BRAVO, ROSEIRA BRAVA! Sonetilho para ser cantado... ou não.


 


Roseira, brava roseira,
Que saldaste em desamores
O fel de todas as dores
Da tua humana canseira,

Que, da última à primeira,
Fizeste brotar as flores
Que te negaram louvores
Da burguesia altaneira,

Tu que medraste nas hortas,
Que entraste em todas as portas
E encheste as casas de tantos,

Perfumaste as horas mortas
Trazendo às faces absortas
Terno riso, alegres cantos…







Maria João Brito de Sousa – 14.05.2012 -17.55h





Nota – Este sonetilho pretende ser uma muito humilde homenagem às jovens aldeãs deste país.
Às que o foram e começam, agora, a murchar, e às que ainda houver por esse Portugal fora.
Onde acaba a Rosa sempervirens e começa a jovem mulher, nem eu mesma sei… mas é a ela, mulher e aldeã, que eu o dedico.




Comentários


  1. eu conheço uma Pikena desse tempo....

    a minha mãe
    que ainda arranca batatas
    cultiva outras mais

    e aos 88 quase não tem iguais....hé hé hé

    (anda é com os dias um tanto...esquecidos)

    uma grande homenagem aos tempos esquecidos...

    beijinho

    ResponderEliminar
  2. “Caminharemos”

    De ti nunca desistiremos
    Não desistas tu também
    As nossas preces faremos
    Em Fátima depois de Ourém

    Sete dias caminharemos
    Só nos pode fazer bem
    Qualquer dia repetiremos
    Deste caminhar fiquei refém

    Todos os dias caminharei
    Sem nada levar em mente
    Levo apenas no coração

    Chama que nunca julguei
    Poder habitar na gente
    Tenho sede de peregrinação.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caminha, então, caminheiro,
      Que o caminho em que eu persisto
      É por dentro, a tempo inteiro,
      E apenas prova que existo,

      Que existo além, num ribeiro,
      Que eu sei bem que não desisto
      Enquanto o não vir, primeiro,
      De onde o sentir... eu insisto...

      Mas se o corpo me não dura
      Nem me alcança água assim pura,
      Não te posso prometer

      Que me não perca a lonjura
      De tão teimosa loucura
      E me não deite a perder...


      Bons sonhos, Poeta :)

      Eliminar
  3. “Botox”

    Linda Martini é uma bebida
    Madness estado de demência
    É preciso imensa paciência
    Para a vida levar de vencida

    Mas a idade conta muito mais
    E a vida acaba por nos vencer
    Não importa o que se escrever
    Nem o caminho por onde vais

    O botox ajuda-nos a disfarçar
    Aquilo que é indisfarçável
    E se o verniz começa a estalar

    Ficas com um aspecto execrável
    Muito mais te vale a vida gozar
    Sem esse betume irrecusável.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Estamos de acordo, Prof Eta!
      Não daria um só tostão
      Para usar toda essa treta...
      Ou mudar de direcção

      Fazendo o tempo voltar
      Aos dias do meu passado
      Pois viver é... avançar
      Dando conta do recado...

      Quanto ao martini... dispenso!
      Gosto bem mais de um cházinho
      Enquanto vou trabalhando

      E, às vezes, acendo incenso
      Só pr`a dar melhor cheirinho
      Ao ar que vou respirando...

      :))) rsrsrs, beijinho, Poeta!

      Eliminar
  4. Bela homenagem. Muitos procuram longe aldeia aquilo que nunca irão encontrar. Teremos talvez um futuro no sector primário? Se ele não for de subsistência, é claro.

    Bejinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá, Golimix :)

      Penso que estas jovens aldeãs me vieram à ideia por causa de muitas - a maioria - das minhas companheiras de almoço, no Centro Paroquial. Nem sempre pareço muito atenta mas tenho-as escutado, ao longo dos últimos anos, recordando os seus tempos de juventude, as dificuldades, as pequenas alegrias... houve um momento em que tudo convergiu neste sonetilho e ele lá acabou por nascer :)
      Abraço grande!

      Eliminar
  5. Atravessa a ponte e vai à pastelaria.

