HOLOGRAMA
(Soneto “de coda” em decassílabo heróico)
Conserto o desconcerto, acerto o passo,
Pinto, esculpindo o verso que me ocorre.
As coisas que aqui faço, ou que não faço,
Vão transcendendo a carne que me cobre…
Mas, se à própria razão retiro o braço
Se o gesto me preguiça, a mão não corre,
Se, já rendida à dor, verga ao cansaço,
Perco o rumo à razão que me socorre.
Que me não faltes, mão dos gestos leves,
Que esculpes, que constróis, que remodelas,
Que, sem hesitações, aqui te atreves
A dissecar miséria e coisas belas
E a arder nos mil pavios do que não deves,
Porque há quem vá negar-te a luz das velas,
Quem queira dar-te fama e voz, tão breves
Que ocultem o sentido ao barro, às telas,
Para honrar com néons quanto nem escreves!
Maria João Brito de Sousa – 09.02.2014 – 17.07h
Imagem - "Genesis" - Jacob Epstein
Êlááááá´´aá´´...
ResponderEliminarOlá, Anjo!
EliminarGostaste do Holograma? Já não é de hoje, é do dia 9, mas ainda nem o tinha trazido ao blog... precisava de ter, por fora, um bocadinho da "genica" dos teus amigos da tuna... mas já não tenho nenhuma...
Amanhã é dia de consulta. Vou ter de me levantar muito cedo, já nem sequer vou tentar responder, hoje, ao nosso amigo Poeta Zarolho... e ao FB também já não vou ou arrisco-me a acabar por me deitar muito tarde e, depois, a não acordar a tempo e horas...
Feliz noite para ti!
EliminarBrincava...
e desejo uma bela e grande
“40 anos”
ResponderEliminarLow cost no parlamento
Assim se vai comemorar
Separado de São Bento
E em Belém p’ra lamentar
Lamenta o povo também
O estado a que chegámos
Pois agora está refém
D’espinhos que plantámos
Terão dito foram cravos
Para criar uma ilusão
De liberdade imediata
Na verdade somos escravos
Duma suposta revolução
Que já venderam barata.
Prof Eta
Apunhalada e traída
EliminarA Revolução de Abril
Que nunca há-de ser esquecida
Por tantos e tantos mil,
Faz-nos, por vezes, lembrar
Que, ao sermos brandos demais,
Acabámos por ficar
Quase exactamente iguais!
Lembro, ainda, as carabinas
De cujos canos brotavam
Esses cravos da vitória...
Os meus olhos de menina
Nesses cravos perscrutavam
Outra página da História...
Maria João
Vai "desafinadíssimo", mas vai! Estou mesmo numa fase de maré-baixa da minha produção poética...
Abraço, Poeta!
Chá mirone.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!
Eliminar“Da lei da morte”
ResponderEliminarNos corredores do poder
A vida está bem melhor
Cá fora está p’ra morrer
Assim quis o decisor
Decidiu-se pelo país
Que se lixem as pessoas
Eliminou o mal p’la raíz
Preservou a bela nação
Fica um lindo território
Com ar puro e muito sol
À beira mar plantado
E o poder usufruindo
Mais um feito no seu rol
Um povo ter assassinado.
Prof Eta
...se vai libertando?
Eliminar... como a "bomba de neutrões",
Direi eu, sem me conter,
Vão fazendo os aldrabões
Que se sentam no poder!
Pr`a nós, sobrarão caixões,
Quando a hora de morrer
Chegue em antecipações,
Muito fáceis de prever!
"Morra o povo, - vão pensando -
Que ao capital financeiro
Faz-lhe falta essa razia..."
Do lado de cá, rosnando,
Digo; "Morre tu primeiro,
Ó malvada oligarquia!"
Maria João
Cá vai com o abraço do costume, Poeta!
Chá silencioso.
ResponderEliminarAhhhh... ia-me "escapando", este Chá! Vinha tão silencioso, que nem o "ouvi chegar, eheheheh...
EliminarPoema na ponte.
ResponderEliminarVou ao cinema, Poeta!
EliminarFABULÁRIO
ResponderEliminarSALVAS AS APARÊNCIAS
Um coelho desgostoso
Andava mesmo agastado
Sem relvas no seu relvado
O bicho andava choroso.
Um inverno assaz chuvoso
Tinha os campos encharcado
E o prado enlameado
Sujou seu pelo lustroso
Por isso, o pobre animal
Já cansado de carpir,
Em assembleia-geral
Teve ideia genial:
Ter um relvado a fingir
Com relva artificial.
