SONETO SÓ PARA NÃO FICAR "A GANHAR PÓ"


Dizia dar – promessas são de mel…-
A lua, o sol… inteira, a claridade
Arrancada ao silêncio dum pincel
Em dias de inspirada ubiquidade…

Todo se dava, em juras de cordel,
Julgando conquistar corpo e vontade,
Mas nada o impediu de, na verdade,
Ir resguardando a sua própria pele…

Assim morreu esquecido, esse perjuro
Duma promessa insólita, intangível,
Sem assumir um erro, um erro só,

Onde nunca o encontro, nem procuro,
Elevando uma mão imprevisível
Na qual nada apanhara… a não ser pó.


 






Maria João Brito de Sousa – 24.05.2012 – 20.48h


 


 


Imagem "roubada" da net, via Google - Fonte de Neptuno, palácio de Schonbrunn (com trema :), Viena, Áustria


Comentários


  1. o bom sabor da nostalgia...penso eu

    um bom e feliz dia

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    1. Nem eu sei bem o que é, Anjo... meteu-se-me na cabeça que tinha mesmo que fazer um soneto, que o último já estava lá há imenso tempo... acho que me imbuí de algum espírito "guerreiro" que acaba por transparecer no soneto... e também acho que é contra o próprio poema que me insurjo, porque este não fluiu como os outros e teve de ser construído com muita força de vontade, a partir do nada... pode parecer complicado mas está algures entre uma zanga comigo mesma e com a poesia - pobre poesia... - por se ter ausentado de mim durante tanto tempo.
      A net continua doidinha de todo! Ah, também estava zangada com a net! Talvez por isso acabe por "matar" alguma coisa no final do soneto... mas hoje já estou um bocadinho menos frustrada, embora tenha tido uma noite muito mazinha, cheia de cãibras que dão imensas dores e não me deixam dormir nem uma hora seguida...
      Um bom e feliz dia para ti, Anjo!

      PS - Esta net malvada fez-me repetir este comentário! Que coisa!

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    2. eu sei como é
      mas felizmente melhor...

      boas melhoras
      um xoxo dos calhaus da serra
      e um fim de tarde feliz

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    3. Uma noite serena e bem dormida, Anjo!
      Estou a cair de sono... tenho a impressão de que vou mesmo ter de me deitar mais cedo do que o costume...
      Abraço grande!

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  2. Respostas
    1. Vou já beber o nosso chá, Poeta! Espero que a tontinha da net não me falhe mais uma vez... desde ontem que está insuportável!
      Beijinho!

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  3. A ponte está triste e eu estou cheio de dor de cabeça e vou-me deitar, até amanhã.

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    1. Que pena a ponte estar triste e o Poeta com dores de cabeça... até amanhã. Também eu não estou a sentir-me nada bem e a net continua muito instável. Mas eu vou ver a ponte...
      Abraço grande e as melhoras!

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  4. Respostas
    1. Bom dia, Poeta! Melhor dessa dor de cabeça?
      Vou já ver o chá paciente...

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  5. um grande e feliz fim de semana...arrefeceu o tempo...

    joca

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    1. Arrefeceu tanto, Anjo!
      Acho que passo a Primavera inteira de Kispo e camisolas interiores... e eu gosto tanto dos dias quentinhos... Até leggings ainda estou a usar, por baixo dos jeans...
      Bem... ao menos que tenhamos uma tarde ensolarada e menos ventosa do que a de ontem... em cima das limitações motoras, já ando com o nariz todo entupido...
      Abraço grande!

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  6. MINISTÉRIOS QUIMÉRICOS

    Se o Ministro não ministra
    E é alvo de inquéritos
    É certo que administra
    Em ministérios quiméricos

    Certamente o que registra
    Serão factos hipotéticos
    Pura imagem sinistra
    De espantalhos patéticos

    Cortar relvas ao jardim
    Acho que é melhor acção
    Isso, parece-me a mim…

    Porque é chão que já deu uvas
    Isso de ser espião
    Protegendo as mãos com luvas.

    Eduardo

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    1. Que delícia estes seus Ministérios Quiméricos, meu amigo Eduardo! E já data de anteontem, sem que eu tenha conseguido encontrá-lo mais cedo... a minha net está, há vários dias, com um sinal fraquíssimo e deixa-me constantemente a responder "em seco"... como a saúde não melhorou e eu só consigo vir até cá por breves períodos de tempo, as minhas caixas de correio tornaram-se perfeitamente caóticas e os comentários perdem-se com frequência... alguns até penso que foram publicados mas, depois, constato que não... gostaria de lhe tentar responder em sonetilho, mas estou com imensa pressa pois tenho de ir aos CTT esta manhã. Tentarei mais tarde se a ligação mo permitir.
      Enorme abraço e muito obrigada!

