QUATRO SONETILHOS A CATARINA EUFÉMIA


Linogravura de José Dias Coelho


I


*

A ceifeira, nos trigais,
Traz nas mãos sonhos negados
E os dedos bem calejados
De quem já ceifou demais


*

Flancos doendo, agachados,
Entre mil gestos iguais
Evoca uns pontos errados
Destas questões laborais


*

Essa ceifeira não chora,
Mas começa a acreditar
Que pode bem estar na hora


*

De que quem assim a explora
Também se deva agachar
Tal como ela o faz agora


*



 
II


*


Já não sonha, as dores são tantas
Que só pode trabalhar
Se as abafa nas mil mantas
Que inventa pr`ás disfarçar


*

Faltam horas, umas quantas,
Prá ordem de despegar
E as ceifeiras, como as plantas,
Podem, às tantas, murchar…


*

Vai longa a jorna, ceifeira!
Já esgotada da labuta,
Tão no auge da canseira


*

Depois de uma tarde inteira,
Pensa enfim: - Antes a luta
Que viver desta maneira!


*
III


*




Reúne os seus companheiros
Da labuta dos trigais,
Fala dos dias inteiros
Sol a sol, sem poder mais


*

Lembra a escassez dos dinheiros,
Diz que os patrões, sendo iguais,
Os tratam como aos carneiros
Que abundam nos seus currais…


*

É dessa reunião,
Que lhes nasce, firmemente,
Uma justa decisão


*
De exigirem mais do pão
Que é devido a toda a gente
Mas só não falta ao patrão


*



IV


*

Vão em grupo e vão em paz
Falar da fome que sentem
Pois pela fome se faz
Quanto os fartos não consentem


*

Encontram o capataz,
Dizem ter fome… e não mentem,
Só o não sabem capaz
De matar os que o enfrentem


*

Soa um disparo. A ceifeira
Cai por terra: - O que se passa?
Catarina, à dianteira,


*

Jaz morta sobre uma leira
Por ter negado a mordaça
De humilhar-se a vida inteira!


*


 


Maria João Brito de Sousa


2012


*


 


 


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 26.04.2012 – 19.11h




IMAGEM - "A MORTE DE CATARINA EUFÉMIA" - Linogravura de José Dias Coelho



 

Comentários

  1. “Batem leve levemente”

    Vamos a taxa alimentar
    É só uma entre as demais
    Se o estômago não aguentar
    Toma-se uma colher de sais

    Já temos a do combustíveis
    E também a do tabaquinho
    Pagas a dos bens comestíveis
    E comes menos um bocadinho

    É tudo a bem da nação
    Por isso merece o esforço
    No cinto faz mais um furinho

    A ministra espera que não
    Que não recaia no nosso dorso
    Mas se cair, cai de mansinho.

    Prof Eta

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    1. Não consigo responder-lhe agora, Poeta... estou morta de cansaço e esgotei os sonetilhos todos com a Catarina Eufémia... além do mais, o skype deu-me cabo da cabeça! Instalei-o seis vezes e seis vezes desapareceu!
      Beijinho!

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    2. Se os cintos foram vendidos
      Pr`a pagar tantos impostos
      Como tê-los mais cingidos,
      Mesmo ficando indispostos?

      Como apertar mais um furo
      Num cinto que já nem temos?
      Talvez nem haja futuro
      Para que dele precisemos...

      Não é a bem da Nação!
      É, sim, a bem dos interesses
      Dos monopólios de elites

      Que até roubam a noção
      De negar mercados desses!
      Denuncia! Nunca hesites!


      Tarde e manquito, mas lá saiu, Poeta... :) Bjo!



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  2. Respostas
    1. Vou ver... tenho estado a tentar instalar o skype por causa de uma confer~encia da Plataforma contra a queda do SNS. É muito importante para mim estar a par das portarias e alterações legais que estão a surgir... mas não deu! Instalei-o seis vezes e não ficou no Vista!
      desculpe, Poeta!

