UM SONETO "FORA DA LEI"
(Em decassílabo heróico)
Passaram tantos dias, tantos anos
(… a vida é mesmo assim que se desenha,
Não escrevo pr`a chorar-lhe os desenganos),
Que aqui tento evocar, nesta resenha
Do “engenho” que cresceu nos meus “meccanos”,
Das bonecas de loiça ou desta estranha
Memória que, ao passar, não causa danos
Porque, aos danos que fez, esquece e desdenha.
Nostálgica… não sou, nunca o serei!
Se evoco, é porque nisto reproduzo
O pouco, o muito pouco qu`inda sei
Que vou fazendo enquanto me conduzo
Ao sabor da palavra e contra a “lei”
Que a tantos dobrará, mas que eu recuso.
Maria João Brito de Sousa – 14.06.2014 – 17.13h
“Não ser”
ResponderEliminarSer, sem ter nascido
Está aberta a discussão
Modelo é desconhecido
E muito além da razão
Pode ser desenvolvido
No campo da abstracção
Pois mesmo sendo parido
Há muitos que o não são
Ser assim significaria
Não ser pedaço de gente
Coisa finita e mortal
E assim se provará um dia
Num domínio diferente
Que o não ser é imortal.
Pelo sim, pelo não...
EliminarFica longe, o tal Modelo,
Desta humílima razão,
Mas, se não digo que não,
Também não pago pr`a vê-lo...
Fique o Não Ser num escabelo,
No altar da tradição,
Vestido ou posando "em pêlo"
Pr`a nossa satisfação...
Eu vou sendo enquanto sou
E escrevendo, enquanto posso,
O que a Musa me soprou
Quando a memória - que adoço... -
De outros tempos se lembrou
A seguir ao meu almoço...
Maria João
Gostei muito deste seu sonetilho, Poeta! Cá vai este, muito pragmaticozinho e ainda mais coxo, mas...vai com o abraço do costume!
Recuse sempre. Lida foto.
ResponderEliminarLinda.
Eliminar!
EliminarChá pensante.
EliminarChá limite.
ResponderEliminarVou ver esse Chá-limite, Poeta!
Eliminar“Velho fado”
ResponderEliminarPaís de trapaças mil
Vê-se nelas enredado
Antes e depois de Abril
Este é o nosso fado
Fado do desgraçadinho
Maltrapilho e rasgado
Pedregoso seu caminho
De futuro enrodilhado
Pobre povo já não lavas
As mágoas da tua alma
Pelo sofrer encardida
Antes ainda cantavas
Mas roubaram-te a calma
Deixaram-te a alma ferida.
Prof Eta
Velho ou novo...
EliminarPovo, por muito que laves
As nódoas do teu país,
Por muito, muito que escaves
À procura da raiz,
Por mais que, tonto, te "encraves"
Fazendo o que alguém te diz,
Descobrirás tuas chaves
Bem debaixo do nariz!
Velho fado, ou fado novo,
A canção de cada dia
Há-de chegar-nos de um povo
Que, já farto do que via,
Descobre que o próprio ovo
Só nasceu porque... podia!
Maria João
Com o abraço do costume, Poeta!
Chá pensante.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!
Eliminar“Navegando”
ResponderEliminarNa paz podre navegamos
Ou em fraticidas batalhas
Meio termo não encontramos
Carregamos as cangalhas
Encontrar a harmonia
Será o limite perfeito
Duma natural hierarquia
Cimentada pelo respeito
Neste navegar atribulado
Mas de forma consciente
Procuramos alcançar
Um rumo equilibrado
P’ra de forma consistente
Navegarmos tanto mar.
Vejo-te, onda gentil, quebrando ao largo
EliminarDa praia pequenina que inventei
Pois disto, que recordo, eu nada sei,
Senão que esse "tão longe" é muito amargo...
Maria João
Só assim, Poeta, com o meu abraço! Não deixa de ser decassílabo... e heróico, quanto à acentuação/métrica, porque é exactamente a isso que se refere, em poesia, o termo heróico.
confesso a minha atração pelos poemas fora da lei.
ResponderEliminaros meus não atingem tal dimensão - limitam-se a ser "heréticos" ... rss
gostei muito.
cumprimentos
OUTRO FADO
ResponderEliminarPor eu não gostar de cantar o fado
E ficar cansado de tanto o ouvir
Não creio merecer o ser acusado
Nem ser condenado por assim sentir
Também não acuso quem se divertir
E ao ouvi-lo, triste, ficar consolado…
Mais cedo ou mais tarde vai pô-lo de lado
Vai querer outro fado para o seu porvir
Não quero viver a morrer de saudade
Sempre à espera de um desejado,
Sempre ansioso da minha ansiedade.
