ESPANTO[S] ou "Lembrando os fios..."



ESPANTO(S)

ou


Lembrando os Fios
*



Diz-me o espanto que a lua irá tardar,
Que a tarde se toldou, que o céu cinzento
Lh`impôs um manto espesso e turbulento
Qu `irá manter escondido o véu lunar…
*


Diz-me este espanto que não sei calar
Que ao que me for roubado o reinvento
E brota-me o poema enquanto tento
Que o espanto me não deixe de espantar
*


Por força de entender que nada espanta
O verso que, em repouso, se decanta
E depois, ao jorrar, se alarga em rio
*


Que em breve se reforça e se agiganta,
Mudou-se o fio num mar de força tanta
Que me espanta lembrá-lo enquanto fio...
*


 


Maria João Brito de Sousa – 13.03.2013


IMAGEM - Desenho de Álvaro Cunhal

Comentários

  1. Respostas
    1. I`m back, Anjo... mas em péssima forma, acredita! A febre continua, os dentes doem mais do que antes e... e... e... o que vais calculando e o que nem sequer calculas, tudo isso multiplicado - ou exponenciado? - por aquela necessidade que todo o bom poeta tem de fazer passar a sua mensagem...

      Feliz noite

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    2. eu sei que é necessário coragem..

      bela e ensoleirada tarde

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  2. CLORETO de SÓDIO

    Se um dia for metal, sódio serei
    Se um dia for um sal, serei cloreto
    Serei tempero igual, eu vos prometo
    Na mesa do mais pobre e na do rei.

    Na pena do poeta um soneto
    Alcalina lágrima chorarei
    De dor ou alegria, isso não sei
    Que tal decida o meu ser secreto.

    Do mar salgado e imenso, serei gota
    Da noite escura serei claridade
    De meus passos errantes serei rota

    Serei, p´ro mundo, esperança repartida,
    Na maré baixa grito à liberdade
    E um tal grito sal da minha vida.

    Eduardo

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    Respostas
    1. ÁGUA, QUASE TUDO...


      Ácida seja... ou alcalinizada,
      A lágrima que of`rece e, sendo humana,
      Que seja também lágrima salgada
      Que nos brinda c`o sal que dela emana...

      Possa esta dor de dentes permitir
      A apressada resposta que me ocorre
      E que o mais me permita redigir
      Quanto a gratidão lavra e nunca morre...

      Permita-me o pedido, que aqui faço,
      De mil desculpas pelas rimas loucas
      Que deixo na moldura deste abraço

      Mas, tão desinspirada quanto estou,
      Só sei deixar-lhe estas palavras, poucas,
      Que ousaram responder às que deixou...

      Maria João

      Estou-lhe duplamente grata, amigo Eduardo! Peço desculpa, renovando o pedido que já vai sugerido no meu soneto - atroz, eu sei... - mas estou tão falha de inspiração, tão hipertensa e com uma tal dor de dentes que não me é possível criar rigorosamente nada que tenha aquele mínimo de qualidade que gosto de tentar manter. "Forcei" um pouco a resposta porque seria impensável não lhe responder. Talvez o resultado possa justificar que tivesse sido bem mais sensato aguardar por um dia menos mau, mas a verdade é que não sei mesmo se esse dia virá. Estou numa altura da minha vida em que aproveito todos os momentos para tentar criar um pouco mais.

      O maior dos meus abraços para si e Maria dos Anjos!



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  3. “O artista”

    O sétimo especialista
    Veio o desvio explicar
    Faz parte da longa lista
    Que não pára d’aumentar

    E agora veio um artista
    Lembrou de se candidatar
    À espera qu’o povo invista
    Nesta nova forma de estar

    Promete se fôr eleito
    Não haverá mais desvios
    A ficar sem explicação

    Não há artista perfeito
    Poderá ouvir assobios
    Se desafinar na canção.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Fiz um esforço enorme para responder ao seu pai... e o resultado foi tremendo... prefiro deixar o seu "O Artista" para amanhã... tentando acreditar que vou estar um pouco melhor...

      Abraço grande!

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    2. MAIS ARTISTAS...

      Podem vir mais artistas... setecentos
      Serão decerto poucos, quanto mais
      Esperar de sete, só, obra e talentos
      Pr`a solução dos males que constatais,

      Mas que sejam "artistas" genuínos,
      Daqueles que "deitem mãos" aos erros todos,
      Dos que esqueçam interesses "pequeninos"
      Pr`a que o nosso amanhã tenha outros modos!

