SONETO DO "FAIT DIVERS"
Sonetos... não me nascem na algibeira,
Não são convenientes, nem se vendem
E quantas vezes não me surpreendem
Na pontaria rápida e certeira...
Não temerão, sequer, fazer asneira
- em fazendo-a, porém, não se arrependem...-
E nunca são submissos nem aprendem
Lição que seja menos verdadeira...
Pr`além desta evidência, o que direi
De uns versos loucos que nem mesmo sei
Metrificar, de tão desalinhados?
Inventar que fui eu que os programei,
Ou assumir, de vez, que "poetei"
Sem tempo pr`a perder com mais cuidados?
Maria João Brito de Sousa - 26.01.2012 - 15.05h
Imagem da Feira da Ladra, retirada da internet
Nota - Ao contrário da mensagem que faz passar, este "sonetozeco" surgiu para contrariar uma vaga de falta de inspiração, teve um "parto" distócico e levou bastante tempo a nascer. Bastante mais do que 99% dos restantes...
“Carnaval social”
ResponderEliminarExiste um fórum social
Quem diria, não se nota
Um ministro de Portugal
O do Audi era o da mota
Em Porto Alegre há clamores
Dizem a justiça anda mal
Já ribombam os tambores
Prepara-se o Carnaval
Para o tempo dos calores
Será a condizer a rainha
Socialmente nada a opor
Mas já surgiram rumores
Que mostrará a bundinha
Já não há qualquer pudor.
Prof Eta
Vai ficar a faltar o Carnaval Social, Poeta... e daí...
EliminarPois há-de haver, com certeza,
Por aí, mais Carnaval...
Alguns esquecem a pobreza
Partilhando um "alto-astral"...
Muitos fóruns pode haver
- quarenta ou cinquenta, até! -
Sempre preferi escrever
No sossego de um café...
Com bundinha, ou sem bundinha,
A mim tanto se me dá
Quanto saco há pr`á farinha,
Nem se há rei pr`a tal rainha,
Odalisca para Alá
Ou pinheiro pr`a tal pinha...
Bom fim de semana, Poeta! Isto vai fechar e este sonetilho ficou... olhe, carnavalesco! :)
Não sei exactamente quando poderei voltar à net... vai ser uma semana difícil, para mim. Beijinhos para todos vós!
“X Troika”
ResponderEliminarPara que haja quem mate
Tem que haver quem morra
Repicam os sinos a rebate
À espera que a gente corra
Já ninguém está para correr
Numa guerra que é insensata
Sabem que têm que morrer
Pois já chegou quem mata
De olhar vazio e profundo
Ordenaram a mortandade
Que foi alvo de negociação
Com os responsáveis da nação
Que ordenaram a austeridade
Passaporte para outro mundo.
Não estou, nem nunca estarei,
EliminarLá muito vocacionada
Para "rainha" ou pr`a "rei"
De governos de fachada...
Alguns estarão, quero crer,
Muito mais bem preparados
Pr`ó que possa acontecer
Nestes tempos mal parados...
Quanto a mim, bem consciente
Das minhas limitações,
Mantenho o perfil discreto
De quem não quer, nem consente,
Ver irmãos aos trambolhões
Num desgoverno completo...
Abraço, outra vez! :) Já sabe alguma coisa do 2008? Calculo que não houvesse grande remédio, mas nada percebo da anatomia destas maquinetas...
O 2008, soube à cerca de 10 minutos, vai levar uma board nova ( a dele queimou ), poderá demorar uma semana, estou à espera da confirmação deste prazo, por isso ainda não tinha transmitido nada. Quando souber mais digo.
EliminarCaramba, Poeta!!! Foi mesmo na motherboard! Mas uma motherboard nova deve ser cara! Ai, que eu só agora descobri este seu comment!
EliminarDevo estar com a caixa de correio pior do que imaginava... e estou completamente partida da viagem e de ter andado escada acima, escada abaixo, a marcar exames novos. Tenho medo de um deles, que é invasivo... mas enfim...
A minha coluna também está um desastre e, para conseguir estar aqui, sentada, tenho de elevar a perna esquerda sobre o assento da cadeira. Faço uma triste figura, mas o sentido do dever vai sendo mais forte do que a vergonha de parecer uma velhota maluquinha... e as dores, se eu teimar em manter-me numa posição "normal", também são mais do que muitas. Prefiro parecer uma velhota maluquinha e manter-me nas dores medianas de todo o resto que está avariado :)
Beijinho e até já!
