A GESTAÇÃO DO POEMA


A GESTAÇÃO DO POEMA
`*


Quando a mente fervilha, o verso é brando


E esgueira-se rumando em rota incerta


Tal qual fora deixada a porta aberta


De um vazio que ao tolhê-lo o vai calando.


*


 


Que lhe não dê ninguém voz de comando,


Pois bem sabe caber-lhe estar alerta


Se irrompe, ideia fora, à descoberta


Daquilo que nem eu sei como ou quando
`*


 


Mas não sabe que parte e vai ficando


Onde eu sei que o criei porque é criando


Que sinto que arriscar me vale a pena


*


 


Do tanto que há de dor se, murmurando,


De rompante me nasce e vai vingando


O que, da mente à mão, se faz Poema.


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa 


09.07.2012 – 18.48h


 


***


 


``


 


 


 


IMAGEM - MATERNIDADE - Tela de Wifredo Lam - 1902/82

Comentários



  1. versar assim
    é como ser o 1º melhor 1º ministro

    atento e dedicado momento de tempo a um versejar
    a um povo contente...



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    1. Credo, Anjo!... Estou a brincar mas, assim de repente, pareceu-me que me estavas a comparar ao PPC... este saiu-me sem eu esperar... estou para aqui aflita com o meu Kico que está com uma tremenda dor de barriga que não passa com nada... julgava que não conseguiria escrever nada de nada que jeito tivesse e, de repente, num intervalozinho em que ele descansou um pouco... tive de escrever este soneto...
      Mas eu vou aí!

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    2. viva a inspiração...

      boas melhoras pró Kico
      e uma grande e feliz manhã

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  2. “Ai o estado”

    Ai o estado da nação
    Em debate na assembleia
    Cruzes canhoto que aflição
    Diz esta malta plebeia

    Por os subsídios perder
    Já não vêem mais além
    Temos por isso o dever
    De debater como convém

    E explicar que o prejuízo
    Tem a ver com os mercados
    Que andam a passar mal

    E não com a falta de juízo
    Do círculo de deputados
    Ou dos governos de Portugal.

    Prof Eta

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    1. Se são escravos dos mercados
      Logo serão responsáveis,
      Fundadamente os culpados
      Das situações condenáveis...

      Mais coerentes seriam,
      Menos culpáveis portanto,
      Se, sabendo que mentiam,
      Mudassem seu belo canto...

      Não cuidemos, portugueses,
      De ver isto aligeirado
      Por mil sorrisos confiantes!

      Passam semanas e meses
      Sem que o "pobre do mercado"
      Volte a ser o que foi dantes!


      Abraço, Poeta!

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  3. “Escuridão”

    P’ra balanço vai fechar
    Também p’ra desinfecção
    Façam favor de emigrar
    Com as calças na mão

    Quem resolver cá ficar
    Assume a sua decisão
    Mas estamos a aconselhar
    Abandonem esta nação

    Ficar será empobrecer
    É o futuro inevitável
    Quer se goste ou não

    Só isto há p’ra oferecer
    Vai que aqui és descartável
    É isto ou a escuridão.

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    1. Venha, pois, a escuridão
      Que a tornaremos em luz
      Pela nossa própria mão
      E, ao país, faremos jus!

      Eu jamais embarcaria
      Deixando ficar por cá
      Quanta indizível magia
      Esta terra, a mim, me dá!

      Tão portuguesa vou sendo
      Que assim, Territorial,
      Não me compro nem me vendo...

      Se sou menos que o que rendo,
      Desculpa-me Portugal,
      É sempre a ti que eu me prendo...


      Abraço grande, Poeta!




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  4. Respostas
    1. Ainda bem que o Chá é amigo. Eu, hoje, estou capaz de engolir alguém...

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  5. “O canudo”

    Eu pretendo ser doutor
    Alguém arranje o canudo
    Tenho equivalência maior
    Fui rei momo no entrudo

    Sou de rara inteligência
    Não por que a quisesse ter
    E da mais fina aparência
    Só doutor poderia ser

    Com uma rara capacidade
    Posso ajudar este país
    A transpôr a recessão

    Ser doutor é necessidade
    E não foi porque eu quis
    Foi um apelo da nação.