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  3. Respostas
    1. Feliz noite para ti, Anjo da Esquina! :D
      Tenho andado exausta e acho que tenho um milhão de páginas a que devo ir e nem consigo...
      Um abraço!

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    2. À Liberdade na Igualdade, sempre, Anjo da Esquina!

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  4. Respostas
    1. :) Tem de ser mesmo... estou farta de subir e descer para ver se os meus tostõezitos já chegaram no vale de correio... tenho tudo por fazer...
      Abraço grande!

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  5. Uma bela homenagem.

    Bom fim de semana

    PS- ando com preguiça... os neurónios não me fazem a vontade ;)

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    1. Obrigada, Golimix!
      Quanto aos neurónios, sei bem como é! Quando são muito solicitados para se abstraírem da febre e da dor, recusam-se a trabalhar noutras funções :))
      Abraço grande, amiga!

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  6. Bela homenagem a Catarina E. Ela merece!

    E quanto a ti, espera que melhore que até pode ser nunca e não tenha tempo de dizer
    quanto te enganas acerca de mim.
    É isto que eu acho odioso na politica e nos partidos politicos. Uns se considerarem melhores pessoas do que os outros...que insensatez.

    M.L.

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    1. Que se passa, amiga? Estás pior?
      Não te entendo numa coisa... porque achas que me engano acerca de ti? Não entendo mesmo... nunca me achei melhor do que ninguém, apenas te disse que era firme nas minhas opções E sou-o, mas não fiz nem disse nada que se assemelhasse a uma comparação, sobretudo depreciativa. Nunca o faria.
      Abraço grande e que possas melhorar rapidamente!

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  7. “Ensina-me a amar”

    Ensina-me a fazer bombas
    Não me ensines a amar
    Ensina-me a matar pombas
    Não suporto vê-las voar

    Tanta pomba assassinada
    Tanto sangue pelo chão
    Tanta gente estilhaçada
    Nem me dói o coração

    Quero ver tu’alma arder
    No inferno desta guerra
    Paira odor a morte no ar

    Agora já estou a perceber
    Ensina-me a amar na terra
    Não me ensines a matar.

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    1. Que estranho, estranho pedido
      Pr`algo que sempre nos vem
      Cá de dentro, indesmentido
      E ensinado por ninguém...

      Posso fornecer-te exemplo
      Mas não te posso obrigar
      E ainda agora eu contemplo
      Essa missão de ensinar

      Como a missão mais sagrada
      Que jamais houve no mundo
      Desde o início dos tempos...

      Se estou certa ou estou errada...
      Não sei bem, mas não confundo
      Essa missão com proventos...


      Um abraço grande, Poeta! :)






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    1. :) Vou com ele, visitar as nossas lindíssimas aldeias!

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    2. Ou eu me enganei no caminho, ou ele ainda não chegou lá... só encontrei o da passagem dos minutos...

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    3. Agora já chegou, alguma coisa terá falhado na primeira postadura.

      Chegamos agora do Espaço Garrett, as duas últimas obras já lá estão, penso que está tudo a postos, só faltam os livros e a autora.

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    4. iiiii... lá vou eu ficar engasgada sem palavras... outra vez...

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  9. Após algum tempo ausente, sabe bem vir ao teu blog e ler os teus sonetos :)
    Como sempre, adorei Maria :D

    Como tens estado? :)

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    1. Olá, Paper! :D

      Hoje nem falo das minhas maleitas... faz de conta que estou mais ou menos...
      Obrigada por me fazeres sentir que te soube bem vir ao meu blog :)
      Vou dar um pulinho ao teu... tenho sido uma visita ausente, eu sei. Já me atrapalho toda por não conseguir visitar nem a décima parte dos amigos que gostaria de ter sempre "debaixo de olho"...
      Beijinho e um bom fim de semana!

