PINTURALTERNATIVA


 


PINTURALTERNATIVA


A pena já me dói… que pena tenho


Que a pena, por doer, me perca assim


E desperte o poema aceso em mim


Assim que pouso a pena e me detenho.


 


Por cada verso escrito, outro desenho,


E, assim que o terminar, todo um jardim


Como se esse poema fosse, enfim,


A tela que, magoada, então desdenho…


 


Cada palavra, um plástico murmúrio


A desenhar-se em flor num belo antúrio


Da cor que eu decidir nesse momento,


 


Porque a gestualidade, embora presa,


Não desdenha outras formas de beleza


Nem me acusa afirmando que as não tento.


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 23.07.2012 – 18.49h


 


 


 

Comentários

  1. Respostas
    1. Como não, Anjo? Está todo bonito, o link! Vou já até lá.

      Noite feliz para ti!

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  2. “Tigres de papel”

    A austeridade hipotecou
    Siesta a nuestros hermanos
    O tradicional sono acabou
    Despertam por muitos anos

    Acordam para o pesadelo
    Por isso não querem dormir
    Acordados não irão tê-lo
    Se adormecem pode surgir

    Bem vindos ao carrossel
    Vertiginoso dos mercados
    Não mais penseis sair daqui

    Sois os novos tigres de papel
    Para todo o sempre acordados
    É a tortura do sono do FMI.

    Prof Eta

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    1. Nuestros hermanos têm um sono menos pesado do que o nosso, Poeta...

      Mercados pouco "elitistas"...
      No que toca a dizimar
      Seguem a ordem das listas
      Dos remédios pr`acalmar...

      Fazem contas e maquinam
      Pr`a salvar o seu sistema,
      Mas são más águas que inquinam
      As razões do próprio esquema...

      Se isto não for surreal
      - muito embora mascarado... -
      Nem difícil de entender,

      Devo ser eu quem está mal
      C`um discurso atravessado
      E sem forma de o esquecer...

      Abraço grande, Poeta!





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  3. ao belo sorriso teu

    e uma feliz tarde também.

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  4. “Eternidade II”

    Não deve ser obsessão
    Porque a eternidade vem
    E com ela a consagração
    Acaba por chegar também

    Conferindo a imortalização
    Que esta vida nunca tem
    Apenas com a reencarnação
    Nessa outra vida se obtém

    E assim tornado imortal
    Com a obra reconhecida
    Uma estátua te erguerão

    Majestosa, na terra natal
    Não nesta, mas noutra vida
    Para sempre te reconhecerão.

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    Respostas


    1. Que maior estátua, o escritor,
      Pode ter quando, se lido
      E tendo dado o melhor,
      For, depois, compreendido?

      Houve tempo em que sonhei
      Uma estátua, é bem verdade,
      Mas cresci e agora sei
      Que era mera ingenuidade...

      Sonho ainda, isso é bem certo,
      Ser lida ao longo dos tempos,
      Ficar cá, depois da morte

      Qual poema a descoberto
      Da alegria ou desalentos
      Que nos calharam em sorte...

      Já cá volto, Poeta! Hoje é o 1º aniversário do Rádio Horizontes!








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  5. Respostas
    1. Não... velha Ambrosia, Poeta, a bebida sagrada dos deuses do Olimpo. Era a esse néctar mitológico que eu me referia...

      Espere lá que eu já lhe digo se a Wikipédia tem algum artigo sobre isso... deve ter...
      encontrei este mas só em inglês http://en.wikipedia.org/wiki/Ambrosia li em diagonal, a correr, mas parece-me razoável. Depois, com tempo, hei-de procurar melhor. Parece-me impossível que não tenham nada em português...

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    2. OK, obrigado, um ser complementa sempre outro ser.

