25 DE ABRIL - cravo/metáfora


 




(Em decassílabo heróico)


 


 


Porque hoje se acrescenta e se agiganta


A chama dos valores jamais vencidos


Que acende outro amanhã que cresce e canta


Nas brasas da fogueira dos sentidos,


 


Que ascende, que conforta, que acalanta,


Que faz nascer, cá dentro, indesmentidos,


Os cravos de outro Abril que nos garanta


Direitos e razões quase perdidos,


 


Eu hoje cantarei… se tempo houver,


Porque o tempo se escoa, um cravo morre


E eu não posso jurar poder, sequer,


 


Prender não sei o quê, que tanto corre,


Que espreita e que se quer deixar colher,


Mas não tem flor que eu veja, ou pé que eu dobre…


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 25.04.2014 – 17.37h

Comentários

  1. Respostas
    1. Eheheheh


      Um muito feliz 25 de Abril, Anjo!!!

      Hoje até eu "bubi" - mas não fiquei "kuskopus"... - um copito de vinho tinto!

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  2. O raio do tempo
    também não ajuda...

    Belo e feliz fim de semana

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    1. ... pois não... e parece que já não tenho corpo para tanta deslocação, nem cabeça para me lembrar de tudo...

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    2. Um pouco de organização
      calendário
      anotação de tarefas...sei lá

      também já nem me lembro o que comi
      ao almoço de ontem...


      Beijinhos e um belo fim de semana

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    3. Isso tudo acaba por "colidir" com a minha "onda poética"... ainda acabo por ficar a saber exactamente o que é o "stress"...

      Se eu tivesse uma boa saúde física, as coisas faziam-se bem... assim, a levar horas para fazer seja o que for, tudo fica mais difícil... enfim, ando mesmo "barata tonta"...

      Feliz noite!

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  3. O MEU CRAVO

    Um cravo p´ra me enfeitar
    Tem que ser bem encarnado,
    Ter cheiro de inebriar,
    Não ser cravo desmaiado,

    Não servir p´ra disfarçar
    Algum casaco virado
    E para ele se criar
    Ser pela chuva regado

    E se algum dia murchar,
    Seu gineceu fecundado,
    Mil sementes espalhar,

    Donde irão desabrochar,
    Num canteiro renovado,
    Mil cravos p´ra me encantar.

    Eduardo

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  4. “Poema regressado”

    Eu estou aprisionado
    Neste mundo exterior
    Sou poema amordaçado
    Que não liberta a dor

    Por vezes atormentado
    Procuro-me recompor
    Outras vezes desgastado
    Sinto um leve torpor

    Nas sílabas enredado
    Solto às vezes um clamor
    Em palavras mastigado

    Luto p’ra ser libertado
    Volto ao mundo interior
    Sou poema regressado.

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    1. Também eu, Poeta... hoje sinto-me "nas mãos" deste maluco deste computador que tem estado constantemente a desligar-se... mas terei de ter paciência durante mais um tempo. Não é o momento ideal para o mandar arranjar... e muito menos para arranjar um novo, mesmo que fosse um... como é que o Anjo dizia? Note Book ou qualquer coisa assim...

      Vou ver se consigo ir ao Chá!

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    1. Estou mesmo de saída para o hospital, Poeta... espero conseguir ainda vir ao Chá, logo... ando toda "baralhada" com tanta papelada e já nem tenho tempo de lá ir agora
      Mas prometo tentar, assim que vier!

      Abraço grande!!!

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  7. “Ideias assassinadas”

    As ideias assassinadas
    Deixam o mundo cinzento
    Parece que foram cortadas
    As raízes ao pensamento

    Não há machado que corte
    Disse um dia uma canção
    Da canção chegou a morte
    Não era mais que ilusão

    Transformada em realidade
    Como quem a alma retrata
    Desta humanidade ao acaso

    Com traços de genialidade
    Tal qual pintura abstracta
    De Miró, Dali ou Picasso.

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    Respostas
    1. Ideias lúcidas...

      Não há machado, não há,
      Que nos derrube a vontade
      E essa é que nos abrirá
      As portas da liberdade

      Que sozinha não virá
      Porque, assim que nos invade,
      Com direitos se imporá
      Em cada aldeia ou cidade

      E, se houver devastação,
      Bem sabemos quem culpar
      Porque logo, ao levantar-nos,

      Teremos tido a noção
      De quem nos quis dizimar
      E em mentiras afogar-nos!

