PINTURALTERNATIVA
PINTURALTERNATIVA
A pena já me dói… que pena tenho
Que a pena, por doer, me perca assim
E desperte o poema aceso em mim
Assim que pouso a pena e me detenho.
Por cada verso escrito, outro desenho,
E, assim que o terminar, todo um jardim
Como se esse poema fosse, enfim,
A tela que, magoada, então desdenho…
Cada palavra, um plástico murmúrio
A desenhar-se em flor num belo antúrio
Da cor que eu decidir nesse momento,
Porque a gestualidade, embora presa,
Não desdenha outras formas de beleza
Nem me acusa afirmando que as não tento.
Maria João Brito de Sousa – 23.07.2012 – 18.49h
ResponderEliminare ao bom de ser
já nem um link consigo fazer...
http://www.youtube.com/watch?v=CJaCEU8mrQs
uma bela noite
Como não, Anjo? Está todo bonito, o link! Vou já até lá.
EliminarNoite feliz para ti!
“Tigres de papel”
ResponderEliminarA austeridade hipotecou
Siesta a nuestros hermanos
O tradicional sono acabou
Despertam por muitos anos
Acordam para o pesadelo
Por isso não querem dormir
Acordados não irão tê-lo
Se adormecem pode surgir
Bem vindos ao carrossel
Vertiginoso dos mercados
Não mais penseis sair daqui
Sois os novos tigres de papel
Para todo o sempre acordados
É a tortura do sono do FMI.
Prof Eta
Nuestros hermanos têm um sono menos pesado do que o nosso, Poeta...
EliminarMercados pouco "elitistas"...
No que toca a dizimar
Seguem a ordem das listas
Dos remédios pr`acalmar...
Fazem contas e maquinam
Pr`a salvar o seu sistema,
Mas são más águas que inquinam
As razões do próprio esquema...
Se isto não for surreal
- muito embora mascarado... -
Nem difícil de entender,
Devo ser eu quem está mal
C`um discurso atravessado
E sem forma de o esquecer...
Abraço grande, Poeta!
Ode que triunfa, na ponte.
ResponderEliminarVou ver essa Ode Triunfal, Poeta!
EliminarO chá comunica.
ResponderEliminarJá somos dois... o Chá e eu!
Eliminar
ResponderEliminarao belo sorriso teu
e uma feliz tarde também.
“Eternidade II”
ResponderEliminarNão deve ser obsessão
Porque a eternidade vem
E com ela a consagração
Acaba por chegar também
Conferindo a imortalização
Que esta vida nunca tem
Apenas com a reencarnação
Nessa outra vida se obtém
E assim tornado imortal
Com a obra reconhecida
Uma estátua te erguerão
Majestosa, na terra natal
Não nesta, mas noutra vida
Para sempre te reconhecerão.
EliminarQue maior estátua, o escritor,
Pode ter quando, se lido
E tendo dado o melhor,
For, depois, compreendido?
Houve tempo em que sonhei
Uma estátua, é bem verdade,
Mas cresci e agora sei
Que era mera ingenuidade...
Sonho ainda, isso é bem certo,
Ser lida ao longo dos tempos,
Ficar cá, depois da morte
Qual poema a descoberto
Da alegria ou desalentos
Que nos calharam em sorte...
Já cá volto, Poeta! Hoje é o 1º aniversário do Rádio Horizontes!
La ponte da gracias.
ResponderEliminarO chá dos deuses.
ResponderEliminarA velha Ambrosia? Vou ver
EliminarQuem é a velha Ambrósia?
EliminarNão... velha Ambrosia, Poeta, a bebida sagrada dos deuses do Olimpo. Era a esse néctar mitológico que eu me referia...
EliminarEspere lá que eu já lhe digo se a Wikipédia tem algum artigo sobre isso... deve ter...
encontrei este mas só em inglês http://en.wikipedia.org/wiki/Ambrosia li em diagonal, a correr, mas parece-me razoável. Depois, com tempo, hei-de procurar melhor. Parece-me impossível que não tenham nada em português...
OK, obrigado, um ser complementa sempre outro ser.
