SONETO INESPERADO ou Soneto à Coragem de Viver


 


 


(Em verso eneassilábico)








Ai, Soneto esquecido, que voltas,


Que te alheias das dores que me minam


Que te acendes nas loucas revoltas


Que nem deuses, nem mestres te ensinam,





Que te enlaças nas pontas já soltas


Desdobrado em gorjeios que trinam,


Enfrentando, sem medo e sem escoltas


O temor dos que em vão se aproximam.





Ai, Soneto que eu nunca esperei,


Que não sonho e nem sei bem se sei


Se me nasces do espanto, ou das horas,





Mas que exaltas, num mel que olvidei


Nos tormentos da dor que calei,


Quanta voz soltarei, sem demoras…








Maria João Brito de Sousa – 04.05.2013 – 16.26h


 


 


 


Imagem - Desenho de Álvaro Cunhal (Série "Desenhos da Prisão")

Comentários

  1. A TROIKA de CÁ

    O Coelho e o Gaspar
    Andam muito agastados
    E não param de pensar
    Na hora de ir aos mercados

    O Portas e seus pasmados
    Fartos de por lá andar
    E aos mercados habituados
    Até lhes vão ensinar

    A maneira de lá ir.
    Pois aprendeu em menino
    Que para os atingir

    E não morrer afogado
    Se vai de submarino
    Evitando ir a nado.

    Eduardo

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    1. Ai que eu fico com imensa vontade de lhe responder a este sonetilho... mas a inspiração está fraquita e esgota-se depressa, amigo Eduardo! Se conseguir, ainda cá volto!

      Um grande e grato abraço para si e Maria dos Anjos!

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    2. De alguma forma, considero este meu sonetilho uma resposta ao seu... e não será uma resposta evasiva porque cheguei a ela, não directamente através do tema descrito, mas através de mais uma tentativa de análise da "razão" que nos leva a escrever poesia, a deliciar-nos com ela e até a corresponder-nos através dela... é pública e mais do que conhecida a minha aversão às políticas neoliberais que estas duas figuras representam. O que me "saiu", naturalmente, depois desta reflexão em torno da nossa correspondência poética, foi isto;

      QUEIRAMOS!


      Vasto, redondo, impensável,
      Este nosso humano querer
      Que, apesar de o não par`cer,
      É bem mais que imaginável!

      Creio demais; fico instável
      E acabo por perceber
      Que, nunca chegando a crer,
      Sou, assim mesmo, insondável

      E, aonde o sonho me leve,
      Serei vontade e razão
      Nesta vida, mesmo breve,

      Pois quem faz mais que o que deve,
      "Faz das tripas coração"
      Enquanto a voz não prescreve...

      Maria João

      Com um grande abraço para si e Maria dos Anjos e com o meu pedido de desculpas por não ser uma "resposta à letra".

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  2. Respostas
    1. Vou ver esse Chá vitorioso, Poeta!

      Hoje lá me nasceu outro soneto - ainda só publicado no Facebook - mas a minha velocidade, que eu julgava impossível tornar-se mais lenta, tornou-se... "quase nenhuma"...

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  3. Oi Maria João

    Soneto bonito, embora a dor sempre está presente.

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    1. Olá, Vera!

      A dor está presentíssima, amiga! Fisicamente muito presente, sobretudo no dia em que o escrevi... mas repara que a dor está longe de ser uma constante da minha poética. Muito poucos dos meus sonetos a abordam, a não ser de uma forma mais generalista e/ou de conteúdo social...

      Como vais tu, amiga?

      Abraço grande!

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    2. Estou bem, porém com medicação para transtorno de humor e depressão.
      A vontade é de parar com tudo que estou tomando, mas não devo.

      Abraço.

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    3. Tenho tanta pena, Vera... mas tens razão, não deves mesmo parar medicações em curso, sem a ordem de um médico especialista... esses problemas são sempre muito delicados.

      Um abraço grande para ti, amiga!

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  4. Respostas
    1. Eu, hoje, nem três passos seguidos consigo dar... mas é bom vê-lo por cá, Poeta!

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  5. DOIS DUQUES DAQUELE BARALHO

    Aquele dilema grisalho
    Com uma linha encarnada
    Num dia ficou em nada.
    Mandaram-no p´ro… retalho.

