"IRONIC"


 


(Soneto em decassílabo heróico)


 


 


No substracto inorgânico e espontâneo


Do voo das palavras que não escrevo,


Desvendo muito mais do que o que devo,


Discirno original de sucedâneo,


 


Pressinto a mutação, toco o genoma


Da vida que em mim pulsa ardentemente,


Deponho a frustração nas mãos da mente


E quase me separo do meu "soma"...


 


(...)


 


Não fora - enorme! -  o fluxo migratório


A fazer-me lembrar o rumo inglório


Do povo castigado a que pertenço


 


Talvez eu acabasse acreditando


Que uns versos que não vejo, nem comando,


Fossem fruto daquilo em que nem penso.


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa - 08.03.2013 - 19.00h


 


 


IMAGEM - "Os Retirantes", Portinari

Comentários


  1. E todos partem
    em qualquer das formas....

    também em tanta cegueira se afoga....

    belo poema para uma bela tarde e uma Páscoa Feliz

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    1. Páscoa feliz também para ti, Anjo.

      Meia atrapalhada por aqui... piorei dos dentes e amanhã é dia de me levantar às 5 horas...

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    2. é cansativo e desmotivador....

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    3. É muito, muito cansativo... mas, ainda assim, mal cheguei, criei um poema em sextilhas... depois o levo para o Montanhas... agora estou com o correio cheio e demasiado cansada para conseguir ler tudo...

      Feliz noite... trovoada, por aqui

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    4. sossego pra ti...sossegada noite

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    5. Nem tempo tive para te vir desejar boas noites, Anjo... estava no Face quando os scripts encravaram de tal forma que desisti. Estava cheia de sono... e ainda estou

      Feliz tarde!

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    6. como vai a querida MJ por aí ?

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  2. “Apaixonados”

    No puzle da humanidade
    Cada um tem seu lugar
    Busca o teu sem vaidade
    P’ra que possas encaixar

    Põe de lado a ansiedade
    P’ra que possas ajudar
    A construir a sociedade
    Onde o amor vá frutificar

    Todo esse amor se deseja
    Neste puzle de paixão
    Onde cada fruto seja

    Diferente por definição
    Mas ao olhar o outro veja
    Motivo p’ra lhe dar a mão.

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    1. "Valores que mais alto se levantam"


      Ansiedade? Nunca a sinto!
      Sempre serena e feliz,
      Não tenho medos, não minto,
      Nem escrevo "porque outrem diz"...

      Não me restam muitos anos
      E pretendo aproveitá-los
      Escrevendo, sem fazer planos
      Pr`a, depois, ter de mudá-los...

      Paixões banais não me encantam
      E retiram qualidade
      À obra que deixarei...

      Outras paixões se levantam,
      De maior intensidade,
      Mais fortes que a própria lei...


      Abraço grande, Poeta! Feliz e sereno Domingo de Páscoa para todos vós!

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    2. "À mais alta poetisa"

      Será que faço história
      Ao poetar assim consigo
      Constitui uma memória
      Maior que o meu umbigo

      Pois imenso em pequenez
      Não tem sequer comparação
      Com um estado de altivez
      Que é inato à Maria João

      Inato por ser espontâneo
      Por brotar de sabedoria
      Em palavras sem descrição

      Em glória é momentâneo
      Este pedaço da minha vida
      Que agradeço do coração.

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    3. Ai, Poeta... deixa-me toda corada... e eu nem sabia que me pudesse achar "altiva"... penso que não sou, mas não é lá muito bom sê-lo... nada bom...

      Estou muito gaga, nem sei o que responder mas eu é que lhe agradeço muito por me levar a escrever qualquer coisa, nem que seja um sonetilho... no estado em que tenho andado, não tenho feito poesia nenhuma, nenhuma...

      Poeta, no momento que vivemos, acho que todos os portugueses vão fazer História... uns anónimos, outros mais visíveis... mas estamos todos a passar por um momento bem marcante da nossa História.

      Esta pequeníssima poeta deixa-lhe um GRANDE abraço e comunica-lhe que terá de se levantar às 5 horas... ou um pouco antes... dia de hospital

      Vim só espreitar a caixa de correio e o Face e, como na noite passada quase não dormi por causa das cãibras, quero deitar-me bem cedinho! Posso, eventualmente, voltar a ter as tais cãibras... mas, pelo menos, vou tentar dormir...

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    4. Altivez inata daquilo que nasce de si, por se situar muito acima do conhecido, nada a ver com a personalidade.

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    5. Ao nascer perdi de imediato o meu lugar, pois
      acordei muito tarde e a época não era propicia para mim.
      Mas todos o devem tentar... e cuidado com o terminar dos poemas, Pedro amigo.

      Mª. Luísa

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  3. Não sei se estás aborrecida comigo. Não sei!
    Passei uma Páscoa tão má...

    Lindo o teu poema "Ironic", repleto de canto e de uma cavalgada de música, correndo alegremente pelas "Estepes".

    Tenho 2 poemas ou textos (não importa) que pedem a tua opinião.

    Abraço, Mª. Luísa

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    1. Não, Maria Luísa, não estou mesmo nada aborrecida contigo!

      Ontem tive de me deitar muito cedo porque hoje foi dia de hospital e, hoje, regressei muito tarde.

      A minha Páscoa, do ponto de vista físico, também foi bastante má pois estou com três infecções secundárias distintas... tentarei ir aos teus textos ainda hoje mas estou muito, muito cansada...

      Beijo grande para ti!

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    2. Fico feliz por isso! Deploro toda essa falta de saúde! Estive no pekenasutopias!

      E hoje me sentia melhor, mas ao saír da cozinha, não sei como, a porta bate num dedo da mão esquerda (nada de muita força) e foi uma dor muito grande e espero não ter partido o dedo, pois o inchaço é muito forte.

