(DES)ARMADOS


(DES)ARMADOS


 


Armados da certeza que não morre,


Seremos sempre os filhos da verdade


E, sobre esta injustiça que nos cobre,


Semearemos cravos de vontade!


 


Armados, desarmados… como seja


Próprio ao desenrolar deste momento,


Anularemos jugo, insulto, inveja,


Daqueles que nos roubaram o sustento!


 


Cairão sob as armas que não temos


Aqueles que acreditarem que os tememos


E uns tantos que se vendem ao poder


 


Porque amanhã decerto venceremos


E (des)armados vamos porque cremos


Que quem de amor se armou, tem de vencer!


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 14.02.2012 – 13.38h


 


 


 


Imagem retirada do mural de G Moura Moura, no Facebook

Comentários

  1. “Nascer ao sol”

    Nascer em Portugal
    Antes valia não fosse
    Uns com febre andam mal
    E outros cheios de tosse

    Com catarro e rouquidão
    Muitos também há por aí
    Outros mal do coração
    E com caspa também vi

    Há as taxas moderadoras
    Do sistema hospitalar
    Para moderar as entradas

    Não vi taxas franqueadoras
    Para o acesso franquear
    Mas vi sol nas esplanadas.

    Prof Eta

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    1. Ah, que pena! Deveria ter deixado aqui aquelas sextilhas zangadas... aqui seria o sítio mais correcto...
      Vou buscá-las e faço, depois, uma resposta para o outro sonetillho :)

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    2. Venho aqui pr`a vos contar
      Que o despacho de saúde
      Que me cobria as receitas,
      Já deixou de vigorar!
      Compro antes um ataúde
      Pr`a ficar de contas feitas!

      Hoje, em dois medicamentos,
      Vou gastar mais que o que tenho
      Porque já não tenho nada!
      Não se queixem dos lamentos
      Porque eu vou franzir o cenho!
      Não fico neutra e calada!

      Não compro e também não calo
      Quanta injustiça flagrante
      Venha em novas directrizes!
      Quantas mais surgem, mais falo,
      Porque o que é mais importante
      É, ver do mal, as raízes!


      Abraço, Poeta! Esta denúncia é verdadeira - pelo menos passou a sê-lo hoje, na consulta - e eu não tenciono MESMO calar-me sobre o assunto. Desculpe ter-me saído em sextilhas-meias-mancas...
      Até já!

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  2. “Doce sabor amargo”

    Existe uma forma de amor
    Ou pelo menos um milhão
    Quantas haverá de desamor
    As de todos os sem coração

    Que povoam a terra inteira
    E se deleitam a criar o terror
    Com que dormem à cabeceira
    Saboreiam o nosso amargor

    Como uma doce sobremesa
    Somos a gelatina a tremer
    O doce de amêndoas e mel

    Há que colocar sobre a mesa
    Um prato de carne a feder
    E um doce com sabor a fel.

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    1. Gelatina, em tremedeiras,
      Só se estiver com febre alta...
      Mas ele há tantas maneiras
      De a comida fazer falta...

      Aos que semeiam terror,
      Desejo boa viagem...
      Que me façam o favor
      De ir falar pr`a outra margem,

      Que eu, hoje, estou tão zangada
      Que não quero, nem aceito,
      Ser convocada outra vez

      Pr`á farsa mal "amanhada"
      Da legislação que enjeito
      E pr`á falta de "porquês"!


      Olhe, foi o que saiu, Poeta... acho que estou mesmo, mesmo muito zangada com estas mudanças que vão acabar por - lentamente - matar tanta gente. Não sou tão parva quanto isso e não sou - de todo - ignorante na matéria e não estou a exagerar quando digo que estas medidas vão MESMO matar gente. Nos doentes crónicos, então, sobretudo nos reformados e nos que estejam desempregados e, como eu, a receber o RSI, vai ser uma bela razia! Eu não tenho em grande conta a inteligência e a sensibilidade dos senhores que estão, de momento, a fazer de conta que representam o povo português... ou as gentes portuguesas, se assim preferirem, mas não podem ser TÃO ESTÚPIDOS que nem sequer vejam que estão a matar os seus semelhantes!

