TENTANDO COMEMORAR - COM OS QUATRO DIAS DE ATRASO QUE AS CIRCUNSTÂNCIAS JUSTIFICAM - O SEXTO ANIVERSÁRIO DO "POETA PORQUE DEUS QUER"


SONETO CON(M)SENTIDO


 


 


(Em decassílabo heróico)


 


 


A mão morre na praia, o gesto hesita


E a voz vai-me cedendo às avarias


Que minam quanta carne o estro habita,


Um pouco mais e mais, todos os dias,


 


Porém, lembrando as horas mais sadias,


Renegando essa dor em si se agita,


Tenta o verso ir mantendo as ousadias


E canta pr`afirmar qu`inda acredita!


 


Saudades? Já vou tendo, o tempo voa


E voam, nestas rimas conquistadas


Às horas em que a dor a carne arpoa,


 


As palavras que, embora maltratadas,


Conseguem, nessa voz que em dor se escoa,


Sonhar com quantas mais nasçam cantadas!


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 18.01.2014 – 13.51h


 


IMAGEM - "Solstício de Verão" (xilogravura) - Manuel Ribeiro de Pavia, 1942


 


 


Comentários


  1. Parabéns Poeta

    e uma feliz noite também

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    1. Obrigada, Anjo! Foi uma noite febril e, hoje de manhã, estava sem esquentador... o malvado avariou... nem sei que mais me estará para acontecer... mas tenho de me aguentar!

      Um feliz Domingo!

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  2. Respostas
    1. Obrigada, Poeta! Foi com quatro dias de atraso, mas... foi! E eu que nunca me recordo das datas...


      Beijinho!!!

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  3. “Já está a acontecer”

    Da dignidade despojados
    Neste tempo sem sentido
    Sentimentos esquartejados
    Deixam o pensamento ferido

    Com a alma moribunda
    Por força do egoísmo
    Esta civilização afunda
    Sente-se próximo o abismo

    Todos os meios se justificam
    Para atingir o objectivo
    De destruir sem saciedade

    Os governos personificam
    O poder mais destrutivo
    Que saqueia a humanidade.

    Prof Eta

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    1. Há que travá-los!!!


      Só não matam quem os serve,
      Quem lhes faz vénias profundas,
      Sem que a mentira o enerve,
      Escondendo as razões imundas

      E, a cada dia que passa,
      Por cada noitinha insone,
      Em vénias cala a desgraça
      Do seu irmão que tem fome!

      De traidores oportunistas
      Está o país bem servido
      E, por eles, assim ficou

      Um país que assim deixou
      Que dele tirassem partido
      Tão sujos capitalistas!


      Maria João


      Aqui vai, com o abraço do costume... do fundo do meu imenso desconforto, mas saiu!









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    2. Agora, o que me está a acontecer é que me bloquearam a entrada na caixa de correio... para além de nõ poder fazer praticamente mais nada

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    3. Agora, o que me está a acontecer é que me bloquearam a entrada na caixa de correio... para além de não poder fazer praticamente mais nada

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  4. Respostas
    1. Vou à Ponte, agora... a imagem saltita tanto que nem vale a pena ir ao Face tentar ler aqueles que vou tentando acompanhar... a janelinha de busca salta-me logo para fora do campo de visão e não chego lá nem "às apalpadelas"...

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    1. Um Chá igual a quase todos os portugueses trabalhadores... vou para as análises, mas tento ir lá...

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  6. grato pelo prazer da leitura dos teus sonetos

    sinto-me feliz por ter descoberto este espaço (mais vale tarde que nunca)

    parabéns.

    beijos

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  7. “Outro fado”

    Ser humano deveria ser
    Património da humanidade
    Mas continua a perecer
    Vergonha desta sociedade

    Que o não sabe merecer
    Mas ao fado dá prioridade
    Acabando por lhe conceder
    Estatuto de boa vontade

    E é este o nosso fado
    Cantado com sentimento
    Que nos toca o coração

    Temos o destino marcado
    Não temos reconhecimento
    Nem somos património não.

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    1. Património? Talvez sim...
      Talvez património vivo
      Deste pequeno jardim
      Que já está quase cativo

      Duma ignomínia sem fim
      Que fez dele um mero arquivo
      Deste povo "assim-assim"
      Que se se mostrasse activo,

      Mais duro, mais justiceiro,
      Mais revoltado, mais... povo,
      Mais unido e mais inteiro,

      Lhes diria: - Aqui reprovo
      Desgoverno mais "foleiro"
      Do que o velho "estado novo"


      M. João


      Abraço grande, Poeta!




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  8. Respostas
    1. Vou tentar vê-lo, Poeta... continua tudo muito complicadito por aqui...

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  9. “Existências”

    Se penso logo existo
    Nesta existência fugaz
    Mesmo assim não desisto
    De mostrar que sou capaz

    De pensar mais além
    Não apenas no umbigo
    Vendo no outro também
    Muito mais que um amigo

    Olhando-o como irmão
    Dando-me sem exigir
    Recompensa material

    Assim muitos pensarão
    Mesmo além de existir
    Na sua existência carnal.