EliminarSignificado de Ambrosia:
S.f. Substância mágica comida pelos deuses da mitologia grega e romana. ? Às vezes, era misturada com néctar e bebida. Os deuses mantinham sua imortalidade banhando-se nela ou esfregando-a na pele. Sem ambrosia, eles ficavam fracos. Um ser humano que a bebesse tornava-se forte e imortal. A palavra ambrosíaco significa delicioso, saboroso. / Fig. Coisa que deleita, que causa grande prazer; comida ou bebida deliciosa. / Bras. Doce de leite com ovos. (A pronúncia culta é também ambrósia, salvo o doce brasileiro.)
http://www.dicionarioinformal.com.br/significado/ambrosia/5908/
Eu é que agradeço, Poeta! E olhe que isso das complementaridades é mesmo uma realidade... eu é que já complemento muito poucochinho porque estou cada vez mais "empenada"
EliminarAinda quanto à Ambrosia, parece que surge agora como alimento, mas aquela gente no meio da qual eu cresci - era gente com profundos conhecimentos da mitologia greco-romana - sempre a encarou como bebida. É essa a versão mais clássica e a que deve permanecer, julgo eu, pois os deuses dessa mitologia não comiam. O seu alimento era apenas a "bebida mágica", o" néctar dos néctares", o "líquido sagrado". Tenho pena de já não me lembrar de nada disso, nem poder fazer citações... mas lembro-me de que na versão clássica e mais purista a Ambrosia era um líquido.
Segundo a lenda, Ulisses foi amamentado com Ambrosia e foi esse líquido que lhe conferiu a força sobre humana e a nobreza de carácter dos deuses (????) Claro que os deuses da mitologia greco romana deixam muito a desejar em termos de outras qualidades, rsrsrs... sempre os achei muito prepotentes, intriguistas e invejosos uns dos outros... mas... como folclore religioso eu, em tempos que já lá vão, achava-lhes muita graça e li bastante sobre o assunto. Pena é já não me recordar de quase nada... também recordo que alguns deles eram bastante justos e dignos, mas acabavam quase sempre por ser "castigados" por isso... enfim, foi um tema que me fascinou na infância e do qual retive uma ou outra memória mais ou menos vaga...
Vou-lhe deixar um link para o Sebo Literário que a Poetisa Carmo Vasconcelos e o Professor Carlos Leite Ribeiro fizeram o favor de criar para mim no Portal CEN. Ontem fiquei tão sem palavras que tive de me ir deitar mais cedo, já nem consegui fazer nada senão passear o meu Kico... e com dificuldade porque tenho estado mesmo bastante pior da coluna - penso eu que tem a ver com as hérnias discais, embora a médica tenha pendido para um agravamento do Lúpus - e o andar ou estar sentada a trabalhar, exigem-me um esforço enorme... e penoso. Aqui fica
http://www.caestamosnos.org/sebo/M_JOAO_BRITO_DE_SOUSA/M_JOAO_B_SOUSA-SEBO-1.htm
Abraço grande!
Está um espectáculo e é uma justa homenagem, a sua aparição tão bem produzida no CEN. Eu sei e sinto que é bem verdade o que escreveram, eu simplesmente não saberia dizê-lo daquela forma.
EliminarJá agora quem é o Vasconcelos?
Eu também não saberia... e acho que é uma homenagem excessiva... mas fiquei sem palavras, tal foi a surpresa!
EliminarNão é o Vasconcelos... é a Carmo Vasconcelos - Carminho - uma grande poetisa e sonetista portuguesa, Secretária do Portal CEN. Espere que eu já lhe deixo o link dela
http://www.caestamosnos.org/sebo/CARMINHO/carminho.html
e há o Professor Carlos Leite Ribeiro
http://portalcaestamosnos.blogspot.com.br
e ainda o formatador de Arte Visual, Mestre Henrique Lacerda Ramalho. Ainda nem agradeci "decentemente"... fico sempre sem palavras...
“Frango depenado”
ResponderEliminarQue se lixem as eleições
O que interessa é Portugal
Passarinhos ou passarões
Chegam fritos ao Natal
Que a receita de milhões
Já nos está a correr mal
Errámos contabilizações
Mas outro assalto imoral
Já estamos a preparar
Novo orçamento d’estado
Com subsídios de ficção
A todos iremos depenar
Que um frango depenado
É a nossa maior satisfação.