    ResponderEliminar
  6. CAMINHAREMOS

    Mesmo a maior caminhada
    Começa por um só passo
    Nunca a matriz da pegada
    Antecipe o teu cansaço.

    Se acreditas na jornada
    Caminha sem embaraço
    Crê, sempre, que à chegada
    Te espera o terno abraço.

    Não desistas se alguém
    Caminhar por outro lado
    Rejeita sempre o desdém

    Dos que não vão por aí
    Se o percurso é certo ou errado
    Descobre isso por ti.

    Eduardo

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Boa noite, amigo Eduardo!

      Estou com demasiado sono para lhe tentar responder, deixo para amanhã o meu sonetilho.
      Abraço para si e Maria dos Anjos!

      Eliminar
    2. Caminhar de outras maneiras,
      Quando o corpo, de tão fraco,
      Não alcança essas passadas,
      Também nos trará canseiras
      E deixar-nos-á num caco...
      Mas de alma bem consolada!

      E, afinal... todos caminham!
      Se não no espaço, é no tempo
      Que nos vamos deslocando
      E os momentos sempre ensinam
      Quem estiver mais desatento
      E se possa ir desviando...

      Por cada passo que damos
      Tenhamos sempre a certeza
      De deixarmos rasto e marca
      Porque tudo transformamos
      Na alegria ou na tristeza
      Que esta nossa vida abarca...


      Saiu-me em sextilhas, amigo Eduardo...
      Um abraço e os meus votos de um resto de boa semana para si e Maria dos Anjos! :)

      Eliminar
  7. “Grito da alma”

    Na imensidão do silêncio
    Escuta o grito da alma
    Qu’ecoa na tarde calma
    Não enjeites o prenúncio

    Desse grito assim gerado
    Pela alma em sofrimento
    Que tenta buscar o alento
    E por isso não ficas calado

    Gritas a raiva da fome
    Choras o sangue da dor
    No mesmo império doente

    Há muita gente que come
    Acumula ouro em redor
    Pois viverá eternamente.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É pequena - tão pequena... -
      Esta nossa eternidade
      Se assim se veste de pena,
      Se se despe da saudade...

      Outros gritos se levantam...
      Quantos serão passageiros
      Quando em angústia decantam
      Os seus anseios primeiros?

      A fome nunca gritou,
      Só apaga lentamente...
      Expressa-se em serenidade

      No ser de que se apossou
      E, assim que "lhe finca o dente",
      Suga-lhe a própria vontade...


      Abraço grande, Poeta!


      Eliminar
  8. “A última panaceia”

    Para salvar a economia
    Só falta a contingência
    Do plano feito num dia
    Pró reino da displicência

    Em breve estará concluído
    Para a nossa salvação
    Eu até já tinha ouvido
    O ministro em oração

    Angela nossa que estais
    N’Alemanha toda poderosa
    Vossa vontade de novo

    Seja feita por nós serviçais
    Enquanto a via dolorosa
    É imposta ao nosso povo.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não entendi muito bem
      A alegada panaceia
      Mas tudo o que dali vem
      Costuma ser má ideia...

      Ministros em oração
      Vão já fazendo furor
      E até a Constituição
      Pode orar-se com ardor...

      Mas devo informar-me mais
      Pois, neste estado em que estou,
      Cada vez estou mais a Leste

      E as coisas mais anormais
      Passam como o sol passou
      Deixando um céu muito agreste...


      Vai "in extremis", Poeta... estou a dormir em pé, tenho de acabar de tratar da minha bicheza e passei ... olhe, não foi uma noite com cãibras, foi uma cãibra pegada durante toda a noite...
      Abraço grande!

      Eliminar
  9. “Fado da república”

    Longa noite terminou
    Vai muito longo o dia
    E ninguém se revoltou
    Contra esta democracia

    Democracia amordaçada
    Necessita dum abanão
    E esta nação anestesiada
    Pactua com a situação

    Fomos noite de miséria
    Dia de luzes brilhantes
    Somos um povo revoltado

    Gente pacífica e séria
    Da bola somos amantes
    E amamos o nosso fado.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ele já vai anoitecendo!
      Tanta bola e tanto fado
      Já nos não vão prometendo
      Um dia mais acordado...

