NÃO DESISTIR, ROSNANDO...


 


Aqui maldigo a dor que não se inventa,
Aquela que transforma o gesto em dor,
A que arrasa e destrói aquel` que enfrenta
Aquilo que na vida, há de pior

E "rosno" contra a dor que me atormenta
Como se assim pudesse pressupor
Que se sumisse, quando o que a sustenta
É nem sequer saber o que é temor…

Mas, apesar de tudo, ao enfrentá-la,
Ao dizer-lhe que não me irei render,
Ao renegá-la, ao resistir-lhe tanto,

Talvez seja possível controlá-la,
Mesmo que ela não pare de doer;
Rosnar-lhe-ei assim que evoque o pranto.


 


 


 


Maria João Brito de Sousa - 25.03.2012 - 15.31h


 


 


 


 




Comentários

  1. Deixo-lhe um que já fiz há uns tempos,

    A força do Adamastor!

    Preciso de força,
    Força para soprar,
    Soprar para bem longe!
    A dúvida que pressiona, a tristeza que ensombra, a dor que se demora...

    Preciso tornar-me no Adamastor
    Soprar as más marés,
    As más ondas
    e ficar...

    Ficar assim...
    Assim em silêncio.
    Só a existir no abraço do teu sorriso...


    E porque está tudo na preguiça, eu também vou preguiçar....

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. :D Obrigada, Golimix!
      Gosto deste teu poema! Não importa que a minha dor seja muito mais física e nem sequer se dê ao luxo de me dar um pouco de espaço para ter tristezas ou dúvidas. Entendo, ainda que esta dor de dentes e ouvidos me tenha transformado, pontualmente, num bicharoco egoísta que só consegue tentar concentrar-se no seu próprio alívio.
      Não devo conseguir responder a mais comments por hoje. A net, ontem, estava muito instável e eu, com febre e dores, fico sem paciência para estar constantemente a reiniciar a ligação... mas ainda te respondi, a ti e à Paper Life. Fui ao teu blog e deixei lá um comment que se "evaporou" numa quebra da ligação...
      Beijinho!

      Eliminar

  2. sei como são essas dores
    vemos tudo sem muitas cores....

    muita coragem

    uma boa noite de sono...se
    jocas

    ResponderEliminar

  3. Oh querida poeta! Espero que estejas melhor da maldita dores de dentes! eu tambem cá tenho um meio partido que me dá agua pelas barbas. Tenho mesmo que tirar o que resta dele.É todos os dias a incomodar....
    Gostei tanto da tua minha definição....é isso mesmo tal é qual....Quando gosto dalguem abro as "portas" de par em par! Aconteceu isso contigo....És o meu refugio secreto!!!!
    Beijinhos e as melhoras!
    bas

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Estou mesmo aflita, Ligeirinha! Até o ouvido me dói e desconfio que não é dor reflexa porque isto começou tudo com uma crise de sinusite - quisto de retenção - do lado direito. Nem tenho conseguido responder porque a dor é demasiado grande para eu conseguir dizer qualquer coisa de jeito. Estou mesmo furiosa! Isto é lá normal?! Uma atrás da outra, nem sequer tenho tempo para respirar fundo um bocadinho!
      Ao menos fico contente por gostares do comment...
      Beijinho!

      Eliminar
  4. as melhoras
    e um bom dia pra ti

    já consegui descarregar o filme... fiiuuuuu



    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, Anjo da Esquina. A dor continua por cá, mas estou demasiado cansada para me enfurecer, como ontem :) Digamos que estou "danada", mas só por dentro.
      Já vou ver o teu filme.
      Abraço!

      Eliminar
  5. “Mover montanhas”

    Minha fé move montanhas
    Mas nenhuma se moveu
    Consultei minhas entranhas
    Vi que a fé afinal morreu

    Subi ao topo da montanha
    Em busca de uma nova fé
    Descobri uma coisa estranha
    Não existia montanha ao pé

    Tinha fugido para longe
    Como prova desta crença
    Que faz montanhas correr

    Vi a estranheza num monge
    Que testemunhou a presença
    De uma montanha a mover.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. :) Olá, Poeta! Aqui vai, mesmo com dor de dentes;

      A minha move as planuras
      E sabe erguê-las no ar
      Sem tremores, sem amarguras,
      Só à força de as sonhar...

      Entre as coisas menos puras
      Que esta fé sabe alcançar,
      Sem ter de enfrentar tremuras,
      Estará sempre "acreditar"

      Talvez chegues mais depressa,
      Mas eu sei bem que é assim
      Que se chega onde se deve

      E, pr`a que a coisa aconteça,
      Só se descobre, no fim,
      Que essa montanha era leve...