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  3. Há uma certeza que não morre, enquanto eu tiver para um depósito de gasóleo a Mª João há-de ter para os seus medicamentos, nem que eu vá de bicicleta para o trabalho.

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    1. Só agora vi, Poeta! Não pense nisso! O que me vai valendo é que ainda tenho umas caixinhas em casa... não dá para muito tempo, mas dá para eu fazer muito barulho! :)
      E já estou a sorrir... um abraço e muito obrigada!

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  4. Parece que está mesmo zangada, e tem razão para isso porque tem toda a razão quando diz que estão a matar as pessoas com menos poder económico, quantas vezes as pessoas estão doentes e deixam-se estar a ver se passa porque não podem paga as taxas moderadoras e os medicamentos,Mas estas coisas os nossos DES/governantes não vêm e isso é muito grave.
    Temos de continuar a reclamar embora isso não nos sirva de muito mas pelo menos desabafamos.Um enorme abraço

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    1. Um enorme abraço e muito obrigada pela sua visita, amiga Idalina!
      Neste momento, o que me parece gravíssimo é que as pessoas com doenças crónicas estavam abrangidas por um regime de gratuitidade na medicação comparticipada e agora não estão... a não ser que tenha sido mais um erro no sistema do centro de saúde... mas acho que não! A minha médica foi-se informar com uma colega e só depois me veio dar a "boa notícia"...
      Beijinho e, quando quiser, tomamos um café! :)

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  5. “Cidadão não”

    Está caduco estado social
    Caducou no mês passado
    Passaram licença especial
    Até à renovação do estado

    Mas parece impossível
    Um estado de renovação
    Vejo um estado sofrível
    Não sinto qualquer aptidão

    Para uma política social
    Já não conta o cidadão
    Só já conta o contribuinte

    Este cidadão está a passar mal
    Proponho a sua revogação
    Que venha o cidadão seguinte.

    Prof Eta

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    1. :) Olá, Poeta! Tenho estado muito "não presta" durante todo o dia... até o acordar foi ridículo porque acordei quase à 1 da tarde e andei imenso tempo a pensar que eram 8 da manhã...
      Não sei se vou, ou não, conseguir responder em sonetilho mas, para já, deixo-lhe aqui este link para divulgação http://www.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fwww.manifestosns.tk%2F%3Fcat%3D6&h=qAQFydRH-

      Estou nesta plataforma desde o seu início e acredito que se está a desenvolver um bom trabalho, mas seria conveniente divulgar mais e por o link à disposição de pessoas que estejam dispostas a dar o seu testemunho. Até agora só lá estão dois testemunhos meus e parece que há mais um ou dois... acho pouco. Precisamos de gente que denuncie.
      Até já e um grande abraço!

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    2. Quem está caduca, sou eu,
      Que já nem rimo, nem nada...
      Não sei bem o que me deu
      Que pareço apalermada...

      Deve ter sido do choque
      De saber as "novidades"
      E o resto veio reboque,
      Até fiquei com saudades

      Da anterior legislação
      Que se aplicava aos doentes
      Das doenças incuráveis...

      Pagando a medicação
      Ficam pior que indigentes
      Com vidas insustentáveis!


      Ai, parece que isto não me sai da cabeça... nem a rimar! Acho que deixo o outro para amanhã... ainda o vou ler, mas acabo sempre a falar do mesmo...
      Beijinho!

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  6. “Nova Pietà”

    Na aflição foi descoberta
    Está o filho morto ou ferido
    A nova Pietà não é de pedra
    Chaga infligida a ente querido

    É a mesma de sempre afinal
    Seja em pedra ou carne e osso
    A chaga dos tempos é social
    Cavada pelo imenso fosso

    Agravada pela incompreensão
    Surdez profunda da humanidade
    Não ouve a constante revolução

    Em marcha nesta sociedade
    Onde um dia talvez pelo perdão
    Surja límpida outra realidade.