      Pudesse eu ir "abanando"
      Mais do que o que o faço agora...
      Estaria tudo acordando
      Porque já passa da hora...

      Abanemos, sem parar,
      Que motivos não nos faltam
      Pr`a dar uns bons abanões...

      Um ou outro hão-de acordar!
      (às vezes as tampas saltam
      como a lava dos vulcões...)


      De volta, sempre que puder, Poeta! Não posso muito e cada vez vou podendo menos, mas cá vou estando. Aos pulinhos, a descansar mais do que o costume porque não dá mesmo para ser de outra maneira, mas a tentar sempre.
      Abraço grande!

      Eliminar
  10. “Maravilhas”

    As maravilhas do mundo
    São todas de pedra e cal
    Num pensamento profundo
    Achei que estaria mal

    Recuei então um segundo
    Verifiquei ser paradoxal
    Pois se tudo estava imundo
    A culpa seria do animal

    Que as maravilhas produz
    Tantas delas um colosso
    Mas a maravilha suprema

    Aquela que tudo conduz
    Nascida de carne e osso
    É do mundo o problema.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Quem sabe se sem problemas
      Poderia existir mundo
      E viver mostrasse apenas
      Reflexo de erro profundo?

      Quem garante, à caminhada,
      O sentido, a direcção,
      Se a barca, mesmo ancorada,
      Não tiver tripulação?

      O que seria de mim
      Sem estes versos que escrevo,
      Sem as dúvidas que tenho,

      Sem a certeza de um fim,
      Sem o sonho a que me atrevo
      E as mil coisas que desdenho?


      Abraço grande, Poeta!

      Eliminar
  11. POESIA OBRIGADA A MOTE

    Quem a crise provocou
    Está fora e sabe bem
    Que muito o pobre pagou
    Na conta dele também
    (João Velez Venâncio)

    Nesta era, ao arrepio,
    De outras a ela iguais
    Ganhas menos, pagas mais,
    É este o desafio.
    Assim é o desvario
    Que o vil metal inventou
    E nesta terra implantou…
    Dizem que foram os mercados,
    P´lo capital injectados,
    quem a crise provocou
    e a malvada, de repente,
    ataca o que trabalha
    e enche os bolsos à canalha
    que a causou, pensadamente
    e que sempre estando crente
    na vida larga que tem
    olha os demais com desdém,
    de bolsos a abarrotar.
    Vendo os pobres a penar
    Está fora e sabe bem

    Aquele que rouba cem mil
    Só tem que devolver dez
    Que a justiça que se fez
    É justiça de funil,
    Feita com todo o ardil
    Já que aquele que a pensou
    E depois a decretou,
    A fez p´ra não ser cumprida
    E acertada à medida
    Que muito o pobre pagou

    É fartar ó vilanagem
    Que o Governo foi talhado
    P´ra proteger o malvado
    E aquele que à sua imagem
    Prossegue a sua voragem.
    Se quiseres ser alguém
    Junta-te aos filhos da mãe,
    Encosta-te ao partido
    Que, assim, serás bem tido
    Na conta dele também.

    Eduardo

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito obrigada, amigo Eduardo!
      Acabo de perder duas longuíssimas respostas a estas suas décimas e estou demasiado cansada para ficar a fazer braço de ferro com uma ligação de net que parece ter enlouquecido. Volto quando ela estabilizar um pouco.
      Estão uma maravilha, estas décimas!

      Eliminar
  12. Respostas
    1. Vamos lá ver se, ao menos, consigo beber esse chá feliz... a net está completamente doidinha hoje!

