DIREITO À REVOLTA II


 


 


(Soneto em decassílabo heróico)


 


 


Naquilo em que acredito, eu acredito!


Na minha pequenez de entendimento,


Sei muito bem que quase nunca hesito


Porque aquilo que sei tem bom sustento


 


No pouco que já li, de quanto é escrito.


Se contrario alguém, muito o lamento,


Mas não retiro nada ao que foi dito


Pois, crescente de força e de argumento,


 


A palavra abre em flor, se tem razão,


Florescente de cor, não se abre em vão,


Se afirma o necessário àquele instante


 


E procura, entre vós, terreno são


Se lança umas sementes pelo chão


E cala a voz, mas deixa eco constante!


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 16.05.2013 – 15.56h


 


 


Desenho da série "Desenhos da Prisão" de Álvaro Cunhal. Imagem retirada da net, via Google

Comentários

  1. Acreditemos juntos que tem mais força!





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  2. “O fim do fado”

    Ó minha Nossa Senhora
    Ajudai-me a compreender
    Como se tolo eu fôra
    Esta forma de morrer

    Às mãos destes ditadores
    Que estrangulam seu povo
    E a Ti prestam louvores
    Celebrando o acordo novo

    Com esse deus venerado
    Cujo altar está decorado
    A cifrões por todo o lado

    Manto a ouro debruado
    Pobre povo estrangulado
    Assim não cantas o fado.

    Prof Eta

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    1. Ora essa??? Como se alguma correcção linguística não fosse mesmo importante na nossa identidade! E porque é que o fado havia de ser sempre sinónimo de ignorância? No dia em que eu defender o ensino superior está praticamente condenado ou cada vez mais e mais "filtrado", também lhe parece coisa de somenos, Poeta? E olhe que eu não sou "inginheira" nem nada...


      Acho que esgotei as rimas todas de hoje... pelo menos a esta velocidade, eheheheh...


      Abraço grande!

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    2. Upa!!! Escapou-se-me... "quando eu defender QUE o ensino superior está... lixado!"

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    3. Sou lento de compreensão, muito mesmo, não consigo descodificar a sua resposta. O fado é maior riqueza deste povo, só que o povo estrangulado dificilmente poderá cantá-lo, valer-nos-ão os fados já gravados.

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    4. Desculpe, Poeta! Fui eu que "engrenei" algures no direito à Revolta... e exagerei! Fiz uma leitura subjectiva deste seu sonetilho, muito provavelmente debaixo do efeito da velocidade do Facebook... e estou mesmo com febre... não é lento de forma nenhuma! Eu é que ia a 200Km/hora...

      Amanhã tento mesmo responder-lhe em sonetilho! Fica prometido desde que não tenha mais febre do que hoje e, sobretudo, me lembre de fazer uns segundos de intervalo entre o Face e os blogs... desculpe, mesmo, por favor...

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    5. "Consciência... e luta!"

      Bem verdade! O deus dinheiro
      Está a vencer esta guerra
      Porque vem sempre primeiro
      E abarca tudo, na Terra...

      Todos parece vencer
      E até o fado é comprado
      Mas nunca vai entender
      Que nem tudo tem um fado

      E que a mudança é chegada
      Mas nem todos calarão
      A voz, mesmo estrangulada!

      Esta gente, injustiçada
      Por tanta falta de pão,
      Erguer-se-á, revoltada!


      Maria João


      Pronto, Poeta... penso que o meu problema, ontem, foi ter feito uma extrapolação da leitura da expressão "novo acordo"... aconteceu-me ter lido, a uma enorme velocidade, umas opiniões a favor e contra o AO (des)Acordo Ortográfico... nem sequer me dei ao "luxo" de parar alguns segundos para me distanciar do tema... e saiu o que saiu... vou mesmo ter de abrandar a velocidade online.

      Aqui vai, com o meu abraço grande!





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  3. Eu desejo uma feliz noite
    sossegada a todo o teu versar sem igual..

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  4. Que saudades destes sonetos :)
    Um grande beijinho :)

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    1. Boa noite, Tixa! Se não estou em erro e a memória me não prega partidas, já te vi por aqui... há "milénios" - em termos de vida online...