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    1. Que imensa chaga social!
      A nós, que nela vivemos,
      Cabe enfrentar esse mal
      Com toda a força que temos!

      Nós seremos responsáveis
      Pela vida do futuro
      E seremos incansáveis
      A derrubar esse muro

      Que tem sido esta indiferença,
      Este não darmos por nada,
      Este deixar-nos levar...

      Que a nossa humana presença
      Possa ser iluminada
      Pela certeza de lutar!


      Este saiu-me directamente no teu blog, Maria Luísa... o Poeta que me desculpe...
      também não interessa porque eu levo-o sempre aos dois... mas achei curioso porque já estou tão cansada que pensava nem responder hoje.
      Abraço grande!

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  7. Querida Professora Olga

    APETECE-ME CHORAR

    Cinco meses,dia adia
    vieste, querida Professora,
    de longe p´ra me ensinar.
    No rosto sempre alegria
    e amor para me dar.
    E agora, vais-te embora...
    Apetece-me chorar!

    Na tua casa distante
    deixavas o teu filhinho,
    quantas vezes a clamar
    em vozinha soluçante
    e tu vinhas me entregar
    o que era dele... o carinho.
    Apetece-me chorar!

    Nunca mais te esquecerei
    Professora dedicada.
    Sempre me hei-de lembrar
    que muito do que eu sei
    trouxeste no meigo olhar
    em viagem arriscada...
    Apetece-me chorar!

    Guardo-te de recordação
    dentro meu coração

    Eduardo ( por Vicente )

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    1. Ando muito desfasada dos meus amigos poetas-comentadores... só agora vejo esta pequena pérola... mas... fico palerma de todo! Não pode ter sido o pequeno Vicente - o seu neto - a fazer este poema tão complexo! A não ser que estejamos perante o Einstein da poesia!
      Tê-lo-á escrito - ou adaptado - por ele, certamente...
      Coitadinho, certamente sentiu a falta de uma professora... :)
      O meu abraço para vós e um especial para ele!

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    2. Foi o avô que escreveu para o Vicente levar à professora que se vai embora.

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    3. :) Eu, numa segunda reflexão, vi que só poderia ser assim... mas esta coisa de associar muito rapidamente o poema ao autor cujo nome surge por baixo, assustou-me durante uma fracção de segundo! :)) Pensei, por um instante, que o Vicente fosse o maior génio da poesia mundial de todos os tempos :))
      Um enorme abraço para todos vós :)

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  8. “Bulimia”

    A Grécia não é a Grécia
    Portugal não é Portugal
    Depois de tanta peripécia
    Todos somos um carnaval

    Os políticos são os reis
    Gozam o imenso festival
    E vós povo o que sereis
    Neste grande desfile fatal

    Somos pais da democracia
    E reis da ingovernabilidade
    Contribuímos para o repasto

    Desta gula que é bulimia
    Onde comem até à saciedade
    Para vomitar de imediato.

    Prof Eta

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    1. É mesmo isso que pretendem
      Mas não hão-de consegui-lo
      Porque os povos não se rendem
      E até eu estou a senti-lo!

      Tenho, porém, a certeza
      Que nem todos são iguais;
      Uns dos sentados na mesa
      São "lacaios funcionais"

      Do capitalismo abjecto
      Que serve o seu deus-dinheiro,
      Outros, são povo também!

      Uns "alinham" no projecto
      De ficarem "no poleiro",
      Outros lutam muito além!


      Até já, Poeta! :)

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  9. “Prosa nossa”

    Poesia grande mentirosa
    Vê soluções onde não há
    No drama solução jocosa
    Da comédia a chorar sairá

    E a nossa vida desditosa
    Em breve se transformará
    Numa comédia bem gostosa
    Em que o mal desaparecerá

    E se poeticamente falando
    Não mais a vida vergonhosa
    Que sabemos sempre haverá

    Mas em poesia disfarçando
    O pior é quando fôr em prosa
    Tod’a normalidade retornará.