      Eliminar
  13. “Sorriso de amor”

    Não há binómios no amor
    O amor é um estado d’alma
    Pode expressar-se com fulgor
    Ou ser esboçado com calma

    De um sorriso transbordou
    Trazendo um paz imensa
    Esse mesmo sorriso eu dou
    E o que recebo compensa

    Não procures a explicação
    Do que não se pode explicar
    Aprende e pratica a lição

    Verás o simples acto de dar
    Pode aquecer-te o coração
    Será fogo no teu caminhar.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Poeta dá-se em talento,
      Se algum talento lhe calha...
      Assim o faço - ou o tento... -
      Mesmo quando a força falha

      E assim tentarei seguir
      Enquanto a vida o deixar
      E este corpo o permitir,
      Por mais que possa custar

      Mas se os poemas não surgem,
      Se não tenho inspiração,
      Se me não nasce um só verso,

      Nem sequer os dias me urgem...
      Sou só mais uma João
      Sem ter voz num mundo adverso :)


      Abraço grande, Poeta!


      Eliminar
  14. “O coiso”

    O coiso foi descoberto
    Por um ministro de estado
    Até hoje estava encoberto
    E agora foi-nos revelado

    Esta tamanha revelação
    Trouxe-nos alegria imensa
    Pois sem coiso é que não
    Só o coiso nos recompensa

    Ao coiso vamos brindar
    E ao ministro agradecer
    Por tão grande satisfação

    Que o coiso nos pode dar
    Será a nova forma de viver
    Um novo desafio e solução.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. ... mas, a este, só lhe respondo amanhã. Estou meia cá, meia lá, de sono... já nem consigo estar aqui sentada mais um minuto...
      Beijinho e até amanhã!

      Eliminar
    2. Ai, ai, ai... acabo de perder um sonetilho tão engraçado... que net tão desmancha prazeres!

      Eliminar
    3. Não sou capaz de reproduzir minimamnete o sonetilho que o faniquito da net me roubou... vou tentar outro...

      O "coiso" disse que o coiso
      Ia ser ultrapassado
      Mas nunca sabe do poiso
      De quem está desempregado...

      Do desemprego falava
      Mas, num lapso imperdoável,
      Disse "o coiso" e nem lembrava
      Que ele está mesmo insuportável...

      Com tanta flexibilidade,
      Tão instáveis vamos estando,
      Tão confusos, tão perdidos,

      Que perdemos a vontade,
      E, do bom que vamos dando,
      Só nos sobram desmentidos...


      Acho que o outro era bem mais divertido... mas não consigo lembrar-me de quase nada...
      Abraço grande, Poeta!

      Eliminar
  15. Respostas
    1. Espero conseguir chegar à ponte, Poeta. Esta net maluquinha ainda não me deixou ir levar-lhe o meu sonetilho... está de todo!

      Eliminar
  16. Respostas
    1. Vou ouvir o eco e depois vou ter de me deitar, Poeta. Tenho estado menos bem e amanhã é dia de me levantar antes do sol nascer para ir ao hospital.
      Abraço grande!

      Eliminar
  17. Respostas
    1. Muito de fugida, muito de fugida... mas sempre quer ver as novidades que o chá trouxe da cimeira!

      Eliminar
  18. FADO DA NOSSA RÉ-PUBLICA

    É um fado em dó maior
    Fado sem a nota sol,
    É um fado sem pudor
    Em descendente bemol

    É um fado sem farol
    Um fado sem cantador
    Fado lento, caracol
    É um fado desamor

    Era fado da Ré-publica,
    Venderam-lhe a coisa pública
    Ficou um fado só ré

    Fado da outra senhora
    Triste fado da penhora…
    Penhorado foi o Zé.

    Eduardo

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Poeta, não estou nada bem... nem cabecita tenho para lhe tentar responder em sonetilho. Estou a tentar manter-me firme no Rádio Horizontes mas não sei... quando saí do hospital foi-me recomendado que voltasse às urgências, no S. Francisco Xavier, caso a tensão arterial não estabilizasse depois da medicação SOS que tomei lá... e ela está mesmo muito desestabilizada... nem sei...
      Abraço grande e desculpe...

      Eliminar
    2. Amigo Eduardo!!! Agora é que eu vim ler o sonetilho e vi que era seu! Eu tento responder amanhã... não me sinto mesmo nada bem agora, acho que não conseguiria rimar mesmo nada...
      abraço grande!