    Prof Eta

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    1. Estava eu a ficar farta
      De ouvir falar no canudo,
      Quando recebo uma carta
      Que me faz desabar tudo!

      Canudo não se descarta
      Se houver uns anos de estudo
      Porque não estamos em Esparta
      E já vai longe, o Entrudo...

      Bem bastava a D. Isa
      Sempre a chamar-me doutora
      - apesar de eu nem ter Visa! -

      E, vivendo pr`a escrever,
      O que me faltava agora
      Era ensinarem-me... a ler!!!


      Bem me parecia que me iriam fugir os versos para o meu "tema do dia"...
      Um abraço grande, Poeta! Não ligue àquela careta... sai um sorriso... só para os amigos!


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  6. Olá minha poeta!!! Já nem sequer "és minha" pois outros valores mais altos se levantam....lol!
    Olha vai ler.me e comenta, estou sempre a espreitar e tu...nada! Mázona!
    Beijinhos grandes e...ciumentos!!!!

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    1. Parece que já nem sequer de mim mesma sou, Ligeirinha... eu vou já ler-te!
      Agora apareceu-me no Face uma aplicação que não pára de me enviar notificações... fui ver o que era, carreguei em "não aderir" ou "recusar", mas ela avançou como se eu quisesse aderir...
      O que é certo é que a única coisa que me trouxe à net foi a publicação da minha poesia. Os amigos foram sempre muito bem-vindos, mas vieram por acréscimo... janelinhas de chat e outras aplicações, aborrecem-me e roubam-me um tempo que vai sendo pouco, muito pouco. Claro que sempre gostei destas conversas que vamos tendo nas janelas dos comentários... mas... é diferente. Há qualquer coisa para se ler antes da conversa começar
      Eu vou aí!

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  7. “Pura certeza”

    O mundo é incerteza
    Na sua forma mais pura
    O homem com esperteza
    Torn’a realidade mais dura

    Deves sempre duvidar
    Das receitas apresentadas
    E nunca deixar de criticar
    As verdades consolidadas

    Que o mundo é mentira
    E o homem tudo faz
    P’rá transformar em verdade

    Nada dá e tudo tira
    Por isso tens que ser capaz
    De utilizar a sagacidade.

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    1. Fiz uma coisa que não costumo fazer... li o sonetilho e estou com demasiado sono para responder. Quando estou assim, quase a dormir, nem os leio para manter aquele carácter de surpresa que gosto de sentir e que me "dá a partida" para a resposta... ahhhh... acho que, agora, tenho mesmo que tentar...

      Sei que o mundo é só mudança
      E que é a combinação
      Do que virmos, no que alcança
      Nossa humana percepção...

      De todos os seres viventes,
      Não exclusivamente nosso
      Se não formos coniventes
      Com o "quero, mando e posso!"

      Quanto a mim... sou poeirinha
      Cruzando essa imensidão
      Sobre um remendo de terra...

      Sei pouco, mas foi sozinha
      Que tomei a minha opção
      De aceitar que "humano erra..."


      Pronto... amanhã sou capaz de me arrepender de ter respondido meia a dormir... mas os meus arrependimentos são sempre leves e passam em segundos... ou, se me arrepender mesmo, posso sempre fazer outro
      Boa noite e um abraço grande!



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    2. Acho que não precisa de fazer outro, este assenta muito bem.

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    3. Eheheh... obrigada, Poeta!
      Estou contente porque recebi uma série de fotos dos meus amiguinhos peludos... eu depois ponho-as no álbum do sapo!

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  8. Respostas
    1. Eu raramente perco a minha... mas confesso que andei dois dias sem saber o que era feito dela
      Vou ao Chá!

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  9. “Canção do bandido II”

    Contribuinte amigo
    O governo está contigo
    Contribuinte irmão
    Deixa a contribuição

    Contribuinte palhaço
    Contribui para o ricaço
    Contribuinte solidário
    Contribui para o otário

    Contribuinte insolvente
    Já não contribuis pr’á gente
    Fazes favor de emigrar

    Só nos andas a sobrecarregar
    Amigo e irmão emigrante
    Lembra-te da pátria distante.

    Prof Eta

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    1. Eu, já sem contribuições,
      Faço o que posso fazer...
      Pode nem dar pr`ós melões
      Mas sei que é o meu dever...