      Amiga, nem eu sei quando isto acaba... se tudo correr conforme imagino, morrerei a escrevê-los... mas nunca se sabe! Se for por vontade minha e não por imposição externa, assim será!

      Obrigada pela visita!

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    2. Sim já foi há uns milénios atras... a vida dá muitas voltas que nos fazem desprender de certos "lazeres" e o mundo da blogosfera foi um deles...

      Espero bem que continue por muitos anos ;)

      Um grande beijinho

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    3. A vida dá mesmo muitas voltas, Tixa... para mim, tendo em conta a vastíssima obra em soneto clássico que aqui deixei, a blogosfera foi o meu espaço de trabalho... mas ficará por aqui... a não ser que a vida dê uma volta muito maior do que o habitual. Este terá sido o último soneto que publiquei online.

      Claro que ainda terei muito - muitíssimo! - trabalho de revisão para fazer... nem sei se estarei por cá o tempo suficiente para conseguir executar um tão difícil, vasto e delicado trabalho... mas tentarei! Nunca encarei este espaço como um espaço de lazer e sempre levei muito, muito a sério a Poesia em Língua Portuguesa.

      Beijinho! Sempre que a saúde e a falta de tempo mo permitam, virei responder aos comentários d@s amig@s!

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    4. Oh fico triste por saber que se vai ausentar depois de tanto tempo por estes lados mas a vida é assim. Mas primeiro a saúde. Um grande abraço e espero voltar a ler uns sonetos ;-)

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    5. ... e eu espero poder voltar a escrevê-los, Tixa... de momento, nem as respostas ao Poeta Zarolho "fluem" como dantes... mas a verdade é que a saúde não está melhor e somaram-se, a esses tempos "menos bons", mil e um problemas quase impossíveis de resolver...

      Obrigada e um abraço grande!

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    1. Vou ao Chá, Poeta... e não me esqueço de reler o seu sonetilho de ontem à noite... nem do disparate em que acabei por "cair"...

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  6. “iPhonecracia”

    Vivemos na aparência
    Da suposta democracia
    Porque tod’a evidência
    Aponta pr’á economia

    Essa economia reprime
    Qualquer laivo democrata
    Implantou o seu regime
    Quer mão de obra barata

    Todos muito alinhados
    Num clima de alienação
    No big-brother focados

    Com o iPhone na mão
    Muitos sms’s enviados
    E a factura um dinheirão.

    Prof Eta

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    1. Sempre teve, o consumismo,
      Uma relação directa
      Com esse capitalismo
      Da política da treta...

      Se há males que vão dar em bem,
      Posso ainda acreditar
      Que esse despesismo tem
      De acabar por... acabar!

      Metamos, pois, mãos à obra
      Porque há muito que gerir
      E temos razões de sobra

      Pr`a mudar o que é mutável
      E acabar por conseguir
      O que parece improvável...


      Cá vai, Poeta, com o abraço do costume!

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  7. Respostas
    1. Vou tentar ver esse barco. Não posso prometer nada porque a ligação está muito instável.

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  8. “Mentira absolvida”

    A honestidade sobrante
    Deste mundo desonesto
    Chega a ser desesperante
    Mas já não faz o honesto

    Está em vias de extinção
    Toda a nossa honestidade
    Aqui só te resta a opção
    Faltar sempre à verdade

    P’ra que possas sobreviver
    Elege a desonestidade
    Como um modo de vida

    Honesto deves compreender
    Toda a tua incapacidade
    Se a mentira foi absolvida.

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    1. Poeta, tenho estado com a ligação bloqueada desde as dez da manhã e não me sinto nada bem.
      Tentarei responder-lhe amanhã, se ela não voltar a falhar e se estiver um pouco melhor.


      Abraço grande!

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    2. Culpadíssima!

      Nem pensar, Poeta amigo!
      De hoje em diante, a conversa
      Que alguém queira ter comigo,
      Será, de forma diversa

      E, ou se torna bem frontal,
      Sem estranhos "ecos de fundo",
      Que a tornem feia e banal
      Ou... viro as costas ao "mundo",

      Guardo os versos nas gavetas,
      Trato dos meus animais,
      E passo a falar de tretas

      Pois, chegando à conclusão
      Que a falsidade é demais,
      Nego-lhe a contradição...

