POEMA MATER(IA)


POEMA MATER(IA)


*


(Soneto em decassílabo heróico)


 * 


No topo da matéria, uma palavra


E lá dentro, pulsando, as palavrinhas…


Mas, por belas que sejam, sendo minhas,


Nunca irão designar quanto eu esperava


*


E apenas a paixão, de amante e escrava,


Sem opor resistência a tais rainhas,


Me obriga à persistência destas linhas


Que tão estranha obsessão me comandava


*


 


Porém, recusam mando que não venha


Do fundo deste amor que as não desdenha,


Ou do corpo/matéria em que me sou


*


 


Quando, em mim, toda inteira, se desenha


O verbo que do alto se despenha


Sobre a própria palavra que engendrou.


 *


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 10.04.2013 – 13.36h


 

Comentários

  1. Foste ao médico? O que disse?
    Beijinhos

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    1. Minha Ligeirinha!

      Lembrei-me muito de ti, ontem, porque quando ia tentar identificar-te na nota do Face, as identificações tinham atingido o limite... não, não fui ontem ao médico...
      Vou ter de ir a uma consulta de estomatologia, mas estou a ver se consigo pôr os sonos em dia... estou demasiado depauperada para ser submetida a tantas extracções e tenho de fazer a paragem do Varfine... mas vou ter de ir ver se ela se apercebe bem do "desastre" que eu lhe pedirei para tentar reparar... e se me passa as injecções de Lovenox, para eu não precisar de estar tanto tempo sem qualquer tratamento de hipocoagulação... vai ser uma longa, dolorosa e arriscadíssima odisseia, enfim...

      Vou até aí!

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  2. “Superação”

    Desamar a vida hoje
    Porque pesa o medo
    Mas se a vida foge
    Onde está o segredo

    Ler Vinicius sem pressa
    Poderá ser a chave
    Mesmo não sendo essa
    Alguma porta abre

    Importa o momento
    Do vazio mais puro
    Onde nem o desalento

    Consiga permanecer
    Onde nada é seguro
    Mas tudo ajuda a vencer.

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    1. Eheheheh... vinha com a intenção de dizer que não estou em condições de comentar, mas vejo que passou no Ligeirinha... é exactamente por amar muito a vida e respeitar a dos meus amigos, patudos, peludos e orelhudos, que eu senti que me seria necessário um intervalozinho... e hoje estou fisicamente tão sem forças que todo o cérebro se tem de concentrar nos movimentos mais básicos... mas deixe-me ver se ainda tenho um pingo de criatividade...

      Tudo o que é vivo supera,
      Nos momentos decisivos
      Situações que ninguém espera
      Ultrapassáveis por vivos...

      Por vezes até a morte
      Pode ser ultrapassada
      Porque a vida é muito forte
      Se se sente ameaçada

      E até já aconteceu
      Sair dela, vencedor,
      Um ser que quase morreu

      Porque a vida, penso eu,
      É a riqueza maior
      Que alguém jamais conheceu...


      Muito fraquito, mas aí vai com o meu abraço, Poeta!






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  3. Respostas
    1. Eu penso, sim, e muito... mas só depois de "sentir" Vou ver isso...

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  4. “Oásis”

    Meu reino por um camelo
    Qu’isto há muito secou
    Ninguém escuta o apelo
    Por isso de camelo vou

    Um outro oásis procurar
    Vaguearei pelo deserto
    Na esperança d’encontrar
    Um camelo aqui por perto

    Camelos não encontrarei
    Apenas por grande azar
    Pois há muito que sei

    Que nesta terra sem lei
    Há camelos a governar
    Como eles me governarei.

    Prof Eta

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    1. Afinal, pouca dif`rença
      Faria... e só pr`a melhor...
      Não nos viria a "sentença"
      De servir tanto invasor...

      Com camelos verdadeiros
      Nas cadeiras do poder,
      Nem loucos, nem caloteiros
      Nos deitavam a perder...

      Pouca despesa dariam
      E jamais se cansariam
      De andar pelo país fora...

      São bichinhos pachorrentos
      Que possuem mil talentos
      Que vão faltando aos de agora...


