SONETO DE NATAL, 2013
Soneto de Natal quer-se mais brando,
Mais dócil, mais alegre e colorido…
Porém, se sinto ser tão sem sentido
Calar quanto o meu povo vai lutando,
Só sentido me faz juntar-me ao bando
Se ao menos me for dado e consentido
Este escrevê-lo assim, mais aguerrido,
Mais vindo cá do fundo e sem comando.
Natal é nascimento, é festa… eu sei!
É tempo de ir servindo o bolo-rei,
No papel de embrulhar velhas tristezas,
Mas, neste, – é singular… - não calarei
Que o esmagam, deturpando, a mesma lei
Que do Natal se ergueu... e traz certezas!
Maria João Brito de Sousa – 18.12.2013 – 16.06h
“Natal contigo”
ResponderEliminarO natal sem abrigo
É possível apenas
Porque olham o umbigo
As consciências pequenas
Não interessa o amigo
Mas as delícias terrenas
O mesmo se passa contigo
Vês o teu abrigo apenas
Podia ser bem diferente
Se amar fosse natural
Mas aprendes a odiar
Quase que naturalmente
Por isso não é natal
Se não te puderes abrigar.
Natal com o Kico, que vai partindo...
EliminarJá vou estando habituada
A mil coisas negativas
Mais... esta é mais "requintada"
E eu não posso dar-lhe "vivas!"...
Tudo aguento! Tudo, tudo,
Com estoicismo e com bom-senso,
Mas, desta vez, não me iludo
Pois, bem pior do que penso,
Sei bem quanto vou sentindo
No momento em que aqui escrevo
Em que, tentando rimar,
Vou, nas teclas, omitindo
O que não posso, nem devo,
E "quase" me faz chorar!!!
Maria João
Com o meu abraço e os meus votos de Feliz Natal, Poeta! Que seja um dia muito feliz para toda a família!!!
CANTE DO AVÔ CANTIGAS
ResponderEliminarA BURJACA DELES E A MINHA
Aquele senhor emproado
Que hoje vi na Assembleia
Disse que o pé-de-meia
De quem é endinheirado
Não pode ser confiscado,
Pois seria tal ideia
Uma injusta panaceia
Que o deixava consternado.
Mexer na burjaca alheia
É, certamente, um pecado,
Mesmo com ela bem cheia…
Mas se ele, com sua alcateia,
Assalta a do reformado
Tal acção, ele premeia!
Eduardo
Excelente sonetilho, como vão sendo todos os que lhe saem das mãos, amigo Eduardo!
EliminarDeixo-lhe um grande e grato abraço e os meus votos de um Feliz (e combativo!) Natal!
Maria João
O espírito é ainda santo,
ResponderEliminarmesmo falando a tristeza
de uma alma a todo o pranto
sob as luzes da incerteza.
Que Deus a ilumine e também a sua pátria amada, cara amiga! Feliz Natal!
Adílio Belmonte
Belém-Pará- BRASIL
Grata, Adílio Belmonte!
EliminarDeixo-lhe o meu abraço e os meus votos de um feliz Natal!
Maria João
Chá responsável.
ResponderEliminarVou ver esse Chá!
Eliminar
ResponderEliminarBelo e feliz Natal
Belo e feliz Natal para ti, Anjo! O meu, não será uma coisa nem outra, infelizmente...
EliminarO melhor Natal possível são os meus desejos, já as melhoras de Kiko não sei se acontecerão, pois ele já tem tanta idade, mas mesmo assim espero que sim.
EliminarObrigada, Poeta! Desta vez não tem qualquer hipótese de melhorar... mas não está a ser nada fácil...
EliminarAbraço grande!
“Desinspiração”
ResponderEliminarDonde vem a inspiração
Vem do céu ou do inferno
Conforme a imaginação
Neste tempo moderno
De inspiração terrível
Que a cultura destruiu
Futuro tornado sofrível
Presente assim o previu
Porque andamos inspirados
Pl’o consumo desenfreado
Principal necessidade
Ditada pelos mercados
Neste tempo de pecado
Não nos inspira a verdade.
Prof Eta
Nem de inferno, nem de céu!
EliminarÉ humana, é natural
Coisa que em muitos nasceu,
Mas nem sempre por igual...
sem tibiezas nem rodriguinhos - um belo e aguerrido soneto...
ResponderEliminarbeijo
Tinha de sair aguerrido, Heretico... é assim que me sinto há muito tempo! Mas ainda não o levei para o Pequenas Utopias... a "minha realidade" não está fácil, não...
EliminarAbraço!