      E já estou a sorrir, Poeta, com o que para aqui vai... mas tenho de ir ao hospital, amanhã. Não sei se posso ficar mais do que uns minutos...
      Abraço grande para todos! :D

      Eliminar
  6. “Convicções sem rosto”

    Não queira que o poeta
    Escreva só do interior
    Pode uma ideia abstracta
    Procurar algo maior

    Um poeta pode superar
    Tudo aquilo que conhece
    Pode mesmo intentar
    Contra a vida me parece

    Mesmo sem poeta ser
    Mas dono de imaginação
    Pensar já sem escrever

    Escrever já sem sentir
    Alguém roubar sua mão
    E usá-lo para se exprimir.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ah, Poeta... estou literalmente mais morta do que viva... vou tentar...

      Não sei se aceito essa ideia
      De "alguém" nos roubar a mão
      Quando a alma, estando cheia,
      Explode em força de vulcão...

      Mas sei de quem acredita
      E sei que os respeitarei
      Mesmo quando a mão me hesita
      Em passos que nunca dei...

      Sei que os meus falam do mundo
      Que os meus olhos podem ver
      E a razão pode alcançar,

      Do que sinto, do mais fundo
      Do que em mim nasce ao escrever
      Quando me tento expressar...


      Pronto, lá saiu... :) mas continuo com a dor no ouvido, a febre e o cansaço levado ao extremo pela ida ao hospital. E, no dia 3... outra vez... nem sei se aguento.
      Abraço grande!

      Eliminar
  7. “Sierra Madre”

    El comandante supremo
    De lutas há muito perdidas
    Não chegou a estar enfermo
    Mas curou muitas feridas

    Só não pôde ser curado
    Das que lhe floram infligidas
    Por feridas assassinado
    Essas que nos eram devidas

    Mas que com ele partiram
    Sei que muitas mais partirão
    Pois não há luta de verdade

    Os que a luta assumiram
    Foram comprados a tostão
    P’ra mal da humanidade.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Nem todos serão compráveis...
      Muitos sempre lutarão
      Por ideais mais louváveis
      Com a força da paixão

      O que sempre recordamos
      Assim o fez, por inteiro,
      Sem temer os grandes amos,
      Renegando o deus-dinheiro...

      Mas tornemos a pensar
      Nos jovens que estão doentes
      Com graves patologias

      Há que atender e tratar,
      Só depois lançar sementes
      De outras novas teorias...


      Há quem pense em dar saltos maiores do que as pernas que tem, Poeta. Não estou a falar de si, mas de muitas pessoas bem intencionadas - não ponho em causa as intenções - que pensam conseguir fazer o que não conseguem, efectivamente. Nem tudo se cura com ervas, massagens e boas energias. Também nem tudo se consegue curar com os avanços da ciência, é verdade... mas pensemos - MESMO - nas muitas, muitíssimas pessoas que estão dependentes de tratamentos clínicos muito complexos e rigorosos. Atenção! Há por aí mais charlatães - alguns bem intencionados, repito - do que alguém pode imaginar. A ignorância é uma mãe pródiga e trepa por tudo quanto é sítio, baseada em "estudos" que pouco ou nada têm de real. Façam-se as coisas com a calma necessária para que, mais tarde, alguns de nós - eu não estarei por cá, de certeza - não se possam vir a sentir culpados da morte de milhares de cidadãos... tanto ou mais do que as medidas de austeridade das troikas.
      Desculpe-me este apelo que, muito provavelmente me vai deixar mal vista perante gregos e troianos, mas prevejo - com racionalidade qb - que a ignorância corre o risco de fazer tantas vítimas quanto a sua irmã ganância...

      E, agora, o abraço grande! :) Se leu aquele email que lhe enviei, pense nele maduramente.





      Eliminar
  8. NO DIA DO TEATRO (Mais um dia)

    Nunca, no palco, o teatro
    Teve tão maus figurantes
    Neste luso anfiteatro
    Desfile de debutantes.

    Podiam ser três ou quatro
    Mas são assaz abundantes
    E de todos os quadrantes
    A servir o antiteatro!

    Desfilam em passos perdidos
    Numa compungida farsa
    De suspiros e gemidos.

    É uma fábula delirante
    Com um coelho de comparsa
    Duma fauna agonizante.

    Eduardo

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Amigo Eduardo, nunca me teria lembrado de fazer esta comparação... o mais longe que cheguei foi à "farsa"... mas tem toda a razão. A farsa também é uma forma de teatro.

