SONETO A UM NOVO/ANTIGO SONHO


 


(Em decassílabo heróico)


 



Eu trago um sonho antigo, omnipresente,
Como um grito vermelho no meu peito
Erguido contra a voz, que nunca aceito,
De quem a torna infame ou prepotente!

Mais alto elevo o sonho transparente,
Mais longe o levo intacto e sem defeito,
E é com el` que partilho o duro leito
Que cabe a quem não sonha impunemente.

Razões? Há tantas mil pr`a tê-lo aceso
E tantas mais crescendo, a dar-lhes peso,
Se ousamos ver a crua realidade

De quem já descobriu, mesmo indefeso,
Que um sonho, se for livre, é morto ou preso
Tão só porque evocava a liberdade!


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 04.01.2014 – 18.16h


 


Reprodução de uma tela de Júlio (nome artístico de Júlio dos Reis Pereira, irmão de José Régio)

Comentários

  1. Sem mais
    E viva a liberdade

    e como vais tu Senhora das Letras ?

    Um xoxo enorme de aqui dos calhaus

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    1. E viva a Liberdade!!!

      Nem queiras saber como eu vou... é melhor nem tentar explicar!

      A minha sobrevivência já tem qualquer coisinha de surrealista, só te digo...


      Feliz tarde, Anjo!

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    2. Coragem
      é o que posso desejar...não imaginava

      Feliz tarde

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    3. não imaginava

      feliz noite por assim dizer

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    4. Acho que vou apanhar uma borracheira

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    5. Credo, Anjo! Não o faças por isto...

      Desculpa ainda te não ter respondido aqui, mas nem imaginas o estado em que tenho tudo...


      Feliz noite e um bom fim de semana!

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  2. “Escravizados”

    Escravo do pensamento
    Pelo medo assim tolhido
    O pensar leva-o o vento
    E o medo fica escondido

    Em tempo de escravatura
    Sem grilhetas a prender
    Há uma prisão que perdura
    Onde tentas sobreviver

    Mas o medo é mais forte
    Em escravo te transformou
    Fez-te refém da ansiedade

    Teu azar constitui a sorte
    De quem te escravizou
    Sob a lei da liberdade.

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    1. Basta!!!


      Pr`a escravidão caminhamos,
      Tanta vez sem darmos conta
      De deixar nas mãos dos "amos"
      Razões pr`a tão extrema afronta...

      O pior é que, em verdade,
      Com verdades nos enganam
      Pois "encenam" liberdade
      Quando. em verdade, nos tramam....

      Chega! Basta! Está na hora
      De ir derrubando o poder,
      De o lançar daqui pr`a fora!

      Já nos basta de demora
      E é tempo de o perceber;
      Capitalismo DEVORA!!!


      Maria João



      Consegui, Poeta! Não vejo metade do ecrã... ando para aqui às "apalpadelas", mas acho que consegui!!! Abraço grande!!!!

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  3. Respostas
    1. Feliz sexta feira, Anjo!


      Ehehehehe... são quase caricatas, as condições em que estou a tentar responder-vos... o que vale é que até me dá vontade de rir...

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  4. "poesia, Liberdade livre..."

    gostei muito

    beijo

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    Respostas
    1. Obrigada, Heretico!


      Ainda nem levei este Novo/Antigo Sonho para o Pequenas Utopias... é quase impossível "manobrar" nas condições em que me encontro... nem imagina! Mas vai-me dando para rir, de tal forma o "quadro" me parece caricato... vou até aí, se "isto" me deixar...

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  5. “O nosso filme”

    Sim resistir é preciso
    E vencer ou perder
    O inferno ou o paraíso
    Da luta podem nascer

    Mas não do imobilismo
    Causa raíz do problema
    Que nos leva do abismo
    Para a tela de cinema

    Com argumento esgotado
    Actores dum cinzentismo
    Numa teia de cinismo

    Neste filme enevoado
    Foi um êxito a produção
    Parabéns à realização.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Filme com vida própria, contra a vontade do guionista...


      Se for filme, é de terror!
      Já a tela se prepara
      Para expor todo o rigor
      Duma encenação tão rara...