      E, agora que tentei, sem conseguir,
      Uns versos pr`a tentar retribuir
      Os que aqui me deixou ontem à noite,

      Já nem sei que dizer, nem que sentir...
      Melhor é que me apresse a desistir
      Antes que mais "asneira" aqui se acoite...


      É soneto, mas está tão atroz que até me custa carregar no botãozinho da publicação, Poeta... mas vai assim mesmo, paciência...

      Abraço grande!

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  4. “Serei chão e mar”

    Grândola foi entoada
    E discursos silenciou
    Não quero ouvir nada
    Não é por aí que vou

    Discursos não vou ouvir
    Ouvir cantar também não
    Uso o direito a dissidir
    De toda e qualquer canção

    Algo novo está p’ra vir
    A seu tempo a decisão
    Por agora vou aguardar

    Sem chorar e sem sorrir
    Como a terra serei chão
    Como a água serei mar.

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  5. Teu poema merece tudo e também toda a minha atenção.
    Neste momento não me posso debruçar sobre a beleza do poema. Lamento!

    Mas te quero dizer que no blogs dos prémios
    tenho uma oferta que me fizeram, hoje dia 15.

    E de mim, eu quero que a leves para teus
    prémios, oferecida por mim, para ti. O posso fazer e tu mereces e eu te conheço!Apenas colocas o nome dos "7degraus", pois é ele que faz a oferta.

    Parabéns poeta!

    Maria Luísa Adães

    http://os7degraus.blogspot.com

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    Respostas
    1. Obrigada, Maria Luísa!

      Irei buscar o prémio com todo o prazer, assim que a ligação mo permita. Os scripts continuam muito "empenados" mas há muito me apercebi de que isso não tem a ver com a ligação, nem com o computador...

      Abraço grande!

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  6. Respostas
    1. Pobre Chá, Poeta... mas eu não me esqueci dele, nem dos sonetilhos ou da Ponte!
      Ontem esteve cá a amiga que me veio trazer o computador e ela pode testemunhar a maluqueira em que tem estado a ligação. Gastam-se horas a tentar deixar uma resposta e, quando se vai publicar, "morre" a ligação e lá se tem de reiniciar tudo, duas, três, quatro, cinco... vinte vezes! Estou que não me aguento... mas vou tentar ir ao Chá!

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  7. “Prisão perpétua”

    Tudo vai valer a pena
    Que não será capital
    Perpétua será pequena
    Pelos crimes de Portugal

    Um povo conquistador
    Jamais será conquistado
    Este o povo navegador
    Que agora se vê afogado

    Foram feitos dos Cabrais
    E dos da Gama também
    Nosso passado hipotecado

    Pelos criminosos actuais
    Que são os filhos da mãe
    Com insígnia de bastardo.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. LIBERDADE!


      Também eu venho dos Gamas
      E dos Cabrais - porque não? -,
      De Camões carrego as "flamas"
      Do heróico... escrito à mão,

      Mas, "decantadas as lamas"
      Que afundam esta nação
      Se a vejo lançada às chamas
      "Rimo-a" com revolução!

      Se vou dando estes meus passos
      Sempre do lado de quem
      Veja o seu sonho em pedaços

      É porque a isso me impele
      A consciência que me vem,
      Inteirinha, à flor da pele...


      M. João


      Ai, Poeta, que "desinspiração" que para aqui vai, eheheh... mas foi o que me ocorreu. Abraço grande!







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  8. Serei chão e mar

    Grândola foi entoada
    E discursos silenciou
    Não quero ouvir nada
    Não é por aí que vou

    Discursos não vou ouvir
    Ouvir cantar também não
    Uso o direito a dissidir
    De toda e qualquer canção

    Algo novo está p’ra vir
    A seu tempo a decisão
    Por agora vou aguardar

    Sem chorar e sem sorrir
    Como a terra serei chão
    Como a água serei mar.

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    Respostas
    1. Ai, Poeta... que memória a minha... tenho quase a certeza de ter ouvido este seu sonetilho cantado... até estou a cantarolar o refrão... aonde ou quando, não me lembro... mas apostaria que já o ouvi cantado!


      "Como a água, serei mar",
      Sempre, de alma e coração
      E, enquanto puder cantar,
      "Como a terra, serei chão"!

      Dessa alta torre lunar
      De onde me brota a canção
      Sobre um raio de luar,
      Desce a nossa inspiração

      E é tempo de ousar ter tempo
      Para que o tempo nos sobre
      Para correr contra o vento,

      Pr`a que corpo se não dobre,
      Pr`a que não falte o talento
      Que um tudo-nada descobre...


      Vai muito mauzito, a condizer com o estado da autora... boa, muito boa viagem para todos vós! Entre aspas estão as citações directas que retirei do seu poema!

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