SONETO DO PRODUTOR EXPLORADO


Aos operários das fábricas e aos trabalhadores de todo o tipo de serviços. Aos trabalhadores da terra e do mar. Aos operários da palavra, da voz, do gesto e da cor.
A todos os silenciados e explorados.


 


 


SONETO DO PRODUTOR EXPLORADO


*
(Em decassílabo heróico)


 *


 


Eu, que injectei nas veias das cidades
Sentinelas de pedra e de aço puro,
Que conquistei a pulso as liberdades,
Que asfaltei com suor cada futuro,


 *


Eu, que paguei com sangue as veleidades
Registadas na pedra, em cada muro,
E sigo em frente e moldo eternidades
A partir do que engendro e não descuro,


 *


Não mais hei-de evocar forças ausentes!
Liberto o grito preso entre os meus dentes
Que irrompe deste barro em que me sou


 *


E arrancarei de mim quantas correntes
Me prendam à mentira, ó prepotentes
Donos do que julgais que vos não dou!


 *


 


 


Maria João Brito de Sousa – 30.07.2013 – 18.58h


 


 


 


IMAGEM- "Força" , José Viana, óleo sobre tela


Imagem retirada da página  URBANO TAVARES RODRIGUES - Escritor


 


 


 


NOTA DA AUTORA – Um soneto que nasceu porque “tinha de ser”…


 

Comentários

  1. “Aquela verdade”

    Redonda é a verdade
    De mil faces vestida
    Mentira por necessidade
    Aí encontrará guarida

    Pode mais essa mentira
    Desta forma travestida
    Enquanto a verdade gira
    Mas por ela é subvertida

    E o comum dos mortais
    Sempre vai acreditando
    Na mentira mascarada

    Perguntam se querem mais
    Enquanto o vão enganado
    Desta forma descarada.

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    1. "Verdade muito irredutível"


      Muitos vão acreditando
      Que a Mentira, em "furta-cores",
      Em vez de ir-nos escravizando,
      Veio impor novos valores,

      Mas, pr`a mim, tal repertório
      De mentiras travestidas,
      É como baile em velório;
      Traça normas pervertidas!

      Verdades, pelo contrário,
      Cumprem bem sua função!
      Redondas ou mais modestas,

      São adubo dum erário
      Que dará direito ao pão
      E à expulsão daquelas... bestas!

      M. João

      Estou um bocado irredutível, hoje, Poeta... fui à consulta de controlo do INR. Os valores continuam demasiado baixos e vou ter de voltar para a semana...




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  2. Nasceu porque “tinha de ser” lido, crime seria se tão belo escrito nunca fosse lido.

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  3. “Afonso”

    Afonso Henriques fundador
    Pr’a que fundaste Portugal
    Transformado neste horror
    Deves estar a passar mal

    Pensa melhor desta vez
    E devolve mas é o condado
    Desiste de ser português
    Da Ibéria faz-te cruzado

    Parte pelo mundo afora
    Filipes te recompensarão
    Evitas-nos esta condenação

    De povo que o destino chora
    Serás dum povo em aclamação
    Por mui nobre e sábia decisão.

    Prof Eta

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    1. "Sebas, através do velho nevoeiro..."


      Pobre Afonso! Não sabia
      No que "isto" havia de dar...
      Soubesse ele e viraria
      Espanha de pernas ao ar! (hahahahhhh...)

      Guerreiro determinado
      Não deixa em alheias mãos
      A sorte do seu condado
      E a honra dos seus irmãos!

      Tem, porém, grande rival
      Que, nesta coisa de anseios,
      É mui grande a confusão

      E, pr`a salvar Portugal,
      Alguns preferem meneios
      D`El Rei D. Sebastião...

      M. João


      Com o meu abraço, Poeta!

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  4. “Kamões atual”

    Respeito as tradições
    E nossa língua incluo
    Pois vem desde Kamões
    Sem sofrer nenhum recuo

    Nossa pátria dizem ser
    Anda toda esfrangalhada
    Mas é sabendo escrever
    Que a língua é respeitada

    Tendo este novo acordo
    Deturpamos o sentido
    Dum saber universal

    Com ele eu não concordo
    Mas já que foi impingido
    Em direto relato o fato atual.

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    Respostas
    1. "Camões, intemporal... e pobre!"

