
E o discurso não é insosso
É um discurso com muito sal
Serão as lágrimas de Portugal
Do grande mestre da poesia
Que com optimismo nos dizia
Sempre tudo valerá a pena
Porque a alma não é pequena.
Penso não ser pessimista
EliminarNem optimista demais
Pois, por mais que o sonho insista,
Vejo as coisas bem reais,
Coisas que vão castigando
Este povo português
Que não está mais aguentando
Tais golpes, sem mais porquês...
Tenho a esperança que é possível!
Quando podemos sonhar,
Sonhando reconstruímos
Muito pr`além do que é crível
E, em podendo acreditar,
É certo que o conseguimos!
Poeta, não me foi possível aceder à net depois de voltar com o Kico. Tem estado completamente inacessível e estive tempos infinitos a tentar abrir esta página. Peço desculpa.
Até já!
Espero que a saúde se restabeleça de forma a sentir as forças necessárias para CONTINUAR!
ResponderEliminarUm beijinho de bom 2012!
Isabel
:D Obrigada, Isabel! Um grande beijinho, também para si!
Eliminar“Trabalhar”
ResponderEliminarEstá radiante a senhora
Com sua camisa dourada
A mensagem promissora
Com atenção foi escutada
Mensagem de ano novo
Dificuldades prometeu
Vocês meu querido povo
Trabalhem e terão o céu
Olhem o trabalho liberta
Devem trabalhar a dobrar
Quando a austeridade aperta
Gastem o tempo a trabalhar
Acreditem é a receita certa
Pois não têm mais que gastar.
Prof Eta
O ser-se trabalhador,
EliminarNão quer dizer ser servil
E eu sempre fui dessa cor
Que veste os cravos de Abril!
O trabalho é um direito
Mas, se não remunerado,
É escravidão! Não aceito
Esse trabalho forçado!
Especulações, conjecturas,
Joguinhos do capital
E dessas suas loucuras
Que nos negam, afinal,
E nos trazem horas duras
Que nos fazem tanto mal!
Abraço grande, Poeta! :)
“Bife à Trindade”
ResponderEliminarToda a gente é pessoa
Pessoa é toda a gente
Lá no chiado em Lisboa
Que na Brazileira se sente
Vem odor genuíno a café
Lembra tertúlias de outrora
Que outrora agora já não é
É correria ensurdecedora
Sinais de tempos atípicos
De uma cultura levíssima
Poesia são pratos típicos
E em abono da verdade
Prefiro uns metros acima
Comer um bife à Trindade.
Acho que nunca provei
EliminarUma iguaria que tal...
Mas já comi - e gostei! -
Um bife tradicional...
Mas, se pudesse, garanto
Que só comeria soja
E vegetais... no entanto
Nem sempre os tenho na loja...
Dessas tertúlias de antanho
Nunca mais me hei-de esquecer!
Em boa verdade tenho
Muito com que me entreter
Embora pareça estranho
Nunca ter tempo pr`a ler...
:) Até já, Poeta!
Parabéns por teres sido Mãe
ResponderEliminarDos sonhos possíveis
E dos sonhos impossíveis...
Belo!...
p.s.escrevi um pouco no Prémios...não o meu estilo, mas o estilo de todos os poetas, pobres e ricos em PALAVRAS....
Obrigada, Maria Luísa! Confesso-te que já me via aflita para encontrar os últimos sonetilhos do nosso amigo comum... mas vou já até lá!
Eliminar“Respeitem o Zé”
ResponderEliminarEconomista proeminente
Vê uma situação explosiva
Está preocupado c’a gente
E com um país à deriva
Por acaso até é presidente
Aqui deste grupo de malta
Fez muito aviso premente
Explosividade está em alta
Tudo o resto está em baixa
E tanto mais o rabo aparece
Quanto mais a gente se agacha
Melhor será cagar em pé
Mais esta gente não merece
A ver se assim respeitam o Zé.
Prof Eta
Já ninguém respeita o Zé...
EliminarMas alguns podem temer
Que ele possa erguer-se e, de pé,
Faça o que deve fazer...
Está tudo muito explosivo,
Tudo muito inconsistente...
Talvez por esse motivo
Ande perdida esta gente...
Estou a escrever um poema
Enquanto na Rádio toca
Um programa dedicado
À poesia... o problema
É que a atenção se me foca
Aqui... e no outro lado!
