MOAXAHA - Para variar...


AO ANIMAL CRIADOR QUE NOS HABITA


 


 


Amo as penas discretas dos pardais,


Macias, leves, quase intemporais…


 


Amo a serena calma dos meus dias,


Sem saudade, sem medo ou nostalgias,


Repudiando humanas tiranias,


Liberta já das cangas tão banais


Do que se engendra em ciclos rituais


 


Devoro a manhã clara, as tardes mansas,


Retorno à tal menina que usa tranças,


Devolvo corpo e alma às simples danças


Das coisas sem rotina, ocasionais,


Que são espólio comum dos animais.


 


“O morto és tu, Lázaro! Surge et ambula!”


 


 


Citando António de Sousa em Mea Culpa, Mea Maxima Culpa – Livro de Bordo


 


Maria João Brito de Sousa – 13.09.2012 – 15.33h

Comentários


  1. frases de ser a razão de existir
    no bonito de as saber sentir...


    bela semana MJ

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    1. Olá, Anjo! Obrigada! Vou-te confessar que o mais difícil é mesmo calá-las... ou publicá-las sabendo que alguns não entenderão porque são demasiado verdadeiras... ou porque não é habitual usar estas metáforas, não sei...

      Uma feliz noite para ti, amigo!

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    2. só quem sabe escreve-las
      e que concebidas estão...
      um bom dia

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    3. Anjo, eu não sabia. Nem sequer sabia da existência deste tipo de poemas que, segundo disse o amigo Albertino Galvão, são de origem andaluza e muito antigos... por isso é que fiquei atrapalhada quando me convidaram para fazer uma. A minha facetazinha mais "humana", mais "não te metas em coisas que nem conheces", deixou-me, a princípio, atada de pés e mãos... não sei como te hei-de explicar isto, mas parece mesmo que há um animalzinho criador dentro de mim, rsrsrsrs... primeiro utilizei as tais "ferramentas humanas"- análise, associação, memorização - para perceber e fixar a ordenação rimática dos versos... depois "desliguei-me" de tudo. Bem podiam ter caído as paredes à minha volta, rsrsrs... mas a verdade é que a Moaxaha veio toda inteirinha, de uma vez só. Veio em decassílabo, embora eu soubesse, pelo que me informaram, que podia vir sem regras métricas...

      Obrigada, um feliz dia e uma excelente semana para ti

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    4. muito feliz também pra ti...

      mas rematando
      sei que sabes que eu sei

      que escreves como ninguém...

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    5. Obrigada, Anjo!
      Escrevo o que sinto... acho que não sou má a sentir, rsrsrs

      Grande, grande abraço!

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  2. Vê o que digo??? Isso é qie é FAZER!!!!... è incrível a sua capacidade de produção. DSempre deliciosos os poemas.
    Mas agora uma pergunta... porque aparece sempre as pequenas utopias e não este blog? O outro está ctivo e escreve nele todos os dias? é que quando lá vou tem postes já bastante antigos!!!
    Por isso continuo a vir aqui...e irei com muito gosto aos outros que tiver se me disser como e onde.
    Abraço, e obrigada
    Isabel

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    Respostas
    1. Esta Mohaxaha fluiu só quando eu me deixei de grandes pruridos sobre a mudança do estilo poético, Isabel Uma amiga convidou-me para eu entrar num desafio deste tipo de poesia - poesia antiga Al Andaluza composta por uma entrada de dois versos (a,a), duas quintilhas (b,b,b,a,a) e (c,c,c,a,a) e uma citação de um poeta de que se goste muito ou a quem queiramos homenagear.

      Realmente não sei... acho que me inscrevi para os comentários com o endereço de email do Google... mas eu tenho tentado manter o Pekenasutopias mais actualizado... nem sempre consigo, mas vou tentando... conhece o http://liberdadespoeticas.blog.sapo.pt/ , não conhece? É dedicado à poesia de verso branco e nem sempre está muito actual porque eu nem sempre "fluo" nesse sentido, embora goste muito deste tipo de poesia. Neste momento até está com dois poemas recentes.
      Tenho também o http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt/ , dedicado à poesia em redondilha maior. Tem por lá um vídeo formatado pela Cida Vasconcellos e declamado pelo Joaquim Sustelo que eu tenho a certeza de que vai gostar! Não é o último post, é o penúltimo.
      Hoje estou quase a dormir e com uma tremenda dor de dentes, mas prometo enviar-lhe os endereços dos Portais da AVSPE e do Portal CEN.

      Abraço grande e muito, muito obrigada, Isabel!

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  3. “Tinta negra”

    O povo fala nos muros
    Escutem o que ele diz
    Quando começam são puros
    Mas não prevejo final feliz

    A vida não é um drama
    Mas sim uma teia pegada
    Quem tem muito, muitos trama
    Quem não tem, tem vida tramada

    Nos muros palavras d’ordem
    Anseios p’ra vidas futuras
    À procura duma regra

    As palavras também mordem
    Podem ser muito duras
    Fundo branco, tinta negra.

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    1. Também são muito importantes,
      Esses muros de que fala,
      Nas injustiças gritantes
      Que a juventude não cala...

      Muito querer ou ter demais
      Nunca foi muito saudável...
      Há excedentes anormais
      Frutos de um sistema instável

      Neste mundo onde o pão falta!
      Palavras ficam mais duras
      Assim que a "tampa nos salta"

      E morder... mordem-nos, sim,
      Quando se tornam maduras
      No nosso humano jardim...


      Aqui vai, com algumas dificuldades "técnicas" pelo meio... penso que abri separadores a mais...

      Abraço grande!

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  4. “Gerações e desilusões”

    P’ró que lhes havia de dar
    Quererem-nos pobrezinhos
    Depois do imenso penar
    Dos nossos avós e paizinhos

    Pobre país sem produtividade
    Onde entraram aos milhões
    Para promover a equidade
    Mas só comprámos desilusões

    Os milhões foram encaixados
    Onde muito bem sabemos
    Mas não há provas de nada

    Pobre país de desgraçados
    Três gerações e sofremos
    E a próxima está destroçada.

    Prof Eta

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    1. Pobres, sim... não miseráveis
      Sem direitos nem saúde
      Com sonhos inalcançáveis
      De alcançar maior virtude!

      Quando bem distribuídos,
      Projectando o necessário,
      Esforços - todos! - reunidos,
      Basta um pequeno salário!

      Todos entendemos, creio,
      Que o luxo não faz sentido
      Nem pode ser sustentável

      E, se o não sabem, receio
      Que esteja o mundo perdido
      E o Homem... pouco viável!


      Abraço grande, Poeta!


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