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    1. Há poesia que não mente
      Porque só sabe dizer
      Que é feliz, que está contente,
      Ou triste, por não o ser...

      E, às vezes, até na prosa
      A verdade vem impor
      A crueza de uma rosa
      Que murchou de desamor...

      Nada tem a ver com formas
      E sim, com quem vai escrevendo...
      Que interessa se prosa ou verso

      Se está liberta das normas,
      Se o que sente vai dizendo
      Por mais que lhe seja adverso?


      Olá, Poeta! A minha net ficou meia maluquinha, de novo... mas acho que já estabilizou um pouco.
      Até já!

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  10. E faço das tuas as minhas palavras Maria!
    Eles que venham, a nossa esperança será a última coisa a morrer :)

    Um soneto brilhante ;)

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    1. Olá, Paper! A vida está a tornar-se insustentável para um número crescente de portugueses... vive-se um momento de enorme tensão social, amiga.
      Um abraço grande e obrigada!

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  11. “Cigarras de Portugal”

    De errado em Portugal
    Só vejo os portugueses
    Que sabem gerir-se mal
    E a culpa é dos chineses

    Chegaram os milhões
    D’Europa muito amiga
    Não entro em discussões
    Mas foi encher a barriga

    Recebemos agora a factura
    Não se investiu na produção
    Fomos cigarra, bela cantiga

    Folia é boa enquanto dura
    E agora que mudam a canção
    Vejo cigarras e nenhuma formiga.

    Prof Eta

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    1. Cigarra também trabalha
      Que o seu canto tem função
      E uma função nunca falha
      Por mais que pensem que não!

      Cigarra trabalha duro,
      Tanto ou mais do que a formiga
      E é no seu canto seguro
      Que a Primavera se abriga!

      Todos dão o seu melhor,
      Vão cumprindo o seu papel...
      Até serem espoliados...

      Se acontecer o pior
      Todos sentirão na pele
      As razões dos revoltados!


      Abraço grande, Poeta! Para todos vós! :)

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  12. “Einstein da poesia”

    Por certo Einstein da poesia
    Faria um poema atabalhoado
    Camões da ciência produziria
    Sem velocidade ao quadrado

    Da relatividade toda a teoria
    Já vejo o Pessoa da culinária
    Sem chocolate a mousse faria
    Logo depois estrofe visionária

    Brotaria da mente avassaladora
    Do mestre de culinária seu mentor
    “Esta mousse é uma fingidora

    Finge o doce tão completamente
    Chega a fingir que é doce o sabor
    Amargo que deveras se sente”.

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    1. :))) Poeta, eu sei que o erro foi todo meu... esta coisa do Facebook "programa-nos" para uma velocidade tal que eu acho que o meu neurónio manco não aguenta... :))
      Ahhh, mas este seu poema está uma delícia... e eu sem inspiração nenhuma...


      Quem me manda a mim pensar
      Com as pontas destes dedos
      E tão depressa falar
      Sem raciocínio, nem medos?

      Eu "Florbela da corrida
      Das palavras apressadas"
      Já estou muito arrependida
      De só dizer trapalhadas...

      Mas agora... há que assumir
      Que o que está dito, está dito,
      Já não o posso negar

      E "dizer o que sentir"
      Não deixa ninguém aflito...
      Senão eu, quando "pensar"... :))


      Até já!



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  13. Inspiração não falta, utupia também não.
    Simplesmente ninguém sabe para onde caminhamos.
    Abraço grande

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    1. Tem razão, amigo Artesão, ninguém sabe ao certo. Mas a maioria de nós sente a insustentabilidade desta situação e sente que precisa de fazer alguma coisa.
      Vou já fazer-lhe uma visita!
      Um abraço!

