RELEMBRO




RELEMBRO


*


 


Relembro um rio que em gesto resoluto


Cresce em caudal e soma em quantidade


A mesma urgência com que agora luto


E me dá força enquanto houver vontade


*


 


Porque um poder perverso e dissoluto


Se nos impõe, esmagando a dignidade,


Sejamos fio de outro qualquer soluto


Que, em nos enchendo, engendre outra vontade!


*


 


Relembro o sangue em veias indomadas


E esta emergência em nós, sempre crescente,


Que nos transforma as mãos mais desarmadas


*


 


Em espada erguida sobre o prepotente


Que ensombra as águas vivas, libertadas,


Duma outra força antiga e sempre urgente!


*


 


 


Maria João Brito de Sousa 


15.04.2014 – 10.39h


***


 


 


Ao povo que, desobedecendo a uma ordem directa, invadiu as ruas em Abril de 1974 e transformou um golpe militar numa verdadeira revolução.


 


A todos nós!


 


 


Imagem retirada do Google, sem autoria visível.


 

Comentários

  1. Ao fim destes anos todos...



    feliz tarde

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    1. Olá, Anjo!

      Ao fim destes anos todos, estamos um bocado anestesiados, mas não estamos mortos! Além do mais tendem a dar uma versão muito romanceada da "coisa", e a verdade é que se não fosse esta extraordinária simbiose do povo... enfim! Foi essa acção conjunta que fez a revolução dos cravos!


      Feliz tarde para ti!

      PS - Estou sem som no Youtube e o computador vai-se abaixo a cada cinco minutos, mas vou até aí... se puder, eheheh...

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    2. Eu estava presente
      fora também
      e há muito comungo esse teu olhar...

      "eles comem tudo e não deixam nada"

      aplica-se ainda mais ao presente...

      Conheci em Moçambique o José Afonso

      e das memórias
      relembro o Bom que era viver por lá...


      Xoxo de aqui

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    3. Olha que não sei.... se eles se recusam a ver o óbvio, terei de ser "excessiva" nos meus argumentos!
      Se me deixarem falar, claro... se não, falarei no fim! E falarei por todos os que, estando na mesma situação, têm sido impedidos de o fazer pela força das circunstâncias!!!

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    4. Olá Jabei

      Fico feliz
      por te encontrar junto à Poetisa Maria João


      Maria luísa

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  2. Noto nestas palavras a força de Abril!
    De um Abril que vai longe....


    Bjinhs

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    1. Bem longe... mas bem vivo em muitos de nós, Golimix!!!

      Beijinho!!! Estou no RHP!!!

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  3. A todos,

    Ergo minha taça e os saúdo!

    E para ti,
    a minha imensa amizade
    maior do que o mundo
    tão triste e maltratado
    pela ganância de alguns...

    Melhoras e Páscoa feliz!


    Maria luísa

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    1. Muito obrigada!

      Que tenhas uma feliz e serena Páscoa, minha querida Maria Luísa!

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  4. “Revolução em saldo”

    Longa noite madrugada
    Marcham já na avenida
    Veio o hino pela calada
    Surge a coluna decidida

    São chaimites e soldados
    Sob comando dum capitão
    Muitos anos amordaçados
    Fez despontar a revolução

    E o povo saiu à rua
    Gritando a pleno pulmão
    Jamais seria vencido

    Mas para tristeza sua
    Ouve outra evolução
    E acabou por ser vendido.

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    Respostas
    1. Venha outra... em primeira mão!

      Foi vendido, atraiçoado,
      Moldado à causa burguesa...
      E alguns pensarão que é fado
      Deixar de ter pão na mesa!!!

      Mas, enquanto houver soldado,
      Brava gente portuguesa,
      E povo que, revoltado,
      Mostre bem que tem firmeza,

      Não perco a esp`rança de, um dia,
      - sei lá quando el`chegará... -
      Derrubar-se a tirania

      Que grassa agora por cá
      E que ninguém pensaria
      Que pudesse ser tão má!


      Maria João


      Segue com o abraço do costume. Poeta!


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  5. FABULÁRIO

    O PAGAMENTO DA DÍVIDA

    Estava ele a dever
    Ao seu vizinho, um milhão
    E perante a pressão
    P´ro capital devolver

    Ele deixou de comer
    Quatro quintos da ração
    P´ra entregar em prestação
    E dívidas deixar de ter.

    Rejubila o credor…
    Ia haver o que era seu
    E até louva o devedor!

    Este, ´inda pagou um mês
    Mas definhou e morreu
    Saldando o total, de vez.

    Eduardo

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    1. ALTERNATIVAS...

      Que estranhíssima maneira
      De se "liquidar" um saldo!
      Se nos falta muito caldo
      Mesmo havendo na algibeira,

      Agiganta-se a canseira,
      Mesmo tendo um bom respaldo,
      E, no fim, como rescaldo,
      Vai-se a vida, toda inteira...

      Devedor que muito deva
      Deve pensar duas vezes
      Ou depressa a morte o leva

      E ter juízo que baste
      Pr`a pensar nesses revezes
      Antes que uma vida gaste...