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    2. Não tens que agradecer, soube-me mesmo bem vir aqui ao teu cantinho :)

      Obrigada Maria e bom fim-de-semana para ti também :D

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  10. “A bússola”

    Pr’a quem quiser ajudar
    Eu cá estou a publicar
    Fazemo-nos ao alto mar
    Não basta que saiba remar

    Convém que saiba nadar
    Ou um colete deve usar
    Para que se possa salvar
    Não vá a barcaça afundar

    Aos que em terra vão ficar
    Um conselho vos vou dar
    O melhor será não esperar

    Pl’a hora do nosso regressar
    Não sei se nos iremos orientar
    Pois pode a bússola avariar.

    Prof Eta

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    1. Não regresses, marinheiro,
      Sem que tenhas encontrado
      A ilha onde um pessegueiro
      Foi certo dia encantado...

      Não regresses sem que o mar
      Te tenha ensinado a ver
      As praias cor de luar
      Que as marés te hão-de oferecer...

      Se acaso vieres mais cedo,
      Trilhando a rota do medo,
      Do cansaço ou da saudade

      Nunca as verás, marujinho,
      Porque o mar, quando sozinho,
      Guarda, em si, toda a verdade...


      Boa noite, Poeta! Fez-me lembrar um poema do meu avô... e foi isto o que me saiu :)
      Um abraço grande!



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  11. Respostas
    1. Isso é que já não dá para mim! O chá que me perdoe, mas vai ter de esperar pelos meus passinhos lentos e um tanto ou quanto desequilibrados :))

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  12. tamos a ficar velhotes, é o que é...

    belo e feliz fim de semana

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  13. “Campanades a morts II”

    Que nos venham assassinar
    Apenas podemos tombar
    Nós não podemos ripostar
    Pela paz devemos alinhar

    Obrigado por nos tirarem
    Três vidas na flor da idade
    Não reclamamos se levarem
    Mais vinte da nossa cidade

    Uma linha ténue existe
    Eu não sei bem onde fica
    Divide essa paz da guerra

    Estado de guerra persiste
    Tudo o que vês personifica
    O mal que vence na terra.

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    1. Fui ouvir, de novo, o Lluis Llach, antes de tentar responder-lhe, Poeta... e não sei se o vou conseguir fazer em linguagem poética... não sei mesmo...

      Quem sabe onde fica a linha
      Que separa a paz da guerra
      Quando apenas se adivinha
      Toda a dor da própria Terra?

      Quem pode apontar a dedo
      A fronteira indefinida
      Que nos separa do medo
      Da perda da própria vida?

      Recordo a morte e não sei
      Ter certezas sobre nada...
      E nem dúvidas, sequer,

      Não costumo ser assim tão, tão intimista. Não ao ponto de me saber um sonetilho-resposta - escrito por mim - a egoísmo. Este sabe.
      Abraço grande, numa dimensão bem pequenina; a deste imperfeito instante em que pensei muito mais em mim do que no que há de mim em tudo o mais.

      Podem mais que o que já dei...
      Tenho a memória enlutada
      Por outra perda qualquer...


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    2. E ainda por cima atropelei o sonetilho todo... caramba! :/

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  14. “Grandes utopias”

    Já chegou a utopia
    Aqui ao nosso Alentejo
    Servida como poesia
    Sem ter havido o desejo

    Por acaso aconteceu
    Aqui na vila morena
    Que um dia amanheceu
    Muito, muito mais pequena

    Perante a grandeza maior
    Das pequenas utopias
    Que à luz do dia vieram

    E condimentos trouxeram
    Que hão-de temperar os dias
    De quem se aventurar no sabor.

    Prof Eta

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    1. Poeta... obrigada! Venho tarde e sem palavras... perco-as todas não sei onde, nem como, quando me fala do lançamento/exposição...

      Enorme abraço!