      Muito fraquinho, eu sei, mas hoje é dia da Marcha ANIMAL e, muito honestamente, asneira por asneira... que diferença faria??? Tenho pena de não estar lá este ano... tenho pena de não ir a Marcha nenhuma, nem sequer à que se ergue contra o desemprego... a saúde está mesmo a descer a pique, dia após dia e, embora a obra que aqui desenvolvo me garanta mais trabalho do que aquele que as condições físicas me vão permitindo, "emprego", não tenho... abraço grande, Poeta!


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  5. “Vida não”

    Esquizofrenia económica
    Que loucura tão pungente
    Antes a peste bubónica
    Já matara muita gente

    Pedaço de carne rasgada
    Sangue espalhado no chão
    Esse que torna esta estrada
    Num caminho sem solução

    Via dum único sentido
    Num presente em ebulição
    Onde tudo é permitido

    Onde a vida é maldição
    Pois o sentido pretendido
    Despreza a nossa condição.

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    1. "Desistir? Nunca!"

      Tanto sangue nestes versos
      [metafóricos, contudo...]
      Designam tempos adversos,
      Sei-o bem, nunca me iludo

      E da peste de que fala
      Sei bem mais que a maioria
      Mas a boca sempre cala
      O que sabe em demasia...

      Duas vias, no entanto,
      Prevejo enquanto possíveis,
      E a segunda... é o quebranto

      De quem, já perdido o espanto,
      Enfrenta os males mais terríveis
      Acossadinho num canto...

      Maria João


      Não estou nada bem, Poeta, mas aqui vai, com o abraço grande do costume.

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  6. O POVO UNIDO

    Queremos o Povo unido
    E que em fraterna união
    Nunca se una ao patrão,
    Nem se una ao partido.

    Firme, de punho erguido,
    Unido à sua razão
    Que não ouça o bramido
    Da tão vil corrupção…

    Não faça escolha por lista
    Preparada de antemão
    Por um qualquer alquimista.

    Quem o enganou no passado,
    Sem qualquer hesitação,
    Terá, já, que por de lado.

    Eduardo

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    1. POR UM POVO EM LUTA

      Se um Partido, no passado,
      Projectou neste futuro
      Um sonho, nunca calado,
      E derrubou cada muro,

      A eles e ao seu legado,
      Me junto porque vos juro
      Que este povo, organizado,
      Não deixará de ser puro!

      Que quem se enganou no voto,
      Possa agora ir emendando
      Esse erro, mesmo remoto,

      Que não deixe de votar
      E que entenda que votando
      Também se pode lutar...

      Maria João




      Obrigada pelo seu sonetilho, amigo Eduardo!
      Já me vou envergonhando - eu que não sou mesmo nada envergonhada - de dizer que estou "num dia mau"... mas, nos últimos meses, todos os dias têm sido "maus" do ponto de vista físico e, ontem, mal conseguia teclar... hoje, não estou melhor e, para justificar as imperfeições óbvias do meu, acrescento que esta "poesia de feedback", muito rápida, não é, decididamente, o meu ponto forte...

      Um enorme abraço para si e Maria dos Anjos!

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  7. “Egos vendidos”

    Egos que nos conduzem
    Não são egos sofridos
    Egos que não produzem
    São sobretudo vendidos

    Têm dom de não produzir
    Nada à nossa imagem
    São pagos p’ra destruir
    Com uma enorme voragem

    Arrasam almas sem piedade
    Só o dinheiro tem valor
    Parece banal a atrocidade

    De trucidar o semelhante
    Este é um mundo sem dor
    És indolor doravante.

    Prof Eta

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    1. EGOS A MAIS...

      São talvez egos a mais
      Que dizem estar decididos
      A pôr mil pontos finais
      Nos desastres cometidos...

      Ter um pouco de auto-estima
      Nunca fez mal a ninguém,
      Mas esta gentinha prima
      Por dizer quanto convém

      À sua própria ambição
      Nos "tachos" já conquistados
      Às "cadeiras" da nação...

      Eu, de tanta dor que tenho,
      Fico cheia de cuidados
      Ante "enchentes" de Ego estranho...



      Cá vai, com o meu abraço, Poeta!



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  8. Respostas
    1. Obrigada, Vera!

      Foi a minha primeira tela desse ciclo de 1999... assim que me vi com dinheiro para comprar os pastéis de óleo. A disponibilidade, inventei-a...

      O meu abraço!

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