      Significado de Ambrosia:
      S.f. Substância mágica comida pelos deuses da mitologia grega e romana. ? Às vezes, era misturada com néctar e bebida. Os deuses mantinham sua imortalidade banhando-se nela ou esfregando-a na pele. Sem ambrosia, eles ficavam fracos. Um ser humano que a bebesse tornava-se forte e imortal. A palavra ambrosíaco significa delicioso, saboroso. / Fig. Coisa que deleita, que causa grande prazer; comida ou bebida deliciosa. / Bras. Doce de leite com ovos. (A pronúncia culta é também ambrósia, salvo o doce brasileiro.)

      http://www.dicionarioinformal.com.br/significado/ambrosia/5908/

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    3. Eu é que agradeço, Poeta! E olhe que isso das complementaridades é mesmo uma realidade... eu é que já complemento muito poucochinho porque estou cada vez mais "empenada"
      Ainda quanto à Ambrosia, parece que surge agora como alimento, mas aquela gente no meio da qual eu cresci - era gente com profundos conhecimentos da mitologia greco-romana - sempre a encarou como bebida. É essa a versão mais clássica e a que deve permanecer, julgo eu, pois os deuses dessa mitologia não comiam. O seu alimento era apenas a "bebida mágica", o" néctar dos néctares", o "líquido sagrado". Tenho pena de já não me lembrar de nada disso, nem poder fazer citações... mas lembro-me de que na versão clássica e mais purista a Ambrosia era um líquido.
      Segundo a lenda, Ulisses foi amamentado com Ambrosia e foi esse líquido que lhe conferiu a força sobre humana e a nobreza de carácter dos deuses (????) Claro que os deuses da mitologia greco romana deixam muito a desejar em termos de outras qualidades, rsrsrs... sempre os achei muito prepotentes, intriguistas e invejosos uns dos outros... mas... como folclore religioso eu, em tempos que já lá vão, achava-lhes muita graça e li bastante sobre o assunto. Pena é já não me recordar de quase nada... também recordo que alguns deles eram bastante justos e dignos, mas acabavam quase sempre por ser "castigados" por isso... enfim, foi um tema que me fascinou na infância e do qual retive uma ou outra memória mais ou menos vaga...
      Vou-lhe deixar um link para o Sebo Literário que a Poetisa Carmo Vasconcelos e o Professor Carlos Leite Ribeiro fizeram o favor de criar para mim no Portal CEN. Ontem fiquei tão sem palavras que tive de me ir deitar mais cedo, já nem consegui fazer nada senão passear o meu Kico... e com dificuldade porque tenho estado mesmo bastante pior da coluna - penso eu que tem a ver com as hérnias discais, embora a médica tenha pendido para um agravamento do Lúpus - e o andar ou estar sentada a trabalhar, exigem-me um esforço enorme... e penoso. Aqui fica
      http://www.caestamosnos.org/sebo/M_JOAO_BRITO_DE_SOUSA/M_JOAO_B_SOUSA-SEBO-1.htm

      Abraço grande!

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    4. Está um espectáculo e é uma justa homenagem, a sua aparição tão bem produzida no CEN. Eu sei e sinto que é bem verdade o que escreveram, eu simplesmente não saberia dizê-lo daquela forma.
      Já agora quem é o Vasconcelos?

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    5. Eu também não saberia... e acho que é uma homenagem excessiva... mas fiquei sem palavras, tal foi a surpresa!
      Não é o Vasconcelos... é a Carmo Vasconcelos - Carminho - uma grande poetisa e sonetista portuguesa, Secretária do Portal CEN. Espere que eu já lhe deixo o link dela
      http://www.caestamosnos.org/sebo/CARMINHO/carminho.html
      e há o Professor Carlos Leite Ribeiro
      http://portalcaestamosnos.blogspot.com.br
      e ainda o formatador de Arte Visual, Mestre Henrique Lacerda Ramalho. Ainda nem agradeci "decentemente"... fico sempre sem palavras...

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  6. “Frango depenado”

    Que se lixem as eleições
    O que interessa é Portugal
    Passarinhos ou passarões
    Chegam fritos ao Natal

    Que a receita de milhões
    Já nos está a correr mal
    Errámos contabilizações
    Mas outro assalto imoral

    Já estamos a preparar
    Novo orçamento d’estado
    Com subsídios de ficção

    A todos iremos depenar
    Que um frango depenado
    É a nossa maior satisfação.

    Prof Eta

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    1. Pobre frango depenado
      Sem fazer mal a ninguém
      Mas pr`a poder ser assado
      Com penas não fica bem...