      Maria João


      Muito grata pelo envio de mais um pedacinho do seu Fabulário, amigo Eduardo!
      Abraço grande, para si e Maria dos Anjos!


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  6. Respostas
    1. Pobre do Chá...

      Poeta, hoje foi dia de exames em Lisboa! Não sei se vou conseguir responder ao seu sonetilho, mas vou ao chá!

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  7. “Onde andais...”

    Portugueses onde andais
    Nessas redes aglutinados
    Irreconhecíveis vos curvais
    Perante poderes infundados

    Poderes sem consistência
    Esses poderes comandados
    Há que oferecer resistência
    P’la dignidade dos soldados

    P’la dignidade deste povo
    Que não fez por merecer
    Tanta e tão cruel maldade

    Há que conquistar algo novo
    Nem que seja de novo morrer
    P’ra ver nascer a liberdade.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Aqui!!!

      Nas redes ou fora delas,
      Nem todos se curvarão!
      Mesmo enfrentando procelas
      Nunca o esforço será vão!

      Mais ou menos consistentes,
      Mais ou menos revoltados,
      Havemos de estar presentes
      Neste mundo, em todo o lado!

      Sabemos que a luta é dura,
      Que as horas serão pequenas
      Pr`ó que temos pr`a fazer

      Mas temos nas mãos a cura
      Par`as situações obscenas
      Em que nos tentam meter!

      Maria João


      Cá vai, Poeta! Abraço grande!





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  8. Respostas
    1. Continuo sem som na maquineta... e nem sequer tem "força" - a maquineta - para rodar as imagens de vídeo...

      Peço desculpa, mas o momento não é, de maneira nenhuma, o ideal para levar o computador ao "médico"... estou a ter dias de consulta e exames hospitalares uns atrás dos outros e, logo a seguir, no dia 13, a audiência com a Comissão de Recurso... não me convém nada ficar agora sem forma de me expressar online, mesmo que tenha de andar "ao sabor" dos "apagamentos e ressurreições" desta maquineta desconcertante, Poeta... mas agradeço-lhe muito!

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  9. REVOLUÇÃO BRASILIS


    Estamos também numa expiação
    Em nome talvez da democracia
    Da América Latina sem ação
    Diante de tanta desolação.

    Vivemos em plena revolução,
    Levados por gente despreparada
    Que nos traz flagrante consumação
    Da anarquia sempre desconjurada.

    É o Brasil, saído de Portugal,
    Portando todas as suas mazelas,
    Aportadas nesse belo inferno.

    Vivemos neste mundo desigual,
    Cujos mares nos dão muitas procelas,
    Pagando esse preço de ser moderno.

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    Respostas
    1. Um sonetilho para o caderninho da nossa História

      A "crise", poeta irmão,
      É, tão só, capitalista
      E esta nossa submissão
      Tem sido a sua conquista!

      Havendo organização,
      Logo o caminho se avista
      E eu sei que a revolução
      Já há muito está prevista!

      Não é "nosso", o "belo inferno",
      Mas do grande capital
      Que se vai julgando eterno,

      Mas se vai dar muito mal,
      E nem coube no caderno
      Da História de Portugal...


      Maria João

      O meu abraço, Poeta Êxtase!

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  10. Respostas
    1. Vou em paz, Poeta... mas também tenho essa "costelazinha", tenho...

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  11. “Nova face”

    E Abril aconteceu
    Não mais fomos gado
    Nesse tempo pereceu
    Povo a fogo marcado

    Sonho mais alto nasceu
    Da espingarda dum soldado
    E a ilusão obedeceu
    Pobre povo esfomeado

    De justiça e liberdade,
    Pelas ruas da cidade
    A enchente aconteceu

    Misto de alegria e ansiedade
    Espelho da nova verdade
    Nova face à ilusão deu.

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    Respostas
    1. Factos inegáveis!

      Não esqueceremos o laço
      Entre povo e militares
      Que, transformado em abraço,
      Envolveu tantos milhares!

      O pior foi mesmo serem
      Logo a seguir engendrados
      As mil "golpadas" que ferem
      Desde civis a soldados!

      Não fosse a louca traição
      E Abril teria vingado
      Muito além duma ilusão

      Porque, uma vez consumado,
      Mal ergueu cravo em botão
      Foi vilmente atraiçoado!


      Maria João


      Abraço grande, Poeta!25 de Abril, SEMPRE!!!

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  12. Respostas
    1. Bem me apeteceria ouvi-lo agora, Poeta... mas estou mesmo sem som...

      Abraço grande! 25 de Abril, SEMPRE!

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  13. Respostas
    1. Vou vê-lo!!!

      Tenho dois sonetos em espera para trazer para aqui... se calhar trago o que fiz hoje e deixo O TEU SILÊNCIO, Ó COMPANHEIRO! para depois...


      25 de Abril, sempre!!!

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  14. Não é um Cravo

    mas é boa a intenção...


    Feliz fim de semana

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