O AMOR NA VERSÃO CURTO-CIRCUITO
Falaste das paixões, sem ter paixão,
Do imenso jejum de alma em que te viste,
Da abstracta situação, confusa e triste,
De enfrentares tanta vã contradição,
Ponderaste a remota solução,
Mas nem sequer ergueste o punho em riste
E eu já não sei sentir como sentiste,
Nem posso perdoar-te essa traição...
Falaste por falar, nada sentindo
E eu, calada, absorta, fui-te ouvindo
A confissão gongórica e estudada
Até, por fim, dizer-te que, mentindo,
Mais te não garantia seres bem-vindo
Do que se não dissesses mesmo nada…
Maria João Brito de Sousa – 10.02.2012 – 18.19h
Um soneto bastante verdadeiro Maria... hoje em dia parece que a traição está na "moda", infelizmente :/
ResponderEliminarComo tens andado? :)
Olá, Paper! :)
EliminarAo contrário do habitual, este soneto foi todo ficcionado. Poderia ter sido baseado em algum acontecimento da minha vida, mas não foi... acho que estava a reflectir sobre os conflitos que surgem nos casais - de forma generalista - e veio-me este poema, nem sei bem como :) porque eu sou muito mais virada para a observação e exploração do que para a ficção propriamente dita... penso que estou em fase de explorar situações que não vivi, mas que acontecem ao meu redor...
Vou já visitar-te!
“Guerra económica”
ResponderEliminarNão é necessário destruir
O mundo, apenas metade
Pois é preciso reconstruir
Nova e distinta realidade
Destruição está em marcha
Económica guerra mundial
Não pára, ou vai ou racha
Que nova realidade afinal?
Retrocesso atroz é imposto
P’los famigerados mercados
E enquanto o planeta rodar
Não há inteligência ou rosto
Que encaminhe os deserdados
Só o lucro nos pode comandar.
Prof Eta
Lucro! Eis o grande causador,
EliminarO engodo, a isca, o verme!
Atrás dele vai o doutor
E o cidadão mais inerme!
Lucro! Lucro e exploração
Sempre andaram de mãos dadas
E poucos dizem que não
Às armadilhas armadas!
Nós é que temos de impor
Um retrocesso aos mercados
Até que haja dignidade
Ou eles levam a melhor
E em nós, feitos em bocados,
Já nem sobra humanidade!
Um abraço grande! A net parece estar mais sossegadinha agora...
“Mausoléu”
ResponderEliminarQue ninguém se martirize
Sobretudo os que consomem
O homem inventou a crise
E a crise destruiu o homem
Que construam o mausoléu
Para encerrar esta herança
Dos genes que lançam o breu
Destruindo qualquer esperança
Todos mortos, todos iguais
Ou uns mais iguais que outros?
Não há vivalma p’ra responder
Meus direitos eram fundamentais
Mas nunca os direitos doutros
A todos restou o direito a morrer.
Quero acreditar que a vida
EliminarNa sua força imparável
Não irá ser destruída
Neste esquema incontrolável,
Mas talvez a guerra surja
Deste caos inconcebível
E que um amanhã nos urja
Pr`a torná-la mais possível...
Mas, muito pelo contrário,
Talvez a Terra, em revolta,
Se nos não dê, nos negue
E o bichinho mais primário
Que ande por aí à solta
Seja, só ele, que o consegue...
Olá, Poeta! Estou a escrever numa ligação que, às vezes, não me dura mais do que alguns segundos... não sei se ainda conseguirei publicar este sonetilho...
Abraço grande!
Para deixar um grande abraço nesta sua biblioteca de cristal que tanto brilha com tanta e tão bela poesia.
ResponderEliminarAbraço GRD
:D Obrigada, Eva!
EliminarUm enorme abraço para si!
“Nação valente”
ResponderEliminarUm dia a troika disse mata
Governo acrescentou esfola
Depois da alta negociata
Acabámos a pedir esmola
Língua de palmo p’ra pagar
O resultado da gestão danosa
Com que quiseram brindar
Nação forte, alma vigorosa
Não se vai deixar assustar
Mesmo depois de esfolada
Continuará a caminhar
Como exemplo apontada
Muitos nos virão estudar
Pela valentia demonstrada.
Prof Eta
“Demónios de Atenas”
ResponderEliminarEm Atenas demónios à solta
Desprovidos de sentimento
Instalam na ruas tal revolta
Perturbam anjos no parlamento
Que não conseguem trabalhar
Logo chamaram a autoridade
Para os demónios gasear
E poder aprovar austeridade
Missão cumprida finalmente
Os demónios foram exorcizados
Podem os anjos dormir em paz
Doravante tudo irá ser diferente
Não mais mercados excitados
E a revolta social aqui jaz.
Dos "anjos" parlamentares
EliminarAlguns foram despedidos...
Cá fora atroam-se os ares
Num protesto indesmentido...
Mas, nessa atoarda imensa,
Ninguém evita a desgraça
Que o Parlamento condensa
E a austeridade passa...
Em Barcelona, há bocado,
Mais gente manifestava
Grande descontentamento
Eu ouvindo, deste lado,
Estava com quem lá gritava
E - garanto! - não lamento.
Olá, Poeta.
Amanhã é dia de consulta e eu ainda tenho uma publicação a fazer no Face, para além de estar cheia de sono e dores de cabeça... deixo o outro sonetilho para depois, está bem?
Abraço grande!