      A receita estava errada
      Logo desde o seu começo!
      Fica a refeição estragada
      Mas ficou-nos alto, o preço!

      Quando chegue o orçamento
      Pouco encontra pr`a roubar
      Pois estamos já bem vazios

      E assados em fogo lento,
      Na travessa a marinar...
      Vão ficar a ver navios!


      Abraço grande, Poeta!



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  7. “Mundo cruel”

    Sair da crise, nascer de novo
    Dois séculos mais à frente
    Ser filho dum outro povo
    Já estou farto desta gente

    Adeus, ó mundo cruel
    Pleno de imensas riquezas
    Cheiras a morte, sabes a fel
    Ninguém te gaba as belezas

    Vãs promessas nós ouvimos
    Já não podemos acreditar
    Por tudo isso partimos

    Sem vontade de cá voltar
    E agora que sucumbimos
    Ó mundo cruel podes chorar.

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    1. Tempos piores se viveram...
      Tudo iremos aguentando
      Que outros males já nos perderam
      Sem termos qualquer comando...

      Não estou farta desta gente...
      Só da estranha indecisão
      Que a torna tão descontente
      Mas não a faz dizer, Não!

      Vãs promessas são... promessas
      Que sabemos não cumpridas
      Porque tudo anda às avessas

      E, no que diga respeito
      A tramas tão mal urdidas...
      Temos pena! Não me ajeito!

      Abraço grande, Poeta!
      Hoje o sono veio bem mais cedinho... e é pena porque eu ainda tinha imenso que fazer no novo Portal... mas estou mesmo muito, muito cansada...

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    1. Ahhh, Poeta... um atraso imperdoável, o meu... mas tenho muito bons motivos! O Joaquim Sustelo fez mais um programa extra, para celebrar o primeiro aniversário do Rádio Horizontes da Poesia... ainda por lá estou, mas os poemas já acabaram. Vou já à Ponte!

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    1. Pobre do Chá! Está a ponderar desde manhã e eu tive um dia demasiado complicado para descrever aqui. Nada "do outro mundo"... apenas uma série de circunstâncias que se reuniram de modo o tornar-me a vida um pouco mais difícil...
      Até já, Poeta!

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  10. “Quem nos salva”

    Draghi o novo salvador
    Da Europa em turbilhão
    O que fará este senhor
    Senão ir ao beija-mão

    Tanto economista sabedor
    Emitindo douta opinião
    Mas nenhum saiu doutor
    P’ra curar esta recessão

    Com prognóstico reservado
    Necessita duma transfusão
    E não de tanto cinismo

    Não vejo ninguém habilitado
    Para esta exigente missão
    De nos salvar do abismo.

    Prof Eta

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    1. Não vou conseguir responder em sonetilho, Poeta. Estou com febre e uma dor de cabeça monumental... para além de ter andado demasiado e me sentir boa apenas para ir para a cama e dormir... mas...

      Não vejo outros salvadores
      Se não nós, o próprio povo
      Deste país que uns "senhores"
      Deixam afundar, de novo...

      Neste moroso processo
      De acordar pr`ó qu`é real,
      Valemos todo o teu peso
      E o teu nome, Portugal...

      O inimigo é só um;
      A banca e seus servidores
      Contra a força produtiva

      Que quer quebrar o jejum
      Imposto pelos senhores
      Da ganância destrutiva!

      Vou tentar levar este "coxito" para o Blog Not e para o Prémios Prosa Poética... antes de adormecer. Penso que ontem nem o cheguei a fazer...


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  11. “O original”

    Regressar à simplicidade
    É tudo o que precisamos
    Pois na actual sociedade
    Já nem sequer nos amamos

    Com cópias de originalidade
    Nós já não nos cativamos
    Só p’lo original e sua verdade
    Ao bom caminho regressamos

    Demasiado tempo passou
    Fomos envoltos em poluição
    Estamos todos conspurcados

    Só uma esperança vos dou
    Há que voltar ao rio Jordão
    E sermos de novo baptizados.

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    1. Uma metáfora, Poeta, segundo entendo...