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    2. Mesmo que não consigmos, só temos uma saida, lutar.
      Agraço

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    3. Amigo, é o que eu sinto. Não me considero nenhum exemplo, mas tenho este defeito de dizer o que sinto... se não pudermos mexer-nos muito, vamos escrevendo. Eu, pelo menos, é o que vou tentando fazer.
      Abraço!

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    4. A vida não para. Não corre como nós queremos mas não podemos deixar de lutar.
      Abraço

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    5. Não podemos, não, meu amigo Artesão. Acabo de ler o seu post "De onde venho#" e estou perfeitamente segura disso.
      O maior dos meus abraços!

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  14. Lindo tudo quanto escreves!
    Dizer mais - impossível.

    Tenho outra versão da Nau
    no blogs :
    http:// Prosa-poetica.blogs.sapo.pt

    Abraço,

    Maria Luísa

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    1. Olá, Maria Luísa :) Acordei particularmente dorida, hoje... vou já até lá, ver o teu novo post!

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  15. “Caravelas de esperança”

    D. Fernando II e Glória
    De um povo marinheiro
    Escreveu linhas d’história
    Por esse mundo inteiro

    E mais linhas escreverá
    Não nesta mas noutras eras
    Que esta é demasiado má
    Tempo de fúrias e feras

    Tempo este sem lucidez
    Ao novo tempo faz apelo
    Nas caravelas de esperança

    De novo este povo português
    Se lançará ao mar tão belo
    Contra tempestade ou bonança.

    Prof Eta

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    1. Que bela nau cruza o mar,
      Que bela nau volta ao cais!
      O pintor que a quis pintar
      Deu-lhe cor e deu-lhe mais

      Porque a leva a persistir
      Além do tempo real
      E porque nos faz sentir
      Que esta nau é Portugal!

      A chegada é sempre bela
      Mas talvez a nau, partindo,
      Desminta o que eu pressenti...

      Talvez parta, a caravela,
      E alguém se vá despedindo
      Do país que deixa aqui...


      Até já, Poeta! Abraço grande! :)

      PS - Peço imensa desculpa mas a net foi-se abaixo outra vez e levei muito tempo a conseguir reabri-la...

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  16. “Poetica(mente)”

    “Poesia grande mentirosa”
    Foi exaltação de momento
    Poesia aguentou garbosa
    Sem sequer soltar lamento

    O poeta acabou por perceber
    A injustiça em vão cometida
    Vil poeta que o não chega a ser
    Lamentará até ao fim da vida

    Mas com toda a humildade
    Apresenta o formal pedido
    De desculpas também à prosa

    Fora momento de insanidade
    E descobre que havia mentido
    Não era a poesia a mentirosa.

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    1. :)) Ah, Poeta... ando mesmo piegas... agora fiquei com pena de si... mesmo! Como se tudo isto fosse muito, muito a sério...
      Vamos a ver se consigo responder sem isto se apagar tudo. A net está num daqueles dias instáveis...

      Poesia aceita e chora
      Com pena do "pecador" :))
      E, sorrindo, pede, implora,
      Que se acalme, por favor

      Pois Poesia é sincera,
      Diz o que lhe vai no peito
      E, se responde, não espera
      Causar tão profundo efeito...

      Gosta de si, esta tonta
      Que se chama Poesia,
      Que dizendo o que não deve,

      Logo fica alegre e pronta
      Pr`a consolar quem podia
      Atrever-se ao que ela atreve! :))


      Beijinho grande! Até já!

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  17. Adivinho de onde veio o título para o teu Einstein e peço-te que
    peças, por mim, desculpas à Poetisa da Linha, por ainda não lhe ter
    agradecido aquele sublime soneto que me enviou e pelos elogios com que
    quis distinguir a minha co-produção e do Vicente. Tenho andado um
    pouco alheado destas lides mas nunca esqueço o seu estro invulgar e,
    de vez em quando lá vou espreitar o que escreve para delícia de todos
    nós.
    Eu vou enviar-te a tal reabilitação da cigarra e desejar para todos
    uma boa noite. Até amanhã.