:) Até já, Poeta! Hoje é dia do programa de rádio do Horizontes da Poesia... não está a ser fácil escrever com os sentidos "repartidos" desta forma... abraço gde!
Está muito bem repartido, parabéns!
Eliminar:) Mas atrapalha... fica-se com uma rima no ouvido e, depois, é difícil conseguir criar para acertar com outra que nada tem a ver em termos de sonoridade.
EliminarBjo!
“Ajustar as velas”
ResponderEliminarHá um tempo na nossa vida
Queremos o vento mudar
Pela razão que nos é devida
Ou assim chegamos a pensar
Mas a razão não nos pertence
Aprendemos a viver o momento
Mesmo se a vida não nos vence
Ensina-nos a entender o vento
A não esperar a sua mudança
A abrigarmo-nos numa enseada
A apreciarmos as coisas belas
Quando navegamos na bonança
E que a tempestade é ultrapassada
Tão somente ajustando as velas.
Há lá vela que se ajuste
EliminarA uma injustiça destas?
Até já há quem se assuste
E nem sequer vá às festas...
Nem às festas, nem a nada
Que há gente com muito medo
E outra está muito assustada
Sem saber se é tarde ou cedo
Para a situação mudar
E pr`á justiça, roubada,
Poder, de novo, voltar!
As velas hão-de ajustar-se
Depois da maré mudada...
Agora há é que lutar-se!
Abraço grande, Poeta!
Ando a saltitar entre a rádio e o blog... e as coisas ainda não estão nada bem comigo... nem com o pobre do Kico...
Já sabe se precisar disponha.
EliminarObrigada, Poeta! Agora tenho consulta no dia 10, em Medicina Interna, mas é aquela consulta a que vou sempre, todos os meses... mas não me parece que o Kico vá durar até lá... as coisas estão muito mal com ele, coitadinho.
EliminarBeijinho!
“Liquidação total”
ResponderEliminarGoverno deste nosso Portugal
Galinha dos ovos d’ouro mata
Para princípio não está mal
Bicho já nem põe ovos de prata
Os últimos ovos foram de lata
Pr’á Suíça o dinheiro desanda
E a partir duma certa data
Pagar impostos é na Holanda
Para termos um final feliz
Vamos recorrer à emigração
Palop’s e Brasil são uma opção
Quem ficará neste pobre país?
Os governantes por dedicação
E os gestores de liquidação.
Prof Eta
A "penosa" de ovos d`ouro
EliminarQue só põe ovos de lata
É uma imagem de "estouro"!!!
Poeta, fico-lhe grata
Porque ri até mais não
E, apesar de doente,
Deu-me nova inspiração!
(esperemos que ela se aguente...)
De "brandos costumes" sou,
Portuguesa - entre outros tantos -
De "antes quebrar que torcer"
E, lá pr`a fora, não vou
Nem vou desfazer-me em prantos
Perante quem não me entender!
Abraço grande, Poeta! Olhe que me ri mesmo muito com a galinha dos ovos de lata! Acho que sou um bocadinho esquisita porque, por muito mal que as coisas estejam, tenho sempre uma pontinha de sentido de humor pronta a gargalhar ao mais pequeno motivo...
Ainda estou a rir com a sua resposta.
Eliminar“Casino em chamas”
ResponderEliminarÉ na democracia possível
Que o casino está a arder
Nunca julgámos ser crível
Mas acabou por acontecer
Há tanta loja de perfumes
Vi tanta pomba assassinada
Já não há lugar a queixumes
Aconteceu, não fizemos nada
Palco foi dado aos actores
Na peça que nos envergonha
Viu-se que são impostores
Nunca julgámos seria assim
Bando de actores sem vergonha
Que arda o casino até ao fim.
Um Homem, um dia, entrou
EliminarNum mercado onde vendiam
Animais pr`a sacrifícios
E num cajado pegou,
Desancando os que faziam
Dessas leis os seus ofícios...
Talvez o mesmo aconteça
Aos senhores do capital
E aos truques com que nos mentem
Pois não nos agrada a "peça"
E vamos levando a mal
Que tantos "truques" se inventem...
Abraço grande, Poeta! :)
Cara amiga,
ResponderEliminarGostei e roubei.
Abraço
E eu gostei muito de ser roubada, amigo Artesão! :)
EliminarUm abraço!