      Iremos reinventar-nos
      Segundo as necessidades
      E ao sabor das circunstâncias
      Com a forma que criarmos
      Que acredito sem vaidades
      E sem as velhas ganâncias

      Mas nunca a bem de uma elite,
      Nunca em prol de outro poder
      Que não o que produzimos
      Muito embora eu acredite
      Que alguns de nós vão sofrer
      Muito mais que o que previmos...

      Saiu-me em sextilhas, Poeta...
      Um abraço grande!

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  12. “Não há vida além do lucro”

    O nosso lucro subiu
    Nem imaginas quanto
    Nem quantos destruiu
    Ou ficaram num pranto

    Mas só o lucro é vida
    Tudo o mais é a sorte
    Vivemos se há subida
    Mas se desce é a morte

    Diz-me espelho meu
    Vês por aí no horizonte
    Alguém que porventura

    Tenha mais lucro que eu
    Estará errada a tua fonte
    Se antevês essa amargura.

    Prof Eta

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    1. É no lucro que essa vida
      Perde todo o seu valor,
      Onde uma ânsia desmedida
      Há-de acabar por se impor

      Mas uma coisa é o mundo
      Que tenho como ideal
      E outra, este charco imundo,
      Este imenso lodaçal

      Do senhor capitalismo,
      Da sua banca benquista
      E da falta de igualdade,

      Em que medram o fascismo
      E a especulação conquista,
      Pr`á mentira, a liberdade...

      Abraço, Poeta!

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  13. FÉRIAS…SÓ COM O SÓTÃO ARRUMADO

    Fui p´ra férias descansar
    Do trabalho e da fadiga
    Mas se quereis que vos diga
    Acabei por me cansar.

    Com o sótão por arrumar
    Cheio de rotina antiga,
    Podeis crer, não é intriga,
    Eu cansei-me a pensar

    Que no fim daquele descanso
    Tinha que ir trabalhar…
    E, assim, das férias me canso

    E clamo pelo seu fim.
    Com o sótão a abarrotar
    Não há férias para mim.

    Eduardo

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    1. Viva, meu amigo Eduardo

      O sótão parece ser
      A coisa mais arrumada
      Dessa tralha acumulada
      Ao longo do meu viver...

      Mas... férias? Se acontecer
      Ir de férias, obrigada,
      Prometo nem dizer nada,
      Venha lá o que vier...

      Férias? Gosto das rotinas
      Que os meus animais me impõem
      Nestas horas pequeninas

      E da sua companhia
      Porque só eles não se opõem
      A tão perfeita harmonia...

      Muito obrigada por mais este sonetilho, meu amigo!
      Um grande abraço para si e Maria dos Anjos!

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  14. [09-04-1930]
    13 [21-113' a 115']
    Alvaro de Campos

    Tudo é prosa. A poesia é aquella fórma em que o rhythmo é artificial. Este artificio, que insiste em crear pausas especiaes e anti-naturaes, diversas das que a pontuação define, embora às vezes coincidentes com ellas, é dado pela escripta do texto em linhas separadas, para indicar que são como que periodos absurdos, pronunciados separadamente. Criam-se, por este processo, dois typos de suggestões que não existem na prosa - uma suggestão rhythmica, de cada verso por simesmo, como pessoa independente, e uma suggestão accentual, que incide sobre a ultima palavra do verso, onde se pausa artificialmente, ou (bem entendido) sobre a unica palavra, se ha uma só, que assim fica em isolamento que não é italico.

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    1. Ontem não consegui vir à net - mais febre... - e hoje quase me assusto com todas estas opiniões de Pessoa
      Terei de as ler todas, mas aviso-o desde já que o facto de eu gostar da maioria dos poemas dele e dos seus heterónimos não significa que eu concorde incondicionalmente com tudo o que ele diz... se o ritmo que anima um soneto em decassílabo heróico - no meu caso e em muitos outros - fosse tão "artificial", eles não nasceriam, como tantos deles, "em jorro"... mas vou tentar entendê-lo melhor...

