POETA, 2013


 


(Lembrando o poema Poeta, 1951, de António de Sousa - in "Linha de Terra", Editorial Inquérito, 1951- seguido de transcrição da parte final do texto "Esboço Impressionista do Perfil do Poeta", de Natália Correia, in "A Ilha de Sam Nunca")


 


(Em decassílabo heróico)


Deixai-o lá, glosando ao seu destino
Os motes de quem foi, de quem não foi,
Que a ferrugem salina que o corrói
Como a todo o punhal  de gume fino

Oxida-se a si mesma e nem lhe dói
Estocada que alguém esgrima em desatino
No espólio em que se traça homem-menino
Num espanto que o desmente e que o constrói...

Deixai-o desfolhar-se à beira-pranto
Onde a mãe-lua, um dia, há-de ir buscá-lo
Pr`ó guardar em discreto e suave encanto

Não vá um deus avulso ousar tocá-lo
Jurando, a todos vós, que ele era um santo
Pr`a, depois, sem remorso, atraiçoá-lo...



Maria João Brito de Sousa -  11.02.2013 - 11, 35h


 


----*----


"Impressionante identidade do homem e do seu discurso poético. Um insulado pela fantasia lunar irremediavelmente praticada num coexistir que a marginaliza............ A brincar a Robinson Crusoé da Ilha Deserta onde é possível recomeçar o mundo com mãos imaculadas Assim me apareceu. Assim o li nos versos que escreveu, nas ondas que perfeitamente naufragou para adquirir a pureza de sonhar sem a grilheta dos êxitos que atam os triunfantes ao compromisso de serem esplêndidos"  NC


 





NOTA -  Soneto ligeiramente reformulado em relação à sua primeira publicação, directamente nas minhas notas do Facebook.

Comentários

  1. Retiro o chapéu e me curvo perante avô e neta.

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  2. E boas recordações Maria João
    que o tempo não apagou...

    beijinhos e um bom dia

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    Respostas
    1. Muito boas, Anjo!

      Estas são daquelas que o tempo nunca apaga... fazem parte da minha vida, do meu crescimento... são parte do cimento com que se foram construindo os meus anos, as minhas vivências, aquilo que sou...

      Feliz tarde para ti

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    2. Deveria ser uma simpatia de pessoa
      penso eu...

      a ele

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    3. Era, sim, Anjo! Tinha um coração do tamanho do mundo!

      A ele

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    4. Um feliz dia também para ti... calcula que isto, agora, começou a tremer de tal maneira que tive de ler o teu comentário aqui, com letras muito, muito aumentadas... na caixa de correio já não consigo ler nada...

      Eu devia ir descansar um pouco... fiz "directa" sem querer... tive de me levantar muito antes dos galos, eheheheh... mas o sono não me veio... só dormitei uns minutos...

      Feliz dia

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    5. Um bom soninho reparador, é muito bom

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    6. Nem percebo como, mas acredita que estou sem sono nenhum... é esquisito porque estou toda "moída"... o sono é que parece ter-se evaporado...

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    7. é a estática
      espero é que não apanhes algum escaldão....

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    8. Mudei-lhe a tomada e, pelo menos a mesa já não dá choque... mas nem toco no raio do ecrã... é cada raio e corisco lá por dentro, de vez em quando...

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    9. Poderás fazer uma avaliação através do painel de controlo
      onde diz
      localizar e corrigir problemas...

      uma feliz noite
      que tudo vá bem

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    10. ... dessa ainda eu não me lembrei, Anjo! Mas posso sempre tentar, ainda vou a tempo, se der com essa coisa que diz "detectar problemas"...

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    11. gosto deste vosso rádio....


      sossegadinha noite

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    12. ... e um feliz dia para ti, Anjo! Ontem acabei por nem me conseguir despedir de ninguém... recebi um telefonema, o computador - além de estar tudo completamente ilegível - "encravou" de tal forma que não dava para fazer nada... nem mudar a página, nem escrever... nem fechar um único separador. Acabei por ter de o desligar da tomada e deixá-lo "descansar"... nem dos poetas amigos do RHP me consegui despedir...

      Realmente é precisa uma paciência de Job para se conseguir trabalhar nestas condições e eu, ontem, estava que até já me sentia mal com a falta que o soninho da véspera me estava a fazer... mas foi muito bonito, como sempre, o programa do Rádio Horizontes! E foi uma surpresa bem grande descobrir que o Joaquim Sustelo ligou o emissor bem cedinho e esteve tanto tempo a passar músicas intercaladas com poemas meus De alguns, já mal me lembrava... foi muito, muito bom recordá-los na voz dele!

