CATORZE VERSOS PROFUNDAMENTE PIEGAS


Por vezes não distingo muito bem,
Nem conheço quem saiba destrinçar,
Se o que aqui faço é mesmo trabalhar
Ou forma de queixar-me a mais alguém…

Sendo provável não haver ninguém
Que o desdiga ou que o possa confirmar,
Que o julgue, então, a Terra, o fundo mar
E toda a esfera azul que me contém…

Que a dor se me alivie um poucochinho,
Que a luz que me vestiu de puro linho
Possa transparecer no que vos deixo

E que despertem sempre algum carinho
Palavras que ressoem mais baixinho
Por falarem tão só do que me queixo…





 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 23.03.2012 – 21.35h


Comentários


  1. Um maravilhoso fim de semana

    piscadela
    por não saber
    em que palavras ou tela

    desejar...

    xoxo dos calhaus frios da Serra

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    1. Obrigada pela florzinha e pela visita, Anjo da Esquina!
      Um calhau frio da serra, era bem capaz de vir a calhar para a minha dor de dentes que já dura há uns dois dias... :(

      Abraço grande!

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    2. um grande fim de semana...

      e os dentes...fiuuuuu
      também sou dos que sofre que nem penitentes...

      Tantum

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    3. Amigo, o Tantum já não faz absolutamente nada a uma infecção que já tem abcesso e tudo... isto está mauzito...
      Abraço!

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  2. “A torta da Maria”

    A Maria está afastada
    Mas já esteve mais perto
    E não lhe ligavam nada
    Ele há muito chico esperto

    Vão apodrecer bem longe
    Vão pregar p’ro deserto
    Vão estudar para monge
    Que aproveitarão decerto

    Eu de vós não aproveito
    O mais ínfimo bocado
    Quando passavam à porta

    Nem mostravam respeito
    A cara viravam p’ro lado
    E eu agora é que sou torta.

    Prof Eta

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  3. “Operário Brasil”

    Os fazedores de ídolos
    Jogam com o preconceito
    E outros conceitos pérfidos
    Fabricam o ídolo perfeito

    Atrás seguem os vira-latas
    Que sendo homens erectos
    Podiam ser de quatro patas
    Por serem tão abjectos

    E assim vamos seguindo
    Até a consciência dizer não
    Contra doutor e banqueiro

    Que nos estão diminuindo
    E o operário em construção
    Governe o mundo inteiro.

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    Respostas
    1. :) O Operário em Construção! Um dos meus poemas favoritos!
      Como lhe disse, Poeta, não estou em condições de rimar nada com nada, mas pode ser que as dores estejam mais suportáveis amanhã.
      Abraço grande!

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  4. Respostas
    1. DIA DA LIBERDADE

      (para Maria João de Brito Sousa)

      Liberdade eu também quero
      Como a luz que me alumia
      Quero-a tanto que a não quero
      Para a ter só por um dia.

      Ao meu País, eu espero,
      Há-de chegar, todavia
      A liberdade que eu queria
      E quero, com desespero.

      Não liberdade de alguns
      Que vivem p´ra usurpar
      E a não querem p´ra nenhuns…

      Nem aquela liberdade
      Hirta, de braço no ar,
      De costas para a cidade.

      Eduardo

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    2. Ainda consegui ler o seu sonetilho que muito lhe agradeço, amigo Eduardo!
      Peço desculpa por não conseguir responder. Tenho estado a "tentar" jogar xadrez para me esquecer da dor de dentes, mas estou a jogar pessimamente. Não estou, sequer, em condições de responder em prosa. Peço, mais uma vez, desculpa e deixo o meu abraço para si e esposa!

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  5. Não achei nada de piegas nos teus versos Maria, gostei bastante :)
    Como tens andado? Espero que melhor ^^
    Tenho andado um pouco ausente, daí não andar a par das coisas :$

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    Respostas
    1. Paper! Cá estás tu! :D
      Eu, ontem, ainda respondi a este teu comment mas a net foi-se abaixo e eu estava com demasiadas dores para me conseguir concentrar em reiniciar tudo...
      Obrigada e um abraço grande, amiga!

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  6. Não me pareceu pieguice.
    Pareceu-me sentido profundamente

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    Respostas
    1. :) Foi sentido, foi, Golimix... é piegas porque só fala de mim e das minhas maleitas...
      Beijinho e desculpa já não te conseguir ir visitar. O abcesso ainda não diminuiu e, neste momento, as dores estão a "apertar".
      Beijinho!

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  7. É mesmo trabalho muito sofrido e o que nos deixa é muito.
    Grande abraço

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    Respostas
    1. Amigo Artesão, estes sonetos, muito centrados em mim e no meu desconforto físico, não fazem muito o meu género. É bem possível que tivesse sido melhor eu nem os publicar... mas fi-lo porque é a única coisa que me sai num estado destes...
      Grande abraço!

      Eliminar
    2. Obrigada, amigo Artesão! Desculpe mas só agora encontrei estas suas palavras. Estou a começar a ficar perdida nas minhas caixas de correio e perfeitamente incapaz de responder a todas as solicitações que exijam continuidade...
      Abraço!

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  8. “Coro dos escravos”

    Dorso das asas douradas
    Transporta o pensamento
    As colinas são as estradas
    Vais além do sofrimento

    Da alma marcada a fogo
    Que mais parece um tição
    És tornado homem novo
    E fogo atinge o coração

    Choras a pátria perdida
    E todo o tempo que passou
    Memória no peito se cravou

    Desta ausência terra querida
    Teu destino não mais lembrou
    Nunca por ti a história rezou.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Que a História mais importante
      Seja saber que o que faço
      Nunca me torna hesitante
      E vence o próprio cansaço

      Pois se houvesse muitos mais
      A pensar desta maneira
      Talvez outros ideais
      Impedissem tanta asneira...

      Dói-me tudo e já não sei
      Se hei-de, ou não, continuar
      A caminhar como outrora

      Mas, dos passos que já dei,
      Nunca me hei-de envergonhar
      Até me ir daqui embora.

      Bem, eu devia era ir deitar-me um bocadinho, mas ainda me saiu este, apesar do acumular de maleitas... também não posso ir deitar-me... consiga ou não, tenho de ir buscar areia para os gatos. Um dia destes, ainda fico pelo caminho... :))
      Espero que as férias estejam a ser bem divertidas!

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  9. Olá minha amiga, como sempre os seu sonetos fascinam-me.Eu acho que é uma maneira de protestar muito delicada e culta.Mas consegue transmitir aquilo que está sentindo.É pena que ninguém dê ouvidos a estas queixas que são tão reais.Um grande abraço e um bom domingo

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    Respostas
    1. Boa tarde, minha amiga! Peço desculpa. A minha situação tem vindo a piorar a todos os níveis e as minhas dificuldades na marcha, também... mas, neste momento e há já alguns dias, tem sido uma tremenda dor de dentes e ouvidos que me tem mantido afastada até do computador e das habituais respostas em sonetilho.
      Há pouco, surgiu um, sem qualquer tipo de qualidade mas que funcionou muito bem enquanto desabafo. Decidi publicá-lo mas não sei se vou conseguir estar muito tempo a teclar. Não me sinto nada bem e tenho um milhão de razões bem palpáveis para estar assim. Mas ainda lhe tentarei fazer uma visita.
      Enorme abraço!

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