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  15. [09-04-1930] - CONTINUAÇÃO
    13 [21-113' a 115']
    Alvaro de Campos

    Mas pergunta-se: porque ha de haver rhythmo artificial? Responde-se: porque a emoção intensa não cabe na palavra: tem que baixar ao grito ou subir ao canto. E como dizer é fallar, e se não pode gritar desde de que se falle, tem que se cantar fallando, e cantar é metter a musica na falla; e, como a musica é extranha á falla, mette-se a musica na falla dispondo as palavras de modo que contenham uma musica que não esteja nellas, que seja pois artificial em relação a ellas. É isto a poesia: cantar sem musica. Porisso os grandes poetas lyricos, no grande sentido do adjectivo "lyrico", não são musicaveis. Como o serão, se são musicaes?

    in "Prosa de Álvaro de Campos" de Fernando Pessoa, ed.Babel, Junho 2012

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    1. Entendo... ou penso que entendo o que ele quer dizer... mas a verdade é que os nossos grandes líricos são mesmo muitíssimo musicáveis... quem não recorda a Florbela cantada pelo Represas, por exemplo?

      Obrigada por esta recolha de Pessoa/Álvaro de Campos, Poeta!

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    2. Eu entendo quase nada, mas acho que há aqui algum fundamento do que me falou em termos da musicalidade, porque sinto que ele começa numa ponta e acaba noutra, mas é como diz podem existir mais pontas ( como na espinha de peixe ), é por isso quee mesmo sem saber nada de quase nada eu acho que o saber nunca estará completo, mas será tanto menos incompleto quanto mais divergência de opinião, digo eu, ou melhor, esta é a minha forma de intuir.

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    3. É verdade, Poeta. Pequenas divergências de opinião podem ser muito produtivas em termos de resultados.... concordo com o Pessoa quando ele diz que "cantar é metter a música na fala", mas já não concordo lá muito quando ele lhe apõe o adjectivante "artificial"... a poesia rimada até uma forma muito primária - isto não é injurioso, de forma nenhuma! . de expressão literária... repare que eu, por exemplo, comecei a exprimir-me através da redondilha maior quando tinha uns três anos de idade... ou menos. Não sei se já estaria muito consciente de que aquilo era poesia... se não estava, passei a estar quando me apercebi de que o meu avô registava essas minhas "frases rimadas" e as lia depois, a toda a família e, às vezes, aos amigos... acho que a poesia foi uma das primeiras coisas que consciencializei... percebi que se podia brincar com as palavras impondo-lhes um ritmo e fazendo-as rimar ...é engraçado estar a falar disto tanto tempo depois

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    4. ... ah, e discordo totalmente no que respeita à afirmação de que os grandes líricos não são musicáveis. São-no e são-no muitíssimo. São ambas as coisas; musicais e musicáveis.

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    5. ... ora não se preocupe, porque se calhar por esta hora o Pessoa já mudou de opinião.

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    6. Ora bem! Se calhar logo a seguir... os heterónimos dele nem sempre concordavam uns com os outros... mas estou demasiado ensonada para explorar bem o assunto... a esta hora, a coisa mais intelectual que me ocorre é reler uma ou duas historinhas do Chico Bento e adormecer em paz, se as cãibras e os mosquitos mo permitirem...
      Poeta, continua a gastar embalagens de spray insecticida atrás de embalagens de spray insecticida e o raio dos mosquitos, este ano, parecem apostados em tornar-se agentes da Troika! Como faço anti-coagulação, cada baba, cada "montanha"! E fica tudo negro porque eu não consigo deixar de me coçar...

      Abraço grande!

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    7. Mas atente bem na última interrogação, "Como o serão, se são musicaes?", como se pode pedir a algo que seja aquilo que já é, neste caso se são música basta lê-los ( ou cantá-los ) que a música transparecerá.

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    8. Percebo... Acho que é como juntar novos instrumentos a uma composição básica... mas repare que eu, de música, não entendo nada! Penso que seja assim... ocorreu-me isso mal li o seu comentário e lembrei-me das grandes orquestras e da multiplicidade dos instrumentos... também deve haver uma razão para não serem todas iguais, digo eu agora... e também me ocorre que há marcas distintivas nos melhores sonetos. Não sei explicar exactamente como é que isso acontece porque me falta a terminologia... precisava de um estudar um pouco de prosódia, entre mil e uma outras coisas... mas a verdade é que eu identifico bem um soneto da Florbela independentemente do tema... isto merece mesmo alguém que tenha estudado isto a fundo. Só posso dizer que um bom soneto tem uma fortíssima marca identitária.