      Maria João


      Aqui vai, com o meu abraço grande, Poeta!



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  9. Respostas
    1. Exactamente, Poeta... a todas as coisas, reais ou virtuais, se pode aplicar o verbo ser. Vou vê-lo.

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  10. “Pós-Troika”

    Pós-Troika é o futuro
    Dum Vítor já esgotado
    E neste país inseguro
    Seguro está preparado

    Pr’a nos levar à glória
    Logo após a eleição
    Fará parte da memória
    Como outros no Panteão

    E o povo arrebatado
    No meio deste processo
    Quase sempre encandeado

    Pelas luzes do sucesso
    Rejubila e canta o fado
    Nem às paredes confesso.

    Prof Eta

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    1. Qual pós-troika?

      E eu confesso a meio mundo
      Que ando farta de aturar
      Estes "génios do profundo"
      Que nos querem afundar...

      Não os aturo... de pé,
      Nem os aturo sentados,
      Dando "tratos de polé"
      Aos que estão mais desgraçados!

      Movimentos de revolta
      Que andem por aí à solta
      Mesmo com muitas razões,

      Podem ser até p`rigosos
      E acender, nos revoltosos,
      As maiores contradições...


      Maria João

      Com o meu abraço grande, Poeta!


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  11. “Erupção”

    União dos povos do mundo
    De pouco nos poderá servir
    Talvez não seja tão imundo
    Outro mundo que há-de vir

    Que este mundo está volátil
    Pouco importa o seu estado
    Antes muito mais versátil
    Agora tem futuro traçado

    Só lhe importa a riqueza
    No seu estado elementar
    Como a lava do vulcão

    Por isso gera tanta pobreza
    Com que se pode alimentar
    Para entrar em erupção.

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    1. Interesses de classe

      Com grande dificuldade
      Porque as náuseas continuam
      Escrevo; a bem da liberdade
      Espero que se não destruam

      Obras que a nossa vontade
      Foi erguendo e que elas fluam
      Sempre a bem duma igualdade
      Para as mãos que a reconstruam!

      Demasiado enfraquecida
      Foram-se as forças que tinha
      Nesta luta pela vida

      Mas nunca estará perdida
      Se alvorada se avizinha
      Da vontade renascida!



      Maria João


      Aqui vai, com o meu abraço do costume, Poeta!








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  12. “O resto da gente”

    Já desperta com Cavaco
    A Europa adormecida
    Quem leva o melhor naco
    Não é a virgem aparecida

    Quem se anda a governar
    Leva um naco de luxo
    Passas a vida a lutar
    Levas um pouco do bucho

    Vai desfilando a procissão
    Dos que não têm vergonha
    Do luxo não abrem mão

    Mas o bucho é suficiente
    Façam uma cara risonha
    Vocês, o resto da gente.

    Prof Eta

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    1. De acordo

      Também não será mentira
      Que muito riem ainda...
      Estão a ver se "a coisa vira"
      Mas não entram na "berlinda"...

      Mas também eles se verão,
      Tarde ou cedo, "abocanhados"
      Por pura sofreguidão
      E porque estão condenados...

      Estão rindo, neste momento,
      Os que, vivendo do luxo,
      São senhores do capital

      Outros, sem terem sustento,
      Nem pão para encher o "bucho",
      Gritam já; Ponto final!


      M. João

      Com um abraço grande, Poeta!

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  13. Respostas
    1. Vou ver isso, antes de me deitar, Poeta. Ontem adormeci quando ainda fazia luz... hoje, embora esteja um pouco melhor das náuseas, continuo muito cansada.

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  14. “O cérebro”

    Observei o outro lado
    Do cérebro humano
    Fiquei muito desolado
    Com seu lado insano

    Insano porque faltava
    Algo de consistente
    Enquanto isso matava
    Tudo desumanamente

    E nem se questionava
    O que trazia em mente
    Ou quem seria o mentor

    Esse que comandava
    O cérebro indiferente
    Pai de todo este horror.

