SONETO PARA... MORDER!


 


(...mordido em decassílabo heróico...)


 


 


Em verdade só sou quando me dou,


Assim que sol e mar fervem cá dentro


Transmutando-se em corpo e alimento


Do poema/animal que me habitou…


 


Palavras, coisas vivas que se comem,


São frutas que se oferecem se as procuro


Numa fome perpétua que não curo


Enquanto outras palavras me não domem


 


Mas é por esta língua, a que pertenço,


Que sinto, que, por vezes, também penso,


Que mordo, como tantos animais,


 


Sem medo do momento insano, intenso,


Em que abocanho um verso… e quase o venço


Esquecendo a derrocada dos demais…


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 23.08.2012 – 19.19h

Comentários

  1. “Obrigado fmi”

    Abril e revolução
    Crise a cada esquina
    Está verde p’ro peão
    Nesta luta intestina

    Obrigado fmi
    Pelo negro pintado
    Nesse outro peão aí
    À parede encostado

    Negro não é esperança
    Roubar não é Abril
    Esquina é contradição

    Nunca houve mudança
    Deste povo servil
    A quem roubaram a razão.

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    1. Espere lá, Poeta, que este sonetilho está mesmo a "pedir" um poema que tenho por aí, já publicado...
      ora, aqui vai. Já o encontrei!

      TROVAS À TROYKA

      Olho este povo cansado

      De ver a vida a passar,

      De viver das aparências

      Na mais dura das carências

      A que o vão fazer chegar

      Para o terem bem calado…



      Meu povo tão criativo

      De poetas e cantores,

      Gente com caule e raiz

      Que nunca será feliz

      Nas mãos dessoutros senhores

      Que o querem manter cativo



      Vejo a gente nas canseiras

      Das noites sobressaltadas

      Pelos dias sempre incertos

      E nos olhos, muito abertos,

      Mil perguntas formuladas

      De mil e uma maneiras…





      Ah, povo, se fores dormir

      E eles tentarem sufocar

      O cravo que tens no peito

      Ao roubarem-te o direito

      De viver, de trabalhar

      E, até mesmo, de sentir…



      Oiço a gente que murmura,

      Que duvida e quer respostas,

      Que não consegue entender

      Porque é que há-de acontecer

      Que as regras sejam impostas

      Como eram na ditadura



      Povo de garra, com garras,

      Que rosna sob um chicote

      Que a muitos soube calar

      Mas que recusa aceitar

      As loucuras de um Quixote

      Que nunca vestiu samarra!

      Não cales, povo que sofres,

      A tua revolta imposta

      Por amos que não quiseste!

      Mostra-te indómito, agreste,

      Diz que Portugal não gosta

      Que disponham dos seus cofres

      Ou da força dos seus braços

      Cansados de não saber

      Se, amanhã terão trabalho,

      Se lhes fica, ou não, retalho

      Do que puderem colher,

      Do fruto dos seus cansaços!



      [este povo inda tem garra

      pr` a derrubar os chicotes

      que o tentarem subjugar

      e recusa-se a aceitar

      ordens vindas de Quixotes

      sem burrico e sem samarra!]





      Maria João Brito de Sousa

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  2. A ponte continua por terras de Vera Cruz.

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  3. um dia em cada
    e uma hora...uuuii

    do melhor....

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    1. Obrigada, Anjo

      Mas tenho uma pergunta para te fazer... vou até aí!

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  4. Pude rever Setúbal, a cidade
    Por onde circulava de passagem,
    Quando, há tantos anos!, noutra idade
    Eu ia à minha terra de viagem.

    O tempo é hoje pressa! A velocidade
    É pelas auto-estradas. E a imagem
    Dilui-se na memória e na saudade
    Das ruas, do seu porto, da aragem...

    Sinto ainda o aroma do Portinho
    Na terra um paraíso, num cantinho!
    Da bela Figueirinha aos pés da serra;

    Do alto... o que se vê a nossos pés:
    O rio amando o mar em tagatés
    Que em Tróia embevecido abraça a terra.