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  16. “O ser e o todo”

    Um ser sem outro ser
    Nunca estará completo
    Qu’a totalidade do saber
    Está pelos seres disperso

    E o saber por descobrir
    Não é pertença dos seres
    Num dia que está p’ra vir
    Fará parte dos saberes

    Assumir a ignorância
    Para que talvez um dia
    E ao reinar a inoperância

    Os seres com a sabedoria
    Ponham de parte a ganância
    Que todos os seres atrofia.

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    1. O "saber" nunca é completo
      Mas quanto mais nele se avança
      Mais ele torna um ser discreto
      De um saber que nunca o cansa...

      Nenhum sábio, lhe garanto,
      Quis o saber só pr`a si
      Ou tentou esconder seu espanto
      Perante o que não sei... nem vi...

      Não é avaro o saber
      Pois sempre quis partilhar-se,
      Está-lhe isso na natureza

      E, por`a quem quer aprender,
      Basta ler, interrogar-se
      E divulgar-lhe a grandeza...


      Uma das grandes, grandes riquezas dos seres humanos, o conhecimento. Eu sei que nem sempre é muito bem aceite e quase sempre é substituído pelo preconceito, por fait divers ou por moralismos redundantes... mas é uma imensa riqueza!

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  17. “Político come”

    Falta à política vontade
    Para acabar com a fome
    Mas isto só é verdade
    Porque o político come

    Fosse o político educado
    Junto à raiz do povo seu
    Pão pelo diabo amassado
    Poderia dizer que comeu

    Dessa lição tão profunda
    Retiraria eficaz conclusão
    Estômago às costas colado

    Esta é uma dor profunda
    P´lo menos não falte pão
    Ao povo no meu reinado.

    Prof Eta

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    1. Falta o pão, falta-nos paz,
      Vi-nos faltando a cultura...
      A falta que ela nos faz
      E há quanto tempo isso dura!

      Se estes tecnocratazinhos
      Soubessem bem quanto custa
      Andar nestes descaminhos
      Duma economia injusta

      Talvez... talvez percebessem
      Quanto há MESMO que mudar
      Neste sistema corrupto

      E talvez alguns cedessem
      Privilégios de um lugar
      Que se quer MESMO impoluto!

      Caramba! Este seu sonetilho até me encheu a escrita de pontos de exclamação... porque é assim mesmo, Poeta. É assim mesmo...

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  18. O primeiro jardim zoológico

    Pai Noé, o Patriarca
    Foi célebre, entre os mortais
    Por se meter numa arca
    Rodeado de animais.
    O que o teria levado
    A isso, penso comigo…
    Medo da vida isolado
    Sem o alento de um amigo?
    Pensou também, estamos certos
    Na triste realidade
    No sofrimento profundo
    P´ra si e p´ra Humanidade,
    A viverem neste Mundo
    Sem outros seres mais espertos.

    Eduardo

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    1. Barca, não tenho... mas tecto...
      Tanto bicho eu alberguei
      Neste meu "barco secreto"
      Em que sempre naveguei...

      Quanto amor sempre lhes tive,
      Nem eu mesma sei explicar...
      Mas sei que existe e convive
      Com tão estranho "poetar"...

      Todos eles estavam perdidos,
      Tinham fome, estavam sós...
      Eu tinha cinco sentidos

      - e alguns mais que mal conheço... -
      E passámos a ser "nós"...
      Meus amores? Não têm preço!


      Aqui fica, amigo Eduardo, o que me ocorreu dizer/escrever mal li este seu sonetilho a Noé e ao seu Primeiro Jardim Zoológico. Muito obrigada por ele e as minhas desculpas por só hoje lhe responder. A verdade é que estou em crise desde o início do Inverno passado mas, mesmo tomando essa "crise" como o meu normal - tem de ser assim encarada uma vez que passou a ser o meu "estado normal" - sempre há uns dias em que me sinto pior...
      Um abraço grande para si e Maria dos Anjos!