Prof Eta
Pobre frango depenado
EliminarSem fazer mal a ninguém
Mas pr`a poder ser assado
Com penas não fica bem...
A receita estava errada
Logo desde o seu começo!
Fica a refeição estragada
Mas ficou-nos alto, o preço!
Quando chegue o orçamento
Pouco encontra pr`a roubar
Pois estamos já bem vazios
E assados em fogo lento,
Na travessa a marinar...
Vão ficar a ver navios!
Abraço grande, Poeta!
70 primaveras na ponte.
ResponderEliminarEna Vou ver!
EliminarO chá tem crédito.
ResponderEliminarVou ver isso, Poeta
Eliminar“Mundo cruel”
ResponderEliminarSair da crise, nascer de novo
Dois séculos mais à frente
Ser filho dum outro povo
Já estou farto desta gente
Adeus, ó mundo cruel
Pleno de imensas riquezas
Cheiras a morte, sabes a fel
Ninguém te gaba as belezas
Vãs promessas nós ouvimos
Já não podemos acreditar
Por tudo isso partimos
Sem vontade de cá voltar
E agora que sucumbimos
Ó mundo cruel podes chorar.
Tempos piores se viveram...
EliminarTudo iremos aguentando
Que outros males já nos perderam
Sem termos qualquer comando...
Não estou farta desta gente...
Só da estranha indecisão
Que a torna tão descontente
Mas não a faz dizer, Não!
Vãs promessas são... promessas
Que sabemos não cumpridas
Porque tudo anda às avessas
E, no que diga respeito
A tramas tão mal urdidas...
Temos pena! Não me ajeito!
Abraço grande, Poeta!
Hoje o sono veio bem mais cedinho... e é pena porque eu ainda tinha imenso que fazer no novo Portal... mas estou mesmo muito, muito cansada...
Pátria na ponte.
ResponderEliminarAhhh, Poeta... um atraso imperdoável, o meu... mas tenho muito bons motivos! O Joaquim Sustelo fez mais um programa extra, para celebrar o primeiro aniversário do Rádio Horizontes da Poesia... ainda por lá estou, mas os poemas já acabaram. Vou já à Ponte!
EliminarO chá pondera.
ResponderEliminarPobre do Chá! Está a ponderar desde manhã e eu tive um dia demasiado complicado para descrever aqui. Nada "do outro mundo"... apenas uma série de circunstâncias que se reuniram de modo o tornar-me a vida um pouco mais difícil...
EliminarAté já, Poeta!
“Quem nos salva”
ResponderEliminarDraghi o novo salvador
Da Europa em turbilhão
O que fará este senhor
Senão ir ao beija-mão
Tanto economista sabedor
Emitindo douta opinião
Mas nenhum saiu doutor
P’ra curar esta recessão
Com prognóstico reservado
Necessita duma transfusão
E não de tanto cinismo
Não vejo ninguém habilitado
Para esta exigente missão
De nos salvar do abismo.
Prof Eta
Não vou conseguir responder em sonetilho, Poeta. Estou com febre e uma dor de cabeça monumental... para além de ter andado demasiado e me sentir boa apenas para ir para a cama e dormir... mas...
EliminarNão vejo outros salvadores
Se não nós, o próprio povo
Deste país que uns "senhores"
Deixam afundar, de novo...
Neste moroso processo
De acordar pr`ó qu`é real,
Valemos todo o teu peso
E o teu nome, Portugal...
O inimigo é só um;
A banca e seus servidores
Contra a força produtiva
Que quer quebrar o jejum
Imposto pelos senhores
Da ganância destrutiva!
Vou tentar levar este "coxito" para o Blog Not e para o Prémios Prosa Poética... antes de adormecer. Penso que ontem nem o cheguei a fazer...
A ponte subiu o Corcovado.
ResponderEliminarAinda vou ao Corcovado, Poeta
EliminarO chá está em jogo.
ResponderEliminarVou ver, Poeta!
EliminarO chá não está na lista.
ResponderEliminarNa lista? Vou ver, Poeta!
Eliminar“O original”
ResponderEliminarRegressar à simplicidade
É tudo o que precisamos
Pois na actual sociedade
Já nem sequer nos amamos
Com cópias de originalidade
Nós já não nos cativamos
Só p’lo original e sua verdade
Ao bom caminho regressamos
Demasiado tempo passou
Fomos envoltos em poluição
Estamos todos conspurcados
Só uma esperança vos dou
Há que voltar ao rio Jordão
E sermos de novo baptizados.