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  15. OS OFENDIDOS

    Foi longe o senhor Tavares,
    Não deve estar bom do caco.
    De bobo quis ele dar ares
    Chamou palhaço ao Cavaco!

    Ultrapassou patamares,
    Viola fora do saco,
    Assente nos calcanhares,
    Fez figura de macaco.

    Olhem que é de pasmar
    É de tapar os ouvidos,
    Tal sentença faz pensar…

    Deixou tudo em estilhaços,
    Até mesmo os ofendidos
    Que são decerto os palhaços.

    Eduardo

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    1. Tenho estado, mais uma vez, menos bem, amigo Eduardo.
      Apenas tenho tentado responder a um ou outro mail mais urgente... não ficou nem um espaçozinho livre para a poesia ou para a interacção online, desta vez... mas tive, "en passant", conhecimento disto, no noticiário...


      AO CARGO, TAMBÉM EU RESPEITO...


      Eu ouvi-o contrapor
      Que lamenta o sucedido,
      Não pelo dito senhor,
      Mas pelo cargo exercido

      Que deve ter tal valor
      Desde que seja cumprido
      Com desejável vigor
      Por quem faça o que é devido...

      Neste caso, meu amigo,
      Já nem sei quem desculpar;
      Penso nisso e não consigo

      Duvidar que seja um perigo...
      Demasiado adjectivar
      Pode acabar em castigo!


      Maria João Brito de Sousa - 26.05.2013


      Penso que o MST também vai fumando o seu cigarrito... estou a aguardar o dia em se comece a fazer "tiro ao alvo" sobre os pacatos fumadores de rua... quiçá os venham a culpar, em última instância, pela própria "crise"... bonitinhos, bonitinhos, são os pacatíssimos que se encharcam em minis e outras espirituosas bebidas, têm síncopes cardíacas de bancada... ou poltrona, nos jogos dos clubes que movimentam quantias de dinheiro "desavergonhadas", e conseguem servir uma refeição decente antes de entrarem em estado cataléptico diante dum episódio mais emocionante da novelazinha de todos os dias! E vivam os grandes defensores da putrefacta BANALIDADE elevada ao expoente máximo do politicamente correcto!


      Um grande abraço para si e Maria dos Anjos!





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  16. Respostas
    1. Vou, pelo menos, tentar ir ao Chá. Obrigada e desculpe-me esta ausência mais prolongada, Poeta.

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  17. Respostas
    1. Também eu, Poeta... tenho uma "overdose" de "captações" de cada vez que me vejo obrigada a sair de casa e entrar no rol das vítimas do "burocratíssimo sistema"... sou sinesteta...

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  18. “À beira mar”

    À beira mar do inferno
    Está perdido este país
    Parece castigo eterno
    Pena que ninguém quis

    Mas vai ter que suportar
    Até ao fim da maldição
    Mais valia à beira mar
    Mas sem haver perdição

    Nem gigante Adamastor
    De gloriosas epopeias
    Desta que já foi nação

    E agora suporta a dor
    Desse cante de sereias
    À beira mar triste canção.

    Prof Eta

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    1. Outra versão

      Bem... sereias não existem
      Senão nos imaginários
      Que, ao criá-las, sempre insistem
      Em dar-lhes corpos tão vários

      Quase sempre pisciformes
      - quanto baste à fantasia... -
      Entre as fronteiras disformes
      Que ao crescer dia após dia

      Deixam aberta uma porta
      Entre a ficção e a vida
      Onde cadinho e retorta

      Vão "cozinhando" o real
      Até à paz promovida
      Pela "estória", em seu final...


      M. João



      Cá vai, Poeta... muito dirigido às metáforas mas também este susceptível de ser "aplicado" à realidade... com algum jeitinho, claro!
      Abraço grande!

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  19. Respostas
    1. Não sou nada romântica. Nunca o fui.... mas o Strauss é sempre bem-vindo!

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  20. Respostas
    1. Também, sem dúvida! Todas as coisas que são alguma coisa terão, necessariamente, de não ser muitas outras... vou vê-lo, Poeta!

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