      ... e na farsa que começa
      C`um actor pr`a cada lado
      Ninguém se lembra que a peça
      Deixa o teatro "entalado"

      Quando todos têm pressa
      De deixar o seu recado
      Já não há quem reconheça
      Que é o Zé quem está lixado...

      Eu, porém, não acredito
      Que sejam todos iguais...
      Quando o Zé faz um manguito,

      Se esquiva a dar contributo
      Pr`á festa dos "comensais"...
      Isto há-de vir a dar fruto!

      Mauzito, como eu estou, mas terá de perdoar-me.
      Estou um nadinha melhor da malvada dor de dentes, mas nem sei como estou de pé... ou melhor, sentada, a escrever. O meu dia foi um sacrifício atroz até chegar do hospital. Ainda aqui estou porque, reconheço, que sou teimosa...às vezes imprudente mas, sobretudo teimosa.
      Do "empenamento" geral é que eu estou a ver que já me não livro. Terei de recomeçar as minhas idas à reumatologia e fazer mais alguns exames específicos.
      Muito obrigada e um abraço grande para si e esposa!



      Eliminar
  9. “Poema sem poeta”

    Poeta que sem ser
    Ninguém o vai usar
    Até o podem esquecer
    Ninguém o vai julgar

    Escusa até de nascer
    Ninguém o vai matar
    Poeta que sem escrever
    Não se esquece de rimar

    O poema já existia
    Perdido no meio de nada
    Mas ninguém o escrevia

    Até que uma mão usada
    O fez sair da agonia
    De um poeta sem poesia.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Essa é uma teoria
      Que tem muitos seguidores;
      Pré-existe, a Poesia,
      Tão espontânea quanto as flores...

      Também se diz da Pintura
      Que era já pré-existente
      Ao que nas telas procura
      Dar-se inteiro, ardentemente...

      Penso que a conjugação
      Entre Artista e Variáveis
      Se revela promissora

      Se nela existir paixão
      E uns "saberes" aceitáveis,
      Sem dizer que há sempre "a hora"...

      Olá, Poeta! :) É mais ou menos como a consegui descrever neste sonetilho atrapalhado com a falta de "espaço" para dizer mais, seguindo um mínimo de métrica... mas, dizia, é assim que eu "sinto" a arte. É quase, quase, uma conjugação entre o artista, as infinitas variáveis que compõem a vida no seu dia a dia e "a hora". O artista - poeta, escultor, músico, etc - sente sempre "na carne" o efeito destes três elementos, quando nasce qualquer coisa francamente boa. Claro que é a minha versão, mas experimento-a há muitos anos. Ah, se não houver uma pontinha de "transgressão" - no meu caso específico, agora - também já não sai nada de jeito. Não precisa de ser uma transgressão específica nem pré-estabelecida... ela nasce e cresce em harmonia com os outros três elementos.

      Abraço grande!




      Eliminar
  10. poderia agarrar na guitarra
    até
    tocar a dita musica
    mas não seria o que é.....

    e realmente pode ficar
    mas notificações
    direitos e assim
    é contra a a própria ética que tenho em mim....

    beijinho e feliz noite

    como vão essas dores ?

    hoje fui filmar um sítio amaldiçoado
    radioactivo...fantasmagórico....hé hé hé

    vou arregaçar as mangas
    e corta daqui e dali até ao resultado funal...

    havia também umas crianças no local
    desgosto que me pus de mal encarado
    chateado
    pois um simples corte poderá em causa
    advir cousas e lousas do diabo.... enfim

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. De filmes e respectivos cortes nada entendo, amigo... mas filmei, com o telelé, um vídeo de dez segundos; o meu Sigmund na casa de banho dele... infelizmente ficou no telelé cujas teclas bloquearam. Nunca fui uma mulher de muita sorte...

      Abraço e obrigada!

      Eliminar
    2. Perdão, amigo! Esqueci-me de responder acerca das dores... as do dente e do ouvido, melhoraram; as outras, - coluna, braço, pernas - nem por isso...

      Eliminar

    3. é a velhice minha amiga
      por mais que tentemos
      nunca regredimos...

      eu tambem tou velhote
      mas a alma pró lado do franganote

      possivelmente rejuvenesça....enfim... tontices

      penso que gostarás do Mistério
      das àguas Radium ou "Curie"
      beleza , mas envenenada...

      bela tarde

      Eliminar
    4. Nunca perdi o meu tempo a tentar regredir, Anjo da Esquina.... acho que pertenço àquela ínfima parte da humanidade que compreende e aceita o processo de envelhecimento natural que é necessário à renovação. O que eu vejo, diariamente, são velhinhas muito mais idosas do que a minha mãe seria, se fosse viva, a andarem e a viverem com muito mais qualidade do que eu... na, ainda não é velhice; é mesmo doença.
      Estás a falar dos rxs? Não gosto nada de os fazer... tenho profunda consciência de que têm de ser utilizados com grande parcimónia... mas tenho de confirmar, ou não, a cura da pneumonia... e só consegui ir porque arranjei boleia. É tão chato estar-se assim, semi-incapaz!