Uma metáfora, Poeta, segundo entendo...
EliminarIremos reinventar-nos
Segundo as necessidades
E ao sabor das circunstâncias
Com a forma que criarmos
Que acredito sem vaidades
E sem as velhas ganâncias
Mas nunca a bem de uma elite,
Nunca em prol de outro poder
Que não o que produzimos
Muito embora eu acredite
Que alguns de nós vão sofrer
Muito mais que o que previmos...
Saiu-me em sextilhas, Poeta...
Um abraço grande!
E agora ponte.
ResponderEliminarE agora a Ponte, Poeta
EliminarO chá não ostenta.
ResponderEliminarO Chá é simples
Eliminar“Não há vida além do lucro”
ResponderEliminarO nosso lucro subiu
Nem imaginas quanto
Nem quantos destruiu
Ou ficaram num pranto
Mas só o lucro é vida
Tudo o mais é a sorte
Vivemos se há subida
Mas se desce é a morte
Diz-me espelho meu
Vês por aí no horizonte
Alguém que porventura
Tenha mais lucro que eu
Estará errada a tua fonte
Se antevês essa amargura.
Prof Eta
É no lucro que essa vida
EliminarPerde todo o seu valor,
Onde uma ânsia desmedida
Há-de acabar por se impor
Mas uma coisa é o mundo
Que tenho como ideal
E outra, este charco imundo,
Este imenso lodaçal
Do senhor capitalismo,
Da sua banca benquista
E da falta de igualdade,
Em que medram o fascismo
E a especulação conquista,
Pr`á mentira, a liberdade...
Abraço, Poeta!
FÉRIAS…SÓ COM O SÓTÃO ARRUMADO
ResponderEliminarFui p´ra férias descansar
Do trabalho e da fadiga
Mas se quereis que vos diga
Acabei por me cansar.
Com o sótão por arrumar
Cheio de rotina antiga,
Podeis crer, não é intriga,
Eu cansei-me a pensar
Que no fim daquele descanso
Tinha que ir trabalhar…
E, assim, das férias me canso
E clamo pelo seu fim.
Com o sótão a abarrotar
Não há férias para mim.
Eduardo
Viva, meu amigo Eduardo
EliminarO sótão parece ser
A coisa mais arrumada
Dessa tralha acumulada
Ao longo do meu viver...
Mas... férias? Se acontecer
Ir de férias, obrigada,
Prometo nem dizer nada,
Venha lá o que vier...
Férias? Gosto das rotinas
Que os meus animais me impõem
Nestas horas pequeninas
E da sua companhia
Porque só eles não se opõem
A tão perfeita harmonia...
Muito obrigada por mais este sonetilho, meu amigo!
Um grande abraço para si e Maria dos Anjos!
O fantasma da ponte.
ResponderEliminarVou ver o fantasma da Ponte
Eliminar[09-04-1930]
ResponderEliminar13 [21-113' a 115']
Alvaro de Campos
Tudo é prosa. A poesia é aquella fórma em que o rhythmo é artificial. Este artificio, que insiste em crear pausas especiaes e anti-naturaes, diversas das que a pontuação define, embora às vezes coincidentes com ellas, é dado pela escripta do texto em linhas separadas, para indicar que são como que periodos absurdos, pronunciados separadamente. Criam-se, por este processo, dois typos de suggestões que não existem na prosa - uma suggestão rhythmica, de cada verso por simesmo, como pessoa independente, e uma suggestão accentual, que incide sobre a ultima palavra do verso, onde se pausa artificialmente, ou (bem entendido) sobre a unica palavra, se ha uma só, que assim fica em isolamento que não é italico.
Ontem não consegui vir à net - mais febre... - e hoje quase me assusto com todas estas opiniões de Pessoa
EliminarTerei de as ler todas, mas aviso-o desde já que o facto de eu gostar da maioria dos poemas dele e dos seus heterónimos não significa que eu concorde incondicionalmente com tudo o que ele diz... se o ritmo que anima um soneto em decassílabo heróico - no meu caso e em muitos outros - fosse tão "artificial", eles não nasceriam, como tantos deles, "em jorro"... mas vou tentar entendê-lo melhor...