    Dois duques daquele baralho
    Tinham a carta marcada,
    Cada qual mais espantalho,
    Combinaram a jogada.

    No tabuleiro em que jogam
    Ambos, ao fim e ao cabo,
    Com batota nos afogam

    E à ordem de três ases
    Vendem a alma ao diabo,
    De mais já não são capazes.

    Eduardo

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    Respostas
    1. Ah, meu amigo Eduardo, poucas vezes me senti tão incapaz de lhe responder, ainda que com um sonetilho manco ou a despropósito... estou num estado físico deplorável! Posso, no entanto, tentar...


      Também eu, quase grisalha
      E sentindo-me incapaz,
      Posso cometer a falha
      De tentar jogar um Ás

      Mas, ante uma tal canalha
      Que "bagunça" e nada faz,
      Antes quero comer palha
      Do que, deles, andar atrás!

      Do mais, só jogo xadrez,
      Sempre no computador,
      E se ganho alguma vez

      Fico logo tão contente
      Como qualquer jogador
      Que até seja... competente...


      Maria João

      Olhe, até acabou por sair, meu amigo! Desta vez até as costas me doem só por teclar meia dúzia de palavras... mas claro que me veio meio a despropósito...

      Grande abraço para si, Maria dos Anjos e para o nosso Poeta Zarolho, Maria João/Dinamene e criançada linda!

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  6. “O aviso”

    A falência do social
    Foi opção deste país
    De seu nome Portugal
    Agora ninguém o diz

    O submarino preferiu
    Comprado na Alemanha
    Em seguida submergiu
    Agora ninguém estranha

    Investiu em bancos mil
    Negociou boa parceria
    Fez SWAP’s a preceito

    Nasceu futuro em Abril
    Passado ninguém queria
    No presente está desfeito.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. RECEPÇÃO

      Ora bem!!! Esta verdade
      Ninguém a pode negar!
      Não é, pr`a mim, novidade,
      Mas foi prudente avisar...

      As relações financeiras
      Estão a ser postas à frente
      De aspirações verdadeiras
      E até da vida da gente

      E os "altíssimos" interesses
      Do "senhor deus do dinheiro"
      Vão fazendo ouvir as "preces"

      Que esta Terra vão gerindo
      A bem desse "bem" primeiro
      Que afinal nos vai falindo!!!!


      Maria João Brito de Sousa

      Olhe, Poeta, foi tão rápido que este me nasceu, que nem imagina! Aqui vai ele, com o meu abraço!

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  7. Sempre com aquele savoir de bem poetar...

    feliz fim de tarde
    que por aqui começou a Serra a arder

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    Respostas
    1. No caso do soneto, é mesmo preciso algum "savoir"... em toda a poesia, aliás... mas que tremendo, isso, do incêndio na serra! Que tremendo!

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    2. manigancias dos calhaus

      radicais...parece...


      uma noite feliz que eu até ando avinagrado...
      as pessoas ao redor já não são...enfim


      feliz de por aqui estares

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    3. Também tenho andado bastante avinagrada, Anjo... bom soninho para ti!

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    4. Uma bela manhã pra ti
      e podes ver já o incendio em imagem...

      foi também combatido por um Heli Kamov Russo...

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    5. Estava a vê-lo e ia-te responder quando a net se foi abaixo... e está fracota... vou de novo!

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  8. “Elixir marado”

    Não existe alternativa
    Numa mente fechada
    Ou será uma missiva
    Pr’a que não mude nada

    Nada se deve mudar
    Pois sempre que mudou
    Muito me posso enganar
    Mas tudo na mesma ficou

    Mudemos pois a mudança
    Que toda a vida nos enganou
    Dando-lhe sentido renovado

    Será um elixir d’esperança
    Esse que alguém cantou
    Dizendo que anda marado.

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    Respostas
    1. A mudança socialista
      Será, para mim, bem-vinda
      E há sempre quem nela invista
      Entre a gente desavinda

      Mas não será fácil, não,
      Que as pobres mentalidades
      Estão na desgraça em que estão,
      Nem distinguem qualidades...

      Seja de esperança e vontade
      Esta força que trazemos
      Desde sempre, em todos nós,

      De alcançar a liberdade,
      De saber que venceremos
      Fazendo ouvir nossa voz!


      M. João

      Aqui vai, sem qualidade poética nenhuma ... e a "correr"... com o meu abraço!

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