      Mesmo não tendo ilusões,
      Tenho, ao menos, o prazer
      De deixar às multidões
      Poemas que sei escrever

      Assim vou contribuindo,
      - quer acreditem, quer não... -
      Da forma que posso e sei

      E espero morrer sentindo
      Que nada disto foi vão,
      Nem foi em vão que eu passei...


      Pronto, Poeta. Foi o que me veio à ideia, como sempre...

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  10. NEGÓCIOS DA CORTE

    Serás meu braço direito
    De acordo com o combinado
    Se ocultares o que foi feito
    Até eu ser aclamado.

    Mas escuta, tem cuidado
    E não tropeces a eito
    Que quem anda acomodado
    Pode perder o respeito.

    Anda, por aí, disfarçado
    De doutor, se tu quiseres…
    Vai vendendo no mercado

    O que for bom, aos credores…
    Se deres provas de o mereceres,
    Terás, sempre, os meus favores.

    Eduardo

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    1. Depois da palavra dada
      Tudo o mais será cumprido
      Porque a palavra é "sagrada"
      E eu não sou nenhum bandido

      Mas se a "coisa" é "ventilada"
      Podes crer que estás ***ido*
      Porque, a traição consumada,
      Respondo com desmentido!

      Portanto, queiras ou não,
      Hás-de fazer como eu disse
      Sem armar-te em valentão!

      Haja, depois, o que houver,
      Não terás grande chatice
      Pois sempre eu te hei-de valer!


      Boa noite, amigo Eduardo!

      Acabei por dizer praticamente o mesmo que diz no seu sonetilho... só não é um plágio porque usei outras palavras. Foi-me vindo assim e eu aproveito sempre o que me surge. Mas também é verdade que não costumo ser tão repetitiva... penso que aderi muito espontaneamente a este seu poema

      Um abraço grande para si e Maria dos Anjos!

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  11. Respostas
    1. E, hoje, garanto que era o que me apetecia fazer...
      Estou fartinha de procurar a minha caderneta escolar - a do liceu - e não sei onde a meti... lenta e "empenada" como estou, ainda chego ao dia de a apresentar sem a ter encontrado...
      Mas eu vou já, Poeta!

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  12. “Mundo de trapo”

    O povo merece a paz
    Oferecem-lhe a guerra
    Então que diferença faz
    Nesta luta pela terra

    Pela saúde e habitação
    Se é filho da pobreza
    Tudo quanto não lhe dão
    Seria a sua riqueza

    Está traçado o destino
    Com uma bola de trapos
    É ver sorrir o menino

    A quem roubaram o pão
    E deixaram uns farrapos
    ... até quando a ilusão ?

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    1. Oiço agora o doutor Crato
      A dizer poder poupar
      No que dá - ao desbarato! -
      A quem não vai trabalhar...

      Agora eu queria saber
      A que mais de mil sonetos
      Poderão equivaler
      Segundo os novos decretos...

      Sempre os deixei ao dispor
      De toda a comunidade
      Dos que falam português

      Valem seja quanto for
      Porque em mui boa verdade,
      Tantos, quase ninguém fez...


      Poeta... que hei-de fazer? Ia começar a escrever quando ouvi o dr. Nuno Crato a falar dos subsidiários do rendimento social de inserção e a realidade tomou-me conta dos dedos e teclou isto... mas eu sei que o assunto do seu sonetilho também é bem real e mais abrangente... mas acho que o maior problema está a ser encontrar a bendita caderneta que não consigo encontrar no meio destes milhares de livros, papéis, manuscritos e fotografias... para além de não saber lá chegar.
      Mas olhe que estou a utilizar o mesmo argumento que utilizei quando tinha cerca de um ano e, pela primeira vez, rabisquei a parede da sala.... sei-o porque isto se tornou histórico para a família;
      a minha mãe veio ter comigo e perguntou-me QUEM tinha rabiscado a parede. Segundo ela, respondi com a maior das sinceridades;
      - Foi a minha mão! Fugiu-me e desenhou aquilo!

      Eu sempre fui muito boa a traçar a figura humana, mesmo muito antes de ter idade para o fazer e, pouco depois, tinha autorização para desenhar nas paredes da sala, sempre para as tentar "decorar", segundo me foi pedido pelo meu avô. O que é certo é que nunca ninguém me ralhou por desenhar nas paredes...