Eduardo
Excelente sonetilho satírico, meu amigo Eduardo! Gostei imenso!
EliminarUm grato abraço!
Maria João
Chá percepcionado.
ResponderEliminarVou ver esse Chá, Poeta!
EliminarCálice na ponte.
ResponderEliminarVou já, já, Poeta!
EliminarGestão do chá.
ResponderEliminarVou ver essa gestão, Poeta!
EliminarFABULÁRIO
ResponderEliminarALTERNÂNCIA de COELHOS?...
O Outro coelho abalou
Estava este a chegar,
Agora, este a abalar
E o outro coelho voltou.
Vai-se este ausentar
E o outro que se ausentou
E agora regressou
Será que vem p´ra ficar?
Andou um coelho à solta,
Outro esteve na coelheira
E, este que vai, depois volta?
Estaremos condenados,
A viver a vida inteira,
Por coelhos governados?
Eduardo
É Carnaval, mas eu levo a mal!
EliminarDesta vez, nem mesmo as moscas
Vão cumprindo o seu papel
No ditado popular...
Voltam às suas "maroscas"
Que muda vidas em fel
Porque, elas, não vão mudar
E por cá nos sobrevoam
A zumbir, estragando tudo,
Criando lugares cativos
Nos locais que mais nos doam
E aproveitando este Entrudo
Pr´a dizer-se... construtivos!
Maria João
Obrigada, meu amigo Eduardo!
Como estou numa maré muito baixa de inspiração, vão só duas sextilhas que me ocorreram após a leitura de mais uma "página" do seu inesgotável Fabulário.
Abraço grande!
“Slime life”
ResponderEliminarThe big silence of the night
Brings many golden thoughts
After that wake up and fight
Make a battle with those spots
Bring the army of yourself
Back in the streets of reality
Take the weapon from the shelf
To fight the death and poverty
Circumstances wants you death
But pure life flows like hell
In this inevitable crazy time
Calm down and hold your breath
Go back to darkness and sleep well
Circumstances will stop the slime.
I`m so tired... but you say that "circumstances want me dead"? Circumstances don`t want or wish, at all... they just happen...
EliminarIn fact this was
Eliminar"Politicians wants you death"
but at the end I've changed it because poilitcians forced the actual.circumstances, thats all the same but and the end my poem does not carry this dirty word "politicians".
Domínio do chá.
ResponderEliminarVou vê-lo... mas pouco mais... ainda nem sequer preparei nada para comer e cheguei tarde do hospital...
EliminarSegredo do chá.
ResponderEliminarO Chá com segredos, eu sem eles... mas vou vê-lo, embora estando muito "ressacada" da ida ao hospital - ontem - e muito reocupada com o Sigmund que desenvolveu uma lipidose hepática...
Eliminar“Factura bendita”
ResponderEliminarÉ quando a troika quiser
Este nosso carnaval
Não parando d’espremer
A teta que é Portugal
Onde muitos vão mamando
À custa de alguns milhões
Que pobrezinhos ficando
Já só contam os tostões
Mas para nos compensar
Vão sortear uns carrões
Para fugirmos à morte
Assim podemos acelerar
Pelas terras de Camões
Bendita factura da sorte.
Prof Eta
Céu encoberto na ponte.
ResponderEliminarEspécie de chá.
ResponderEliminarIrei ver esse sucedâneo do Chá, Poeta.
Eliminar“Escadaria da ilusão”
ResponderEliminarMais uma manifestação
Que subiu a escadaria
Os polícias desta nação
Andaram à pancadaria
Os doutores na televisão
Comentam a selvajaria
E traçam uma antevisão
Do que acontecerá um dia
Ou terá já acontecido
Desde a tal revolução
Onde um povo iludido
Pela mestria da governação
Foi quedando adormecido
Deixou-se ir na ilusão.
Sonetilho sem ilusões nenhumas...
EliminarSe eu pudesse, pagaria
Pr`a que alguma inspiração
Pulsasse, de noite e dia,
Dentro do meu coração...
Mas é mera fantasia!
Logo ela me diz que não,
Que jamais se venderia,
E sei que ela tem razão...
Mas não deixei de tentar
E embora muito "coxinhos"
Deixo os que puder deixar
Sabendo que estes versinhos
Deixam muito a desejar
E estão desafinadinhos...
Maria João
Só não peço desculpa porque me esforcei muito para fazer estes versos meios desafinados, Poeta!
Um abraço grande!
Chá transborda.
ResponderEliminarTambém eu, poeta...
EliminarViegas e Zeca na ponte.