    A cigarra e a formiga

    A formiga, na carreira
    Andava desaustinada
    Sempre muito alinhada
    Sempre na mesma canseira

    E a cigarra que cantava
    De manhã ao fim do dia
    E nunca se importunava
    Afinal também vivia…

    Foi por isso que a formiga,
    Cansada do seu sofrer
    Um dia resolve ir ter
    Com a vizinha sua amiga.

    Comadre cigarra escuta:
    -Ensina-me um remédio
    Para vencer este tédio
    Esta eterna labuta…

    A cigarra, admirada,
    Respondeu sem hesitar:
    -Não sabes fazer mais nada,
    O remédio é trabalhar…

    Mas como somos amigas
    Enches-me o meu celeiro
    Não te pago com dinheiro
    Mas pago-te com cantigas.
    E, assim, daí p´ra frente
    Enquanto a sócia cantava
    A formiga trabalhava,
    Mas vivia mais contente
    E descobriu, realista
    O que não cismara antes:
    Que afinal são importantes
    As tarefas de um artista!

    Eduardo

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    1. Meu amigo Eduardo, nem sei como lhe hei-de agradecer! Sabe aquelas coisas que já estão esquecidas há muitos anos e, de repente, num clique, nos vêm iluminar como um dia de sol? Pois foi exactamente isso que me aconteceu no instante em que li este seu poema... por segundos foi como se eu tivesse viajado no tempo e estivesse a contar esta sua história às minhas filhas, ainda pequeninas! Sem a maravilha do poema, claro, mas era assim que eu contava esta história!
      Continuo sem saber como lhe agradecer... foram uns instantes de uma imensa beleza. Muito, muito obrigada! Um enorme abraço!

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  18. “Politica(mente)”

    Ao pó e ao nada reduzidos
    Final desta peça ilusória
    Em que somos seduzidos
    Numa repetição sem glória

    Muda cenário e vestimenta
    A peça até parece diferente
    Mas mais uma vez se aguenta
    Com peça igual e deprimente

    Palavra é intenção simulada
    Dita por novo actor consagrado
    No mesmo palco representada

    Pouco ou nada ovacionado
    P’la multidão sempre lesada
    Política é este jogo jogado.

    Prof Eta

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    1. Não morro de amores por ela
      Mas, no momento presente,
      Abri-lhe a minha janela
      E ela entrou cá, de repente...

      Vi-me a prestar testemunho,
      Vi-me a dar opiniões
      E cá estou, erguendo o punho
      Pr`a derrubar os ladrões...

      Nunca fui uma entendida
      Mas, burra, também não sou,
      Sei bem em quem confiar

      E reconheço que a vida
      Me pede mais que o que dou
      Estando aqui a poetar...


      :)) E foi o que me saiu, Poeta.
      Até já e um abraço grande!

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  19. “Poetica(mente) II”

    Do fado, não da poesia
    Quero extrair uma lição
    Estrofe a verdade exprimia
    Quem mentia era o aldrabão

    Quebra corações gingão
    Da escura viela de Alfama
    Típico perfil de engatatão
    De mentiroso tinha a fama

    Por vezes também o proveito
    Que uma donzela consentia
    Doutras não levava nada

    Que o não tomavam a peito
    Pois sabiam qu’ele mentia
    Punham-lhe a cara esmurrada.

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    1. Se o Fado mentia ou não,
      Isso não lhe sei dizer
      Mas pergunte ao tal gingão
      Porque, isso, ele deve saber...

      Só conheço um jovem fado
      Que, andando pelas vielas,
      Ficou todo apaixonado
      Pl`o som que saía delas,

      Que, descobrindo a guitarra,
      Logo ali jurou amá-la
      Por toda a eternidade...

      Já ninguém os desamarra
      E é vê-lo, sempre a guardá-la
      Pelas ruas da cidade...


      Olá, Poeta! :)
      Estou a comer um arrozinho... que estraguei sem querer. Não tinha sal grosso, temperei com sal de mesa e ficou salgadíssimo... de resto está bom, foi pena eu não ter tido "mão" para o temperar...