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  7. “Esvaíram a nação”

    Este nosso Portugal
    Precisa duma limpeza
    Anda tudo a correr mal
    Desde o tempo da realeza

    Desinfecta-se o parlamento
    E a comunicação social
    O governo leva-o o vento
    A troika enfia-se no Tarrafal

    Interrompe-se a democracia
    E sem querer ser ditatorial
    Digo-vos que a solução

    É acabar com a partidocracia
    Que nos tem sido prejudicial
    Esvaindo a seiva da nação.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Verdade, caro Prof Eta,
      Mas nem todos os partidos
      Pensam apenas na treta
      Do bem estar dos seus umbigos...

      Quando isto doer a sério
      E chegar o tal momento
      De enfrentar o "grande império"
      No seu descontentamento,

      Talvez eu não esteja cá
      Mas terei estado do lado
      Onde o povo mais ordena...





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    2. Peço desculpa por ter publicado este sonetilho sem a última estrofe. Tive de sair inesperadamente e preferi deixá-lo assim mesmo... vou tentar acabá-lo agora.

      Eliminar
    3. Verdade, caro Prof Eta,
      Mas nem todos os partidos
      Pensam apenas na treta
      Do bem estar dos seus umbigos...

      Quando isto doer a sério
      E chegar o tal momento
      De enfrentar o "grande império"
      No seu descontentamento,

      Talvez eu não esteja cá
      Mas terei estado do lado
      Em que o povo mais ordena

      Sem deixar ao Deus-dará
      O que me dá mais cuidado
      Quando o meu país me acena...

      Abraço grande, Poeta! Espero que a net sossegue um bocadinho ... acho que já estou offline outra vez... vou mas é copiar o sonetilho...

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  8. Respostas
    1. ... e eu acabei por ficar, ontem à noite, a falar ao telemóvel com uma amiga que não vejo há muito tempo e já nem consegui vir à net... ela anda uma verdadeira desgraça mas, ontem, foi mesmo por causa da "converseta"...
      Vou já ver o chá, embora a net continue meia louquinha...

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  9. “Grega tragédia europeia”

    Houve a divina comédia
    Que termina no Paraíso
    Hoje há a Grega tragédia
    Porque não temos juízo

    Somos gregos sem saber
    Por gastar o que não temos
    Em breve iremos perceber
    Pois como eles sofreremos

    Dizem a Grécia irá sair
    Directamente p’ró inferno
    Ouviremos as almas gritar

    E a Europa irá cair
    No purgatório moderno
    Onde as almas vão penar.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Não tenho muitas certezas
      Quanto à tragédia europeia
      Mas penso que somos presas
      De uma bem perversa ideia...

      Não quero crer nos infernos
      - a não ser nos que criamos... -
      E, nestes tempos modernos,
      Nos que nos criam os "amos"

      Só sei que tudo se arrasta
      Numa estranha lentidão,
      Com tantas, contradições

      Que temos que dizer: - Basta,
      Tem de haver revolução
      Pr`acabar c`os vendilhões!


      Estou já a cair de sono, Poeta... e ainda precisava mesmo de fazer uma escolha de textos para um convite que me fizeram... espero não estar já a escrever "em seco" - offline...
      Abraço gde!




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  10. Respostas
    1. Ahhh!!! Escapou-me este chá... e escaparam-me os comentários da Ponte, mas não tenho culpa nenhuma... a net é que "fugiu" sem me dar tempo a deixá-los lá...

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  11. A minha veia poética, se é que tinha alguma, pereceu
    foi levada com o vento, com esse temeroso vento,
    aquele que solta as promessas que as transforma em pó
    e que as leva também...
    Pode ser que regresse, a veia poética, não as promessas,
    essas, que as leve o vento!
    Que traga só a esperança!

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    Respostas
    1. Não te preocupes, Golimix! Esta coisa da "veia poética" é muito parecida com a net... vem e vai quando muito bem lhe apetece... mas volta sempre. Pelo menos a veia poética volta sempre, mais tarde ou mais cedo... é melhor eu não fazer grandes previsões sobre a net, antes que ela se vá embora de vez... eu vou já aí... se ela deixar, claro...
      Beijinho!

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    2. Ai, Golimix! Que paciência que é preciso ter para aturar esta net quando ela decide ir e vir no espaço de poucos segundos... mas olha que as veias poéticas também são um tanto ou quanto parecidas... demoram-se mais tempo, mas também fazem longos, longos intervalos de descanso. A minha maior consolação é saber que acabam sempre por voltar... mas o mesmo já não te sei dizer em relação à net... estou a conseguir escrever sem que ela aparente ter-se ido embora mas, às vezes, vai-se sem dar o menor sinal e isso tem sido uma constante dos últimos quatro ou cinco dias...
      Vou já aí... se ela me deixar, claro...
      Bjo!