ResponderEliminarChá dos pastorinhos.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!
Eliminar“Viver perfeito”
ResponderEliminarAcima das possibilidades
Andam alguns a viver
Cometendo atrocidades
Que fazem outros morrer
Engordam monstro voraz
Pintam doce a situação
São gente muito capaz
De dizer sim e dizer não
Tudo no mesmo pensamento
À velocidade do interesse
Que trouxer maior proveito
Palavras leva-as o vento
Sendo que fica a benesse
Viver assim é perfeito.
Prof Eta
Como gado ao matadouro...
EliminarCada vez mais se acentua
Esta clivagem forçada
Que a todos nós nos situa
Entre "excesso" e "quase nada"
E, pr`a quem a desvirtua
Por não ver que ela é estudada,
Mais tarde, a verdade crua
Irá ficar demonstrada...
Vamos sendo conduzidos
Como gado ao matadouro
Pois, na mentira induzidos,
Sem que sobre "carne ou couro",
Vamos ser todos vendidos
A bem de um falso tesouro...
Maria João
Cá vai, com o abraço do costume, Poeta!
Vinicius na ponte.
ResponderEliminarChá fossilizado.
ResponderEliminarVejamos, então, esse Chá fossilizado!
Eliminar“Retrato de Portugal”
ResponderEliminarVive toda a gente mal
À beira mar plantada
Que a raia de Portugal
É de gente emigrada
Vai vivendo de ilusões
Mas em terra emprestada
Pois na terra de Camões
Valia menos que nada
Para a malta animar
Tocam por lá canções
Por cá p’ra não destoar
Os que se estão a governar
Dizem nos seus sermões
Toca lá a emigrar.
Prof Eta
Emigrados, castigados,
EliminarNem sequer temos direitos!
São só "esmola", os ordenados,
E, a saúde, é para "eleitos"...
Direi que estamos "lixados",
Ou mesmo que estamos "feitos",
Por estarmos desenquadrados
Dos que se julgam "perfeitos"...
Uns, que agora "se governam",
Irão senti-lo mais tarde
Quando for tarde demais
Pois, ao julgarem que "hibernam",
Serão só a "chama que arde"
Nos "pavios" orçamentais...
Maria João
O meu abraço, Poeta!
GRAMÁTICA
ResponderEliminarTEMPOS SIMPLES ou O TEMPO dos SIMPLES
Se aquilo que nós dizemos,
Fosse aquilo que nós somos
Se aquilo que escrevemos,
Fosse aquilo que nós fomos
Se aquilo que desdizemos,
Fosse o que contrapomos
Se aquilo que nós compomos,
Não fosse o que desfizemos
O mundo em que vivemos,
Deixaria, então, de ser
O que aos poucos desfazemos
E aquele que nós queremos,
Passaria, até, a ter
Aquilo que nem merecemos.
Eduardo
Gosto muitíssimo deste seu sonetilho gramatical, amigo Eduardo! Muito grata por mo ter dado a conhecer!
EliminarUm forte abraço para si e sua esposa!
Chá de respeito.
ResponderEliminarOra aí está um Chá que faz sempre muita falta! Vou vê-lo, Poeta!
EliminarChá sem paciência.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!
Eliminar“Guerra ou paz”
ResponderEliminarInconformismo aprisionado
Por esta paciência latente
Poderá ver-se transformado
Na impaciência da gente
E se acaso fôr libertado
Pelo povo descontente
Ao ver-se assim esmagado
Leva tudo à sua frente
Ouço dizer que é sereno
Ouço dizer que aguenta
Tudo ou nada, tanto faz
É um povo tão pequeno
Mas gigante se rebenta
Fará guerra, ou fará paz?
MV na ponte.
ResponderEliminar!
EliminarChá incomparável.
ResponderEliminarVou tentar ver essa incomparabilidade do Chá, se este inenarrável computador mo permitir, Poeta!
Eliminar“Estado deprimente”
ResponderEliminarSetenta personalidades
Um manifesto assinaram
Mas enquanto governaram
Gastaram alarvidades
Era do povo o dinheiro
Encheu os cofres do estado
Foi dinheiro desbaratado
A ver quem gasta primeiro
O povo da nação valente
Agora pobre e resignado
Para além de descontente
Vê-se muito mal amado
E num estado deprimente
Porque o deprime o estado.
Prof Eta
Sonetilho deprimido
Eliminar...ai, o estado a que chegámos
Qu`indo "de mal a pior"
Vai pondo o que nós ganhámos
Nos bolsos de outro senhor...