      Não entendo nada de minha vida. ontem estive para te telefonar à meia-noite, mas meu marido não deixou...e fez bem...pois me parece que não posso continuar a escrever!

      Tudo se tornou muito complexo, Mª. João, tão complexo...

      Beijo e obrigada,

      Maria Luísa

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    3. Tudo se tornou bastante difícil, também para mim, Maria Luísa! Cuidado com esse teu dedo! Com a fragilidade óssea que tens, é mesmo de recear uma fractura, amiga! Terás de ir ao médico ou ao hospital, sem falta! Precisas de fazer um raio X para poderem ter a certeza da necessidade, ou não, de to engessarem. Desculpa a minha insistência, mas penso que é preferível fazê-lo mesmo. Podes ter uma fractura que, mesmo sendo muito pequena, te pode vir a inutilizar, ou a dificultar, os movimentos de preensão dessa mão.

      Ontem tive de me deitar cedo... de pouco serviu porque, entre cãibras e dores de dentes, acabei por quase não dormir... mas não me faltava sono, garanto-te...

      Para já, reforço o meu conselho de recorreres ao hospital para te radiografarem a mão. Depois verás se te sentes melhor, quando esse pormenor estiver resolvido.

      Desejo que melhores depressa e que esse inchaço seja apenas um edema relativo à inflamação dos tecidos moles... mas pode não ser. Vai ver isso, por favor!

      Um grande, grande abraço para ti!


      PS - Já te respondi, no Pekenasutopias.

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    4. Espero meu marido! Mas posso dobrar o dedo e o inchaço é grande. Espero fique por aqui, mas a fragilidade óssea é muito grande...

      Aproveito e vou ao teu google!

      M. L.

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    5. E como está o teu dedo, hoje? Diminuiu o edema? Chegaste a ir ao hospital?
      Espero que estejas melhor. Regressei, há pouco, dos exames.

      Abraço grande!

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    6. Fui às urgências SMAS e o dedo não está partido, mas continua muito inchado e deformado. Noutra pessoa, sem este problema, não seria nada (o que me disseram).

      Tenho que caminhar assim
      ter muito cuidado comigo
      e sem saber como,
      tentar sobreviver!

      É dificil, tu sabes!...

      Li no Face um poema Soberbo - teu!

      Mª. Luísa

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    7. Ainda bem que não houve fractura, Maria Luísa! Tem cuidado contigo porque a fragilidade óssea coloca-nos em grande risco... por favor, tenta aprender a movimentar-te devagarinho... e não te esforces demasiado, amiga! Esse dedo vai precisar de uns dias de repouso, para o teu organismo ir "absorvendo" naturalmente esse edema...

      Obrigada por teres gostado do meu "Espada de Poeta". Beijo grande!

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  4. É melhor a mentira

    É tanta e convicta a sinceridade
    Daquelas mentiras que sempre me dizes
    E que tu adornas com tantos matizes
    Que as tomo, confesso, por terna verdade.

    E sabes dizê-las com tal veleidade
    Com uma certeza que às vezes desdizes…
    Eu finjo ignorar sempre os teus deslizes
    Para te evitar fingida ansiedade.

    E de tantas vezes mas ires repetindo,
    Resolvo eu pensar que são verdadeiras
    E gosto, até, de as ir preferindo

    Às verdades torpes que oiço em todo o lado
    E aguçam o engenho d`inventar maneiras
    De passar a vida a ser enganado.

    Eduardo

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    1. Um belo soneto seu que tenho a certeza de já ter lido! Penso que mo enviou há cerca de um ano. Não me recordo se, na altura, lhe consegui responder em soneto, ou mesmo com um sonetilho mas, depois de uma segunda noite quase em claro, com cãibras e dores de dentes, só muito, muito dificilmente lhe conseguirei responder hoje...

      Amanhã é dia de ir fazer novos exames e não estou a ver em que "estado" lá vou chegar... enfim, terei de ir, esteja em que "estado" estiver...

      Muito grata por este belíssimo poema e um grande abraço para si e Maria dos Anjos!

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    2. O poema está muito bom!

      Mª. Luísa

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  5. “Arca perdida”

    Os dados estão lançados
    Não pararam de rolar
    Querem ver-nos atolados
    Sem força p’ra respirar

    Dizem que a constituição
    Lei fundamental do país
    Não será uma imposição
    Porque o tribunal não quis

    Pobre povo que lavas no rio
    Que talhas com teu ensejo
    O que julgas ser teu desejo

    Vais levar séculos a fio
    Em busca da arca perdida
    Perdição de muita vida.

    Prof Eta

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    1. Um povo que no rio lava,
      Que nas fábricas produz,
      Que a terra semeia e escava,
      Que a si mesmo se conduz,

      Não deixa serem roubados
      Direitos e liberdades
      Que antes foram conquistados
      Nas aldeias e cidades

      Perdeu-se a Arca, talvez,
      Mas o grão, esse, germina
      Enquanto um só português

      Enfrentando outro revez,
      Domine quem o domina
      E sonhe... mais uma vez...

      M. João

      Chegada de mais uns exames, sem qualquer tipo de inspiração e depois de mais uma noite de dores de dentes, aqui vai, Poeta, com o meu abraço!


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  6. “Berço duma eternidade”

    Nossa alma em alegria
    Berço duma eternidade
    Um sinal que contagia
    Pela sua intensidade

    Um’alavanca de saber
    Como só o amor pode
    Cristo dá-se a conhecer
    E no teu coração explode

    O teu olhar com sentido
    Pr’ó céu logo disponta
    Irradiando uma paixão

    Que no caminho sofrido
    Afasta qualquer afronta
    Pois brota do coração.

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