      Eliminar
    3. Agora tento mesmo, amigo Eduardo! O máximo que pode acontecer é eu adormecer a escrever ou fazer um sonetilho daqueles de pé quebrado... mas eu acredito que me perdoará, dadas as circunstâncias...


      Minha musicalidade
      É primária, é instintiva...
      Confesso que ela me invade,
      Que, às vezes, me tem cativa...

      Mas é lacuna, em verdade...
      Não poucas vezes me priva
      De falar, com propriedade...
      (Eu nada tenho de Diva...)

      Hoje até tenho vergonha
      De lhe dar fraca resposta
      A versos tão bem pensados

      Poeta doente sonha
      Mesmo, até, quando não gosta
      De ver seus esforços baldados...


      Pronto, meu amigo! Vai coxinho de todo, mas cá vai ele.
      Nunca aprendi música... cresci a ouvi-la e tenho muito bom ouvido - diziam... - mas não desenvolvi uma cultura musical. Acho que me comecei a apaixonar cedo demais pela Biologia , pela Pintura (sobretudo na sua vertente "desenho") e pela escrita... mas sou um pouco "selvagem" em tudo o que sei... provavelmente terá sido a forma que eu encontrei de poder começar tão cedo em tantas áreas... todas elas eram extraordinariamente absorventes e, do desenho, tinha frequentemente de "ser arrancada" para não me "esquecer" de comer. A minha Aurorinha era uma mestra em convencer-me... disso ainda me recordo muito bem...

      Eliminar
  19. “Debitar”

    Quem vive de outputs
    Cedo acaba por secar
    E quem vive de inputs
    Acabará por se afogar

    O equilíbrio é preciso
    Como em tudo na vida
    Para se manter o juízo
    Ao longo desta corrida

    Antes de falar, escutar
    Muitos ecos e vozes
    Vai ajudar-te a crescer

    Também te vai preparar
    E sem atitudes ferozes
    Vida consegues defender.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Amanhã... espero eu! Hoje não dá mesmo... e não é por falta de juízo... :)) é mesmo por falta de saúde.
      Beijinho, Poeta!

      Eliminar
    2. Muito "computadorês"
      Para a minha cabecita...
      Já mal falo português,
      Uma língua tão bonita!

      Pode ser vício burguês,
      Mas não desisto da escrita
      Nem desdenho dos "porquês"
      Que assim me uniram à dita...

      Ser-se assim, no que me toca,
      Pode não ser confortável
      Ou, sequer, compensatório,

      Mas é como pão pr`á boca;
      Sem ele é tudo inviável,
      Pese embora o falatório... :)


      Bem... a parte formal está a ser um bocadinho sacrificada à necessidade de responder com alguma brevidade... desculpe-me, Poeta... dadas as circunstâncias de que já lhe falei, penso que o entenderá.
      Abraço grande!

      Eliminar
  20. Respostas
    1. Pois costuma ter, sim! É tido quase como um ritual e é mesmo um ritual em certas civilizações... só cá em casa é que ele se tornou meio selvagem e é bebido a toda e qualquer hora... mas, cá em casa, somos todos uns "bons selvagens"

      Eliminar
  21. Obrigada Maria :)
    Mas acredita que tenho andado mesmo sem inspiração nenhuma...sabes o que é ter vontade de escrever, de desabafar com o papel, mas não te sair nenhuma frase, nenhuma palavra de jeito? Tenho andado assim :/

    Quanto ao teu sonetilho, está simplesmente fantástico ;)
    Já te disse imensas vezes, mas volto a dizer, que adoro ler o que escreves :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sei pois! É mesmo assim que eu tenho andado...
      Obrigada! :) Já o acho um "sonetilho velhinho"...
      Beijinho!

      Eliminar
  22. “Sem abrigo”

    O nosso país tombou
    No beco da agiotagem
    Não pelo que se gastou
    Mas pela sua voragem

    Com futuro hipotecado
    A liberdade, essa finou
    Resta apenas o mercado
    E o que por cá nos deixou

    Desemprego em ascensão
    Impostos sempre a subir
    E o crédito mal parado

    Levaram a casa e o carrão
    Já não tenho onde dormir
    Temos o caldo entornado.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ai que sono, ai que cansaço!
      Eu, que quero responder,
      Nem sei aquilo que faço
      Ou que deixo de fazer...