      Abraço grande!

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  13. Respostas
    1. Deixe-me adivinhar... teve mais de trinta equivalências!?
      Vou já ver!

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  14. “O doutor e o amigo”

    Um sábio comentador
    Da política reformado
    Que por acaso é doutor
    Está muito bem instalado

    Todos escutam o que diz
    Vende conselhos a peso
    No perfil sobressai o nariz
    Anda sempre bem vestido

    Já propõe remodelações
    Para o governo da nação
    Eu cá também lhe digo

    Os conselhos são canções
    Que transportam a emoção
    De uma cunha p’ró amigo.

    Prof Eta

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    1. Eu, de cunhas, só conheço
      A que o Kico quer "meter"
      Dando-me mil marradinhas
      Enquanto, aqui, recomeço
      A tarefa de escrever,
      Pelo menos, umas linhas...

      Coitado! Está "apertado",
      Desejoso de ir à rua,
      E eu teimando em não largar
      Uns versitos sem cuidado,
      Desta poesia crua
      Que antes de ir quero deixar...

      Lá vou eu... mas volto já
      Pois nenhum de nós aguenta,
      Nesta coisa dos passeios,
      Mais passos do que os que dá
      Uma tartaruga - e lenta! -
      Num dia de devaneios...


      Até já, Poeta!

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  15. a mais bonita tarde feliz...

    e vocês se quiserem
    chá de carqueija serrana
    é só dizer que eu envio...da pura...hé hé hé

    tive a ler as vossas tiradas
    e gostei...

    belo dia

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    1. Eu já disse - e repito! - que estas nossas tiradas em sonetilho ainda vão parar ao Guiness! Não sei é como issi se faz... concorrer, propor, ou seja lá o que seja... mas ninguém bate este nosso record de sonetilhos!

      Tarde MUITO feliz, Anjo!

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    2. de assim ser
      também duvido
      e sonetar então....

      pra vocês...



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    3. Não deve haver, Anjo, quem tenha feito tanto sonetilho quanto nós fizemos ao longo destes... sei lá... para aí ano e meio... ou mais.

      Abraço grande e uma linda noite para ti!

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    4. à amizade bonita de vocês (sumo de laranja)

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    5. Anjo! Sumo de laranja? Claro que sim! Gosto muito!

      Um grande abraço!

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  16. “Abolição da pena de fome”

    Foram adoptados por Deus
    Ao romper da bela aurora
    Antes não passavam de ateus
    Experimentam a magia agora

    De ser filhos de pai imenso
    Irmãos de toda a humanidade
    Entre irmãos houve consenso
    Nascendo com simplicidade

    Um mundo novo e fraterno
    Onde a fome foi abolida
    Porque se repartiu a pobreza

    Com os detentores da riqueza
    Que patrocinaram a comida
    Criando este paraíso terreno.

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    1. É enorme, essa utopia...
      Muito maior do que as minhas
      Que, quanto a filosofia,
      São mesmo pequenininhas...

      Sempre disse ser pardal
      De asinha meia quebrada...
      Não alcanço um espaço igual
      Pois tombaria cansada...

      Erro o mínimo possível
      Se, dentro dos meus limites,
      Voo acima dos telhados,

      Mas seria erro punível
      Embarcar noutros palpites
      Tendo os limites marcados...


      Até já, Poeta!

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  17. Respostas
    1. Vou lá daqui a bocadinho, Poeta. Hoje é dia do Rádio Horizontes da Poesia e eu até tenho medo de vir aqui... às vezes fico sem ligação e vejo-me aflita para a recuperar...

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  18. “Democracias”

    Uns tirinhos para o ar
    Na era pós eleitoral
    Que mais há a esperar
    A democracia vai mal

    Não se sabe aceitar
    Resultado da negociação
    Nem tão pouco respeitar
    A hierarquia da votação

    Anda o povo a reboque
    De quem é rei e senhor
    E só tem voz na eleição

    Dando o voto ao escroque
    Que se arma em doutor
    E se faz dono da nação.

    Prof Eta

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    1. Quem hoje é senhor e rei
      Pode, amanhã, já não ser
      Pois não hão-de impor a lei
      Que a todos nos vai perder!