      Ai, senhor! Tirai-lhe a "kapa",
      Que a Poeta intemporal,
      Já ninguém disfarça ou tapa
      A magreza do bornal!!!

      Deveis tirar-lhe o capote,
      Tratá-lo com mais respeito!
      Não lhe deis sequer o "mote",
      Que ele já o traz... por defeito...

      Deixai-o livre de ser
      E mais livre de criar
      Aquilo que lhe aprouver

      Pois se em "kapa" o embrulhais,
      Breve o vereis empunhar,
      Contra vós, feros punhais...

      M. João


      Abraço e os meus votos de um feliz Domingo, Poeta!
      Pode mesmo tirar-lhe a "kapa"... há poetas que, pela sua excelência e pela dignidade que a qualidade da obra lhes confere, merecem que não "brinquemos" muito com a memória deles... quanto ao... brrr... novo (des)acordo... está muitíssimo mal feito, é estúpido, cheio de contradições e profundamente inestético, Poeta! Nem que me pusessem entre a espada e a parede - e já vou estando, já... - o aceitaria!


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  5. “Espírito santo”

    Eu brinco aos pobrezinhos
    Tenho o chinelo rasgado
    Sinto as pedras dos caminhos
    Tenho o estômago colado

    Sinto o calor no verão
    Sinto o frio no inverno
    E se aqueço o coração
    É porque esqueço o inferno

    Espírito santo ilumina
    Este caminhar sofrido
    Pleno de chagas e picos

    Que esta alma pequenina
    Apenas te faz um pedido
    Protege também os ricos.

    Prof Eta

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    1. "Consciência de classe"

      É precisa uma... bondade
      Pr`a pensar em protegê-los
      Quando são quem nos "invade",
      Nos justifica os apelos!

      Pensam que esta resistência
      Se apagou, fez divergir
      Os apelos que a consciência
      Dentro de nós fez sentir?

      Protegidos, sempre foram!
      "Elites" com tal riqueza
      Quando nos retiram tudo?

      Reparai como se "escoram"
      "Debitando" uma defesa
      Com a qual já não me iludo!


      Maria João


      Segue mais um, meio coxinho, Poeta! Abraço!









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  6. Que bom tê-la de volta aqui neste universo ON LINE ! Nossa poesia é nossa arma que guarda o coração e o corpo.
    Tenho uns versos sob o seu olhar para os quais sua leitura e correção serão essenciais.
    Adílio Belmonte,
    Belém-Pará-Brasil

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    1. Obrigada, Poeta Extase!

      Sei que estou em falta para consigo... e até para comigo mesma... tenho de fazer a selecção e revisão de algumas dezenas de poemas meus para uma Antologia e a tarefa está a eternizar-se pois, dadas as circunstâncias em que me encontro, não consigo arranjar tempo para dar continuidade à tarefa que iniciei há cerca de dois meses, se a memória me não engana... Há uns dois ou três dias, fui à procura da sua remessa de poemas nas pastas da minha caixa de correio mas não os consegui encontrar. Peço-lhe que me perdoe mas, caso a busca continue a ser infrutífera - provavelmente nem sonha a quantidade (milhares) de emails que fui guardando ao longo destes cinco anos e meio... - poderia fazer-me um reenvio? É que eu procurei durante horas e já mal conseguia ler os títulos quando acabei por desistir...
      De qualquer forma penso que não serei a pessoa mais indicada para fazer correcções que não sejam meramente ortográficas... já tinha lido vários dos seus sonetos, mas não seria capaz de os "corrigir"... iria ter de lhes impor uma cadência melódica que invariavelmente se prende com a disposição das sílabas átonas e tónicas porque isso me parece essencial para a musicalidade e a estética de todo o poema que se pretenda soneto... e acabaria por ir contra a "ética do revisor" - e que, em mim, tem a tremenda força da própria consciência - que o impede de mudar assim tanto um texto, poético ou não...

      De qualquer forma, fica o pedido de reenvio, pelo qual lhe peço, desde já, muita desculpa. As circunstâncias estão a ser-me profundamente desfavoráveis, acredite... já nem para a minha própria poesia vou encontrando tempo e as pastas da minha caixa de correio estão um autêntico caos...

      O meu abraço!

      Maria João Brito de Sousa

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