Não fui eu que disse, limito-me a adaptar aos novos tempos, "não há board que corte a raíz à poesia", muito menos à da Maria João.
EliminarÉ o que eu digo! Estou ainda pior do que pensava!
EliminarOntem, para evitar duas idas seguidas ao hospital, pedi ao meu médico que me assistisse depois da consulta de urologia. Ele lá me fez o favor, mas eu estava tão cansada, tão cansada, que me esqueci de tudo o que tinha para lhe dizer... e só me lembrei de me ter esquecido depois de sair daqui, ao final da tarde. Não disse que fui obrigada a parar o anti inflamatório que ele me receitou... acho que só falei da tensão arterial que, à noite, me chega aos 22/12 mg/hg e das febrinhas chatas que me vêm, também à noite. Nem me lembrei de pedir o controle do INR, nem nada!
É horrível, isto, Poeta, mas a verdade é que, quando estou muito cansada, me esqueço de tudo.
Até já!
O 2088 estava ontem em testes e vai continuar, provavelmente entregarão hoje ou mais tardar 2ª feira, I'll let you know ASAP.
Eliminar:)) É 2008. Não se preocupe. ASAP?
EliminarAs Soon As Possible.
Eliminar:)) Não chegava lá! Garanto que não! Eu bem digo que ando "emburrecida" :))
EliminarBeijinho!
QUEM TORTO NASCE
ResponderEliminarPensa que o triste destino
Que tu vês para a nação
Se encetou com um rei menino
Que pôs a mãe na prisão.
Depois, falso peregrino,
Nos mares, p´la imensidão,
Com fervor dito divino
Foi explorar a escravidão.
E a marca destas tendências
Que ficou em seu genoma
Transmitiu-se às descendências.
Mas esta senda, no fundo,
Não tem só nosso idioma…
É falada em todo o mundo!
Eduardo
Esta humana caminhada
EliminarNunca foi fácil... agora
Parou numa encruzilhada
E já lhe pesa a demora...
Não pode ficar parada
Por muito mais que uma hora
E a escolha está carregada
Desses fantasmas de outrora...
Inda eu não era nascida,
Vimos a Besta a crescer
Nesta Europa dividida
E os padrões que se repetem
Nunca se hão-de dissolver
Com estes que só prometem...
Até já!
Peço desculpa por não ter tornado esta resposta um pouco mais pessoal... estou a esquecer-me de muitas coisas e uma delas foi o facto de lhe estar a responder a si, amigo Eduardo. O seu Pedro já faz parte deste blog, de tal forma me habituei a estes nossos pequenos diálogos diários :)
EliminarUm abraço grande para si e esposa!
Maria :D
ResponderEliminarEstou bem, e tu? Andas melhor? :)
Quanto ao teu "sonetozeco", como lhe chamas, pode ter demorado a nascer, mas está fantástico!
Eu tiro-lhe o meu chapéu :D (não estou a usar nenhum de momento, mas nem que meta um de propósito :P )
Um soneto como só tu sabes fazer ;)
Paper!!! Só agora te descobri... não sei que raio de coisa ando eu a fazer na caixa de correio que não vejo nada... ou deixo escapar metade...
EliminarIsto vai fechar... está a fechar, amiga! Desejo-te um bom fim de semana! Espero voltar ainda na próxima semana que vai ser "tramadinha" por causa de consultas, exames, etc... beijinho! :)
“Sultanato”
ResponderEliminarVenham mais cinco
Resgates que eu pago já
Trabalharei com afinco
Não se preocupe o marajá
Não se preocupe o sultão
Nem as suas concubinas
Pagarei até ao ínfimo tostão
Para ele possuir as meninas
Para o palácio conservar
Alimentar os puro-sangue
Terão a nossa compreensão
Pequeno esforço dum milhão
Não é coisa muito grande
Para o sultanato preservar.
Prof Eta
Preservá-los... em conserva!
EliminarPara que nos servem vivos
Se, por eles, comermos erva
E nos sentirmos cativos?
E os marajás de Ocidente
- que tantos por cá existem... -
Vivendo à custa da gente
E dos pobres que conquistem,
Que falta nos fazem esses?