    (Poema de Joaquim Sustelo)

    Será, aqui diz que sim,

    http://www.novaera-alvorecer.net/setubal_cidade.htm

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    1. Caramba, Poeta! Que lindas, lindas imagens de Setúbal!
      E um soneto do Joaquim Sustelo que é o poeta com maior poder narrativo e descritivo que eu já conheci!
      Obrigada, muito obrigada, e um enorme abraço!

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  5. “Novos treinadores”

    O monstro volta a ganhar
    No jogos dos matraquilhos
    Desta vez contra o Gaspar
    Do país dos maltrapilhos

    E volta a troika pr’avisar
    Nada de mais choradeiras
    Os golos são pr’a marcar
    Comprem novas chuteiras

    E afinem a pontaria
    Estamos cá para treinar
    Mas não esta porcaria

    Chicotada psicológica já
    Ponham o treinador a andar
    Que essa táctica já não dá.

    Prof Eta

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    1. Não lhe posso responder...
      Nem sequer sei quem ganhou!
      Se acaso cheguei a ler,
      Pode crer que "me passou"...

      Às vezes oiço falar
      Mas, desta vez, nem ouvi...
      Ou não consigo lembrar
      Porque decerto o esqueci...

      Todos temos de filtrar
      Tanta, tanta informação
      Que não podemos guardar...

      É processo inconsciente
      Que nunca sei "desligar"
      Na minha cansada mente...


      Poeta, eu sei que não será muito normal... mas é a verdade. Não sei mesmo!

      Abraço grande!


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  6. Um belo e grande dia
    e pensei
    porque não pões rede nas portas e janelas...

    faz efeito...

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    1. Ah, Anjo... tu não conheces a minha casota... nem a minha algibeira literalmente vazia
      Todo o meu andar é rodeado por marquises com portadas de vidro... pôr redes nisto é quase como pagar a dívida externa
      E, hoje, nem euros tenho para comprar tabaquito, eheheheh... deixa-me rir... para não chorar
      Espero que tenhas um dia melhor do que o meu... isto, por aqui, não está lá muito brilhante... o pobre do Kico já se suja todo, a toda a hora... tive de metê-lo na banheira, apesar de estar com uma bronquite tremenda - tem a ver com a doença cardíaca dele... - e estava a ver que nunca mais conseguia parar de lhe dar banho. Mal o enxaguava... "sujava-se" outra vez... mas lá consegui. E tive de lavar a cama dele que já tinha sido lavada ontem pela mesmíssima razão... estou derreada! O chão - de madeira escura - já anda esbranquiçado de tanto ser lavado... e eu estou que não posso com uma esfregona pelo cabo!
      Agora que isto mais parece... sei lá o quê... isto nem para telenovela daria! Agora, dizia eu, vou mesmo ter de descansar uma meia horita...

      Um belo e luminoso dia para ti, Anjo!

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  7. E que belos frutos dá essa árvore!

    bijinho

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    1. Ai, Golimix! Nem cheguei a ter tempo de ir ver o resto da tua viagem a Lanzarote...
      Vou agora! Obrigada!

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  8. “Povo fmi”

    De um trago a revolução
    No cálice que transbordava
    De violência e opressão
    Contra o que discordava

    Pois era só de uns a razão
    Enquanto não se acordava
    Acordou-se p’rá discussão
    Mas se alguém pensava

    Que por haver constituição
    Alguma coisa mudava
    Podem desenganar-se então

    Pois agora é gente escrava
    De um poder de repressão
    Que antes não se imaginava.

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    1. Bem vão tentando mudar
      A Constituição de Abril
      Pr`a poderem cercear
      A liberdade civil...

      Mas talvez ela se oponha
      E o "tiro pela culatra"
      Nos mostre a plena vergonha
      Do que ainda se idolatra

      Pois não tendo eira nem beira,
      Sendo, assim, tão escravizado
      Encontre, o povo, maneira

      De a cumprir, de a conservar...
      Seja de Abril o legado
      Que se não deixa curvar!