      As hierarquias, amigo,
      Só devem ser respeitadas
      Se nos não põem em perigo
      Mentindo, impondo "fachadas"!

      Tarde ou cedo, hão-de cair
      Que quem nos rouba direitos
      E nos diz que estamos bem,

      Só merece o que há-de vir;
      Lixemos esses eleitos
      Que nos tratam com desdém!


      Poeta, estou a dormir em pé... amanhã, se tiver um bocadinho, lembre-me para lhe dar um recado da nossa amiga Maria Luísa, está bem? Embora eu, amanhã, nem saiba como fazer para ter coragem de vir à net... tenho de me preparar para a tal acção de forma(ta)ção Estou furiosa por causa disso! Furiosíssima!!! Tenho de ir arranjar fotocópias dos documentos todos e arranjar alguém que me leve lá. Detesto incomodar as pessoas por coisas que não fazem sentido! E não há quem me convença de que faz sentido ir ensinar - o quê??? - a uma pessoa com a minha idade e uma doença crónica que, ainda por cima, produziu em quase cinco anos uma obra tão vasta de soneto em decassílabo heróico... para não falar nas outras formas de poesia... claro que é serviço de utilidade pública! Os meus blogs são públicos! Estão e estarão sempre abertos a todos os que falam a língua portuguesa! Estou capaz de sei lá o quê, Poeta!

      Até amanhã e um abraço grande!


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    2. Lixemos pois. Vá, leve o seu "Pequenas Utopias" e declame uns sonetos aos seus colegas e formdores, não esqueça de levar também o link da editora pois pode ser que queiram depois comprar a obra. E olhe que não estou a brincar encare esta sua deslocação como uma acção de marketing pessoal, distribua sorrisos e simpatia e sobretudo aconselhe vivamente a compra da sua obra na net.

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    3. É que, ainda por cima, já não tenho um único livro! Tinha aquele que viu prometido a um amigo e já lho entreguei... mas posso levar aquelas folhas biográficas que o Poeta fez o favor de preparar para o lançamento... e, quando for às fotocópias dos documentos todos que me pediram, peço para me digitalizarem o link da editora! Eu não tenho jeito nenhum para vendas e publicidade, mas... se calhar, zangada como estou, até passo a ter...

      Agora tenho mesmo de me ir deitar, ou ainda caio... estou a fazer um tremendo esforço para manter os olhos semi-abertos... beijinhos!

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  19. Avé Charles que tão bem canta na ponte.

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  20. “Vida sem esperança”

    Estou preparado p’rá crise
    Não vou precisar de favores
    Nem de quem por mim ajuíze
    Sei que a crise é de valores

    Vale mais um activo tóxico
    Que envenene a humanidade
    Do que um princípio ecológico
    Ou que a própria fraternidade

    Valem mais uma horas d’ócio
    Para a vida não há esperança
    Que a esperança foi abatida

    Se vale mais um bom negócio
    Ou mesmo uma boa herança
    Do que vale a própria vida.

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    1. Excelente! Sobretudo a parte final está muitíssimo boa!
      Não lhe vou conseguir responder hoje, mas sempre lhe digo que o último terceto está metricamente correctíssimo. Eu é que não estou lá muito bem e, neste momento, nem para protestar em verso sirvo... e ainda preciso de ir encontrar o link da WAF. Escrevo-o mesmo à mão.
      Abraço grande!

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    2. Para a vida há sempre esperança!
      Esperança só não haveria
      Se essa tremenda matança
      Fosse a saída ou a via...

      Vai continuar, teimosa,
      Seja de que forma for,
      Pouca ou muita, mas viçosa
      E alastrando qual rumor...

      Esta faceta animal
      Que há em nós, nos multiplica
      E nos torna resistentes

      Será essa que, afinal,
      Nos anima e vivifica
      Se dela estamos conscientes...