Nos contos de Sheerazade
São, decerto, ingrediente
Mas se, em verdade, pudesses
Dividir-lhes a vaidade
Pelos mais? Isso é urgente!
Sinto que está péssimo, mas foi o que me "saiu" quando li o seu "Sultanato":)
Beijinho e até já!
“Ao som da orquestra”
ResponderEliminarOrquestra continua a tocar
No centro da bela Europa
Sente-se a água a entrar
Mas a orquestra toca e toca
Em redor já ninguém escuta
Ouvem-se gritos d’aflição
Há ratazanas em disputa
Por um lugar de afirmação
Quem pôde o colete vestiu
E um lugar no bote ocupou
Quem não morreu afogado
Viveu um pouco mais e sentiu
Que a gula não compensou
Pois acabou por morrer gelado.
Nem sei como enfrentar este derrotismo todo, Poeta... se já me queixava de andar a 10 km /h, agora devo andar a 0,1 km /h, mas não sei se essa visão não será a mais correcta, no que respeita a toda a Europa... entrar na onda de optimismo dos liberais, parece-me uma atitude estúpida. Tão estúpida que seria ridícula se não fosse tão trágica. A ver se eu consigo entrar numa linha melódica qualquer...
EliminarSe embarcar no salva-vidas
For nossa última escolha,
Estão as coisas decididas
E quem gelar não se molha...
Bem tento fazer humor
Da metáfora deixada
Mas nada será pior
Do que morrer congelada...
Porém.. morrer sem lutar?
Sem tentar até ao fim,
Sem dar o tudo-por-tudo?
E se alguém puder escapar
No dorso de um manatim?
[com tritões já nem me iludo...]
Abraço grande, Poeta!
Olá querida amiga!
ResponderEliminarNão tenho vindo aqui, pois como sabes estou confinada á minha cama há 3 semanas, deitada de costas a olhar para o tecto....que sacrificio! Agora vim aqui queria dar-te um beijinho, nõa posso estar aqui muito tempo. sá saio da cama a 20 Fevereiro!!!! Beijinhos minha querida!
:) Minha Ligeirinha!
EliminarParece que tudo se me avaria ao mesmo tempo! O palerma do telemóvel também ficou com as teclas presas e não tenho conseguido enviar sms a partir dele! Às vezes nem sequer a tecla verde de aceitar chamadas, funciona... penso que já te disse que o 2008 também ficou todo "queimadinho". O Poeta Zarolho veio buscá-lo e foi mesmo a motherboard que se "queimou". Tu é que tens mesmo de manter essa imobilidade... caramba, Ligeirinha! Esta malvada osteoporose - eu também tenho... - é muito traiçoeira! E sabias que o Varfine é muito, muitíssimo, descalcificante? Bem, tu não o tomas, felizmente... esse é um daqueles, muitos, efeitos secundários com que tenho de lidar. Deves estar mortinha de tédio e eu para aqui sem nenhuma coisinha mais espirituosa para te contar... vou ao teu blog!
braço GRANDE!
Não posso te acompanhar, mas o soneto ou sem ser soneto me encanta como sempre.
ResponderEliminarSaúde não melhorou. Tenho uma autorização do Médico para voltar a Portugal, mas a
viagem é uma incógnita dificil de ultrapassar,
já me foi dito...coragem M. Luísa...
Para ti, a minha muito granse amizade,
M. Luísa
Tens razão, amiga! A viagem é mesmo um risco. Só percebi isso no dia em que o Poeta Zarolho fez o favor de me levar à consulta de urgência. Falávamos de ti e eu recordo-me de lhe ter contado que estavas proibida, pelo médico, de andar de carro, por causa da trepidação. Ele lembrou logo que a viagem de avião também podia ser perigosa por causa da turbulência que sempre se faz sentir com maior ou menor intensidade... e tem razão. Esquecemo-nos da turbulência...
EliminarNão te preocupes em me acompanhar, amiga! Eu própria não consigo acompanhar o meu ritmo de há uns tempos...
Um enorme abraço e vê se consegues fazer coincidir a viagem com um período em que estejas completamente sem dores. Eu sei que não é fácil, mas não deves esforçar-te minimamente durante as crises dolorosas...
Um enorme abraço e que possas ficar bem muito, muito rapidamente!