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  15. A ponte está ligada ao castelo nas nuvens.

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  16. “Não o permitas”

    Não penses que já passou
    Esse tempo que há-de vir
    Não penses que o ser avô
    Te impede de contribuir

    Nós somos o fio condutor
    Duma ligação geracional
    Somos animal reprodutor
    Que provem do ancestral

    O saber de todos importa
    A todos deve ser transmitido
    Que não se percam as visões

    Se não a sociedade entorta
    Fica sociedade comprimido
    E o espelho das televisões.

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    1. :D!

      Corrente geracional
      Do Tempo sempre a gerir
      O património final
      E aquele que está por vir...

      Ninguém deixa um gesto seu
      Sem deixar uma pegada
      Onde esse gesto se ergueu
      Mesmo não dizendo nada...

      Tudo é de barro moldável
      Pelo sopro mais ligeiro
      Ou pelo toque mais brando,

      Tudo, afinal, transformável...
      Sempre um universo, inteiro,
      Que só nunca nos diz "quando"...


      Nasceu coxito, mas nasceu! :)
      Muito obrigada, Poeta!



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  17. A esquina da ponte foi visitada por um anjo.

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  18. Respostas
    1. É assim mesmo... ainda não sei se foi uma boa ou má crítica, mas vou ver... :D
      Bjo!

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  19. Adorei Catarina Eufémia!

    M. luísa

    p.s. tenho 20m para escrever e 30m para descansar. Ordens do médico!

    Deixei pequena análise a Miguel Portas.

    Agradeço muito a vossa perseverança e
    amizade.

    Mais tarde coloco vossos nomes.

    Beijos e saudades,

    maria luísa

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    1. Compreendo, amiga!
      Irei ver a tua breve análise a Miguel Portas e, enquanto puder, conta com as minhas respostas!
      Abraço grande!

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    2. Obrigada a ti e ao poeta pela companhia e o
      afecto.

      Mas estás livre de desistir, assim como ele.
      Nada vos prende!

      Abraço,

      M.L.

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    3. A vida é uma coisa bela e complexa, amiga... às vezes vai-se-nos muito antes de termos desistido dela... mas não tenciono desistir desta partilha de há tanto tempo. Gosto dela e penso que o Poeta também... e foi tudo tão natural desde o início... fico!
      Abraço grande!

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  20. “Castelo de cartas”

    O castelo desmoronou
    Por uma simples razão
    Assim que o gong soou
    Saiu tudo em procissão

    Para comprar por metade
    Atropelando sem compaixão
    Demonstrando ansiedade
    Vendendo a alma a tostão

    Não mais existirá verdade
    Quando se mata p’lo pão
    São excessos da sociedade

    Onde já não há civilização
    E o primado da brutalidade
    Consumiu toda a nossa razão.

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    1. Não se lembraram, sequer,
      Da dura realidade
      Do pobre que não puder
      Gastar assim, à vontade... :)

      Eu nunca teria ido,
      Por respeito a esse dia...
      Mas pudesse eu tê-lo querido
      Que nunca o conseguiria...

      O plafond era tão alto
      Que nem "esticando" ao tostão
      Me poderia tentar

      E depois, pr`a "dar o salto"?
      Vinha com tudo na mão?
      Eu quase não posso andar!!!!


      Olhe, Poeta, eu nunca iria! Disse-o e tê-lo-ia cumprido, mesmo que tivesse dinheiro e força... mas este sonetilho nasceu tão depressa que nem precisa de muitas justificações... foi assim mesmo :) Abraço grande!

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  21. “Sinais dos tempos”

    Foi tomada a Bastilha
    Anuncia o arauto do rei
    Ele não mascava pastilha
    Ainda não havia, bem sei

    Coitada da Maria Antonieta
    Já rolam cabeças n’avenida
    Pela imposição da baioneta
    Sentem-se uma nação ferida

    É o novo tempo a chegar
    Sem que nos peça licença
    Deixará sequela profunda

    Da varanda ir-se-ão atirar
    Sob o olhar da indiferença
    É o regime que se refunda.