[09-04-1930] - CONTINUAÇÃO
ResponderEliminar13 [21-113' a 115']
Alvaro de Campos
Mas pergunta-se: porque ha de haver rhythmo artificial? Responde-se: porque a emoção intensa não cabe na palavra: tem que baixar ao grito ou subir ao canto. E como dizer é fallar, e se não pode gritar desde de que se falle, tem que se cantar fallando, e cantar é metter a musica na falla; e, como a musica é extranha á falla, mette-se a musica na falla dispondo as palavras de modo que contenham uma musica que não esteja nellas, que seja pois artificial em relação a ellas. É isto a poesia: cantar sem musica. Porisso os grandes poetas lyricos, no grande sentido do adjectivo "lyrico", não são musicaveis. Como o serão, se são musicaes?
in "Prosa de Álvaro de Campos" de Fernando Pessoa, ed.Babel, Junho 2012
Entendo... ou penso que entendo o que ele quer dizer... mas a verdade é que os nossos grandes líricos são mesmo muitíssimo musicáveis... quem não recorda a Florbela cantada pelo Represas, por exemplo?
EliminarObrigada por esta recolha de Pessoa/Álvaro de Campos, Poeta!
Eu entendo quase nada, mas acho que há aqui algum fundamento do que me falou em termos da musicalidade, porque sinto que ele começa numa ponta e acaba noutra, mas é como diz podem existir mais pontas ( como na espinha de peixe ), é por isso quee mesmo sem saber nada de quase nada eu acho que o saber nunca estará completo, mas será tanto menos incompleto quanto mais divergência de opinião, digo eu, ou melhor, esta é a minha forma de intuir.
EliminarÉ verdade, Poeta. Pequenas divergências de opinião podem ser muito produtivas em termos de resultados.... concordo com o Pessoa quando ele diz que "cantar é metter a música na fala", mas já não concordo lá muito quando ele lhe apõe o adjectivante "artificial"... a poesia rimada até uma forma muito primária - isto não é injurioso, de forma nenhuma! . de expressão literária... repare que eu, por exemplo, comecei a exprimir-me através da redondilha maior quando tinha uns três anos de idade... ou menos. Não sei se já estaria muito consciente de que aquilo era poesia... se não estava, passei a estar quando me apercebi de que o meu avô registava essas minhas "frases rimadas" e as lia depois, a toda a família e, às vezes, aos amigos... acho que a poesia foi uma das primeiras coisas que consciencializei... percebi que se podia brincar com as palavras impondo-lhes um ritmo e fazendo-as rimar ...é engraçado estar a falar disto tanto tempo depois
Eliminar... ah, e discordo totalmente no que respeita à afirmação de que os grandes líricos não são musicáveis. São-no e são-no muitíssimo. São ambas as coisas; musicais e musicáveis.
Eliminar... ora não se preocupe, porque se calhar por esta hora o Pessoa já mudou de opinião.
EliminarOra bem! Se calhar logo a seguir... os heterónimos dele nem sempre concordavam uns com os outros... mas estou demasiado ensonada para explorar bem o assunto... a esta hora, a coisa mais intelectual que me ocorre é reler uma ou duas historinhas do Chico Bento e adormecer em paz, se as cãibras e os mosquitos mo permitirem...
EliminarPoeta, continua a gastar embalagens de spray insecticida atrás de embalagens de spray insecticida e o raio dos mosquitos, este ano, parecem apostados em tornar-se agentes da Troika! Como faço anti-coagulação, cada baba, cada "montanha"! E fica tudo negro porque eu não consigo deixar de me coçar...
Abraço grande!
Mas atente bem na última interrogação, "Como o serão, se são musicaes?", como se pode pedir a algo que seja aquilo que já é, neste caso se são música basta lê-los ( ou cantá-los ) que a música transparecerá.