      Maria João

      Vai escrito só com um dedo, Poeta (estou mesmo cheia de cãibras nas mãos...), mas segue com o meu abraço!





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  8. “Destino canção”

    Meu destino é canção
    Pelas sereias cantado
    E na linha duma mão
    Vem a letra desse fado

    No azul do firmamento
    Completa-se a poesia
    Estrela d’encantamento
    Será meu destino um dia

    Para sempre emitirá
    Seus raios de luz e côr
    E alguns se lembrarão

    Que um dia andou por cá
    Desta canção o autor
    Qu’outros tantos cantarão.

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    1. Destino Poema...

      Meu destino (se é que o tenho...)
      É decerto um bom soneto
      Mas, por causas que não ganho,
      Vai ficando "atado" e preto...

      É aos poemas que eu venho,
      Mas nenhum trago, em concreto,
      E sempre que um verso apanho,
      Nunca o mantenho secreto...

      Há mil riscos que se correm
      Se se opta por ser assim
      Mas, mal uns versos me ocorrem,

      Levo a rima até ao fim
      Deste rio onde alguns morrem
      Mas que está dentro de mim...


      Maria João


      Saiu, apesar da minha muitíssima pressa e indescritíveis condições de publicação, heheheheh...

      Abraço grande, Poeta!



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  9. “Em guarda”

    Há o demónio de guarda
    E existe o anjo também
    Se um deles se acobarda
    Logo o outro à tona vem

    É nesta luta infernal
    Que o teu futuro se joga
    Salta o bem contra o mal
    Logo o teu ego s’interroga

    Aqui no ringue da vida
    Qual deles sairá vencedor
    Tende a ser uma lotaria

    Mas se esta fôr decidida
    Dentro do ringue do amor
    Vence o anjo, a cobardia.

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    1. Em guarda... mas só por causa do grande capital e da enorme infecção que tenho...

      Demónios só servirão
      Pr`a convencer imaturos
      E os anjos, também são
      Irreais... embora puros...

      Trava-se, a luta, em batalhas
      Bem mais amadurecidas
      Que, embora surgindo falhas,
      Não estão ganhas... nem perdidas!

      Não tenho velhos demónios,
      Nem esqueletos nos armários
      E não me faltam neurónios,

      Nem raciocínios tão vários
      Que não dependam dos "nónios"
      Ou temam grandes... corsários...

      M. João



      Aqui vai um sonetilho confiante e bem disposto, Poeta. Eu é que, mesmo confiante, não estou nada bem disposta pois estou com outra enorme infecção, em cima das habituais mazelas... para além das indescritíveis condições de visualização e escrita para que voltei a ser remetida pela falta de iamgem no ecrã do computador...
      Mas segue com um grande abraço!

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  10. “Janelas da mente”

    Dita-nos a consciência
    Uma fórmula arriscada
    A máxima eficiência
    Está em desejar nada

    Como dar asas à mente
    Deixá-la por si procurar
    Pode até ser diferente
    O que venha a encontrar

    Projectar nesse vazio
    Formatos de pensamento
    Do sonho nunca alcançado

    Despender horas a fio
    E no derradeiro momento
    Ver o sonho concretizado.

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  11. “Limpinhos”

    Uma saída limpinha
    Sem programa cautelar
    Como a muitos convinha
    Depois de tudo limpar

    Passaram com distinção
    Os nossos governantes
    Na última avaliação,
    Nada será como antes

    Depois de tanta limpeza
    Que ao povo obrigou
    Resta porém uma certeza

    Para quem não emigrou
    Resto zero ou a pobreza
    Rico só quem governou.

    Prof Eta

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    1. ...nem com lixívia!!!

      Rico só quem governou...
      Mas largou "fogo de vista"
      Pois do que ao povo roubou
      "Cresceu", tão "grande estadista"

      E tanto mal provocou
      Que a boa "dona Elitista"
      Logo, a ele, os bens deixou
      E, a nós, nem sequer alpista...

