SONETO SOBRE TELA


 


Perscruto estas palavras que burilo


Com olhos de embotado bisturi


Já meio gasto de medir-se aqui,


D`ir-se encontrando nisto e mais naquilo,


 


Mas nunca farta, reproduzo ao quilo


Exactamente as coisas que senti


Só pr`afirmar-vos que vos não menti,


Nem nunca poderia permiti-lo...


 


Agora as letras vão cedendo espaço


À cor das pinceladas do meu traço


E o poema, a sorrir, condescendente,


 


Exibe a cor das tintas que desfaço


Sobre os godés deste soneto escasso


Pr`a tela que se preze... ou se apresente...


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa - 12.05.2012 - 12.18h

Comentários

  1. Respostas
    1. Olá, Poeta!!!
      Que saudades... e que dilema! Eu já lhe conto, depois do nosso chá...
      Enorme abraço de boas vindas!

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  2. PARA O DESEMPREGO…JÁ.

    Sempre teve um protector
    Um ângelo, dos do partido
    E, sendo assim protegido,
    Aos trinta e sete é doutor.

    Trapalhão e distraído,
    Não será trabalhador
    Vai ser, antes, escolhido
    Para administrador…

    Acha, assim, que o desemprego
    Coisa que ele desconhece,
    Com todo o desapego

    Deve ser acalentado.
    O que é que ele merece?
    Ficar já, desempregado!

    Eduardo

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    Respostas
    1. Agora não resisto a responder-lhe com umas redondilhas que acabo de publicar no http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt/ , amigo Eduardo!
      Mas deixo-lhas mesmo aqui... pena não poder pôr a fotografia do gato que "roubei" do Google...



      Terei tudo, ou quase tudo
      Aquilo que eu possa querer,
      Se eriço o dorso e sacudo
      Fraquezas de ser mulher!

      Projectos? Só passageiros,
      Que estes sonhos dos humanos
      Levam-nos sempre aos dinheiros
      E, esse… a espingardas de canos!

      Estatuto? Posses? Certezas?
      Já nem sei o que isso seja…
      Bastam-me estas duas presas
      Brancas de fazer inveja!

      E lá labutar, labuto!
      Tenho a vida preenchida
      Pelas coisas que desfruto
      Ao longo da mesma vida…
      Tudo em mim se complementa
      Na saudável harmonia
      Da ração que me alimenta
      E da paz que me sacia,

      Mas que alguém diga ao meu dono
      Que é bom estar desempregado,
      Que ficar ao abandono
      Não lhe deve dar cuidado,

      Isso não posso aceitar!
      Eriço o pêlo rosnando
      Pr`a melhor lhe demonstrar
      Que até eu estou reprovando…


      Maria João Brito de Sousa – 13.05.2012 – 16.48h



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    2. Agradece, por mim, à poetisa da linha aqueles três sublimes comentários e as redondilhas que se dignou enviar-me no último. Perante tanto talento, a única coisa com que posso colaborar é o título que referi em «Assunto»,
      [GATO ESCONDIDO COM O RABO DE FORA].

      Eduardo

      Eliminar
    3. Eu é que lhe agradeço, amigo Eduardo... mas... será um mail, aquilo a que se refere com esse título? Tenho as caixas de correio numa vergonhosa desarrumação, mas vou procurar...
      Um abraço!

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  3. AS TRÊS FEIRAS

    Andou o Zé, distraído,
    Na festa anos a fio
    E o capital, com o brio
    De o ajudar, compungido,
    Pôs-lhe o crédito ao dispor
    Para a casa de habitar,
    Para outra junto ao mar
    No tempo de mais calor
    E também, e porque não
    Uma ajuda p´ra mobília,
    E para o enorme carrão
    Onde caiba a família.
    Deixou-se o Zé seduzir
    Por tantas facilidades,
    Foi a FEIRA das VAIDADES
    Com tudo a reluzir.
    Depois veio a austeridade
    Imposta pelos credores,
    Foi a FEIRA dos HORRORES
    Da triste realidade.
    Qual cigarra sonhadora
    Levou a vida a cantar
    E o pobre do Zé, agora,
    Para as contas acertar,
    Já entregou ao capital
    A tal casa de habitar
    E a outra junto ao mar,
    Vai ter destino igual.
    O carro familiar
    Lá jaz parado, insensível
    Sem forças para arrancar,
    Por falta de combustível.
    Neste sonho de embalar,
    Todos famintos e rotos,
    Havemos de acabar
    Na FEIRA das ILUSÕES
    Onde medram os vendilhões
    E os caçadores de votos

    Eduardo

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ah, que maravilha! Eu pasmo sempre com esta sua capacidade extraordinária de manobrar a rima e dizer tanto e tão acertadamente!
      Muito obrigada por me fazer chegar estas maravilhas que produz!
      Já abusei do tempo de estar sentada, direitinha, em frente do computador... o corpo faz-me "partidas" que nem pode imaginar... vou fazer um intervalozinho e volto depois de descansar um pouco.
      Abraço grande!

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  4. … e mal pagos

    Seguindo vis pensamentos
    Uma corja de malvados
    Forja os seus argumentos
    E espolia os reformados.

    Não os vencem desalentos
    E ao rigor acostumados
    Distribuem seus proventos
    De saberes acumulados

    Sempre mal avaliados,
    Em armazéns de avós,
    Acabam depositados

    Aos valores da experiência
    Ninguém lhes escuta a vós
    Por néscia incongruência.

    Eduardo

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    1. Olá, meu amigo Eduardo! :)

      Como meros instrumentos
      Que deixaram de ser úteis
      Depois de darem proventos,
      Dizem que são "coisas fúteis",

      Não os sabem entender,
      Dizem não servir pr`a nada,
      Não lhes dão espaço pr`a "ser"
      Quando estão no fim da estrada...

      Mas são eles os tais pilares
      Em que assenta o que começa
      No caminho em construção

      E encerrá-los em lares
      Só porque outros têm pressa...
      Não é boa solução!


      Obrigada e um abraço grande para si e para a Maria dos Anjos!

      M. João



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  5. Pintamos a tela com tintas soltas
    às vezes escolhemos a cor
    outras escolhe-nos ela a nós
    como controlar a pintura?
    Como dominar a demanda?
    Tristes os que não percebem...
    Não percebem que não se pode demandar nem comandar.
    A tela fica mais bonita com tinta solta
    às vezes com escolha, outra vezes escolhendo ela...

    Beijinho e boa semana

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. :D Olá, Golimix!
      O velho Pablo subscreveria estas tuas palavras, garanto-te! Hei-de procurar uma entrevista que lhe foi feita e que tenho guardada não sei onde, para te contar as palavras exactas que ele usou... mas dizem exactamente o mesmo, de uma outra forma...
      Enorme abraço!

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    2. ;) Só quem pinta é que percebe que com a tela à frente somos dominados por ela, é como se pertencêssemos a outra dimensão...

      Beijinho

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    3. É mesmo, Golimix... e a mancha vai-se construindo a si própria através do gesto que flui em simultâneo com essa urgência. Claro que, muitas vezes, sabemos que queremos pintar esta ou aquela figura, mas ela nunca nasce exactamente como a pensamos... há sempre qualquer coisa que nasce directamente do próprio acto de pintar/desenhar...
      Beijinho!

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