    Prof Eta

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    1. Oh, ça ira, ça ira!!!

      De que este tempo que chega
      Vai deixar sequela amarga,
      Não duvido um bocadinho!
      Vai ser duro e ninguém nega
      Que traz uma forte carga
      De açafrão com rosmaninho...

      Vai sobrar pr`ó mexilhão
      - o marisco do costume... -
      Que sempre se "lixou" mais...
      Rosmaninho... ou açafrão,
      Que o marisco, já no lume,
      Não pediu temperos tais...

      Isto foi só confusão
      Porque o Kico fez xixi
      E eu fui, a correr, limpar,
      Mas não lhe digo que não...
      Nem sonha o que vai pr`aqui!
      Hoje é xixi de alagar!!!

      Não sei bem o que me deu
      Ou que reacção foi esta
      Que me impôs estas sextilhas...
      O xixi aconteceu
      E o Ziggy saltou pr`á cesta
      Onde eu tinha as sapatilhas...

      Mas o que tem isto a ver
      Com Maria Antonieta
      Ou Maio numa avenida?
      Não sei... nem posso saber!
      Tenho a bicharada inquieta,
      Numa confusa corrida...

      Agora até ladra o Kico
      Ao gato que, em diarreia,
      Me deixa a casa empestada!
      Vou-me já que se aqui fico
      Dão-me os três uma tareia
      Que me deixam derreada :)))


      PS - Tudo o que eu contei aconteceu mesmo durante este lapso de tempo... e ... SIM! tenho mesmo a casa toda "empestada"! Tenho de ir limpar e queimar incenso e tudo...



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  22. Respostas
    1. E esta pobre Maria está mesmo a cair para o lado... mas já vai cheirando a água com Sonasol e a incenso... vou já ver, Poeta! :)

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  23. Respostas
    1. Foi contágio, Poeta... o Garfield, ontem à noite, estava mal da barriga... :))
      Vou espreitar e levo o Sonasol comigo :)

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  24. “Criação”

    Produzes por obrigação
    Tudo aquilo que é banal
    Se produzires com paixão
    Vais ao encontro do genial

    Onde por vezes a visão
    Alcança algo de imortal
    Num processo de criação
    Onde se arrisca o surreal

    Será o elefante trombone
    Quem sabe a raiz pensante
    Ou até os chapéus a voar

    Exteriorizas algo disforme
    E naquele preciso instante
    Foste convidado a criar.

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    Respostas
    1. :)) Coincidências! Acabo de fazer um soneto tão doido, tão doido, que nem sabia bem que nome lhe haveria de dar... mas é verdadeiro! Não mente!

      Tenho de aprender a ter tino nos dedos! :) E a não responder no décimo de segundo a seguir à interpretação das primeiras palavras que leio, também dava jeitinho... mas estou a responder-lhe mesmo em prosa e, essencialmente, à primeira quadra... foi o primeiro impacto... e foi um forte impacto, sobretudo para quem vinha embalada com um soneto doido, doido... bom... vejamos...


      Temos aqui um convite
      A uma nova abordagem...
      Pode ser que eu nem hesite
      Ou posso não ter coragem...

      De momento, o que me sai,
      Vem tudo do coração...
      Não sei pr`a que lado vai
      Nem porque me vem à mão...

      O nome costuma vir
      Junto c`o poema inteiro,
      Como, dele, parte integrante

      Só faço o que sei sentir
      Sem pensar nada primeiro,
      Nem sequer por um instante...