..ai, o estado em que ficámos
E nos trouxe tanta dor
Que parece que deitámos
Pr`ó lixo o nosso valor...
Estou pr`áqui com tantos ais
Qu` acho que gemi demais
E não sei que mais dizer
Pr`a deitar isto a perder
Numas rimas desiguais,
Deprimidas e banais...
Maria João
Cá vai com o abraço do costume, Poeta!
Chá surpresa.
ResponderEliminar... vou surpreender-me, Poeta
Eliminar“Já cegos”
ResponderEliminarFelicidade comparada
Com infelicidade maior
Ódio é o fim da estrada
Se comparado ao amor
Mas é muito praticado
Sem termo de comparação
Posso até estar enganado
Podem dizer-me que não
Mas já vejo terminado
O respeito pelo ser
Vejo a vida descartada
Vejo o dinheiro adorado
A subserviência ao ter
E a seguir não vejo nada.
Muito!!!
EliminarA seguir... há que crescer!
Também vejo o vil metal
A tomar conta do ser
E sempre a fazer-lhe mal,
Mas não falo do pouquinho
Que usamos pr`a termos vida,
Falo do grande e daninho
Que no-la torna perdida!
Em verdade lhe direi
Que, dos ricos, tenho pena
Pois, no que toca a valor.
São tão pobres que nem sei
Se essa gente tão pequena
Sabe que há valor maior...
M. João
Cá vai, muito "marteladinho", mas vai! Abraço grande!
Viegas strikes again na ponte.
ResponderEliminarChá distante.
ResponderEliminar... de novo no ecrã velhinho porque o meu, hoje, não quis "ressuscitar", estou com muita dificuldade em ver seja o que for... mas vou ver o Chá distante, Poeta!
Eliminar“Estado de ansiedade”
ResponderEliminarUm degrau é conquista
Em cada manifestação
Até que o povo resista
Ao estado de excepção
Não há solução à vista
Agarra, agarra que é ladrão
A menos que de roubar desista
Muitos e muitos morrerão
Para alimentar a certeza
Dum estado prepotente
Que não sente a realidade
Actua com tal frieza
Colocando toda a gente
Neste estado de ansiedade.
Prof Eta
"Estado de insegurança"
EliminarNão sei bem se de ansiedade
Mas, decerto, é de aflição,
Como se a própria verdade
Fosse uma mera invenção
E a almejada liberdade
- essa que temos na mão -,
Despojada de vontade
Nunca mais dissesse: - NÃO!
E, no meio desta "dança"
Entre o "parto ou fico cá?",
Não há planos de poupança!
Caminhando pr`á matança,
Vai sendo um "ar que nos dá"
Nesta extrema INSEGURANÇA...
Maria João
Mais outro, Poeta!
Chá incompreensível.
ResponderEliminarVou tentar compreendê-lo, Poeta!
EliminarÓ SENHORES APOSENTADOS…
ResponderEliminarAndam os Senhores Reformados
A fazer grande alarido
Por não os terem mantido
Devidamente informados
Do corte infligido
Nos seus lautos ordenados,
Não lhes sendo explicados
Em ofício redigido.
Ó Senhores Aposentados
Ponderem vossas razões,
Não sejam precipitados
Parem de estar irados…
Onde é que viram os ladrões
A informar os assaltados?!...
Eduardo
Muito, muito bom, meu amigo Eduardo!
EliminarLamento andar tão cansada e tão sem inspiração, mas é assim mesmo que ando cada vez mais...
O meu abraço para si e Maria dos Anjos!
Maria João
“Ficar e partir”
ResponderEliminarProfissão desempregado
Neste nosso Portugal
Alternativa emigrado
Para não passar tão mal
Decididamente enganado
Neste mundo desigual
Fatalmente assassinado
Pela economia global
Assim ficou registado
Numa encíclica papal
E assim se canta o fado
Se canta o destino fatal
Deste povo amargurado
Que sempre partiu afinal.
"Há ir e voltar... ou ficar e lutar..."
EliminarTambém partem quantos ficam
Sem opinião formada
Sobre os tais que os sacrificam,
Sem dizer ou fazer nada...
Quando as coisas se complicam
E fica a malta calada.
Logo aquel`s "que tudo explicam"
Têm "voz" facilitada
E, se nessa voz se aplicam,
Fica a coisa complicada
Porque alguns, quando criticam
Duma forma acalorada,
Se essa causa dignificam,
Pode ser por causa errada...
Maria João
Abraço grande, Poeta!
Zulu na ponte.
ResponderEliminarVou Ver, Poeta!
Eliminar