      Feliz tarde e desculpa-me por nem ter conseguido aqui voltar, ontem

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    13. É muito "especial", é, o Rádio Horizontes da Poesia! Todos os poemas ditos pelo Joaquim Sustelo são seguidos de uma música que tenha a ver com eles, que tenha o mesmo título ou que aborde o mesmo tema. Estive muito tempo sem conseguir ter som... diziam-me que faltava um plugin qualquer e, quando o tentava instalar, o computador rejeitava-o... ou dizia que não era possível... agora tenho som e não vejo quase nada... nunca estou a 100%, ó sorte!

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    14. Problemas inerentes à própria Rádio...

      bela tarde

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    15. ... e parece-me que a imagem vai começar com os "tremeliques" do costume... ainda consegui ler algumas coisas no Face, hoje... está um pouco melhor... ou esteve... e publiquei um novo soneto que talvez ainda hoje traga para aqui...

      Feliz noite, Anjo!

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    16. também tenho problemas por aqui
      mas uns vizinhos deixam a rede livre

      e cá estou...sossegada noite

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    17. Eu apanho a rede de um sobrinho meu que mora perto... mas nunca cá vem

      Feliz tarde!

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    18. pois

      mas nós por cá estes dias
      também tem andado tudo avariado...

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    19. ... é com cada maluqueira, Anjo... por aqui também...

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  3. “A tragédia”

    Falta um bocadinho assim
    Diz Seguro com propriedade
    Mas não se encostem a mim
    Estou fora dessa realidade

    Que a política é ilusão
    Para esconder a amargura
    Consegue iludir a situação
    Enquanto essa ilusão dura

    Mas agora que terminou
    O tempo de prosperidade
    Vive-se um perigoso caldo

    O sistema descarrilou
    Sente-se a instabilidade
    Já há políticos em saldo.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Está tudo a ficar em saldo,
      Tanto quanto me parece
      E a cada dia há "rescaldo"
      De quanta asneira acontece...

      Político é cada acto,
      Cada humana opinião,
      Cada voz, cada contrato
      Que celebre um cidadão,

      Por isso, não mais direi:
      - Nada tenho a ver com ela!
      E embora mal me movendo,

      Do que entendo, falarei,
      Muito às claras, sem cautela
      E, se não souber... aprendo!

      MJBS

      Cá vai, meio coxinho e muito à pressa, com o meu abraço, Poeta!

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  4. “Nu ou no palco”

    Não posso fazer nada
    Então eu nada farei
    Com a tenda montada
    A este circo assistirei

    Cantarei à desgarrada
    No final aplaudirei
    Com a tenda incendiada
    Nessa altura fugirei

    Mas se eu posso fugir
    No final da actuação
    Por meio deste clamor

    Também posso decidir
    Ajudar na construção
    Participando como actor.

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    Respostas
    1. "Todos ao Palco!"

      Ah, mas "actores" todos somos
      No palco da peça "A Vida"!
      De outra escolha não dispomos
      Desde a chegada à partida...

      Todos (ou quase...) sabemos
      Que peça há-de ter um fim
      Que raramente escolhemos
      Porque a peça é mesmo assim...

      Quer tu escolhas, quer não escolhas
      Estarás a participar
      E mesmo quando não olhas

      Ela irá seguindo em frente
      E tu terás de "actuar"
      Que é o que faz toda a gente...


      MJBS - M. João

      Ontem não deu mesmo para cá vir, Poeta. Segue agora com o meu abraço!

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  5. “Movimento perpétuo”

    Maio de sessenta e 9
    Começou no ISCTE
    E ninguém os demove
    Fizeram cá um banzé

    Os estudantes de gestão
    Geriram a gritaria
    Gritaram à exaustão
    E o ministro fugiria

    Não restou mais solução
    Este é o início do fim
    Da corja de alternantes

    Que infestou esta nação
    Vai mudar de novo enfim
    Para ficar com dantes.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Nada fica como dantes
      E há que mudar a valer
      Qu`as coisas muito importantes
      Deixam rasto a não esquecer...

      Eu, de Gestão, nada sei,
      Nem tenho pernas pr`andar
      Mas, calada não estarei;
      Sempre posso poetar!

      É possível, bem possível,
      Que a "mudança" seja curta
      E o resultado... sofrível...

      Só mais tarde se verá
      Que, para que a "coisa" surta,
      Muit`água inda correrá...


      Muito coxo - de muletas, coitado... - aqui vai, com o meu abraço, Poeta! Dói-me a cabeça e estou mesmo sem "inspiração" nenhuma...


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