SONETO EM ABSOLUTO SOLILÓQUIO
(Em decassílabo heróico)
Não sei o que fazer… se ao verbo informe,
Tomada de paixão, tente moldar,
Se negue a sensação sem a esboçar
E a devolva intacta ao que em mim dorme.
A compulsão, porém, tornou-se enorme!
Mais forte do que eu sou, quer-se afirmar
E sinto que não mais se irá vergar
Nem há compensação que, hoje, a conforme
Ou que possa anular-lhe esta vontade
De ir esculpindo uma voz que agora invade
O espaço das mil causas emergentes.
Se o tempo que passou gerou saudade,
Depressa entenderá que esta verdade
Lhe exige gestações bem mais urgentes.
Maria João Brito de Sousa – 23.06.2014 – 18.18h
Imagem - Pintura de Álvaro Cunhal retirada da página do Partido Comunista Português
“Temperos”
ResponderEliminarTempero de sal e amor
Nesta beira mar plantado
Porque infliges tanta dor
A pobre povo amargurado
Não o vejo merecedor
Dum viver assim pesado
Já nem existe ditador
Nem se toca só o fado
Ou viverá numa ilusão
E no instante seguinte
A ver o seu voto contado
Regressa à mesma prisão
E à condição de pedinte
Que lhe assistiu no passado.
Prof Eta
Ainda há sal...
EliminarBem nos preparam tal cama,
Tem, senhor, toda a razão
Mas, deste sal que em nós clama,
Nunca havemos de abrir mão!
Não queremos saber da fama
Nem nos move outra pulsão
Senão a que acende a chama
Da justa rebelião
Que irrompe, no dia a dia,
Que cresce e que e, já madura,
Mostra o sal qu`inda haveria
Se não fosse a corja impura
Ter feito tanta razia
Sem punição, nem censura!
Maria João
Aqui vai, com o meu abraço, Poeta!
"Carmo, o grande"
ResponderEliminarMeu fado é tosco agasalho
Mas também pode aquecer
Fruto de muito trabalho
Sigo a viver e a aprender
Esta é a caça ao fadista
Que recebeu prémio maior
Cantor é primeiro da lista
Dá ao mundo o nosso sabor
Este Grammy agora servido
Pela jovialidade do seu fado
Ouvido uma e outra vez
É um prémio merecido
Que seja mais divulgado
Grandeza do ser português.
Até à foz!
EliminarParabéns ao ganhador
De um tal alto galardão!
Alguns fados sei de cor,
Outros... lamento mas não...
Porém, pensando melhor,
Talvez cantando o refrão
Lembre o resto, sem temor
De me enganar na canção...
Seja, então, bem divulgado
O seu nome! A sua voz,
Sendo pertença do fado,
Cantará por todos nós!
Correndo por todo o lado
É que um rio se estende à foz!
M. João
Vai com o meu abraço, Poeta!
Carmo na ponte.
ResponderEliminar... ainda não posso ver nada na Ponte, Poeta... tem apenas a ver com o facto da minha "barca electrónica" estar demasiado velhota para aguentar o esforço de rodar um vídeo...
EliminarAbraço!
que venham então as gestações - que a urgência ... urge!
ResponderEliminarbelo teu soneto. como sempre.
Abraço, Heretico! Obrigada!
EliminarBom chá.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!
Eliminar"Infinita memória"
ResponderEliminarSophia menina do mar
P'las cidades aprisionada
Eterna é a sua pegada
Pode-se o tempo esgotar
Eternidade pode durar
Tempo dessa caminhada
Letras feitas sua estrada
Eterno o seu caminhar
Perseguido pela história
Gravada em nosso coração
Uma e outra e outra vez
Essência do ser português
Chega agora ao panteão
Da nossa infinita memória.
Chá ajuda.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!
Eliminar"Made in Portugal"
ResponderEliminarIVA do pão com chouriço
É que nos pode confortar
Quem melhor p'ra penar nisso
Que a segurança alimentar
Deste saboroso pãozinho
Vamos todos petiscar
Bebe-se um copo de vinho
E a fome não se vai notar
Desta receita surpreendente
Não me havia eu lembrado
E não pensem que é surreal
Fica o povo contente
De estômago reconfortado
Isto é made in Portugal.
Prof Eta
Sonetilho também "made in Portugal"...
EliminarDo que é "feito em Portugal"
Muito se pode dizer;
O governo é que vai mal
Por deitar tudo a perder!
De quanto pão se fizer
(com mais sal, com menos sal...)
Muito bem se há-de comer
Quando se der por igual
E, venha lá quem vier,
Será muito mais normal
Dá-lo sem nunca esquecer
Que é próprio do capital
Dar-lhe o preço que entender
Sem cuidar de fazer mal!
Maria João
Aqui vai com o meu abraço, um sonetilho "made in Portugal", Poeta!
Quem me dera ter o jeito que tu tens para escrever,parece que fazes tudo com um carinho e uma dedicação incríveis,eu sempre admirei quem escreve poemas,fica com deus,desejo-te um maravilhoso mês de Julho,muitos beijinhos,muita paz em toda a tua vida!!
ResponderEliminarObrigada, Menina!
EliminarTenho talento, eu sei... mas isso não me envaidece nem um bocadinho, antes me torna muitíssimo mais exigente comigo mesma e me impulsiona no sentido de ir dando o meu melhor... por vezes até à exaustão... penso que é uma atitude normal... se não é assim muito normal, deveria sê-lo! Darmos o nosso melhor é a única forma de nos sentirmos realizados enquanto seres humanos!