      Boa noite, Poeta!
      "Desencantei" uns ficheiros velhos que andavam perdidos nos cafundós dos cafundós do 2008 e... nem queira saber! Pelas minhas "contas" precisava de uns dois anos de trabalho, só - tão só - para actualizar e reformular a esmagadora maioria dos poemas que tenho nos meus blogs...
      É cada asneira, cada dissonância!
      Tenho muitos poemas e noto perfeitamente que foram feitos "em cima do joelho", a correr, sem cuidado nem revisão... quase como estes sonetilhos que, pelo menos, têm a "desculpa" de serem respostas improvisadas...
      Mas vou ter mesmo de arranjar tempo para começar a rever tudo... não faço ideia de como o farei, mas acredito que se justifica.
      Abraço grande!








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  9. “Jangada de pedra”

    A Espanha resgatada
    Pobres de los hermanos
    Com a siesta renegada
    Vão aumentar os enganos

    A hacienda penhorada
    Fará crescer os danos
    A finança não vê nada
    Lucros não são humanos

    Crescem sem proteína
    Nesta ibéria pré falida
    Onde o homem não medra

    Nem com muita cafeína
    Ele tem esperança de vida
    Nesta jangada de pedra.

    Prof Eta

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    1. Mas a verdade, Poeta,
      É que há proteína a mais
      Para alguns, só para uns tantos...
      Aqueles que não têm xeta
      Estão, tal como os animais,
      No pior dos desencantos...

      Não sei bem como vai ser,
      Mas isto há-de transformar-se,
      Sei-o bem, tenho a certeza!
      O homem tem de crescer,
      De aprender a revoltar-se
      Contra a ideia de riqueza!

      E calem-se os indecisos,
      Conformados, conformistas
      Que não sabem dizer não,
      Porque esses não são precisos!
      Trabalhadores e artistas
      São a nossa solução!

      Feliz tarde de Domingo, Poeta!



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  10. Respostas
    1. Vou ver, Poeta!
      Mas vou devagarinho... ainda estou a soluçar por causa de um pps sobre os índios guarani e a sua filosofia de vida tão ameaçada pela nossa "filosofia financeira"... depois lho envio.
      Não sou mulher de lágrimas. Choro muito poucas vezes. Talvez por isso as minhas lágrimas sejam tão pesadas... quando vêm, são enormes, albergam o mundo inteiro...

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  11. “Viela fmi”

    Muito obrigada fmi
    Tenho casa singela
    Podes aumentar imi
    Eu fico aqui à janela

    A acenar só para ti
    Vês como sou bela
    E nunca m’esqueci
    Do nome desta viela

    É uma viela de paixão
    Sou fã da alta finança
    Dou minha vida por ela

    Tanta é minha devoção
    Vou deixar-te d’herança
    A minha casa amarela.

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    1. Eheheheh...

      Pois eu cá, se lhe deixar
      - seja o que for, não me interessa! -
      Alguma coisa que usei
      Terá ele de mo roubar
      - e é bom que o faça depressa!-
      Porque eu nada lhe darei!

      Só nas palavras que gasto
      A pronunciar-lhe o nome
      Já lhe vou dando demais,
      Portanto, nelas desbasto!
      Vou satisfazendo a "fome"
      Com palavras nacionais...

      E daqui, deste passeio,
      - que assim se chama esta rua... -
      Não lhe aceno de certeza!
      Não é por ele que recheio
      Tudo de versos à lua
      E às forças da natureza!


      Saiu-me em sextilhas, mais uma vez, Poeta...
      Abraço grande!



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  12. Respostas
    1. E eu acabo de quebrar uma lei, Poeta; a que me obrigava a estar esta manhã no hospital, para exames... não estou em condições de ir sozinha para tão longe. Se não tivesse acordado num dia "não", daqueles em que os movimentos estão todos tolhidinhos e se fazem em câmara lenta, teria tentado... mas estou. Paciência... vou ao Chá.

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