Passei para deixar desejos de um doce Natal com belos sorrisos
ResponderEliminarObrigada, Golimix! Não será um tempo bom para mim... infelizmente tenho o Kico a morrer e eu própria estou a piorar muito... mas que tenhas tu um Feliz Natal! Abraço grande!
Eliminar=(
EliminarQue seja o melhor possível.
Beijinhos grandes
Obrigada, Golimix! Farei por ter ainda mais coragem... mas não está a ser nada fácil...
EliminarChá sem luz.
ResponderEliminarPobre Chá... está como muitos portugueses...
Eliminar“Realidade”
ResponderEliminarÉ real a realidade
E também a ficção
Contra a tua verdade
Muitas mentiras virão
Existe a possibilidade
De haver uma implosão
Lançarão sem piedade
Chamas que consumirão
Essa realidade inventada
Quando outras falharão
Alguma terá que se impôr
E se não existir mais nada
Podes abrir teu coração
A esta realidade de amor.
Asimbonanga na ponte.
ResponderEliminarChá com sede.
ResponderEliminar... com sede, com dores, com tosse, com febre, com sangue vivo na urina, com náuseas... e o Kico desenvolveu uma enorme escara fétida e purulenta no local onde inevitavelmente se apoia... não consigo andar sempre com ele ao colo... mal consigo tratar de mim e ainda não desesperei porque o desespero me seria inútil num momento em que as decisões se impõem... vou tentar ir ver o Chá, mas posso não saber o que lhe responder... o melhor é calar-me. Já falei demais.
Eliminar“Maldição”
ResponderEliminarEm tempos d’incerteza
Certezas são a poeira
A humanidade foi presa
Na sua própria ratoeira
É pequeno o coração
E a alma foi conspurcada
Já não vai lá com sabão
Sujidade está agarrada
Só o dinheiro é certeza
Que faz juz à condição
Da humanidade vergada
Ao seu estado de pobreza
E triste na sua maldição
Vê-se rica e já sem nada.
Prof Eta
Chá ao espelho.
ResponderEliminarTentarei ir ver esse Chá. Feliz Natal!
EliminarPor aqui, tudo negro, no que toca a mazelas e despedidas...
Soneto feito de verdades alegres e tristes...
ResponderEliminarO símbolismo é belo...
e o amor?
Onde está o amor
que tanta falta faz
aos nossos dias?
Sabes dizer-me?
Eu o procuro nos recantos sombrios
e nada encontro
e na luz...
Onde está a Luz?
Mas vim de longe
de muito longe
Por ti!
Natal Feliz!
Beijo, Maria Luísa
Obrigada, querida amiga, por vires de tão longe deixar as tuas palavras sempre bem-vindas!
EliminarO amor, minha amiga, está, também, nestas pequenas/grandes coisas!
Que tenhas um muito feliz Natal!
“Natal indolor”
ResponderEliminarO Natal está indolor
Numa passada feroz
Já não sente a tua dor
Já não ouve a tua voz
E ao teu grito sentido
Não lhe entende a razão
Este Natal está ferido
Por nascer sem coração
Prematuro irá morrer
Pois não soube acarinhar
Em toda a sua dimensão
Quem acabou de nascer
Com a missão de amar
Matando-o sem compaixão.
Imagine me on the bridge.
ResponderEliminarChá partilhado.
ResponderEliminarVou partilhar o Chá, Poeta, mas... "a coisa, por aqui, vai negra..."... Feliz Natal para vós!
EliminarChá viciado.
ResponderEliminarVou tentar ir ao Chá. Pensei que o Kico "adormecesse" durante a noite, mas não... e está numa aflição...
Eliminar“Vamos embora”
ResponderEliminarEsta humanidade fútil
Vai ajoelhando sem rezar
Não produz nada de útil
Anda aqui por andar
E mesmo a contragosto
Estão sempre a aumentar
Lá vai mais um imposto
Pois sou eu a governar
Em menos de uma hora
Pode muito bem acontecer
Que crie muitas galinhas
Vamos da humanidade embora
Qu’isto aqui está pr’a esquecer
Expliquem lá isso às alminhas.
Prof Eta
Chá avança.
ResponderEliminarDividamos a tristeza
ResponderEliminarda fantasia democrática,
mas que seja esta a certeza:
a covardia é dramática.
Feliz Ano Novo para você amiga!
Adílio Belmonte
Belém-Pará-Brasil
Obrigada, Adílio Belmonte! Que seja um feliz ano também para si. Acabo de perder um dos meus companheiros de quatro patas e sei que esta passagem de ano não será um momento de alegria... mas a felicidade é uma coisa bem diferente da alegria, eu sei. No meu caso, também sei que ela crescerá na medida em que a injustiça e a desigualdade social possam ser efectivamente combatidas!
EliminarO meu fraterno abraço!
Maria João