      Vem, da cena, o produtor,
      Pr`a tentar tornar mais clara
      A explicação do clamor
      Com que o filme se depara

      Mas, pr`a seu profundo horror,
      Vê que a cena já não pára;
      Não há quem salve o actor

      E, assim que essa acção dispara,
      Em vez de um beijo de amor,
      Filmam-se os heróis sem cara...


      Maria João


      Ai, Poeta... isto saiu-me um tanto ou quanto tétrico... mas que foi espontâneo, foi... e até pode fazer algum sentido, quando devidamente contextualizado...

      Aqui vai, com um abraço grande!



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  6. Respostas
    1. Eheheheh... estamos todos... ou quase todos... vou tentar vê-lo, Poeta!

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  7. Respostas
    1. Vou ver se consigo lá chegar... o ecrã tremelica tanto que parece estar com uma crise de paludismo...

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  8. “Estatística do amor”

    O INE vai publicar
    A estatística do amor
    Pr’a podermos comparar
    Com a face do terror

    Da economia à solta
    Que mata a vida humana
    Será que o amor volta
    À nossa vida mundana

    Ou seguimos a direcção
    Que tem sido apontada
    Persistindo na destruição

    Donde não sobrará nada
    Aguardemos a conclusão
    Em breve será publicada.

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    Respostas
    1. Equacionando a informação...

      Nunca eu pude imaginar
      Que o amor fosse passível
      De à estatística passar
      Pr`a tornar-se mais credível

      Nem jamais imaginei
      Podê-lo quantificar...
      Ou sou eu que nada sei,
      Ou os dados vão falhar...

      Mas que grande confusão
      Que agora me vão fazendo
      As coisas quantificáveis!

      `Inda chego à conclusão
      Que é melhor ir-me entretendo
      Com as velhas "variáveis"...


      Maria João


      Aqui vai, com o abraço do costume, Poeta. Ando, muito honestamente, a pensar que sou demasiado ignorante para tentar ter opiniões concretas sobre determinadas coisas... e tenho pouca, ou nenhuma, articulação com as realidades vividas no dia a dia, em termos sociais... e sócio laborais...



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  9. “Sebastianismo”

    Vislumbro no nevoeiro
    Um aceno, uma mão
    Passa junto ao candeeiro
    Reconheço D.Sebastião

    Volta d’Alcácer Quibir
    Para resgatar a nação
    Mas para logo desistir
    Tal não foi a podridão

    Que viria a encontrar
    Parecia um trampolim
    Feito à custa dos pobres

    Vinham aqui governar
    E por artes de espadachim
    Partiam pr’a cargos nobres.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Estão na moda os nevoeiros
      Por entre os quais, vislumbrados,
      Surgem mitos derradeiros
      Sobre os heróis mais cantados,

      Mas, entretanto, o real
      É que as "massas"* vão ficando
      Cada vez mais, afinal,
      Nos bolsos de um mesmo bando

      E os direitos, coitadinhos,
      Cada vez ficam mais "tortos",
      Cada vez mais abafados

      Por mil truques rasteirinhos
      Pr`a confundir vivos, mortos
      E até mesmo os "acordados"...


      Maria João


      * Massas - dinheiros

      Cá vai, muito mal-amanhadinho devido à falta de inspiração... mas vai com boa vontade e um grande abraço!!!


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  10. Respostas
    1. Vou ao Chá, Poeta... mas não estou grande coisa... a febre subiu...

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  11. “Irracionais”

    Extrema complexidade
    Tem a realidade social
    E para dizer a verdade
    Nem me parece real

    Que haja necessidade
    De utilizar um arsenal
    Provocar mortandade
    Humanidade está mal

    Sempre em busca de mais
    Numa loucura deprimente
    Desprezando os sinais

    De que se encontra doente
    Somos seres irracionais
    De irracionalidade crescente.

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    Respostas
    1. Racionais cujos valores
      Não estejam bem "cimentados",
      Causam sempre dissabores
      (... são, afinal, uns "coitados...)!

      Estou pr`aqui cheia de dores,
      C`os ecrãs quase apagados
      Porque, os dois computadores,
      Devem estar avariados...