      Abraço!

      Eliminar
    5. as melhoras
      que tudo vá bem
      que acredito virá também....


      feliz dia

      Eliminar
    6. :) Obrigada, Anjo da Esquina. Um feliz dia para ti, também.

      Eliminar
  11. “Brutal”

    Esta sociedade é brutal
    Não por ser dos brutos
    Esta sociedade infernal
    É pertença dos argutos

    Fazem uso da ignorância
    Como carne para canhão
    Alimentando a ganância
    Levam tudo, até o pão

    Que o ser sem alimento
    Cedo perde a sua razão
    Terreno p’ró sofrimento

    Chega assim sem dizer não
    Se lhe falam ao sentimento
    Têm a sociedade na mão.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. E alguns estarão convencidos
      De fazerem o correcto...
      Quantos direitos perdidos
      Nessa busca de inconcreto...

      Crescendo o enorme fosso
      Entre alguns e maioria,
      Para os mais não sobra almoço,
      Nem jantar... nem poesia...

      Seremos os "fazedores"
      Dos trabalhos mais penosos
      Que eles souberem inventar...

      Marionetas dos "senhores",
      Receando, temerosos,
      Não podermos agradar...


      Olá, Poeta! Não. Não estou assim tão pessimista, pelo menos em relação aos outros. Ainda acredito.
      aqui, limitei-me a dar continuidade ao seu sonetilho... para mim é que as coisas continuam muito mazinhas. A porcaria da dor de dentes voltou e parece que estou mesmo a "desaparecer"... em termos de massa corporal :)
      Abraço grande!


      Eliminar
  12. “Admirável mundo novo”

    Suciadade intoxicada
    Com propaganda feroz
    Vai morrer envenenada
    Escolheu destino atroz

    Investiu no crescimento
    Continuo e desregulado
    Não há melhor argumento
    Para chegar a nenhum lado

    Uma vez aqui chegados
    C’os frutos desta colheita
    Não parecemos saciados

    É aí que o perigo espreita
    Pelo crescimento sufocados
    Nasce a sociedade perfeita.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Imperfeita, mas não morre;
      Vai apenas transformar-se...
      Como o amanhã ocorre,
      Assim ela irá mostrar-se

      Bem mais tarde, renascida
      Do que de nós for sobrando...
      Não posso aceitar que a vida
      Se esteja, agora, acabando...

      Mas creio, em compensação,
      Que os humanos vão mudar
      Como tudo o que há por cá

      Pois já não digo que não
      Possa tudo melhorar...
      Nunca ficar como está!


      Desculpe, Poeta! O seu está bastante bom e o meu saiu muito mauzito... eu bem vou avisando que não estou bem... do dente, pouco ou nada melhorei. Ainda me dói, embora um pouco menos. Do resto, nada de nada.
      Um abraço!





      Eliminar
  13. “A diversão”

    “Violência por diversão”
    Divertimento de encantar
    Foi notícia na televisão
    Eu nem queria acreditar

    Penso que foi pretensão
    De o fenómeno branquear
    Não sei se foi um milhão
    O importante é disfarçar

    Estado de pré-revolução
    Da filha que tarda em chegar
    Mas em breve será parida

    Não será uma montra partida
    Que fará esta mãe abortar
    Nem o calor do próximo Verão.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ah!!!! Eu posso estar a perceber mal... mas vem uma menina a caminho, não vem? :D
      Não lhe consigo responder em verso porque estive toda a tarde a emendar sonetos para enviar para um site que vai fazer escolha para uma publicação gratuita e acho que fiquei com a cabeça tão avariada quanto o resto... nem queira saber o que é fazer revisão de 49 sonetos numa tarde... contando com a métrica e essas pequeninas coisas todas que se têm mesmo de utilizar no soneto clássico, descobri que todos, todos, tinham pequeninos erros... fiquei avariada de todo, mas emendei-os... ai, agora é que me lembrei que me esqueci, também, do antibiótico!
      Desculpe-me! Fui fazê-lo responder a uma hora destas e agora não lhe consigo responder eu...
      Abraço grande e parabéns!!!

      Eliminar
    2. Vem uma menina de nome Revolução.

      Eliminar
    3. ... fui eu que levei demasiado à letra...