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  10. AGRADECE AO CRIADOR

    Ronaldo, Comendador
    Em teus pés, desde menino
    Está marcado teu destino…
    Agradece ao Criador,

    Porque podia o Divino
    Ter feito de ti Doutor,
    Um grande investigador,
    Da ciência paladino!

    E que te esperava, então?
    Por uma bolsa a mendigar
    Estenderias a mão

    A um ministro, ou um mecenas
    E eles mandavam-te emigrar,
    Ou cultivar açucenas!

    Eduardo

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    1. Excelente, amigo Eduardo!

      Peço desculpa por lhe não responder condignamente, mas não trago comigo nem uma gotinha de inspiração... e não estou a sentir-me muito bem... só consigo escrever muito devagarinho e até isso, hoje, me está a custar bastante... espero voltar ao meu "mauzito-normal" - um pouco menos mau do que agora... - assim que toda a cortisona que estive a tomar tenha sido eliminada pelo meu organismo... por enquanto ainda lhe vou sentindo alguns dos efeitos secundários menos simpáticos...

      O meu fraterno abraço para si e Maria dos Anjos!

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  11. Respostas
    1. Poeta, não tenho estado nada bem... peço desculpa mas só agora tentarei ir ao Chá. Não posso prometes respostas aos sonetilhos porque ainda me sinto meia "avariada"...

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  12. “Love troika”

    A canção do bandido
    É dinheiro emprestar
    A um juro bem f_dido
    Pr’a depois vir cobrar

    O sangue dos incautos
    Podem assim degustar
    Eis que chegam os arautos
    Para o sucesso anunciar

    Ensinemos essa nação
    Austeridade há que lançar
    Pr’a voltar ao bom caminho

    Aprendam pois a lição
    Viemos só para ajudar
    Diz a troika com carinho.

    Prof Eta

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  13. Respostas
    1. Vou tentar vê-lo, Poeta... mas o ecrã treme muito... não sei se conseguirei ler alguma coisa...

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  14. “Seita de lacaios”

    Fujamos a ser o lacaio
    Que não procura resposta
    Façamos um novo ensaio
    Sobre a cegueira imposta

    Procuremos outra visão
    Desta verdade absoluta
    Aprendamos a dizer não
    Duma forma resoluta

    Verdade desmascarada
    Irá sentir de antemão
    Nova verdade que espreita

    Só assim será alterada
    Esta nossa condição
    De lacaios desta seita.

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    Respostas
    1. Força e Vontade!!!


      De lacaios nos fartámos!
      Bem nos basta o desgoverno
      Que nós nem sequer sonhámos
      Que ateasse um tal inferno!

      Aos lacaios renegámos
      Neste protesto fraterno
      Pois, de quanto protestámos,
      Dará fruto o fruto eterno!

      Sempre a vontade nos traga
      A força que agora brota
      De tão firme julgamento

      Pois só nela existe al "garra"
      Dessa raiva que a conota
      Com bem mais digno sustento!


      Maria João


      Lá vai, com muita dificuldade, mas vai! Abraço grande, Poeta!




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  15. Belo soneto! Que essa data se repita por anos e anos!

    Adílio Belmonte
    Belém-PARÁ-BRASIL

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    Respostas
    1. Quem dera, amigo Adílio Belmonte... mas não me parece lá muito provável. As coisas, em termos de saúde e não só, pioraram bastante...

      Obrigada e um abraço grande!


      Maria João

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  16. “Golpada portuguesa”

    O milagre económico
    Em Portugal já se deu
    Foi golpe astronómico
    E o povo é que pereceu

    Viu a vida andar p’ra trás
    Outros a andar p’rá frente
    O milagre não foi eficaz
    Destruiu a vida da gente

    A outros trouxe riqueza
    E benesses côr de oiro
    Para a gente quase nada

    Sobrou apenas tristeza
    Um séquito de mau agoiro
    Deu-nos a grande golpada.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
  17. “Desagregação”

    Holocausto é recordação
    Para nunca mais esquecer
    Porque aqui a situação
    Já começou a aquecer

    Parece uma contradição
    O extremismo a crescer
    E dentro de cada nação
    Xenofobia a florescer

    A construcção solidária
    Deu sinais de querer ruir
    Numa Europa de desunião

    Com uma política sectária
    Nunca mais se irá unir
    É o início da desagregação.

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  18. “Esboço em ti”

    A quem o poema fala
    Dá o mote p’ra ser feliz
    Se o poema em ti se cala
    Então aí encontrou a raíz

    Donde floresce bom fruto
    Donde é música a nascer
    Donde brota a cada minuto
    Aquilo qu’essa alma quiser

    E assim algo recomeça
    Em cada instante é passado
    Futuro da presente inspiração

    Não sai a metro ou à peça
    Sai sim a ouro debruado
    Esse esboço doutra dimensão.

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