      Pronto, Poeta... foi mesmo o que me saiu... gosto do abstraccionismo - muito - mas acredito que as vocações são muito mais prementes do que parecem... não me julgo lá muito vocacionada para o abstraccionismo e o surrealismo está em mim de uma forma não imediatamente captável... mas que há por lá qualquer coisa dele, há... não o suficiente para definir uma linha linha pictórica ou poética... apenas o bastante para lhe dar um toque muito leve de sugestão... eu sinto e acredito que sim.
      Abraço grande!

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  25. “Sulcar mares”

    À sombra dos descobrimentos
    Descobrimos um tempo ruim
    Foi-se o oiro ficam os lamentos
    Mas nós não ficaremos assim

    Estando agora desempregados
    Com a economia em recessão
    Tratados como paus mandados
    Cresce em nós grande ambição

    Regressar de novo à descoberta
    Pelo mundo fora mares sulcar
    Até dizem a porta está aberta

    Só falta comprar a embarcação
    Que muito longe nos irá levar
    E dizer adeus ao Portugal nação.

    Prof Eta

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    1. Crescem-nos todos por dentro,
      Das ideias, dos sentidos
      Do que aqui formos sofrendo
      Esfomeados, desmentidos...

      São, metaforicamente,
      Erguidos em cada qual
      Segundo o anseio urgente
      De não morrer Portugal...

      Mas de impérios do poder,
      Nada sei, nada lhe digo...
      Antes quero acreditar

      Que havemos de aqui fazer
      - nem pense que o não consigo! -
      O mundo inteiro mudar...

      Caramba! Que sonetilho tão megalómano! Mas que saiu, saiu... e o dito não se desdiz...
      Lamento - um nadinha... - ter dado alguma impresão de megalomania... é uma teoria que eu tenho desde pequenina... acredito que todos nós - todos! - mudamos coisas a todo e a cada segundo que passa... não é assim tão transcendente quanto parece... afinal, se eu agora fizer uma festa ao Garfield que acaba de me saltar para o colo, deixo-o muito mais contente, estou a "investir" em qualquer coisa muito positiva que me dá prazer a mim e a ele... se o ignorar... fica mais tristito, coitado, e eu acabo por ficar muito menos contente... mas não me ligue! Ainda dou consigo em maluco! Eu faço este tipo de associações rápidas... é tudo tão rápido que nem consigo consciencializá-las... agora tive de mudar "a velocidade" para poder falar no assunto... e para deixar uma mão disponível para o Garfield que está mesmo todo satisfeito... e eu escrevo com mais facilidade, apesar de ter uma das mãos ocupadas. Estou a tentar explicar-lhe o inexplicável, é o que é... exactamente como "sentimos"... é um esforço que eu acredito ser partilhado por muitos escritores... mas é praticamente impossível aproximar-mo-nos da descrição perfeita... teria de ser tão rápida que não seria legível pelo outro... acho eu!
      Abraço grande! :)

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  26. Respostas
    1. ahahahahah... não posso! A ponte respondeu-me antecipadamente!
      Poeta, eu estou a reagir muito e muito rapidamente... receio que fique aborrecido comigo... vou tentar explicar; eu ainda trazia "na cabeça" a última parte das últimas palavras que deixei depois do sonetilho ; "Acho eu!" e a primeira coisa que li imediatamente a seguir foi; "A ponte acha que não." Nem imagina a graça que eu achei a isso! Eu gosto muito - sempre gostei! - de encontrar este tipo de coincid~encias em todas as formas e registos de vivência. Parte - uma boa parte! - daquilo que eu utilizo como material de criação vem desta maravilha, desta matéria prima que são os acasos. Mas reconheço que, quem não me conhecer bem... pode ficar um bocado confuso quando eu me ponho a tentar explicar estas coisas... mas, olhe, pode rir-se de mim à vontade que eu mereço! Estou a tentar fazer substituir gestualidade e expressões faciais por pontos e travessões...
      Vou à ponte. Peço desculpa se me mostrei demasiado esfuziante e vou à ponte. Ela tem bastante mais juízo do que eu.

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