      Poeta, respeito e respeitarei sempre o animalzinho que existe em mim e em cada um de nós. Muitos não o saberão, mas a vida , podendo parecer curta e efémera, é no entanto uma força poderosíssima! Aposto tudo nela, com todo o amor de que ela é capaz e que lhe é inerente. Disse e repito que aprendi muitíssimo com os animais não humanos que me têm acompanhado ao longo da vida. Sei quão dignamente eles conhecem o momento de partir, mesmo que não percam tempo a tecer grandes teorias sobre a morte, e sei a imensa felicidade que eles transportam consigo em troca de, tão só, o alimento estritamente essencial à sua sobrevivência... e um pouco de amor. Porque o sabem sentir... e sentem. Todos, todos nós, merecemos a sobrevivência enquanto espécies e é nisso que acreditarei até prova em contrário ou até que chegue a minha altura de partir também.
      Abraço grande!

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    3. Sorte de principiante que eu não percebo nada dessas coisas.

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    4. Principiante??? Qual principiante, Poeta? Já anda aqui a "batalhar" no sonetilho há mais de um ano e muito embora nunca me tenha dito que percebia de métrica, ela vai-lhe começando a surgir quase inconscientemente... mas vai mesmo! É o ritmo e, acreditem ou não os que nos lêem, é como a valsa que acabo de ouvir... música, ritmo, harmonia! E é mérito seu, Poeta!

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  21. Respostas
    1. Pensei nem vir à net, Poeta. Só por volta das 21h encontrei a caderneta da conta. A correcta porque a que tinha encontrado à tarde, era de outra conta muito antiga que está encerrada há muitos anos. Encontrei-a e fui tentar fazer as fotocópias, mas a loja tinha fechado quando lá cheguei. Pousei a caderneta e esqueci-me onde. Tenho estado, até agora, a procurá-la, ao ponto de sentir as lágrimas a quererem saltar-me dos olhos.
      Não estou habituada a estar tão zangada quando o assunto é pessoal... mas estou. E não gosto nada de estar assim.
      Vou ouvir a Nana, mas já não devo conseguir responder ao sonetilho... até já, Poeta!

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  22. “Teoria dos impérios”

    Agora é preciso abrandar
    Afirmou o sábio alemão
    Tudo se está a transformar
    Não sabem p’ra onde vão

    Neste enorme desmoronar
    Ainda alguns se salvarão
    Serão esses a continuar
    O que restar da missão

    Esses novos missionários
    São aqueles que erguerão
    Com muito sangue e suor

    Novo impérios milionários
    Que a seu tempo implodirão
    Com estrondo muito maior.

    Prof Eta

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    1. Talvez sim... ou talvez não
      Seja como diz, Prof Eta...
      Talvez haja evolução,
      Talvez nos surja outra meta

      Que não leve à implosão
      E que não seja uma treta...
      Tudo está na nossa mão,
      Mas nem sempre em linha recta ...

      Já o capital mostrou
      Tudo o que tinha a mostrar...
      A muitos, nunca enganou

      Mas há gente que não vê
      Até onde ele quer chegar,
      Por mais voltinhas que dê....


      Até já, Poeta!


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  23. A NOSSA MÚSICA

    Tantos, tantos festivais
    P´ra tantos desempregados
    São todos tão desejados
    São todos caros demais

    Que os paguem os seus pais
    Que já estão reformados
    E já estão antiquados
    P´ra andarem em bacanais…

    Em tempos mais recuados
    Amealharam a mais
    Às enxadas agarrados,

    Arejem seus capitais
    Com quem já fez os mestrados
    Ou os estudos gerais.

    Eduardo

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    Respostas
    1. Quanto humilde português
      Não investiu em seus filhos
      - idealismo burguês? -
      Pr`a livrá-lo de sarilhos?

      Pr`a lhes dar vida melhor,
      Era o canudo uma via...
      Ser pai dum senhor doutor
      Era o sonho, a mais-valia...

      Mas, agora, quantos desses
      Que anos e anos estudaram
      Para ter o tal canudo,

      Enfrentando estes revezes
      Sabem que o que conquistaram
      Foi a memória dum estudo...


      Boa tarde, amigo Eduardo!
      Aqui vai o imperfeitíssimo sonetilho que me ocorreu depois de ler o seu que, como sempre, é perfeito.
      Estou tão lenta que, se fosse mais "normal", choraria.... mas como tenho de aprender a viver com esta lentidão toda, até me dá vontade de rir... lembro-me de um tempo - ainda muito recente - em que produzia um soneto por dia, olho para a data do último que publiquei e começo a sentir-me preocupadita... já lá vão doze dias... mas também sei que a maioria dos poetas passa por fases de grande produtividade, intercaladas com outras de total ausência da dita... paciência! Só espero que não se eternize, tal como esta crise física parece estar a fazê-lo...
      Muito obrigada por mais este sonetilho e um enorme abraço para si e Maria dos Anjos!