EliminarPercebo... Acho que é como juntar novos instrumentos a uma composição básica... mas repare que eu, de música, não entendo nada! Penso que seja assim... ocorreu-me isso mal li o seu comentário e lembrei-me das grandes orquestras e da multiplicidade dos instrumentos... também deve haver uma razão para não serem todas iguais, digo eu agora... e também me ocorre que há marcas distintivas nos melhores sonetos. Não sei explicar exactamente como é que isso acontece porque me falta a terminologia... precisava de um estudar um pouco de prosódia, entre mil e uma outras coisas... mas a verdade é que eu identifico bem um soneto da Florbela independentemente do tema... isto merece mesmo alguém que tenha estudado isto a fundo. Só posso dizer que um bom soneto tem uma fortíssima marca identitária.
EliminarO chá voltou ao trabalho.
ResponderEliminarVou ao nosso Chá trabalhador
Eliminar“O ser e o todo”
ResponderEliminarUm ser sem outro ser
Nunca estará completo
Qu’a totalidade do saber
Está pelos seres disperso
E o saber por descobrir
Não é pertença dos seres
Num dia que está p’ra vir
Fará parte dos saberes
Assumir a ignorância
Para que talvez um dia
E ao reinar a inoperância
Os seres com a sabedoria
Ponham de parte a ganância
Que todos os seres atrofia.
O "saber" nunca é completo
EliminarMas quanto mais nele se avança
Mais ele torna um ser discreto
De um saber que nunca o cansa...
Nenhum sábio, lhe garanto,
Quis o saber só pr`a si
Ou tentou esconder seu espanto
Perante o que não sei... nem vi...
Não é avaro o saber
Pois sempre quis partilhar-se,
Está-lhe isso na natureza
E, por`a quem quer aprender,
Basta ler, interrogar-se
E divulgar-lhe a grandeza...
Uma das grandes, grandes riquezas dos seres humanos, o conhecimento. Eu sei que nem sempre é muito bem aceite e quase sempre é substituído pelo preconceito, por fait divers ou por moralismos redundantes... mas é uma imensa riqueza!
Há discos pedidos na ponte.
ResponderEliminarVou ver
Eliminar“Político come”
ResponderEliminarFalta à política vontade
Para acabar com a fome
Mas isto só é verdade
Porque o político come
Fosse o político educado
Junto à raiz do povo seu
Pão pelo diabo amassado
Poderia dizer que comeu
Dessa lição tão profunda
Retiraria eficaz conclusão
Estômago às costas colado
Esta é uma dor profunda
P´lo menos não falte pão
Ao povo no meu reinado.
Prof Eta
Falta o pão, falta-nos paz,
EliminarVi-nos faltando a cultura...
A falta que ela nos faz
E há quanto tempo isso dura!
Se estes tecnocratazinhos
Soubessem bem quanto custa
Andar nestes descaminhos
Duma economia injusta
Talvez... talvez percebessem
Quanto há MESMO que mudar
Neste sistema corrupto
E talvez alguns cedessem
Privilégios de um lugar
Que se quer MESMO impoluto!
Caramba! Este seu sonetilho até me encheu a escrita de pontos de exclamação... porque é assim mesmo, Poeta. É assim mesmo...
O primeiro jardim zoológico
ResponderEliminarPai Noé, o Patriarca
Foi célebre, entre os mortais
Por se meter numa arca
Rodeado de animais.
O que o teria levado
A isso, penso comigo…
Medo da vida isolado
Sem o alento de um amigo?
Pensou também, estamos certos
Na triste realidade
No sofrimento profundo
P´ra si e p´ra Humanidade,
A viverem neste Mundo
Sem outros seres mais espertos.
Eduardo
Barca, não tenho... mas tecto...
EliminarTanto bicho eu alberguei
Neste meu "barco secreto"
Em que sempre naveguei...
Quanto amor sempre lhes tive,
Nem eu mesma sei explicar...
Mas sei que existe e convive
Com tão estranho "poetar"...
Todos eles estavam perdidos,
Tinham fome, estavam sós...
Eu tinha cinco sentidos
- e alguns mais que mal conheço... -
E passámos a ser "nós"...
Meus amores? Não têm preço!
Aqui fica, amigo Eduardo, o que me ocorreu dizer/escrever mal li este seu sonetilho a Noé e ao seu Primeiro Jardim Zoológico. Muito obrigada por ele e as minhas desculpas por só hoje lhe responder. A verdade é que estou em crise desde o início do Inverno passado mas, mesmo tomando essa "crise" como o meu normal - tem de ser assim encarada uma vez que passou a ser o meu "estado normal" - sempre há uns dias em que me sinto pior...
