SONETO A UMA OUTRA EMBRIAGUEZ


 


(Em decassílabo heróico)


 


 


Devo dizer-vos ter julgado certo


O fim dos dias do meu “sonetar”


Que a cada instante vinha concertar


Meu muito humano e lábil desconcerto.


 


Hoje, porém, sem um motivo, incerto,


Sem sonho que o fizesse anunciar,


Nasce-me este, ébrio, quase a galopar


Sobre as tristezas que sentiu por perto


 


E, nesta força que nem eu lhe entendo,


Fez-se palavra, verso… e, num crescendo,


Impôs-se, a cores, ao cinza do costume


 


Assim que letra a letra foi estendendo


A melodia que, em mim não cabendo,


Jorrou qual água mas queimou qual lume.


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 29.05.2013 – 21.36h


 


 


 


IMAGEM - Três Mulheres na Fonte - Pablo Picasso, 1921

Comentários

  1. “Beijo da vida”

    Deram-te o beijo da vida
    Para tua grande sorte
    Pois ele há quem decida
    Distribuir o beijo da morte

    Mas à vida pertencemos
    Mesmo que a sorte fuja
    À morte a vida daremos
    Tarde ou cedo ela nos surja

    Para que no amor vivamos
    Importa o pequeno irmão
    Nossa esperança futura

    Toda a protecção lhe damos
    Sempre junto ao coração
    Amor é semente que perdura.

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    1. "Sempre pelo beijo da vida... consciente de que a morte/renovação lhe está implícita..."

      Beijo de vida e de morte
      No mesmo momento é dado;
      É "dois em um"... não há sorte
      Que nos livre de um tal "fado"

      Pois, no tempo situados,
      Temos duração limite
      E, ao nascer, somos "datados"...
      Não há nada que o evite!

      Como tudo o que é vivente
      Haverá que procriar,
      Deixar por cá nova gente,

      Entender a condição
      E aprender a acreditar
      Nesse tal pequeno irmão...

      Maria João

      Aqui vai com o meu abraço, Poeta! Acho que vai um bocadinho "pragmático" demais... mas tenho estado a ser muito "solicitada" nesse sentido, nas minhas leituras de hoje... e não estaria a ser sincera se não dissesse exactamente o que aqui digo...

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  2. “Avenidas novas”

    Novas ruas de Lisboa
    Baptizadas a preceito
    Não são escolhidos à toa
    Os nome pr’a este efeito

    Nenhum deles destoa
    Seguem o único preceito
    São quem fez coisa boa
    Pois pr’a isso foi eleito

    As avenidas do futuro
    Para sempre vão perdurar
    E até vos dou um conselho

    Não queiram o Largo Seguro
    Antes a Rua Vítor Gaspar
    E a Praça Passos Coelho.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Avenidas do futuro!


      Que tal a Rua Cunhal?
      Praça Catarina Eufémia?
      São gente de Portugal
      E não me soa a blasfémia...

      Aposto nas toponímias
      Que acabei de sugerir
      Pois podem tornar-se exímias
      N`acção de nos definir...

      Bem mais seguros ficamos
      Em ruas com nomes destes,
      Gente sem açaime ou amos,

      Sem receios ou traições,
      Que viveu tempos agrestes...
      Não o nome de uns poltrões!


      Maria João


      Aqui vai, Poeta! Com o meu abraço... por enquanto não algemado!









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  3. só desejar-te um grande e feliz Fim de Semana

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  4. “Vida sem alma”

    Com a vida ao contrário
    Alma não está à venda
    São as contas do rosário
    Duma vida de contenda

    É nesta luta constante
    Para endireitar a vida
    Que nos parece distante
    A alma que foi vendida

    Vendida por quase nada
    Talvez mesmo oferecida
    Que esta vida sem alma

    Corre sem norte, sem calma
    Corre sem vida, a corrida
    Já não corre a desalmada.

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    Respostas
    1. Alma? À venda?

      Alma? Nunca a tive à venda!
      Lamento que alguém julgasse
      Que eu entrasse na "contenda"
      Ou nisso, sequer, pensasse

      Pois, por nisso nem pensar,
      Talvez, mesmo sem dinheiro,
      Tenha força pr`a lutar
      Neste instante derradeiro

      Em que só rimas "menores"
      Penso vir a publicar
      Em quaisquer computadores

      Pois não mais volto a escrever
      - e nem penso em recuar! -
      Sobre um suporte qualquer...


      Maria João


      Poeta, vou publicar, ainda hoje, se a ligação mo permitir, aquele que será, muito provavelmente, o meu último poema publicado. Considero publicado tudo o que seja posto à disposição da leitura de qualquer pessoa e é a isso mesmo que me refiro. Não me sinto nada à vontade com a falta de privacidade que sei existir ao nível das minhas caixas de correio e até dos próprios ficheiros em word. Como tenho excelentes razões para confiar em mim mesma, nem sequer tenciono insistir nesta palermice de "fazer de conta" que está tudo "normal". A obra que por aqui deixo é de grande qualidade poética, sei-o muitíssimo bem... mas acaba hoje. O próximo será o meu último soneto online... ou offline.
      Volto a manuscrever os meus poemas "de gaveta" que serão entregues a alguém que poderá, ou não, arranjar forma de os fazer publicar um dia.
      Virei até cá, deixar os meus sonetilhos-resposta, enquanto lhe aprouver deixar os seus neste meu blog.


      Abraço grande, pedindo desculpa do que a si lhe possa dizer respeito... mas é uma decisão que eu entendo perfeitamente pertinente, dadas as circunstâncias... e eu não sou mulher de voltar atrás nas minhas decisões. Até porque só faço escolhas importantes depois de as circunstâncias me terem levado ao limite da minha paciência que, garanto, tem sido muitíssimo "elástica"...



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  5. Respostas
    1. Poeta, a minha ligação está estranhíssima... há demasiadas pessoas a enviarem mensagens de "teste"... e nem sequer consigo abrir o meu correio do Gmail... penso que vou deixar a visita à Ponte para amanhã.

      Abraço!

      Também há novidades menos agradáveis com o meu anti vírus que está para aqui "engasgado" com uns Trojan Horses... estou a ver se entendo alguma coisa desta baralhada toda!

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