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  24. Respostas
    1. Ontem não consegui ficar até às "desoras" do costume, Poeta. Estava muito cansada da ida a Alcoitão. Mas vou lá agora!

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  25. Respostas
    1. Pobre Chá... ou pode ser uma metáfora sobre o calor de que toda a gente, menos eu, se vai queixando...

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  26. Amigo Fernando

    Quando eu vim para Grândola, em 1955, o jardim 1º de Maio, então 28 de Maio, estava cheio de maravilhosas esculturas de buxo, feitas pelo Artur Jardineiro, pai do meu aluno, tabém Artur. O pai anda, agora, a embelezar os jardins do EDEN. O filhoainda por aí encontra, de vez em quando, o velho professor. Hoje, ao deliciar-me, com aquelas obras de arte da jardinagem japonesa que me enviou, ergui os olhos aos Céus e vi por lá, no tal jardim, o Artur jardineiro, na sua tarefa eterna. Enviei para lá uma brave oração e dediquei-lhe, em singela mas sentida homenagem, este


    REJUVENESCER

    Também eu quisera ser
    Um jardineiro assim,
    Fazer rejuvenescer
    O que Deus criou p´ra mim

    E ao arbusto a crescer,
    Transformá-lo em frenesim
    E do galho a fenecer,
    Fazer, de novo, um festim…

    E ver outra vez a Terra
    Forrada das verdes selvas
    Destruídas pela guerra

    Não ver mais jardins queimados
    E acreditar que as relvas
    Pintaram de verde os prados.

    Eduardo

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    Respostas
    1. Lindíssimo, o sonetilho que dedica ao Artur Jardineiro, meu amigo Eduardo!
      Não me sinto com grande capacidade de escrever, hoje, um sonetilho resposta, mas trago-lhe até aqui um dos meus sonetos de 2008, se não me engano, que de alguma forma evoquei ao ler o seu

      A ILHA

      Serei sempre uma ilha de paixões
      Rodeada de mundo a toda a volta...
      Deserta por decreto da revolta
      Que me encheu de lagoas e vulcões...

      Em mim os animais são aos milhões!
      Procriam sobre mim à rédea solta
      Pois, sobre a estranha lava que me solda,
      Lavrei um verde manto de ilusões...

      E neste Paraíso em que me dou,
      Germinam embondeiros, brancos lírios,
      Sou Arca de Noé de âncora presa!

      Talvez alguém duvide do que sou,
      Talvez seja mais um dos meus delírios,
      Talvez seja uma forma de defesa...


      Maria João Brito de Sousa – Maio 2008

      Um grande abraço para si e Maria dos Anjos!

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  27. “Imagine-se”

    Os limites que conheço
    São os da imaginação
    Mesmo assim reconheço
    Que não me limitarão

    Pois além desta fronteira
    Imagino outras possíveis
    Não constituirão barreira
    Serão todas transponíveis

    O homem é limitado
    Apenas porque ele quer
    Impõe a si próprio o fado

    Quando o jazz é tão rico
    Mas venha lá quem vier
    P’la imaginação não me fico.

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    Respostas
    1. O Jazz é rico e a pintura
      Não lhe fica nada atrás,
      Como não fica a escultura
      Envergonhada pl`o Jazz...

      Somos mesmo ilimitados
      Na nossa imaginação
      Mas, por vezes, descuidados
      Podemos pensar que não...

      Sei bem que este sonetilho
      Vai muito "mal acabado"
      Pois passei a tarde inteira

      A desfazer um sarilho
      E a pôr sonetos "de lado"
      Em meio a grande canseira...


      Poeta, calculei que ontem tivesse sido um dia mais activo do que o costume!
      Enviei-lhe um ou dois mails a falar da minha ida a Alcoitão, mas já recebi o Quique, o Vicente e o Tomás de volta
      O Quique está numa idade em que se nota muito a passagem nem que seja de um mês! Ainda me lembro dele no primeiro dia em que o vi e acho uma enorme, enorme diferença!

      Abraço grande para todos vós!

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