“Virose”
ResponderEliminarO ano acaba este ano
E o mês no fim do mês
Mundo acaba outra vez
Até já existe um plano
Faz-se mais uma cimeira
Decreta-se a calamidade
Por manifesta incapacidade
Doença afecta a terra inteira
Impõe-se depois o remédio
Para essa doença debelar
Incapacidade volta a atacar
Vírus já não sente o assédio
Prepara-se para nos minar
Quantos poderão escapar?
Prof Eta
“Mar de esperança”
ResponderEliminarEnquanto corre n’areia
Desabafa com o mar
Futuro melhor anseia
Espuma parece escutar
São pegadas d’esperança
Que se desenham no areal
E cedo veio a mudança
Parecia já tarde afinal
Alcança quem sabe esperar
Os tesouros desta vida
São momentos sem par
Que não vou poder explicar
Tens que fazer a corrida
Para os poderes alcançar.
É lindo, o mar que descreve
EliminarE a sua praia encantada
Que a onda, ao bater de leve,
Deixa de branco enfeitada...
Mas, pr`a mim, que já mal ando,
Fica de parte a corrida...
Apenas me vou esforçando
Pr`a não perder já a vida,
Pr`a cuidar dos meus "patudos"
Cada noite, cada dia,
Que, afinal, são uns sortudos
E à vida têm direito
Tal e qual como eu teria
Se não fosse este defeito...
Olá, Poeta! Hoje vim com a minha bicheza à flor da pele, pelos vistos... pelo menos deixei-lhos por cá... amanhã é dia de exames, não sei se consigo vir...
Abraço grande!
OUTRA ORQUESTRA
ResponderEliminarValsaremos com acerto
Se ela em Viena tocar
Tango fora do lugar
Se em Paris for o concerto
Já no sul peninsular
Ouvirás o desacerto
Que resulta do enxerto
Dum fado a sapatear.
Nesta Europa em agonia
A orquestra que predomina
Arrasta-se em sinfonia
De uma marcha fanática…
O maestro, é maestrina
E a batuta, uma suástica.
Eduardo
Olá, meu amigo Eduardo! :)
EliminarNem sei como responder...
Só de a ler, já me arrepia
Essa imagem da mulher
De alma de ferro, vazia!
Mas também não sei, sequer,
Predizer o que faria
Se ela viesse a poder
Tudo quanto, afinal, queria...
O melhor será passar
Ao cantar de intervenção
De que me estou a lembrar
E, se o canto não bastar,
Resolva-se a situação
Que, assim, não pode ficar!
Têm sido lindíssimos, os seus sonetilhos, meu amigo. Eu, invariavelmente, respondo-lhe "em cima do joelho" e a correr...
Espero que tudo esteja bem consigo, sua esposa e amigos que não tenho tido tempo para contactar... aliás, por este andar, qualquer dia nem tempo consigo para ler aquilo que gostaria de conseguir ler... :)
Deixo-lhe um abraço grande e vou tentar responder ao seu Pedro.
Maria João
“Sociedade call center”
ResponderEliminarNa sociedade formatada
O call center já te atende
Reclamação foi registada
Resolução essa depende
Vamos consultar manuais
Ligação está impedida
Já há indícios formais
Afinal tem direito à vida
A uma vida em sociedade
Doze andares acima do chão
Onde não conhece o vizinho
No centro da grande cidade
Call center emite a conclusão
Tem direito a morrer sozinho.
Compreendo. Esse flagelo
Eliminar- solidão não procurada -
Lança agora um novo apelo...
Dantes, não lançava nada...
De repente conscientes,
Vamos descobrindo irmãos
Que ficaram dependentes,
Que estão sós, que não estão sãos...
Palavra sempre foi laço,
Mas faz falta uma presença;
Dia a dia, um gesto amigo...
[eu, posso o pouco que faço
e perco, desde a nascença,
dia a dia, o medo ao perigo...]
Olá, Poeta! Já fiz os dois primeiros exames mas não cheguei a tempo de almoçar. Estarão prontos no dia 8, de manhã. Estou muito, muito cansada porque... olhe, porque tudo me cansa fisicamente. Acho que tenho de me começar a adaptar a esta velocidade reduzida. Infelizmente, gradualmente mais e mais reduzida. A velhice, para mim, veio com uns aninhos de avanço :)
Abraço grande!