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  12. Respostas
    1. Desta vez são dois "contras", Poeta... é a net que continua inadjectivável - belo neologismo :) - e eu que estou a dormir em pé... mas vou à ponte!

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  13. “Tod’a riqueza”

    Tod’a riqueza do mundo
    No afago dum coração
    Pode durar um segundo
    Mas é eterna a gratidão

    De oiro o sorriso que dás
    Diamantes teu olhar terno
    Momento que cá ficarás
    Se assim vivido é eterno

    Se no outro te revês
    Se o outro é teu irmão
    Se ao outro alivias a dor

    Não existem os porquês
    Não existe a divisão
    Existe a riqueza do amor.

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    Respostas
    1. Tarde, mas vou tentar responder-lhe, Poeta!

      Nem sempre a dor passará
      Mas faremos o possível
      Por torná-la menos má
      E também menos sensível

      Mas, se nos ataca a nós,
      Se, conhecendo-nos bem,
      Tentamos calar-lhe a voz
      Como a todos nos convém,

      Nem sempre ela quer ceder
      E quase nunca se apressa
      A deixar de nos doer...

      Se há mecânicas razões,
      Pouco haverá que a impeça
      De cobrir-nos de aflições...


      Aqui vai, Poeta, ainda um tanto ou quanto influenciado pela noite passada que não foi nada simpática e me fez acordar - cheia de sono! - com cãibras.
      Abraço grande!



      Eliminar
  14. “Longa crise”

    Vem de longe a crise
    Já remonta à criação
    Do animal que ajuíze
    Poder matar um irmão

    E usar em seu proveito
    O suor da humanidade
    Não respeitar preceito
    A não ser o da vaidade

    E o poder da ostentação
    Que o poder deve ocultar
    Mas oculto atinge o fim

    Onde meio é justificação
    Pr’a deixar viver ou matar
    Por isso estamos assim.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A vida é competitiva...
      Luta-se logo à nascença
      Por tudo quanto nos priva
      Do conforto da pertença...

      É apenas natural
      Ter desejos desmedidos
      Mas também, de forma igual,
      Querer vê-los mais repartidos

      Do Poder quero é poder
      Afastar-me bem depressa,
      Permanecer bem distante,

      Não me deite ele a perder
      Com a força da promessa
      Ou com mentira constante...


      Beijinho, Poeta! Boa noite!

      Eliminar
  15. Respostas
    1. ... é bem verdade que eu, embora gostando muitíssimo dos belíssimos octópodes vivos, no seu habitat natural, me arrepio um bocado com as ideias e situações a que o associamos... fujo dele, quando é metafórico... mas tenho de aprender a não fugir tanto... vou já, Poeta!

      Eliminar
  16. “Guerra mundial”

    A Rosa de Hiroshima
    É a pequena demonstração
    Que a sede de poder prima
    Pela capacidade de destruição

    Não olha a meios nem fins
    Tudo o que utiliza é letal
    A força das armas ou afins
    Justificam a sede do capital

    O odor a corpos queimados
    Não pára a guerra mundial
    Está em curso, é a terceira

    Diferentes meios são usados
    Nesta não se utiliza gás letal
    Nem o abrigo é a trincheira.

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    Respostas
    1. O poder é suicida
      Embora busque esconder-se
      Mas preserva a sua vida
      Onde a vida irá perder-se...

      Nunca faltaram insanos,
      Que vão construindo abrigos
      - isto dura há muitos anos... -
      Julgando estar protegidos

      Eu prefiro acreditar
      Que não se irá repetir,
      Que a tanto ninguém se atreve,

      Que essa "rosa" irá ficar
      Eternamente a dormir
      E acordá-la... ninguém deve!


      Abraço, Poeta!





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  17. “Casos da nação”

    Na bela desta nação
    Só falam de espionagem
    Porque temos um espião
    Que deixou cair a roupagem

    Passou a gato escondido
    Mas com o rabo de fora
    Gera-se enorme alarido
    Interessava que fosse agora

    Depois vem o Europeu
    E logo a seguir o Verão
    Segue-se-lhe o S. Martinho

    P’ra adega aqui vou eu
    Outros casos se seguirão
    Daí ao Natal é um fininho.

    Prof Eta

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    1. Pobre gato que se esconde
      Sem ter feito nem metade
      Do que o espião, como conde,
      Faz mas nega ser verdade...

      Se os rabos ficam de fora
      Logo alguma distracção
      Há-de surgir bem na hora
      De julgar-se essa traição...

      Podem vir mil europeus
      Ou mil verões dos mais quentinhos
      Que há-de haver quem nunca esqueça

      Que esses cuidados são seus,
      Muito embora os S. Martinhos
      Possam subir-lhe à cabeça...

      Meio palerma, mas aqui vai ele, Poeta!

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