      País meu, eu, neste estado
      Pouco sei fazer por ti,
      Mas nunca te quis roubado
      Do tanto que aqui senti...

      Mais um tempo, um tempo mais,
      E talvez te visse, um dia,
      Desafogado e liberto

      Dos interesses colossais
      Dessa absurda oligarquia
      Que te lança em rumo incerto...

      Ah, nem sei se este não saiu a sonhar... mas saiu! Bjo!

      Eliminar
  23. Respostas
    1. Recta ou curva, tem sido uma linda ponte! Ontem à noite estava - e continuo... - ainda mais cansada que o costume. Ainda dei um pulinho ao Face onde duas amigas me tinham adicionado a imagens e poemas, mas só consegui agradecer a uma delas... entretanto a net ficou maluca e eu estava sem forças para andar a contrariá-la. Também estava a dormir em pé... tal como estou agora, apesar de ter dormido bem.
      Vou ver a recta da ponte!

      Eliminar
  24. Respostas
    1. Não sou nenhuma "entendida" em pecados, Poeta... mas... coitado do chá... até ele?

      Eliminar
    2. Foi na TV I
      não foi na TV U

      A cor mas a branco e preto
      na mais estéril balela
      Entrevistaram o Barreto
      e em simultâneo a Manuela

      No conteúdo, nem me meto
      tão rasa era a querela
      e eu não me comprometo
      com o castiçal nem com a vela...

      mas deu-me voltas ao bucho
      o que a encerrar eu ouvi:
      -«tê-los aqui foi um luxo»

      Acreditar nem eu queria
      trocar um U por um i
      não é só iliteracia

      Eduardo

      Eliminar
    3. Olá, amigo Eduardo!


      Pouco ou nada tenho visto
      Na nossa televisão...
      Qualquer dia até desisto
      De a ligar, no tal botão...

      Ando sempre tão cansada
      Que só posso aproveitar
      Uns bocadinhos de nada
      Para tentar poetar...

      Levo sempre imenso tempo
      Pr`a fazer seja o que for
      E, por vezes, adormeço

      Porque este ritmo é tão lento
      Que mal me deixa dispor
      Duns momentos que me ofereço...


      Muito obrigada e um enorme abraço para si e Maria dos Anjos!

      Eliminar
  25. “Alma suja”

    O lixo que nos invade
    Não é o que ansiamos
    Mas é a nossa realidade
    E é com ele que levamos

    A nódoa na nossa alma
    Nosso sangue que se esvai
    Como dor que não acalma
    Na melhor alma nódoa cai

    Humanidade de alma suja
    Não encontra o detergente
    Para as nódoas remover

    Pode ser que um dia surja
    E lave a alma da gente
    Com alma suja é sofrer.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Vi, do lixo nuclear,
      Gigantesco cogumelo
      A crescer e a formar
      Um disco imenso, amarelo...

      Vem de longe, essa ameaça
      Que sempre tive presente
      E em cada dia que passa
      Mais ela fica premente...

      Não será um lixo d`alma
      Mas um perigo é com certeza...
      Nada volta a ser igual

      E, se o homem não se acalma,
      Pode acabar c`oa beleza
      Do seu planeta natal...


      Abraço grande, Poeta! Todos nós, os que agora vamos estando vivos, convivemos, desde sempre, com a ameaça nuclear... é uma realidade incontornável...



      Eliminar
  26. Respostas
    1. Ah, Poeta... a net tem estado uma loucura!
      Consegui publicar mais um soneto (feito "a pulso", daqueles que me deram muito trabalho e que me obriguei a fazer exactamente para não ficar aqui só a "apanhar pó") mas vi-me aflita para o trazer até ao blog. Estou cheia de sono mas ainda vou ver a lágrima na ponte

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

NAS TUAS MÃOS

MULHER

A CONCEPÇÃO DOS ANJOS - Em nove sílabas métricas