UM SONETO BREJEIRO... ou nem por isso...


 




SONETO BREJEIRO


*


 


Se a rosa cor-de-rosa abraça um cravo


E logo se desdiz, se faz rogada,


Não fica o rubro cravo a ser seu escravo,


Mas talvez fique a rosa apaixonada


*


 


E, mais tarde ou mais cedo, em gesto bravo,


Reflicta na paixão que foi travada


E venha murmurar-lhe; “Eu furo e escavo


Até tornar-me a flor mais desejada!”


*


 


Responde o cravo, altivo: -“Eu nunca disse


Que queria estar contigo, ó flor burguesa!


Não pudeste abraçar-me sem que eu visse


*


 


Que usando a mais-valia da beleza


Me ousavas seduzir sem que eu sentisse


No teu brejeiro gesto uma certeza!”


*


 


 


Maria João Brito de Sousa – 09.05.2014 – 14.56h

Comentários

  1. Claro que sim, Heretico!!! Fico muito contente!
    Quanto ao Pekenasutopias... bem, alguém arranjou maneira de eu não poder voltar a publicar nele... e não posso mesmo.

    Abraço!

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  2. Viva, Poeta!!! Não o esperava tão cedo... vou já ver esse chá!!!












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