SEI DE UM TEMPO ou Mais Um Soneto de Abril


 


 


(Soneto em verso eneassilábico)


 


 


Sei de um tempo em que as horas sorriam


Transmutando os seus ramos caídos


Pelo peso das flores que nasciam


Das sementes dos cinco sentidos


 


No reflexo da cor que exibiam


E, ao torná-los em rifles floridos,


Nesse apelo que as flores emitiam,


Davam fruto entre os frutos nascidos.


 


Sei de um tempo que o dia acordou


De uma noite de medo e cantou


Como as aves que lavram caminhos


 


No mesmíssimo tempo em que eu sou


Neste pouco de Abril que sobrou


Da voragem de uns tantos, mesquinhos.


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 06.05.2013 – 11.24h


 


NOTA – Revoltemo-nos, porra!

Comentários


  1. Seria o ideal
    Mas como as coisas estão
    Lixavam-nos até ao ultimo tostão
    na invasão...

    uma bela tarde a um poetar sem igual

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    1. Mas vai ter de ser mesmo assim, Anjo! Vão-nos lixar até à alma, se não nos soubermos revoltar e ultrapassar desavenças! Teremos de empenhar-nos muitíssimo numa luta organizada, acredita... e pena tenho eu de estar tão diminuída em termos de saúde física!!!

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    2. Acreditar em quem ? e seguir a onda ?

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    3. A onda vem de qualquer maneira... não me digas que ainda não percebeste isso? Está no seu início, apenas...

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    4. Também, ao que se está a ver... mas não é dessa onda que eu falo... é de outra de proporções gigantescas que se prepara para engolir e devolver à mais desumana escravidão mais de três quartos da humanidade. É contra essa mesma onda que eu levanto a minha voz! De qualquer forma não se pode parar assim, de fora apenas, todo um sistema cheio de "inevitabilidades" - para o pobre e para o trabalhador... - como é o capitalista. Terá de ser combatido em todas as frentes... olha, é como um incêndio...

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    5. Acredito sim que a nível Global se limem algumas arestas,
      mas o fascismo ou capitalismo baralha muita gente...

      não vejo como a "onda" possa fazer algo...

      que elucidemos, aos poucos iremos...penso eu...

      uma grande e feliz tarde Maria João

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    6. O capitalismo virá a desembocar, muito fatalmente, em fascismo, tens toda a razão... é essa a sua verdadeira face... esta "onda" de eleições? Pois, o que nos tem aguentado tem sido, sobretudo, o trabalho que se vai conseguindo fazer na AR... mas... no estado a que as coisas chegaram, tudo acabará por se vir a desenrolar de outra forma... ou veremos institucionalizada a verdadeira "carinha" do sistema capitalista... ela assoma todos os dias, Anjo... e não é nada bonita de se ver!

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    7. espero é que os nossos da Praça
      não nos vendam um dia
      a algum milionário que por aqui apareça...

      feliz noite pá malta toda (quadrupedes)
      e pra ti em especial

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    8. Ahahahah... olha que... já esteve mais longe, já...

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  2. Minha querida poeta quem dera que todos tivessem a coragem de suas palavras e a força que elas emitem. Não precsa de força física para lutar, para dizer basta, para gritar que já chega de tanta idiotice.


    Tal como escrevi há pouco no Blogue, eu não me decepciono com as ideias e atitudes absurdas do Governo Passos, ele simplesmente está a ser aquilo que é e a ser fiel às suas ideias. O povo português? Esse sim, decepciona-me e envergonha-me. Ao deixar que lhe tirem anos de conquistas com a bem aproveitada desculpa da crise. Não me convecem. A mim não!

    Seremos trucidados até ao fim. Isto culminará num país mais pobre, com pessoas desmotivadas, infelizes no seu trabalho e consequentemene frustradas. Sem acesso a cultura e com iletracia. Educação de rastos, direito à saúde só para quem pode pagar, famílias desmembradas com alguns de seus membros nas oportuniddes criadas pelo desemprego fora do seu país.

    Desculpe minha poeta, mas perdi a fé neste povo!

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    1. Ai, Golimix... eu ainda não... mas sei que já não será para eu ver aquilo que "ainda" espero do meu povo

      Vou ver o teu "tento"!

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  3. “Direito à não indignação”

    O corte foi decretado
    A dignidade amputada
    Não sobra nem bocado
    Dessa ferida gangrenada

    O funeral encomendado
    Pr’á gente envergonhada
    A vergonha por seu lado
    Acabou assim esgotada

    E no mundo sem vergonha
    Almas foram esquartejadas
    Do corpo houve separação

    Sem que ninguém se oponha
    Ao fogo foram lançadas
    E não se viu indignação.

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    1. DIREITO À REVOLTA!

      Já o rei vai desnudando
      Suas opulentas vestes
      E, decerto, um dia destes,
      Muito em breve, nem sei quando,

      Irá o povo clamando
      Por dias menos agrestes
      E dirá; - Vós nos perdestes!
      Vossa ambição, vosso mando!!!

      E sempre que um povo acorda
      Do tal sono e nele transborda
      Uma tão grande insurgência,

      Não há prisão nem há corda
      Que os previna de que ele morda
      Sem mostrar qualquer clemência!!!


      Maria João Brito de Sousa


      Com o meu abraço grande, Poeta!

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