      Eliminar
    4. Não sei bem o que me deu
      Para levar tudo à letra
      Ou, tal como aconteceu,
      Nem ver coisa tão concreta...

      Estou mesmo a "emburrecer"
      E a metáfora passou
      Sem que eu a pudesse ver...
      Veja lá como eu não estou!

      Agora, pr`a versejar,
      Faço, aqui, um esforço atroz
      Só para a concentração

      Quando devia encontrar,
      Nos dizeres da sua voz,
      Tão só a Revolução!


      Finalmente saiu, a manquejar, qualquer coisinha que rima :) Abraço grande!

      Eliminar
  14. A PÁSCOA da RESSURREIÇÃO

    Tantos dias do dia se inventaram
    Da paz, da poesia, da criança…
    Tantos dias sem dia se deixaram
    À espera de encontrar o da esperança

    De conservar p´ra sempre na lembrança
    Que os dias que a tantos se negaram
    Foram p´ra eles a injusta herança
    Da cruz pesada que sempre carregaram.

    P´ra os esquecidos surgirá o dia
    Da sua Páscoa e Ressurreição
    Que há-de seguir-se à tormentosa via.

    P´ra os seus algozes será o calvário…
    E a complacência para o bom ladrão
    Não sei se encontrará destinatário.

    Eduardo

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Amigo Eduardo,

      Muito obrigada por este soneto que encontrou destinatário grato e atento na minha pessoa.
      Estou bastante pior, pelo menos das dores de cabeça, mas não posso deixar de lhe agradecer. mais esta gentileza, mais este belíssimo soneto. Mas, com as dores e o mal estar, faltam-me sempre as palavras, até na prosa. Mas não quero deixar de lhe contar que, desde pequenina, nutro uma enorme simpatia pelo Bom Ladrão. Se acreditasse mesmo no inferno - tenho de ser sincera e dizer-lhe que nunca pude crer noutro para além deste que por cá vamos vivendo - nunca poderia ver essa figura condenada às eternas amarguras de uma punição, para mim, tão obviamente criada à imagem e semelhança do pior da nossa fantasia.
      A Páscoa, no entanto, é um tempo sempre marcante para mim. Normalmente gosto de estar mais só, mais recolhida... tudo sem carácter de obrigatoriedade... essa necessidade surge-me, tal como surgem os poemas e, no ano de 2007, surgiram os sonetos... mas, como em tudo o que faço, este estado de doença continuada em que ando há muitos meses, não propicia nada de bom em termos de expressão da criatividade... nem para uma simples resposta me sinto lá muito apta. Peço desculpa se não estiver a ser muito clara.
      Tomei agora o paracetamol - a única coisa que posso tomar para dores e febre e que pouco efeito tem - e pode ser que ainda venha a ter um pouco de alívio.
      "Apetecia-me" sonetar hoje... acordei com essa "vontade", mas as ideias e as palavras parecem alheadas de mim e das minhas vontadezinhas :)
      A única ideia que me surgiu, ao ler o seu soneto, foi a de que o Bom Ladrão encontraria complacência, sem sombra de dúvida... mas é uma convicção muito pessoal e que me acompanha há muitos anos, nada há de concreto nela.

      Um enorme e grato abraço para si e sua esposa!

      Maria João

      Eliminar
  15. Respostas
    1. Eu vou já, já! Ainda agora já lá estive, a responder-lhe... e esqueci-me de beber o chá ;)

      Eliminar
  16. “Trespassados”

    Sendo fraco c’os fortes
    Sendo forte c’os fracos
    Provocará muitas mortes
    E deixará muitos cacos

    Tudo fica irreconhecível
    E além da compreensão
    Parece ser preferível
    Dizer aos fortes que não

    Das fraquezas forças fazer
    E enfrentar esta podridão
    Que dizem ser nossa sina

    Atirar antes de morrer
    Uma lança ao coração
    Dessa força assassina.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Trespassar o coração
      De um poder que não tem rosto
      Não faz, sequer, impressão...
      Como tal, digo que gosto,

      Mas primeiro há que enfrentá-lo,
      Como acaba de dizer
      E, a seguir, trespassá-lo,
      Como deu a entender...

      Se lhe tiram o jumento,
      Já a carroça não anda...
      Mas teremos de o tirar

      Pois dele dependo o sustento
      Desta gentalha que manda...
      E que quer continuar!


      Ai, que mauzinho! Terá de ficar porque eu não estou mesmo nada inspirada...
      Bjo! :)

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

NAS TUAS MÃOS

MULHER

A CONCEPÇÃO DOS ANJOS - Em nove sílabas métricas