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  20. Cara Amiga Maria João de Sousa

    Senti-me verdadeiramente feliz por saber que fui motivo de boas
    recordações para a minha boa amiga e por saber por posteriores
    pesquisas nos blogs do Pedro que também é admiradora das cigarras. Eu
    sou-o não só das cigarras mas de todos os animais injustiçados durante
    séculos, desde Esopo e, por tal motivo resolvi, de moto próprio e sem
    qualquer remuneração, rever o processo La Fontainne e reabilitar os
    que durante uma eternidade foram vítimas dos maldizentes. Vou, hoje
    enviar-lhe outra peça do processo de revisão e, se mo permitir,
    enviar-lhe-ei outras, que não são muitas, pois por ora tratei apenas
    dos casos mais pungentes.
    Com desejo de um bom resto de fim de semana, eu e minha esposa
    enviamos-lhe o nosso abraço de muita amizade.

    Eduardo

    O cavalo e o leão

    Um leão bem intencionado,
    Claro que os pode haver…
    Resolveu-se a ir fazer
    De curandeiro, o mestrado

    Mandou a juba cortar,
    Vestiu-se de outros matizes
    E foi-se matricular
    Ali p´ra Vale de Perdizes

    Nas colunas dos jornais
    Anunciou seus intentos:
    Tratar doutros animais
    Gastar, assim, seus talentos

    Tudo, sem nada exigir
    Tendo por compensação
    Poder-se, assim, redimir
    Duma ou outra má acção…

    E o primeiro queixoso
    Que encontrou no verde prado
    Foi um cavalo lustroso
    Com um casco em mau estado…

    O equídeo desastrado,
    Ao saltar umas barreiras
    Foi por um espinho espetado,
    Numa das patas traseiras.

    Observou o doutor,
    Com a melhor intenção,
    A causa daquela dor
    Do sofrimento a razão…
    A besta, desconfiada
    De tanta solicitude
    Não teve outra atitude:
    Ferrou-lhe uma patada…

    O leão, meio aturdido,
    P´ra ali ficou a cismar
    Que num bicho arrependido
    Poucos ousam confiar!

    Eduardo

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    1. Meu amigo Eduardo, muito e muito obrigada! :)
      Fico à espera de outras destas pequenas maravilhas que me envia. Nem imagina o que eu aprecio e como me revejo nelas! Eu, como já lhe disse sem o seu génio poético - nessa altura eu era muito jovem e apenas funcionava como narradora de histórias para as minhas filhas e outras crianças que sempre andavam por esta casa - sempre "reinventei" as fábulas de forma a torná-las menos castigadoras para alguns bichos que, nas narrativas originais, eram menos afortunados.
      Estas suas estrofes estão uma maravilha!
      O maior dos meus abraços para si e sua esposa! Continuo sem saber como lhe agradecer... nem sequer me consigo recordar nitidamente de uma ou outra quadrazita que, na altura, ia fazendo, ao sabor da narrativa. Só me lembro que quando as mais velhas começaram a crescer, refilavam comigo dizendo que eu estava a "inventar" e a estragar a estória :)) Elas eram, no essencial, muito mais conservadoras do que eu! Parece-me que ainda hoje o são... :)))
      Desculpe-me estas intermináveis reminiscências... um beijinho para os pequeninos, incluindo o involuntariamente promovido a "Einstein da Poesia"! :)

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  21. “Serenidade”

    Este povo é sereno
    No eterno carnaval
    País é bem pequeno
    Ninguém leva a mal

    Há cocktails pelo ar
    São os de mau cheiro
    Não são de rebentar
    Só assobiar o primeiro

    Ministro de coragem
    Enfrentou a criadagem
    Deu seu peito às balas

    Subiu logo na sondagem
    Assim não fará as malas
    Presidente não te ralas?

    Prof Eta

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    1. É sereno, mas começa
      A acordar de um fundo sono
      E a quem lhe fez tal promessa
      Deixa agora ao abandono...

