SONETO AO PRODUTOR EXPLORADO II
Sem agasalho, quando o frio lho pede,
Nem acessórios, quando necessários,
Não diz palavra em causa que não mede,
Assim que os ventos sopram mais contrários
*
E se ergue o punho contra os salafrários
Ou espuma as raivas que a razão concede,
É por ter mil razões contra os salários
Que só lhe compram fome e pagam sede
*
Passa, invisível, sobre o dia-a-dia,
Vai, devagar, morrendo em contra-mão,
Arremedando a velha alegoria
*
Que, honrando a letra de uma melodia,
Em coro nasça de uma multidão
Que venha, erguida, impor-se à tirania.
*
Maria João Brito de Sousa – 03.09.2013 – 19.51h
Imagem do 25 de Abril de 1974 - Partido Comunista Português
Chá amoroso.
ResponderEliminarVou ao Chá, Poeta!
EliminarA próxima revolução será digital, a multidão já se está a alinhar.
ResponderEliminar... essa já está em curso... hummmm...
Eliminarestá a levar algum tempo a "cair a ficha", mas... uma revolução unicamente digital não se aguenta "nas canetas"... ou melhor, "nas teclas"...
“Loucos anos”
ResponderEliminarLoucos anos da crise
E na loucura total
Não há quem ajuíze
Esta insanidade geral
Vamos todos para a rua
E com alegria brindar
Venha cada um na sua
Aos pobrezinhos brincar
Confétis e serpentinas
Aos milhares pelo ar
E numa atitude vã
Toquem as concertinas
Que nós queremos dançar
Anos loucos, o can-can.
Prof Eta
EliminarEu já "brinco(?) aos pobrezinhos",
Dançar é que não consigo
Porque incomodo os vizinhos
Pondo a residência em perigo...
Mas - agora sem brincar! -
Mil grandes limitações
Quase me impedem de andar...
Já não danço em condições!
Tudo o que posso fazer
Pelos "loucos-loucos, anos"
Que se aproximam de nós
É não parar de escrever
E tentar não causar danos
Se quiser erguer a voz...
Maria João
Aí vai, com o meu abraço!
Chá trabalhador.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!
Eliminar“Cais”
ResponderEliminarEmigrante ao emigrar
Deixa ficar a saudade
O viajante ao viajar
Busca a universalidade
E passante ao passar
Colecciona intensidade
O que decide ficar
Sente a sua afinidade
Existe tanto lugar
Que na busca incessante
Podes nunca encontrar
Um que seja relevante
Mas podes sem procurar
Encontrar um deslumbrante.
Cais Metafórico
EliminarEu, sendo "insigne ficante",
Tenho cais feitos de ideias
Com colunas sempre cheias
De um imaginário errante...
Num ou noutro, mais distante,
Que se erga em brancas areias,
Despeço as horas mais feias
E, qual "cavaleiro andante"
Contemplando o mar da vida,
Sem sentir-me aborrecida
Nem sofrer d`"angústias d`alma",
Faço a minha despedida
Na demorada partida
Que, em troca, me ofereça calma...
Maria João Brito de Sousa
Aqui vai, com o meu abraço, Poeta!
EM NOME do PAI,
ResponderEliminarPara o Nuno Lobo Antunes, com a admiração de um leitor dedicado.
Sob o olhar atento de José
Jesus, pequenino, o barro moldava
E o bando de aves que Ele perfilava
Parecia real e piar até…
Eis que outro menino que ali passava
Tentou destruir-lho, pisá-lo com o pé,
Já Jesus chorava… mas cheio de fé,
Os seus passaritos, lesto, enxotava.
Foi então que o pai O veio ajudar
E, em seu socorro, para ele correu…
Presenciou José facto de pasmar
O bando de barro, junto a voar,
Batia as asas rumando ao céu,
Cá baixo, Jesus, quedou-se a acenar.
Eduardo
Uma magnífica e tocante alegoria, amigo Eduardo!
EliminarSe estivesse um pouco menos exausta, escreveria um, a propósito... mas estou mesmo muito cansada...
Obrigada por esta bela partilha!
Abraço grande!
Maria João
Leão na ponte.
ResponderEliminarVou à Ponte!
Eliminar“Caminhos do poder”
ResponderEliminarA vida não vale nada
Um bombeiro morreu
Notícia foi ventilada
O poder nem se mexeu
Já a economia é sagrada
Apenas um boato correu
Situação era complicada
E o poder logo tremeu
Valores da humanidade
Nunca tiveram valor
Impera a vil tirania
Que conduz a sociedade
Pelos caminhos de dor
Dia e noite, noite e dia.
Prof Eta
... e contra...
Eliminar... nem é bem "economia",
É mais... "poder financeiro"
Daquele que abre a garantia
Aos impérios do dinheiro...
Quanto à morte, já sabia
Porque estive o dia inteiro
A procurar o que havia,
Vendo o que vinha primeiro...
Nestes tempos tão difíceis
Há que saber pensar bem
Pr`a depois agir melhor...
Ele são traições, ele são mísseis,
Ele são os... sei-lá-quem!
Tanta morte é um horror!!!
Maria João
Abraço grande, Poeta!
Gardel na ponte.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!
EliminarChá embarcou.
ResponderEliminarVou ao cais...
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