Um abraço grande para si e Maria dos Anjos!
Outro tijolo na ponte.
ResponderEliminarVou à Ponte ver o tijolo... mas já não consigo responder a mais nada. Sono e febre não são grandes companhias para um sonetilho
EliminarO chá não reformou.
ResponderEliminarVou ver, Poeta!
Eliminar“Finitos”
ResponderEliminarTanto tempo decorrido
Ainda é tempo nenhum
Tanto saber adormecido
É da sabedoria jejum
Será tempo de acordar
Todo esse potencial
Que nos fará recordar
Todo o nada existencial
Que somos sem o saber
Mas que julgamos não ser
Por ver o universo restrito
Que alcança a compreensão
Não alcançamos a dimensão
Do nosso universo infinito.
Concebidos, como somos,
EliminarDe forma particular,
Em tal submissão a Cronos
E sem asas pr`a voar,
Talvez venhamos um dia
A superar as nossas falhas
Optando pela harmonia
Dos rouxinóis... e das gralhas...
Mas nada é definitivo
Neste mundo em mutação
E o pouco que conhecemos
Não nos torna um ser cativo
Nem nos diz que o esforço é vão
Por tentarmos... quando queremos...
Boa noite, Poeta!
QUANDO a ESMOLA É GRANDE…
ResponderEliminarJá com muitos pobres a morrer de fome,
Alguns abastados, de má consciência
E com parangonas de benemerência
Vieram, dos ricos, salvar o bom-nome…
Declararam alto que o que os consome
Na hora difícil da nossa existência,
É não repartirem com proficiência
Pouco, do seu muito, por quem menos come.
Mas pelos seus pares, ao serem instados,
Aos que os inquiriram, tão indignados,
Desmascaram, célere, qual o seu tormento
E, assim, replicam: «oiçam meus senhores,
Ponderem com siso, sejam pensadores
Se morrem os pobres, quem nos dá sustento?»
Eduardo
Excelente soneto de onze sílabas métricas!
EliminarMeu amigo Eduardo, não estou muito bem... parece que "muito bem" nunca estou, mas custa-me sinceramente dizer que estou muito bem quando a febre e as dores de cabeça vêm agravar o estado geral muito medíocre a que me vou habituando... tudo isto para lhe dizer que não me surgiu aquela necessidade imperiosa de lhe responder "à letra", no momento da leitura, e eu prefiro esperar pelo dia de amanhã.
Um abraço!
M. João
Finalmente, meu amigo Eduardo! Não foi muito fácil readaptar-me ao ritmo das onze sílabas métricas... penso que em todo este blog só tenho uns dois ou três sonetos estruturados dessa forma e erroneamente "apelidados" de alexandrinos... mas eu consigo ser muito teimosa Lá consegui abafar o ritmo do decassílabo heróico e da resdondilha maior e... acabou por me sair "isto"
EliminarCAPITALISMO
Sobram-lhe as migalhas dessoutra fartura
Que o sistema cria, que o cinismo inventa,
Do pouco que fia mas que o não sustenta
Porque se alimenta só de “dita”… e “dura”
Sobejam-lhe as rendas da falsa candura
Que, qual maré alta, num crescendo, aumenta
Pr`adornar uns quantos, quando a “plebe” aguenta
Tais desequilíbrios desta arquitectura…
Se contra mim falo porque uma injustiça
Tudo o que não calo foi trazendo à liça
Quando nada faço, tão pouco produzo
E levanto o punho como se o fizesse…
Mais saudável fora, mais força eu tivesse,
Mais protestaria contra aqueles que acuso!
Maria João Brito de Sousa – 02.08.2012 – 15.58h
A ponte não lamenta nada.
ResponderEliminarPiaff? Vou ver!
EliminarO chá está a subir a encosta.
ResponderEliminarJá lá vou, Poeta!
EliminarOlá poetisa !!! Depois de 86 comentários, peço desculpa por surgir tão tarde. Ando perdido pelo mundo e esquecido dos blogues, os meus blogues.