      É, decerto, esta humidade
      Que impera por toda a parte
      E traz tantas avarias...

      Já não há boa-vontade,
      Nem sequer "engenho e arte",
      Que ultrapasse estas fasquias...


      Maria João


      Poeta, vai meio - completamente! - palerma... mas apenas tentei descrever as péssimas condições em que tudo está... incluindo eu e raio da ligação... quase nem vejo o que escrevo, eheheheh... e também estou pior...

      Abraço grande!


      Eliminar
  12. Respostas
    1. Estou com mais vontade de dar palmadas do que de aplaudir... mas não ao pobre do Chá, claro... nem sequer estou com força para uma coisa ou outra... mas vou lá!

      Eliminar
  13. “Ballon d’or”

    Não existe descrição
    Para celebrar Cristiano
    Ponham olhos nesta lição
    Como futebolista do ano

    Momento foi de emoção
    O comandante é humano
    Da plateia veio a ovação
    Mesmo ao cair do pano

    É tempo de saborear
    A merecida bola de ouro
    Ao seu museu irá parar

    Mais este belo tesouro
    Outros haverá pr’a disputar
    Agora é tempo de namoro.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Estou sem força para responder, Poeta... este fdp indeferiram-me o pedido de pensão de invalidez... estou mesmo sem força para nada...para além de me doer quase tudo o que pode doer...


      Abraço e desculpe-me.

      Eliminar
  14. “Imaginação”

    Eternamente não existe
    Nem sequer a eternidade
    Como infinitamente triste
    É triste sem ser infinidade

    Mas aquilo que afirmo
    Pode o seu contrário ser
    A eternidade confirmo
    E o finito deixa de se ver

    É finita a compreensão
    Imaginação pl’o contrário
    Pode a eternidade imaginar

    Deixemos que a imaginação
    Construa o nosso imaginário
    Onde nada se possa castrar.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Viva a imaginação... no que respeita à Arte!


      Que o seja... ao nível da arte,
      Porque, na vida normal,
      Faz muita falta essa parte
      Que chamamos "racional"...

      Nunca qu`rendo perturbar-te,
      Direi que, às vezes, faz mal
      Tanto, tanto "imaginar-te"
      Sem saber se és bem real... (eheheheh...)

      Fez-me bem este risinho
      Pois, bem, não estou de certeza
      E o desconforto é mui forte

      Desde que um Coli daninho
      Fez de mim eterna presa...
      Vê lá que falta de sorte!!!


      Maria João


      Poeta, a infecção urinária mantém-se mesmo... para além do resto. Os rins ressentem-se e eu estou farta de ter tanta porcaria junta... desculpe o desabafo... saiu... amanhã, médico, de novo... ufa!!!

      Abraço grande!

      Eliminar
  15. “Nova lei”

    Esta Europa tropeçou
    Confirmamos o sucesso
    Com enorme alegria vou
    Em busca do retrocesso

    Os juros estão a subir
    Mas sei que irão baixar
    Melhores tempos hão de vir
    Piores tempos vão chegar

    Ouve-se mais um trovão
    É a nova lei da tempestade
    Que não perfila bonança

    Mais tempestades seguirão
    Bombardeiam a liberdade
    Pulverizam a esperança.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
  16. Respostas
    1. Poeta, continuo a não me sentir nada bem. Já estou muito bem medicada - até cortisona - mas tenho indicação para chamar o 112 se a piorar um pouco, seja a que horas for.

      Vou tentar ir ao Chá, mas não consigo estar muito tempo sentada nesta posição.

      Abraço grande!

      Eliminar
  17. “Corolário”

    Libertar da lei da morte
    Não conseguimos em vida
    Esta é a nossa pouca sorte
    E a pena foi decidida

    A morte já foi proposta
    E a cada segundo que passa
    Aguardamos a resposta
    Que a vida é uma ameaça

    Num futuro bem presente
    O mundo será governado
    Por seres sem consciência

    E quem ficar descontente
    Depressa será libertado
    De toda a sua existência.

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  18. Respostas
    1. Ai, ai... cada vez mais e mais devagarinho, Poeta... isto já está tudo a parar e, cá por dentro, a força ainda se mantém... é um desespero...

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