      No entanto... umas amigas
      Com quem acabo de estar
      E que são um pouco "antigas"
      Não se cansam de afirmar

      Que as taxas moderadoras
      Nem sequer são muito caras
      E que a saúde privada

      Lhes trouxe muitas melhoras!
      [e eu presa nas anteparas
      de quem luta para... nada!]


      :( Assim foi, Poeta... talvez por isso eu esteja ainda em "modo stand by"...
      Abraço grande!

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  22. “Infinito”

    Se alcançares o infinito
    Teu potencial concretizado
    Numa escultura em granito
    Ou pequeno gesto isolado

    Usa o tempo interminável
    Para o objectivo alcançar
    Na procura sê incansável
    Sem pressas de lá chegar

    Sei que é longa caminhada
    Mas as recompensas virão
    Que o infinito é inesgotável

    Com o tempo de mão dada
    Nunca duvides da tua razão
    Será o infinito alcançável?

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    1. Quando eu era pequenita
      Costumava perguntar-me
      Se a lama, sendo infinita,
      Poderia ultrapassar-me,

      Porém a maturidade
      Ao dizer que já chegou
      Faz-nos logo a caridade
      De dizer que isso passou

      Infinito... é infinito,
      Significa não ter fim
      E eu, que sou humana, tenho...

      Digo isto porque acredito
      Que o que hoje sobrou de mim
      Não tem assim tanto engenho...


      Olá, Poeta! Foi hoje buscar uma das grandes dúvidas existenciais de quando eu era assim, como me vê na fotografia do blog... hoje, noutro tipo de conversa, dir-lhe-ia que a Arte é a única forma de nos transportar até lá... mas estaria a exagerar, certamente, e logo voltaria a responder-lhe o mesmo que acabo de dizer neste sonetilho. Gosto imenso de filosofar mas só costumo fazê-lo nos meus sonetos e nos meus rabiscos... quando rabiscava. Sou muitíssimo mais pragmática do que pareço... sobretudo hoje que acabo de estar numa mesa com amigas mais velhas do que eu... hoje, nem sequer me atreveria a dar um passinho nesse terreno! :) Imagine que eu começava a meter os pés pelas mãos?! Sei bem que esta necessidade de manter os pés bem assentes sobre a terra, um dia destes se deixa de fazer sentir com tanta urgência... e lá volto eu a soltar-me :)

      Abraço grande! :)

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    2. :o !!! Credo, Poeta! Está a ver como eu tinha razão? Já estou com a" dislexia do cansaço extremo"! Onde se lê "lama" deve ler-se "alma"!
      No segundo verso da primeira estrofe, se me não engano...

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    3. No seu, emendei :) no da Maria Luísa, ainda fiz outra emendazita... mas já nem me lembro qual foi...

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  23. “Pacto com satanás”

    A lama sendo infinita
    Representa-nos bem
    Nossa estupidez bendita
    Sendo infinita também

    Só assim pode justificar
    O estado de indiferença
    Que nos leva a ignorar
    A verdadeira sentença

    Chegará o julgamento
    Nosso irmão injustiçado
    Num estado de descrença

    Não resiste ao chamamento
    Há chamas por tod’o lado
    Com satanás fará avença.

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    1. Não acredito em Satã
      Mas os males que representa
      Já não serão coisa vã
      Pois muita gente se tenta

      E são cegos, não entendem
      Que a vida é indissolúvel
      Dos laços que aqui a prendem...
      Toda essa gente volúvel

      Se deixa tentar em vão
      Ou por coisas de momento
      Que vão desgastando tudo

      E acreditam ter razão
      Embora a Terra, em lamento,
      Lhes lance outro apelo mudo...


      Olá, Poeta! :) Já publiquei outro soneto em post. Assim fica menos difícil de publicar os sonetilhos e eu estava mesmo a precisar de o escrever... fico "esquisita" quando estou muitos dias sem publicar em post... é como se me estivesse a faltar qualquer coisa essencial :)
      Abraço grande!


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