ResponderEliminarE quando volto que vejo??? Uma maga da poesia dedilhando o seu talento sensível como ninguém. Entretanto escrevi dois livros de prosa.Nada de importante, mas se me disser para onde os mandar, terei todo o gsoto em oferecer-lhos.Gosto e honra, claro. Bom fim de semana com um quase esquecido beijo por tanta inspiração.
Peter! Que bom revê-lo! Olhe que eu também tenho primado pela falta de visitas a todos os meus amigos... esta coisa das doenças degenerativas... olhe, degeneram mesmo, com o tempo, e eu não sou excepção... só não quero largar esta minha "trin
Eliminarcheirazinha!, eheheh...
Também publiquei um livrinho de sonetos - com muita ajuda dos meus amigos, claro... - através da World Art Friends - Corpos Editora. Deixo-lhe o link da loja porque já não tenho um único livro comigo...
http://www.worldartfriends.com/store/1535-maria-joao-brito-de-sousa-pequenas-utopias.html
Entretanto, vou à caixa de correio e envio-lhe o meu endereço!
Um enorme abraço e um fim de semana muito, muito feliz e produtivo!
0lá poetisa minha amiga
ResponderEliminarNada tem que agradecer ,foi um prazer enviar-lhe os livros que não sendo nenhumas obras primas são livros simples , sérios e ás vezes sentidos. Noutros tempos fiz também uma época na linha de Cascais enquanto trabalhei em Lisboa e por vezes ia namorar para Paço de Arcos, um cafézinho que havia e suponho que ainda exista encostado á marginal. Também tenho uma cunhada que mora em Oeiras , mas ultimamente tenho ido pouco por lá,a família empurra-me hoje para itália, suécia, alemanha, até China , onde tenho um genro a trabalhar. Coisas dos miseraveis politicos(?) que tomam conta da pouca riqueza do país para se governarem a eles. Mas Portugal , com poucas excepções foi sempre assim, não temos que nos admirar, temos só que chorar a incapacidade que temos como povo de colocar as coisas no lugar devido. Com poucos cravos e mais honestidade e rigor.
Tenho também um gatito novo,cinco meses, o KIKO, que corre pela casa toda, salta, pula, faz tropelias, enfim,está na idade de espatifar o que encontra. Mas é meiguinho e doce também, gosta imenso de mim, brinca comigo, desafia-me, enfim, sabe melhor que eu como é. Mas gosto dele. A Cicciolina, suponho que lhe falei dela, morreu de velha , tinha 18 anos e surgiu-lhe um problema grave no aparelho digestivo, deixei-a na veterinaria para morrer e acabar com o sofrimento e as dores que tinha. Este é agora o novo rei da casa. Tem vida de lord, come, dorme e brinca.
Fique descansada que já apaguei a o endereço da net.
Desejo que controle o melhor possivel o seu problema, ou os seus problemas e que leve o dia a dia o melhor piossivel
Ah, Peter... claro que não podia deixar de agradecer!
EliminarAinda só comecei com o "Crónicas de Algures" e não sei aonde "inventarei" tempo para o acabar e começar com o "Bussaco, a Batalha e o Convento", mas hei-de arranjar forma de o fazer! Gosto muito da sua prosa... bem como dos seus sonetos!
Acho que sei de que cafézinho fala, ali, mesmo junto à Marginal... vivi em Paço de Arcos durante cerca de um ano, quando trabalhava no turismo, há uns milénios, rsrsrs...
Quanto à sua Cicciolina... sei o que custa! Os dois gatos que ainda estão comigo, vivos, têm ambos os tais 18 anos... andei de coração nas mãos porque o Sigmund Freud esteve doente a ponto de miar com dores... felizmente tive "olho clínico" e administrei-lhe logo antibiótico. Em pouco mais de 24 horas tinha deixado de dar aqueles autênticos uivos de dor e retomou a marcha e a alimentação... mas sei que estão todos um tanto ou quanto fora de prazo...
Desejo muito longa vida ao seu Kiko! O meu Kico é cão e também há muito tempo que ultrapassou a esperança de vida normal para os canídeos... dentro de todos estes pequenos/grandes dramas, a que se veio juntar o enorme drama colectivo que o país vive, vou-me aguentando com este estranhíssimo espírito de missão que a poesia me vai conferindo...
Um enorme abraço, Peter e, mais uma vez, muito obrigada!