Muita paz interior!!! :)
Concordo absolutamente contigo,temos que dar sempre o melhor de nós próprios para podermos ser ainda mais felizes do que fomos ontem e do que fomos há um segundo atrás!! Acho lindo esse pensamento!! Fica com deus e excelente tarde de sexta-feira!! Beijinhos fofinhos!!
EliminarUm beijinho também para ti, Menina!
EliminarChá capitalista.
ResponderEliminarAhá! Um Chá que "alinha" com a maioria para "engordar" uma minoria... estou mesmo sem tempo, mas vou vê-lo, Poeta!
Eliminar“Animais”
ResponderEliminarA harmonia do cardume
Revela enorme coesão
Do ser humano azedume
Revela-se na destruição
Exemplos mais haveria
Na natureza reveladora
P’ra mostrar a desarmonia
Como força destruidora
Mas este ser inteligente
Mais que outros animais
Exemplo único da criação
Destrói insistentemente
Por motivos banais
E desprovido de razão.
Animais, todos nós!
EliminarFalo do que registei
Ao longo da vida inteira;
Pensa sim, que eu bem o sei,
Mas pensa à sua maneira,
Cada espécie com seu uso,
Segundo as necessidades...
De tontos nunca os acuso,
Não tenho tais veleidades!
Sei que estão sempre a aprender;
São curiosos, frontais,
Tudo tentam conhecer
E, como nós, são mortais...
Porque havemos de dizer
Que não somos animais?
Maria João
É a minha segunda tentativa de publicar este sonetilho-resposta, Poeta... a maquineta já se apagou e deixou-me sem o outro sonetilho... este é um pouco diferente, mas diz o mesmo, basicamente.
Abraço grande!
"Fim de ciclo"
ResponderEliminarMenina não sabes nada
Porque não estás à janela
Senão ser-te-ia revelada
A sabedoria através dela
Basta olhar e compreender
Olhar e não perceber nada
Pois às vezes mesmo a ver
Não entendes a charada
Tal não é a contradição
Nestes tempos conturbados
Com sua economia mortal
Sobrevive-se sem convicção
Os vivos são amortalhados
Podem morrer não faz mal.
Prof Eta
Direitos de Menina Que Cumpre os Seus Deveres de Poeta
EliminarMenina sabe, ou não sabe,
O que ela entenda saber!
Se esse direito lhe cabe,
Vamos-lho reconhecer!
Se não gosta de charadas,
Se firmes, seus objectivos,
Se em obras bem estruturadas
Se vai firmando entre os vivos
Pr`a quê chamá-la à janela
Ou apontar-lhe os caminhos
Do que não nasceu só dela?
Quanto aos ditosos vizinhos,
Cabe-lhe a ela - só ela! -
Deixá-los, ou não, sozinhos...
Maria João
Cá vai, Poeta, com o meu forte abraço de sempre!
Chá sem nexo.
ResponderEliminarOlá, Poeta! Vou vê-lo!
Eliminar"Cuore"
ResponderEliminarCoração para o mundo
Desejo que me conduz
Este é amor profundo
Embora possa ser cruz
Tem um brilho especial
Luz intensa certamente
Chega a ser sensacional
Coração que não mente
Cabem nele as emoções
Num estado cristalino
Perguntam se é possível
Respondo sem excepções
Esse é o seu destino
Sensação indescritível.
RATIO
EliminarMundo já tem Coração,
Mas esse órgão tem defeito
Se não juntar a Razão
Às razões que traz no peito...
Tenhamos muita atenção,
Que esse equilíbrio perfeito
Cura toda a disfunção,
Nunca aceita o preconceito...
Muito contraproducente
Para a tosca Humanidade
Que tem tanta, tanta gente,
Será julgar que a Bondade,
Sem Razão, é competente
Pr`a guiar-nos a Vontade...
Maria João Brito de Sousa
Aqui vai com o meu forte abraço, Poeta! É um sonetilho que merece uma revisão cuidadosa, mas não o posso fazer agora porque a maquineta está farta de se apagar...
Chá profanado.
ResponderEliminarPobre Chá, Poeta! Estou a trabalhar através da pen recarregável e em condições muito, muito más, mas vou tentar ir ao Chá!
EliminarA arte e magia da poetisa ao lidar com os decassílabos me fazem ainda mais reflectir sobre esse tipo de composição .
ResponderEliminarObrigada, Poeta Êxtase!
EliminarÉ bem certo que existem tanto arte quanto magia - ou aquilo que possamos entender como tal... - nos sonetos em decassílabo heróico, mas não me cansarei de afirmar que o trabalho - um trabalho intenso, constante e sistemático - também tem de estar presente em toda a obra poética. Se é certo que os sonetos fluem de mim muito livremente, a ponto de tantas vezes me parecer que se constroem "sozinhos", a verdade é que, depois de lançadas as estrofes, há que trabalhá-las cuidadosamente, sob pena de acontecer o que frequentemente me acontecia há bem poucos anos e, agora, me leva a descobrir "erros de palmatória" em muitos dos meus sonetos publicados antes de 2013... é um percurso, uma "construção" constante e sempre inacabada, este trabalho de sonetista...
Fraterno abraço!
Maria João
Chá reflecte.
ResponderEliminarObrigada, Poeta! Vou ver esse Chá!
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