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  19. Respostas
    1. Vou à Ponte ver o tijolo... mas já não consigo responder a mais nada. Sono e febre não são grandes companhias para um sonetilho

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  20. “Finitos”

    Tanto tempo decorrido
    Ainda é tempo nenhum
    Tanto saber adormecido
    É da sabedoria jejum

    Será tempo de acordar
    Todo esse potencial
    Que nos fará recordar
    Todo o nada existencial

    Que somos sem o saber
    Mas que julgamos não ser
    Por ver o universo restrito

    Que alcança a compreensão
    Não alcançamos a dimensão
    Do nosso universo infinito.

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    1. Concebidos, como somos,
      De forma particular,
      Em tal submissão a Cronos
      E sem asas pr`a voar,

      Talvez venhamos um dia
      A superar as nossas falhas
      Optando pela harmonia
      Dos rouxinóis... e das gralhas...

      Mas nada é definitivo
      Neste mundo em mutação
      E o pouco que conhecemos

      Não nos torna um ser cativo
      Nem nos diz que o esforço é vão
      Por tentarmos... quando queremos...

      Boa noite, Poeta!

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  21. QUANDO a ESMOLA É GRANDE…

    Já com muitos pobres a morrer de fome,
    Alguns abastados, de má consciência
    E com parangonas de benemerência
    Vieram, dos ricos, salvar o bom-nome…

    Declararam alto que o que os consome
    Na hora difícil da nossa existência,
    É não repartirem com proficiência
    Pouco, do seu muito, por quem menos come.

    Mas pelos seus pares, ao serem instados,
    Aos que os inquiriram, tão indignados,
    Desmascaram, célere, qual o seu tormento

    E, assim, replicam: «oiçam meus senhores,
    Ponderem com siso, sejam pensadores
    Se morrem os pobres, quem nos dá sustento?»

    Eduardo

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    1. Excelente soneto de onze sílabas métricas!
      Meu amigo Eduardo, não estou muito bem... parece que "muito bem" nunca estou, mas custa-me sinceramente dizer que estou muito bem quando a febre e as dores de cabeça vêm agravar o estado geral muito medíocre a que me vou habituando... tudo isto para lhe dizer que não me surgiu aquela necessidade imperiosa de lhe responder "à letra", no momento da leitura, e eu prefiro esperar pelo dia de amanhã.
      Um abraço!

      M. João

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    2. Finalmente, meu amigo Eduardo! Não foi muito fácil readaptar-me ao ritmo das onze sílabas métricas... penso que em todo este blog só tenho uns dois ou três sonetos estruturados dessa forma e erroneamente "apelidados" de alexandrinos... mas eu consigo ser muito teimosa Lá consegui abafar o ritmo do decassílabo heróico e da resdondilha maior e... acabou por me sair "isto"


      CAPITALISMO

      Sobram-lhe as migalhas dessoutra fartura
      Que o sistema cria, que o cinismo inventa,
      Do pouco que fia mas que o não sustenta
      Porque se alimenta só de “dita”… e “dura”

      Sobejam-lhe as rendas da falsa candura
      Que, qual maré alta, num crescendo, aumenta
      Pr`adornar uns quantos, quando a “plebe” aguenta
      Tais desequilíbrios desta arquitectura…

      Se contra mim falo porque uma injustiça
      Tudo o que não calo foi trazendo à liça
      Quando nada faço, tão pouco produzo

      E levanto o punho como se o fizesse…
      Mais saudável fora, mais força eu tivesse,
      Mais protestaria contra aqueles que acuso!


      Maria João Brito de Sousa – 02.08.2012 – 15.58h







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  22. Olá poetisa !!! Depois de 86 comentários, peço desculpa por surgir tão tarde. Ando perdido pelo mundo e esquecido dos blogues, os meus blogues.
    E quando volto que vejo??? Uma maga da poesia dedilhando o seu talento sensível como ninguém. Entretanto escrevi dois livros de prosa.Nada de importante, mas se me disser para onde os mandar, terei todo o gsoto em oferecer-lhos.Gosto e honra, claro. Bom fim de semana com um quase esquecido beijo por tanta inspiração.