Ir ver tanto mar, para que serviu?
P´ra vir soluçar esse velho fado,
No lugar deixado, donde se partiu?
Eduardo
“A bem da nação”
ResponderEliminarHoje o melhor do mundo
Jogador de Portugal
Esteve lá muito no fundo
Como um jogador banal
Foi-se tudo num segundo
Não houve onze ideal
Este hoje caiu rotundo
No início do mundial
Foi um golpe profundo
Como há muito não se via
Numa grande competição
Que nasça onze fecundo
P’ra nos dar muita alegria
Tudo a bem da nação.
Prof Eta
Chá vê.
ResponderEliminarAi, Poeta... o chá vê, mas eu é que fiquei sem ver nada porque o acesso anterior ficou bloqueado... agora estou com uma pen e tenho mesmo, mesmo de poupar... mas vou ver se vejo o que o chá vê
Eliminar“Vozes”
ResponderEliminarO céu impõe o limite
P’rá nossa actuação
O inferno não permite
Tanta boa intenção
Humanidade insiste
No caminho d’anulação
O homem não desiste
Desta antiga fixação
Luta em nome de tudo
Que possa causar dor
Impondo a destruição
Devia lutar sobretudo
Pela partilha e o amor
Dando voz ao coração.
MACUMBA-UM FILME DE TERROR
ResponderEliminarQuatro vezes castigada
Das quinas, a selecção…
Quatro vezes projectada
Naquele enorme ecrã
Daquela televisão
A bruxa má alemã.
Bate palmas, a malvada
A antever deglutição
De enorme goleada
Por ela saboreada
Com toda a sofreguidão.
Antes fora abençoada
Pela feiticeira chefe,
Senhora de Iemanjá,
Uma tal Silma Rousseff…
Só faltou vermos por lá
O Feiticeiro de Oz,
Mas, esse, ficou por cá
Muito quedo, entre nós,
Em longa meditação,
Antevendo a maldição
Que sobre ele cairá
Em futura encenação
De um Juízo Final
Ditado por Tribunal
Que impõe a Constituição
Por ser Constitucional.
Eduardo
É filme de meter medo
EliminarPorque, ao tornar-se real,
Vem fazer-nos tanto mal
Que, em vez de filme, é degredo
Do qual não falo em segredo
Por ser causa nacional
Que será sempre anormal
Porque os vejo num folguedo,
Cada qual sorrindo, ledo,
Por cada golpe mortal
Que dão neste Portugal
Que julgam mero penedo…
Maria João
Excelente poema, amigo Eduardo!
Para não variar, a minha “carripana” apagou-se completamente quando lhe comecei a responder online, directamente no blog. Como agora tenho de lidar com mais um “senão” – a ligação habitual, partilhada, passou a estar indisponível e tive de arranjar uma pen – é muito natural que o meu tempo online fique muito reduzido. Peço desde já desculpa se a minha participação se tornar mais esporádica.
Pensei responder-lhe com uma décima, mas saiu-me uma… olhe, baptizo-a eu, agora; uma “duodécima”! Está erradíssimo, o conceito, mas está de acordo com muita coisa...
Um forte e grato abraço para si e Maria dos Anjos!
“Existia”
ResponderEliminarGoverno esclarecido
Pelo constitucional
Pôs o povo deprimido
Aguenta, mas bate mal
É um povo imerecido
Não alcança o manancial
De ter o défice cumprido
Para salvar Portugal
Pode já não haver povo
Mas existe crescimento
P’ra salvar a economia
Existe um mercado novo
E um banco de fomento
Enquanto povo existia.
Prof Eta
Povo, povo, como é duro
EliminarAceitar quanto te impõem!
Luta, povo, que o futuro
Está nas asas dos que voem!
Não creias nessa mentira
Duma dívida pagável
Porque o desgoverno tira
Mesmo a vida ao que é viável!
Somos mais do que algarismos
Mas vamos sendo tratados
Como objectos descartáveis
Já lançados nos abismos
Dos "jogos" não confessados
De interesses inomináveis!
Maria João
Vai com o meu abraço, Poeta!