      Também tenho uma gaiola
      E não tenho outro remédio
      Senão fazer-lhe a limpeza

      Pois, quando em lixo se atola,
      Não deito as culpas ao prédio
      Nem, tão pouco, a sua alteza*...


      Maria João

      * A minha velha Pitinha

      Segue com um abraço grande mas exausto, Poeta!
      Vai muito cheio de subentendidos, este sonetilho...


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  12. NOSSAS REVOLUÇÕES

    Vozes de uma amarga revolução,
    Que nos faz esquecer esse passado
    Amargo, triste e sem evolução,
    Que lembra todo um povo engessado.

    Será que isso fica sem solução?
    Não. O remédio é a democracia,
    Já que fizemos essa boa opção,
    Mesmo quando temos uma anarquia.

    Falo das falácias do Brasil
    Em suas reviravoltas políticas,
    Feitas por um povo bem varonil .

    De Portugal temos a grande herança,
    Que enriqueceu toda a nossa cultura
    E nos deu como troféu a esperança.

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    Respostas
    1. REVOLUÇÕES E DECASSÍLABOS (heróicos, no caso)

      Lembro que HÁ condições bem necessÁrias (6ª e 10ª)
      Que, contudo, não SÃO suficiENtes (6ª e 10ª)
      E as normas dum soNEto, sendo VÁrias, (6ª e 10ª)
      Não devem deturpAR-se ou ser di`frENtes... (6ª e 10ª)

      Bem sei que tudo FLUI, tudo acontECE,
      Como se este cantAr que de nós brOta
      Pelas vermelhas vEIas nos corrEsse
      Sem nossa permissÃO, mas sem batOta...

      Quanto às revoluçÕEs- nem sei se o DIga... -
      São organismos VIvos e pulsANtes
      Que a HistÓria reconhece, o povo abrIga,

      Que crescem quando gAnham militAntes
      E, num repente, fAzem "coisa antIga"
      Da relação das fOrças que eram d`ANtes...

      Maria João


      Meu caro Adílio, não pude deixar de reparar que o seu soneto tinha, efectivamente, dez sílabas métricas em todos os versos, excepto no primeiro verso do primeiro terceto, que tem nove. Espero que me não leve a mal este pequeno reparo, mas vim, agora mesmo, de uma página onde um amigo meu - um excelente sonetista - está a ter grande êxito na iniciativa que tomou de sensibilizar as pessoas para as particularidades da métrica, na redondilha maior e ocorreu-me fazer o mesmo em relação ao decassílabo. Pelo menos ao decassílabo heróico que é aquele que desde sempre pareceu "correr-me nas veias" ao compasso do "batimento cardíaco".
      Este "soneto" com que lhe respondo é francamente mau e muito fraquinho no seu conteúdo, mas está correcto do ponto de vista métrico e realça a importância do esquema de sílabas tónicas no verso decassilábico, condição "sine qua non" para um soneto assim se poder chamar.

      O meu avô, o poeta António de Sousa, era um excelente sonetista, embora apenas na sua juventude se tenha dedicado ao soneto. De qualquer forma, comecei a ler os seus poemas ainda na minha infância mais precoce e muito rapidamente "captei" o ritmo e a melodia que lhe são inerentes, muitíssimo antes de ter lido fosse o que fosse acerca das normas do soneto, razão pela qual - penso eu... - me é tão fácil associar um ritmo ou compasso a determinada forma poética.

      Aqui lho deixo com um abraço sincero!

      Maria João



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    2. Obrigado cara poetisa. Melhor seria dizer:

      "Falo das falácias do meu Brasil."

      Evidente que não estamos diante de um decassílabo heróico.

      Adílio Belmonte,
      Belém-Pará-Brasil

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    3. Claro que não, meu amigo! Mas, por muito que a minha paixão seja mesmo o decassílabo heróico e, por vezes, o verso eneassilábico, também gosto do decassílabo sáfico. O importante é que o compasso seja sempre marcado pelo jogo entre tónicas e átonas que não deve, de forma alguma, ser aleatório pois é nesse ritmo/compasso que se justifica a própria designação de soneto*, embora muitos pensem que basta manter a estrutura básica das duas quadras/dois tercetos. E não é verdade, como sabe.

      O meu fraterno abraço!

      *Soneto = pequenina canção

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