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    1. Peter! Que bom revê-lo! Olhe que eu também tenho primado pela falta de visitas a todos os meus amigos... esta coisa das doenças degenerativas... olhe, degeneram mesmo, com o tempo, e eu não sou excepção... só não quero largar esta minha "trin
      cheirazinha!, eheheh...
      Também publiquei um livrinho de sonetos - com muita ajuda dos meus amigos, claro... - através da World Art Friends - Corpos Editora. Deixo-lhe o link da loja porque já não tenho um único livro comigo...
      http://www.worldartfriends.com/store/1535-maria-joao-brito-de-sousa-pequenas-utopias.html

      Entretanto, vou à caixa de correio e envio-lhe o meu endereço!

      Um enorme abraço e um fim de semana muito, muito feliz e produtivo!

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  23. 0lá poetisa minha amiga

    Nada tem que agradecer ,foi um prazer enviar-lhe os livros que não sendo nenhumas obras primas são livros simples , sérios e ás vezes sentidos. Noutros tempos fiz também uma época na linha de Cascais enquanto trabalhei em Lisboa e por vezes ia namorar para Paço de Arcos, um cafézinho que havia e suponho que ainda exista encostado á marginal. Também tenho uma cunhada que mora em Oeiras , mas ultimamente tenho ido pouco por lá,a família empurra-me hoje para itália, suécia, alemanha, até China , onde tenho um genro a trabalhar. Coisas dos miseraveis politicos(?) que tomam conta da pouca riqueza do país para se governarem a eles. Mas Portugal , com poucas excepções foi sempre assim, não temos que nos admirar, temos só que chorar a incapacidade que temos como povo de colocar as coisas no lugar devido. Com poucos cravos e mais honestidade e rigor.
    Tenho também um gatito novo,cinco meses, o KIKO, que corre pela casa toda, salta, pula, faz tropelias, enfim,está na idade de espatifar o que encontra. Mas é meiguinho e doce também, gosta imenso de mim, brinca comigo, desafia-me, enfim, sabe melhor que eu como é. Mas gosto dele. A Cicciolina, suponho que lhe falei dela, morreu de velha , tinha 18 anos e surgiu-lhe um problema grave no aparelho digestivo, deixei-a na veterinaria para morrer e acabar com o sofrimento e as dores que tinha. Este é agora o novo rei da casa. Tem vida de lord, come, dorme e brinca.
    Fique descansada que já apaguei a o endereço da net.
    Desejo que controle o melhor possivel o seu problema, ou os seus problemas e que leve o dia a dia o melhor piossivel

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    1. Ah, Peter... claro que não podia deixar de agradecer!

      Ainda só comecei com o "Crónicas de Algures" e não sei aonde "inventarei" tempo para o acabar e começar com o "Bussaco, a Batalha e o Convento", mas hei-de arranjar forma de o fazer! Gosto muito da sua prosa... bem como dos seus sonetos!
      Acho que sei de que cafézinho fala, ali, mesmo junto à Marginal... vivi em Paço de Arcos durante cerca de um ano, quando trabalhava no turismo, há uns milénios, rsrsrs...
      Quanto à sua Cicciolina... sei o que custa! Os dois gatos que ainda estão comigo, vivos, têm ambos os tais 18 anos... andei de coração nas mãos porque o Sigmund Freud esteve doente a ponto de miar com dores... felizmente tive "olho clínico" e administrei-lhe logo antibiótico. Em pouco mais de 24 horas tinha deixado de dar aqueles autênticos uivos de dor e retomou a marcha e a alimentação... mas sei que estão todos um tanto ou quanto fora de prazo...
      Desejo muito longa vida ao seu Kiko! O meu Kico é cão e também há muito tempo que ultrapassou a esperança de vida normal para os canídeos... dentro de todos estes pequenos/grandes dramas, a que se veio juntar o enorme drama colectivo que o país vive, vou-me aguentando com este estranhíssimo espírito de missão que a poesia me vai conferindo...

      Um enorme abraço, Peter e, mais uma vez, muito obrigada!

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